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22.11.17

{Resenha} Desejo Concedido - Guerreiras # 1


Oi amores. C-H-E-G-U-E-I!


Hoje trago uma das melhores leituras desse ano (SIM!), e simplesmente me apaixonei ainda mais pela escrita e estória dessa autora genial.
Vamos conferir a resenha? Bora lá!

*livro cedido pela editora

Sinopse:

“Na Inglaterra do século XIV, após a morte dos pais, a jovem lady Megan Phillips, de vinte anos, segue uma vida tranquila, focada na educação e na criação de seus dois irmãos mais novos. Para fugir de um casamento arranjado por sua tia, Megan e a irmã, Shelma, vão para o castelo de Dunstaffnage, na Escócia, onde vive seu avô Angus de Atholl, do clã McDougall. Anos depois, durante o casamento de um de seus primos, Megan – uma mulher aguerrida, pronta a empunhar uma espada pra defender sua família e que não se dobra por nada e nem por ninguém –, conhece o temido guerreiro de olhos verdes Duncan McRae – um homem acostumado a liderar exércitos, mas que nunca esteve preparado para enfrentar o gênio forte de uma mulher. O destino trama contra (ou a favor de) Megan, que, contra a sua vontade, acaba se casando com Duncan. Conseguirão os dois se entender e seguir a vida como um casal feliz? Ou viverão às turras, como se estivessem num campo de batalha?”


Resenha

Me apaixonei pela escrita da Megan Maxwell quando li Quase Um Romance e foi fulminante. Desde então estou à procura de mais livros publicados aqui no Brasil, e também e-books dela (apesar de não curtir muito esse formato de leitura).
Quando vi que a Editora Essência iria publicar a Série Guerreiras fiquei imensamente feliz e sabia que não iria me decepcionar. Superou as minhas expectativas, e posso dizer que virei uma fã assídua de suas estórias.

O drama que se desenrola na Inglaterra do século XIV do principio ao fim, é a rivalidade histórica entre escoceses e ingleses. E quando o destino/amor/fatalidade, trama e os “inimigos” se casam e dessa união nascem os híbridos, meio inglês, meio escocês então é uma grande fatalidade.
Foi o que aconteceu com nossa heroína Megan Philiphs e seus irmãos, eles não têm pátria. E ao ficarem órfãos é ela quem cuida da educação e criação, e seus tios só querem saber de casa-la junto com sua irmã com homens da pior espécie que se possa imaginar. Com a pior reputação, para que faça com que elas tomem jeito através da força e brutalidade, por isso Megan, Shelma e Zac, se veem numa situação, onde a única saída é fugir.
Com a ajuda de um inglês, que não alimenta o ódio nacional, eles conseguem chegar ao lar do avô materno Angus de Atholl, líder do clã McDougall no castelo de Dunstaffnage, na Escócia. Onde são recebidos com amor e os cria, mas com uma educação diferenciada. Seu avô as ensinou a não baixar a guarda pra ninguém, ser uma guerreira forte e destemida.


Mas aquele lugar da Escócia há as pessoas que as aceitam ou não e isso promove as reviravoltas do livro.
Megan e Shelma são lindas, espirituosas, carinhosas, prestativas, mas se pisam no calo, ambas mostram a sua educação diferenciada, isso em pleno ano de 1308.
Megan por sua beleza e seu tipo exuberante, chama a atenção dos homens e a inveja das mulheres.
O maior insulto para Megan e seus irmãos, e serem chamados de sassenach (estrangeira), por não ter a origem pura escocesa, e ter também no seu sangue uma parte inglesa que os moradores da região não aceitam. O que acarreta mais determinação da parte dos irmãos em serem respeitados e aceitos.
Shelma a acompanha em suas “brigas”, mas o “gatilho” de todas as incursões da estória e acionado pelo irmão mais novo Zac, o fedelho.
E é em uma dessas incursões, quando Zac, rouba alguns badulaques para as irmãs, numa feira, que Megan e Shelma, trocam olhares pela primeira vez com o guerreiro escocês Duncan McRae e Lolach McKenna.


Duncan (vulgo Falcão) é um guerreiro escocês destemido e manja das artes no campo de batalha como ninguém. Forte, viril e bruto, isso o torna um guerreiro temido.
Com uma decepção amorosa recente, ele não acredita no amor, mas não pode negar, para os amigos e familiares que o observam, que Megan o impressionou demais. Os cabelos enormes e negros o encantaram.
E a estória fica deliciosa, quando por causa de um artificio bem engendrado, Duncan se casa com Megan e a leva para seu clã, viajando pela sua Escócia com encostas enevoadas e floridas. O que será de Megan agora com sua nova vida? Casada com um guerreiro?

