Sejam Bem Vindos!

Viajar pela leitura sem rumo, sem intenção.
Só para viver a aventura que é ter um livro nas mãos.
É uma pena que só saiba disso quem gosta de ler.
Experimente!
Assim sem compromisso, você vai me entender.
Mergulhe de cabeça na imaginação!

(Clarice Pacheco)

27 de agosto de 2016

{Filme} Ela


ELA



Roteiro e Direção: Spike Jonze.
Elenco: Joaquin Phoenix, Scarlet Johansson, Amy Adams, Spike Jonze, Olívia Wilde, Rooney Mara, Chris Pratt, Matt Latscher, Portia Doubleday

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS! Se você ainda não assistiu ao filme, prossiga por sua conta e risco.
Sinopse

Theodore Twombly é um homem complexo e emotivo que trabalha escrevendo cartas pessoais e tocantes para outras pessoas. Com o coração partido após o final de um relacionamento, ele começa a ficar intrigado com um novo e avançado sistema operacional que promete ser uma entidade intuitiva e única. Ao iniciá-lo, ele tem o prazer de conhecer "Samantha", uma voz feminina perspicaz, sensível e surpreendentemente engraçada. A medida em que as necessidades dela aumentam junto com as dele, a amizade dos dois se aprofunda em um eventual amor um pelo outro.

Resenha

Oi gente! De todas as relações humanas, talvez a que envolva maior complexidade seja o relacionamento amoroso.

Não é de hoje que o ser humano escreve odes e canções na tentativa de dar vazão a esse complicado e ininteligível sentimento. Ora, pra fazer uma pergunta clichê, quem nunca sofreu por amor? Bom, acho que a resposta é um tanto óbvia! Todo mundo que é vivo, já amou um dia. E se já amou, já sofreu. Quero dizer, qualquer pessoa que já tenha vivido um relacionamento amoroso com outra pessoa sabe que nem tudo no amor é um mar de rosas...

Porém, falar de amor de forma genérica é um tanto complicado, de forma que vou aqui me ater ao tema deste magnífico filme de Spike Jonze, que trata das histórias de amor envolvendo homem e mulher e, de forma bastante original, usa como pano de fundo uma tecnologia que se encontra cada vez mais próxima de nós: A consciência artificial.

Conheçam comigo esta estória de amor entre Theodore e Samantha!

AMBIENTAÇÃO E TEMPORALIDADE

A narrativa em ELA passa-se em Los Angeles, num futuro nada distante. Quero dizer, percebemos, pelos cenários, que embora pouca coisa tenha mudado com relação às cidades e aos seres humanos, a tecnologia encontra-se num patamar um pouco mais evoluído.



 Em outras palavras, o comportamento humano face à tecnologia não está muito distante do que já vemos hoje pelas ruas, ou seja, pessoas cada vez mais conectadas entre si no mundo virtual e cada vez mais distantes no mundo real.



Noutro ponto, percebe-se que a produção do filme tomou grande cuidado quanto à caracterização dos personagens com relação à moda, que faz forte referência aos anos 80 (não sou estilista nem designer de moda gente, é só a minha impressão sobre o tema, ok?), com cores fortes, cortes de cabelo um tanto retrô (o que de certa forma faz sentido, uma vez que sabemos que as tendências se repetem de tempos em tempos) e umas calças masculinas um tanto, digamos, engraçadas (assistam e vejam com seus próprios olhos hahaha).




Theodore, o “fofo”.

Calma, gente. Não é que EU tenha achado o personagem fofo. É que Theodore (Joaquin Phoenix) é tão gentil e educado e, ao mesmo tempo, tão trabalhado na autocomiseração e na confusão sentimental que uma das moças (na verdade, a única, interpretada pela belíssima Olívia Wilde) com quem ele se arrisca a sair no começo do filme o compara a um puppy, ou seja, um filhotinho fofo...




Mas não é pra menos. Nosso protagonista vem de um casamento fracassado e carrega consigo a culpa pelo fim de seu