Nesse livro além da excelente estória, a autora nos brinda através de seus textos, com a visão de uma Escócia, com seus hábitos e costumes. Sua gente, seu solo, com elevações enevoadas e sua magnifica vegetação e o orgulho de ser escocês e o amor pela terra.
Um romance soberbo, rico em seus detalhes, com personagens fortes que se “digladiam” nas opiniões e ao mesmo tempo se conectam pelo amor que renasce em seus corações.


Desejo Concedido é um livro espetacular, lendário, dramático, romântico e com uma boa pitada de humor. Mocinhas fortes, sem papas na língua, que sabem se virar muito bem sozinhas. Esse é o melhor tipo de “mocinha” que faz a diferença.
Parabéns para a autora, que me deixou extasiada com o romance delicioso de Duncan e Megan. Ansiosa pela continuação.
Merecidamente o selo né? Porque a estória é incrível!


Por hoje é só meus amores. Até a próxima. Tchau!


Título: Desejo Concedido - Guerreiras # 1
Autor (a): Megan Maxwell
Editora: Essência
Número de Páginas: 464

21.11.17

{Resenha Premiada} O Cavaleiro Verde


Autora: Louise Soares
Editora: Giostri
Páginas: 246
Sinopse: Após ter sua coroa usurpada por um rei tirano, a princesa Alexandra de Scarlach se disfarça como o Cavaleiro Verde para participar do Torneio do Campeão. A competição dá ao vencedor um grandioso prêmio em ouro e o direito a um voto no Conselho dos Povos, justamente as ferramentas de que Alexandra necessita para recuperar seu reino. Antes, porém, ela terá que descobrir em si mesma o que a faz uma campeã e, principalmente, como ser a heroína pela qual o povo de Scarlach espera.


Sabe um livro com uma história simples e bem-feita? Então, é esse. Não há grandes feitiços, não há mistérios (só um, na verdade), só o simples e puro comportamento humano. Me lembrou muito o filme Coração de Cavaleiro (estrelado pelo falecido Heath Ledger) onde ele também precisa lutar seu caminho em direção à honra. Porém, Alexandra tem mais complicações em sua vida.

Nascida filha do rei Ulisses e da rainha Sabine, teve uma infância comum de princesa, em contato com outros nobres feudais e protegida por seu padrinho, o temível Cavaleiro Negro. Porém, uma fatalidade leva embora sua mãe, que, como último pedido a seu marido, solicita que ele encontre o tesouro de Adlige. A fama de uma grande fortuna enterrada em algum ponto do deserto o faz deixar três de seus conselheiros mais confiáveis no encargo de seu reino e parte com sua filha Alexandra em busca do tesouro em uma aventura que deveria durar poucos meses...

Anos se passam. E as notícias são terríveis: um dos regentes de seu pai, Venceslau Ferraghas, tomou para si a coroa do reino de Scarlach, onde ele reina junto de seu filho violento: Drustan. Venceslau é um rei tirano que abusa de seu povo com violência. Decidida a retomar o que é seu, Alexandra percorre o caminho de volta e o que encontra é devastador: pessoas são vendidas em plena praça, há fome e desespero por todo o lado. 

Encontra, ainda no reino que deveria ser seu, o jovem Gabriel. Determinada a ajudar todos que cruzarem seu caminho, toma o menino como seu escudeiro. Embora ele ainda seja meio cético de que ela possa ser um cavaleiro – é uma mulher, oras! – ela o segue para o reino vizinho, onde ela acredita que pode encontrar algum apoio: o rei de Amaranthia era amigo de seu pai e Alexandra era a melhor amigo de Connal, filho do rei. Por sua aparência selvagem e roupas de viagem, os soldados não a deixam se aproximar do castelo. Uma princesa deveria estar com vestidos de seda, e não calça de couro e com uma espada na cintura!

Porém, o que encontra é resistência: ela não quer simplesmente o exército do reino amigo, bem como quer lidera-lo. E o rei poderia até aceitar se fosse ele quem comandasse... Mas o que uma mulher pode fazer, não? Connal está de mãos atadas e não possui modos de auxiliar sua amiga, a não a lembrança de que ela possui uma herança a ser resgatada.

No banqueiro, apenas uma dívida lhe resta. Junto, a possibilidade de ser presa que lhe deixa em pânico. Mas nem tudo está perdido e vê a possibilidade de pagar suas dívidas e ajudar seu pequeno escudeiro ao mesmo tempo: O Torneio dos Azarões!
"[...] O Campeão não é o mais forte, nem o mais fraco. Não é o mais rico ou o mais pobre. Tampouco será o dono da espada mais afiada ou do cavalo mais veloz. Nada disso. O verdadeiro campeão é aquele que é capaz de vencer suas adversidades, de quitar uma deslealdade com sua honra, de renascer dezenas de vezes qual uma fênix incansável. [...]"
Neste torneio, apenas homens participam (obviamente). Mas isso não irá impedí-la de concorrer pela possibilidade de ter uma pequena renda e a possibilidade de entrar no torneio dos campões, que lhe garantirá muito ouro e a possibilidade de ter voz no Conselho dos Povos, composto pelos regentes e reis dos reinos.

E assim, ela começa a trilhar seu caminho. Esconde de todos quem é a pessoa por trás do elmo do Cavaleiro Verde e, com a ajuda de outras pessoas, dá um jeito de estar ao mesmo tempo em mais de um lugar. O desespero e a desistência não fazem parte de sua vida, determinada sempre a nunca prejudicar ninguém. 

Se pensarem bem, numa guerra alguém sempre é prejudicado. Então ela ainda é inocente em muitos aspectos, bem como é bastante impulsiva. Mas junto de amigos e um provável amor (que em momento algum tornou-se a peça central da história de Alexandra), ela sabe que seu destino é retornar a Scarlach. O inimigo possui muitos braços e fará de tudo para impedí-la, seja pela farsa, seja pela força. Mas isso não fará com que ela seja menos feroz, ela sabe o caminho que a trouxe até ali e não irá admitir que destruam aquilo que seus pais construíram.

By Eydart
A estória de Louise Soares, como eu disse no começo dessa resenha, é simples. Gostosa de acompanhar e te acolhe a cada nova página. O livro é dividido em diversos capítulos nomeados e identificados no índice logo do começo. As descrições da autora vêm no ponto certo e os personagens são cativantes e bem claros: quem é bom, é bom e quem é mau, é mau. Não há o cinza em momento algum... Mesmo aqueles claramente em cima do muro, você entende que são maus. Há apenas uma pessoa que não sabe o que fazer diante de um acontecimento-chave e você torce para que ela faça o certo.

O livro é recomendado para todas as idades, é muito gostoso acompanhar as aventuras e desventuras de Alexandra. 

Mas sabe o que é melhor?

Em parceria com a autora Louise Soares, você poderá ter esse livro na sua estante!!! A autora nos enviou também um para sortearmos!


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20.11.17

{Resenha} A Bússola de Ouro


Título Original: The Golden Compass
Trilogia: Fronteiras do Universo vol.1
Autor: Philip Pullman
Editora: Suma de Letras
Sinopse: Lyra Belacqua e seu daemon, Pantalaimon, vivem felizes e soltos entre os catedráticos da Faculdade Jordan, em Oxford. Até que rumores invadem a cidade - boatos sobre sequestradores de crianças, os Papões, que estão espalhando o medo pelo país.
Quando seu melhor amigo, Roger, desaparece, Lyra inicia uma perigosa jornada para encontrá-lo. O que ela não desconfia é que muitas outras forças influenciam seu destino e que sua aventura a levará a terras congeladas do norte, onde feiticeiras e ursos de armadura se preparam para uma guerra.
Embora tenha a ajuda do aletiômetro - um poderoso instrumento que responde a qualquer pergunta -, nada a prepara para os mistérios e a crueldade que encontra durante a viagem. E, mesmo que ainda não saiba, Lyra tem uma profecia a cumprir, e as consequências afetarão muitos mundos além do seu.

No mundo em que Lyra vive, não há muita diferença em relação ao nosso, embora ao mesmo tempo seja bem diferente. A ciência e a religião se confundem e a alma das pessoas toma a forma de um animal, seu daemon. Este, durante a infância é capaz de mudar de forma conforme sua vontade, no entanto, durante a puberdade os daemons passam a ter uma forma só pelo resto da vida.

Lyra tem doze anos e vive brincando e se metendo em diversas confusões entre os corredores da Faculdade Jordan, quando um dia, ela tem a brilhante ideia de bisbilhotar a sala privativa, onde reuniões de catedráticos são realizadas e da qual ela não tem permissão para entrar. Acontece que, por conta de um erro de cálculo de sua parte, ela e Pantalaimon acabam em uma situação difícil: ela se vê escondida no armário do Reitor enquanto todo o encontro entre os demais catedráticos ocorre, incluindo seu tio lorde Asriel.

Ela se depara com diversas palavras e nomes que nunca ouvira falar antes, além de imagens trazidas pelo próprio lorde Asriel, que mostram mistérios que ela não podia compreender, como luzes do céu, as tais chamadas Luzes do Norte, ou ainda Aurora Boreal, através da qual era possível se ver uma cidade, suspensa no ar.

Bom, apesar de seu ato impensado e de sua "espionagem" nos assuntos políticos envolvendo os catedráticos, nada mudara nos dias bagunceiros de Lyra e seus amigos, a não ser quando os rumores começaram a surgir. Os rumores de que os Papões, aqueles que andavam sequestrando crianças em outras cidades, haviam chegado à Oxford e que uma das crianças gípcias havia desaparecido quase que ao mesmo tempo que seu melhor amigo Roger.
"Aquele era seu mundo. Ela queria que ele permanecesse o mesmo para sempre, mas tudo estava mudando ao seu redor, pois alguém lá fora estava roubando crianças. Ela se sentou na cumeeira do telhado, o queixo apoiado nas mãos.
- Precisamos salvar o Roger, Pantalaimon. - declarou."
Mas, antes que pudesse colocar qualquer tipo de plano em ação, Lyra se viu partindo para Londres na companhia de uma estonteante mulher, chamada Sra. Coulter, uma espécie de exploradora, que fazia parte de outra Faculdade, embora seus trabalhos basicamente consistiam fora de Oxford. Por se tratar de uma conhecida de lorde Asriel, como disse o próprio Reitor, ele decidiu por fim deixar a menina em suas mãos, mas não antes de dar à Lyra um instrumento curioso, do qual ela deveria guardar segredo absoluto, até mesmo da graciosa mulher. Um aletiômetro, algo parecido com uma bússola, porém no lugar de letras possuía símbolos, algo que aparentemente contava a verdade.

Lyra passou semanas trabalhando como secretaria da mulher, enquanto ela lhe ensinava sobre diversos assuntos. Fosse sobre etiqueta, moda, curiosidades ou sobre matérias variadas, já que a menina nunca estudara em uma escola e apenas aprendia coisas esparsas em Jordan com algum professor que estivesse à disposição.
Porém, ela acaba descobrindo algo assustador: a mulher por quem guardava tamanha admiração fazia parte dos Papões e mais ainda: ficou sabendo que lorde Asriel estava sendo mantido como prisioneiro no extremo norte por Ursos de armadura. Sem pensar duas vezes, Lyra e Pantalaimon fogem pelas ruas de Londres, para escapar de companhia tão maléfica.

Pouco depois a menina acaba encontrando conhecidos de Oxford que possuem o mesmo objetivo que ela: resgatar as crianças sequestradas e assim, ela se alia a eles e juntos navegam rumo ao Norte.

Em seu caminho Lyra conhece diversas pessoas e diferentes criaturas, dentre elas uma feiticeira e seu encantador daemon, além de um belo urso de armadura, um renegado de Svalbard, que fizera um acordo de os ajudar em sua árdua missão. A garota também desvenda alguns segredos enterrados sobre seu passado e tenta entender algumas coisas em seu destino.
"A luz enchia todo o céu ao norte; sua imensidão mal podia ser concebida. Como se vindas do próprio paraíso[...] No meio daquela delicadeza evanescente, ela experimentou uma emoção tão profunda como a que havia sentido quando estava perto do urso. Aquilo a comovia, era muito lindo, quase sagrado"
O livro todo é uma fantasia maravilhosa, talvez um dos melhores do gênero que eu li, depois de As Crônicas de Nárnia. A trama toda foi bem trabalhada em cima desse entrelaço incrível entre religião e ciência. Achei fantástica o conceito da conexão das pessoas com seus daemons, é algo tão bonito, tão profundo e por vezes sofrido.

Outro ponto que deveria citar também são os personagens, todos muito bem desenvolvidos e pude sentir minha admiração ou repugnância em relação à alguns crescendo ou se modificando ao longo da história, enquanto que alguns eu não pude deixar de amar desde o primeiro momento e outros ainda eu não tenho muita certeza como me sinto, vou ter que esperar pelos próximos volumes para poder me decidir! (risos) Mas sem sombra de dúvida é um livro maravilhoso, agora mesmo, enquanto escrevo essa resenho estou com ele aberto e me pego relendo capítulos inteiros novamente, só para ver se ainda tenho todas as palavras gravadas em minha mente.

Fiz questão de não contar com todos os detalhes suas descobertas e o desfecho, pois acho que a experiência própria seria bem mais satisfatória. Uma leitura mais do que recomendada!

17.11.17

{Resenha} Trago seu amor de volta sem pedir nada em troca



Autor: Ique Carvalho
Editora: Sextante
Ano: 2017
Sinopse: A vida de Ique Carvalho era tranquila e parecida com a de muitos jovens de Belo Horizonte, sua cidade natal. Ele morava com os pais e os irmãos, era apaixonado pela namorada e trabalhava na agência de publicidade da qual era sócio. Suas impressões sobre o cotidiano iam para o blog The Love Code, onde podia dar vazão ao seu talento para escrever. Até que, em 2013, dois fatos fizeram tudo virar de ponta-cabeça.Na mesma semana, seu namoro teve um fim traumático e o pai recebeu um diagnóstico de uma doença degenerativa grave, que o mataria aos poucos. Sem chão e em meio a um turbilhão, foi no blog que encontrou refúgio para expressar seus sentimentos.Os textos fortes e genuínos acabaram viralizando, popularizando o site e dando a Ique milhares de fãs e seguidores. Suas palavras possuem o incrível dom de ser, ao mesmo tempo, simples e profundamente verdadeiras, traduzindo o que há de mais puro e desejável no amor.Essa mesma capacidade de causar impacto e despertar as emoções dos leitores permeia as reflexões tocantes de Trago seu amor de volta, seu aguardado segundo livro solo. Ique mais uma vez demonstra sua vocação única como cronista do amor em todas as suas expressões.

Comecei a acompanhar o trabalho do Ique Carvalho ainda pela internet, através do blog The Love Code. Suas crônicas sempre pareceram falar da vida real, de forma a conversar com o leitor, aconselhando pessoas que lhe escreviam, falando de amores, de dores, de aprendizados e tantos outros sentimentos que às vezes nem conseguimos descrever.

Quando Ique lançou seu primeiro livro, “Faça amor, Não faça jogo”, comprei sem medo de me arrepender. Além da edição maravilhosa, a escrita do autor é de uma sensibilidade sem tamanho, nos fazendo emocionar até mesmo com as frases mais clichês, que são colocadas em destaque entre cada um dos textos.

Dessa forma, escolhi “Trago seu amor de volta” para resenhar, sem medo de ser feliz. Tinha certeza que iria encontrar um livro lindo, tanto esteticamente quanto em seu conteúdo. É aquele tipo de livro que devoramos em poucas horas, mas que sempre voltamos para reler algum texto que nos marca.


Uma coisa que acho o máximo em ambos os livros, é que o autor montou uma playlist no Spotify para cada um deles, indicando uma música para se ouvir em cada texto, e apesar de não ter vivido essa experiência quando li o primeiro livro, resolvi fazer o teste nesse segundo, e posso dizer que foi incrível! Realmente cada música foi escolhida com cuidado para combinar com os textos, tornando a leitura uma delícia, daquelas de dar um calorzinho no coração.

Vários textos nos fazem repensar nossas atitudes, como temos agido em relação às outras pessoas, aos nossos medos, e à essa sociedade individualista, em que não podemos mais demonstrar sentimentos, pois ninguém mais sabe o que é reciprocidade.
“Eu me amo e quero amar o outro também.Mas parece que o mundo inteiro só ama a si mesmo.Talvez seja este amor individualista que tenha deixado o mundo desse jeito.Um bando de solteiros, bebendo no escuro e escrevendo mensagens de texto.Cada um para o seu lado, com o copo cheio enquanto o coração bate solitário.”
Ique usava seu cotidiano com seu pai como inspiração, enquanto cuidava dele com o maior carinho e afeto do mundo, a doença o consumia e não havia nada que pudesse ser feito. Esses textos contam momentos vividos entre eles, e mostram como o amor entre pai e filho pode ensinar todos os dias, mesmo que seja em clima de despedida a todo o tempo.



O autor compartilha com seus leitores os conselhos que recebeu de seu pai, e que podem servir para tantas situações que nós vivemos em nosso dia a dia. Ele abriu sua vida em um blog, que talvez tivesse o sentido de ser terapêutico para ele, mas que com certeza ajudou milhares de pessoas em todos esses anos.
“Eu sou cheio de defeitos em um mundo que luta todos os dias para você agradar a todos o tempo todo.Chorar na frente dos outros, nem pensar!Você tem que ser frio e chorar no escuro.Eu não sei de você. Mas eu estou cansado disso.”
Espero que ele continue escrevendo muitos outros textos e que lance muitos outros livros maravilhosos, leves e sensíveis como este!


16.11.17

{Resenha} Deuses Renascidos - Os Arquivos Têmis #2

Título Original: Waking Gods
Série: Os Arquivos Têmis
Autor: Sylvain Neuvel
Editora: Suma de Letras
Sinopse: Ainda criança, Rose fez uma descoberta inacreditável: uma gigantesca mão de metal, escondida nas profundezas da Terra. Já adulta, ela dedicou sua brilhante carreira científica a resolver os mistérios que envolviam o artefato. Por que um robô gigante de origem desconhecida estava enterrado em pedaços ao redor do mundo? Anos de investigação renderam respostas intrigantes e perguntas ainda mais complexas. Mas a verdade está mais perto do que nunca, agora que um segundo robô, mais titânico que o primeiro, se materializou na Terra. E, quando outras máquinas colossais pousam no planeta, a humanidade vive seu pior pesadelo. Rose e seu time do Corpo de Defesa da Terra tentam impedir a invasão. É possível virar o jogo, se conseguirem desvendar os últimos segredos de uma avançada tecnologia alienígena. A arma mais poderosa da humanidade é seu conhecimento — e esta é uma batalha de vida ou morte pelo controle da Terra... e talvez até das estrelas.

Os Arquivos Têmis 1: Gigantes Adormecidos

Olha... Eu fiquei sem palavras. Sério.

Um novo robô surgiu no meio de um parque londrino. Maior que Têmis e de aspecto masculino, não representa nenhuma ameaça aparente. Está apenas parado... O CDT – Corpo de Defesa da Terra – ainda não se pronunciou, mas as pessoas não estão preocupadas: cresceram com imagens da Têmis, estampadas em camisetas, quadros... As crianças tem brinquedos da robô alienígena. Por que pensariam que o outro robô, que já está há dias parado no mesmo lugar, representaria algum perigo, certo? O que poderia dar errado?

Os humanos. Claro. Sempre. Sem sombra de dúvidas.

Desejosos de mostrar que estão fazendo algo, que possuem poder para combater qualquer coisa que invada o planeta, provam que é exatamente o contrário. Milhões de pessoas morrem em questão de segundos, sem o gigante nem sequer sair do lugar. E sabem o que é melhor pior? Tem mais deles surgindo em diversas partes do globo terrestre. Seria o fim da raça humana...?

Alguns, no entanto, sobrevivem ao ataque e ninguém sabe a razão. Apesar de tudo o que Alyssa Papantoniou aprontou no livro anterior, todos sabem que ela é a única capaz de auxiliar a desvendar esse mistério, que parece estar ligado à genética da espécie humana.

Têmis é a única arma que a Terra possui que é capaz de destruir esses robôs, mas como que ela poderá parar tantos em tantos locais diferentes do mundo? Kara e Vincent ainda não sabem controlar plenamente os comandos da arma alienígena, para piorar a situação... Tudo o que podem fazer é improvisar e rezar para dar certo. O relacionamento dos dois é bonitinho de observar, embora não seja esse o foco. São divertidos, eu ri muito com as cenas dos dois.

O entrosamento que existe entre a equipe principal do CDT está meio balançado, pois Rose não se sente mais a mesma após o que lhe aconteceu. E é incrível analisar as suposições que o misterioso Mr. Burns faz a respeito da criação de um ser humano, o DNA e tudo o mais. Viajei muito lendo esse livro e acredito que você precisará prestar muita atenção às explicações para não se perder. Eu mesma precisei ler algumas vezes para tentar colocar algum sentido e achei magnífica a explicação que o autor dá para suas criações.

Kara e Vincent se deparam com as consequências das atitudes de Alyssa e Ryan, que resulta numa missão quase suicida e conhecemos Eva no processo. Uma menina de 9 anos que aparentemente possui a capacidade de ver pedacinhos do futuro. Acredito que isso a tenha amadurecido enormemente e fiquei encantada pela garotinha e sua esperteza, sua insistência em fazer o que acredita que é certo, mesmo com tão pouca idade.
“(...) se a humanidade não desse provas de que estava pronta, os construtores de Têmis poderiam nos mandar de volta à idade da Pedra, para mais alguns milênios de amadurecimento. Acho que ele disse algo bem próximo disso, talvez até nessas palavras. Às vezes fico pensando se não é a melhor alternativa.”
A situação só piora, graças ao envolvimento humanos que, sinceramente, é tão letal quanto a arma que os aliens estão usando. Fiquei com muita raiva, sério. O quão estúpidos os humanos podem ser, utilizando seus brinquedos de destruição só para provar um ponto. Não é à toa que há predições de que a humanidade pode de fato voltar à Idade da Pedra e não precisamos de alienígenas para isso.
Rose precisa encontrar uma saída para a situação antes que os aliens matem todo mundo... Ou a própria humanidade o faça. Ela fica em dúvida sobre o que fazer, sobre a razão de sua existência atual e sobre quem é ela.

O livro é dividido em 5 partes e sua construção é igual a do primeiro livro: de fato, uma reunião de arquivos: entrevistas, interrogatórios, conversas gravadas, mensagens escritas, atas de reuniões. Acredito que isso torna tudo mais interessante, pois é como se você estivesse lendo os arquivos de um caso, para mim é meio como meu trabalho – leio relatos, relatórios, prontuários, entrevistas de casos no meu trabalho – então é bem familiar. Não sei se esse esquema agrada a todos, mas eu gostei bastante.

Encontrei diversas referências à outras obras de ficção científica, inclusive de animes e mangás e me senti procurando easter eggs em todo o livro depois de identificar a primeira referência, huahuaha! Deu um toque todo especial à leitura do livro, é ótimo saber que o autor também gosta das mesmas coisas que você. Vincent é o maior responsável por elas, é claro! Quem nos segue no Instagram deve até ter visto uma das referências claras que encontrei!

A diagramação é simples e agradável e, mesmo com tantos personagens, conseguimos apenas com a diagramação identificar cada um deles.

Deuses Renascidos é tão bom quanto seu predecessor, Sylvain Neuvel é incrível, está se tornando um dos meus autores favoritos! O terceiro livro da série se chamará Only Human e tem previsão de lançamento para maio de 2018 nos EUA. Nesse link você tem acesso à página oficial em inglês d’Os Arquivos Têmis.

Only Human (Apenas Humano)

"World War Z meets The Martian in the explosive follow-up to Sleeping Giants ("One of the most promising series kickoffs in recent memory"--NPR) and Waking Gods ("Pure, unadulterated literary escapism"--Kirkus Reviews).
In her childhood, Rose Franklin accidentally discovered a giant metal hand buried beneath the ground outside Deadwood, South Dakota. As an adult, Dr. Rose Franklin led the team that uncovered the rest of the body parts which together form Themis: a powerful robot of mysterious alien origin. She, along with linguist Vincent, pilot Kara, and the unnamed Interviewer, protected the Earth from geopolitical conflict and alien invasion alike. Now, after nearly ten years on another world, Rose returns to find her old alliances forfeit and the planet in shambles. And she must pick up the pieces of the Earth Defense Corps as her own friends turn against each other."

"Guerra Mundial Z encontra Perdido em Marte nessa continuação explosiva de Gigantes Adormecidos (“Uma das estreias mais promissoras na memória recente” – NPR) e Deuses Renascidos (“Puro escapismo literário inalterado” – Kirkus Reviews).
Em sua infância, Rose Franklin descobriu acidentalmente uma mão gigante de metal enterrado fora de Deadwood, South Dakota. Como adulta, DR. Rose Franklin liderou o time que descobriu o resto das partes que juntas formam Têmis: um poderoso robô de origem alien misteriosa. Ela, junto do especialista em linguística Vincent, a piloto Kara e o Entrevistador inominado, protegeram a terra de um conflito geopolítico e uma invasão alien. Agora, dez anos depois em outro mundo, Rose retorna para encontrar suas alianças antigas desfeitas e o planeta no caos. E ela precisa unir as pattes do Corpo de Defesa da Terra quando seus próprios amigos se viram uns contra os outros."Tradução livre da resenhista.

Ansiedade define depois de ler essa sinopse, duro ter que aguardar só o ano que vem! <o> Vamos tempo, passe na velocidade da luz, huahuaha!


15.11.17

{Resenha} Carrie: A Estranha

Título Original: Carrie
Editora: Suma
Autor: Stephen King
Sinopse: Carrie é uma adolescente tímida e solitária. Aos 16 anos, é completamente dominada pela mãe, uma fanática religiosa que reprime todas as vontades e descobertas normais aos jovens de sua idade. Para Carrie, tudo é pecado. Viver é enfrentar todo dia o terrível peso da culpa.Para os colegas de escola, e até para os professores, Carrie é uma garota estranha, incapaz de conviver com os outros. Cada vez mais isolada, ela sofre com o sarcasmo e o deboche dos colegas. No entanto, há um segredo por trás de sua aparência frágil: Carrie tem poderes sobrenaturais, é capaz de mover objetos com a mente.
No dia de sua formatura, Carrie é surpreendida pelo convite de Tommy para a festa - algo que lhe dá a chance de se enxergar de outra forma pela primeira vez. O ato de crueldade que acontece naquele salão, porém, dá início a uma reviravolta cheia de terror e destruição.
Chegou a hora do acerto de contas.
Com tantos ingredientes de suspense, Carrie, a estranha logo se transformou em um enorme sucesso internacional. Ao ser transportado para as telas, em 1976, teve a atriz Sissy Spacek e John Travolta nos papéis principais. Agora, a nova versão cinematográfica, lançada em 2013, é estrelada por Julianne Moore e Chloë Moretz.
Com tantos ingredientes de suspense, Carrie, a estranha logo se transformou num enorme sucesso internacional e passou a integrar a mitologia americana. Ao ser transportado para as telas, em 1976, pelas mãos de Brian de Palma, teve a atriz Sissy Spacek e John Travolta em seus papéis principais. Agora, a nova versão cinematográfica, lançada em dezembro de 2013, é estrelada por Julianne Moore e Chloë Moretez.


Carrie White sempre foi uma garota estranha. Muito mais pela criação religiosa distorcida da mãe do que por ela mesma. Sempre com as roupas fora de moda, bastante usadas e com a mãe não a deixando ter amigos, Carrie sempre se destacou pela esquisitice. Muito tímida e com uma aparência feia, ela sempre foi o bode expiatório da turma. Maltrada e humilhada em vários momentos de sua vida, tudo começa a mudar quando fica menstruada no chuveiro da escola aos 16 anos.

Carrie não sabia o que era menstruação e as garotas são extremamente cruéis com ela no banheiro, mas isso só a ajudou a descobrir que tinha um dom muito poderoso: a telecinese. E com esse dom a sua percepção de mundo muda.

“Ela começava a se dar conta de que sua força talvez não fosse diferente dos faquires da Índia [...] Qualquer forma de domínio da mente sobre a matéria exaure terrivelmente os recursos do corpo.” Página 108

Apesar da minha edição ter vindo com um belo corte na capa, isso até que deu um certo charme ao livro. Rsrs... A capa é a Carrie do filme e acho que essa combina muito mais do que as outras capas do livro que vi por aí. A narração tem uma mistura de terceira e primeira pessoa.


Justamente por ter sido escrito de um modo próprio, a narração ficou incômoda para mim. Stephen King intercalou a narrativa dos acontecimentos com recortes de revistas, entrevistas, depoimentos de coisas que ainda iriam acontecer na história. Isso quebrou o ritmo do livro para mim e por vezes me vi perdida já que o livro não tem separação de capítulos e sim uma divisão em 3 partes. Tudo acabava se misturando.

Não sei ainda se gostei da personagem Carrie. Com tantos cortes, não senti que pude conhecer intimamente a verdadeira Carrie, mas sei que ela só queria ser aceita. Só queria ser amada e vier uma vida comum. Mas tudo isso lhe foi negado e uma parte sua acabou por se tornar muito cruel.

Carrie, A Estranha foi o primeiro livro de Stephen King, então acredito que isso tenha pesado para mim. Já li do autor os contos de Escuridão Total Sem Estrelas e o livro Joyland e com esses pude apreciar muito mais sua escrita. Não abandonarei os livros do autor que sei que é King no que faz.

Uma curiosidade sobre o livro é que foi baseado em suas vivências na época de escola. Duas colegas foram a chave para a criação dessa história.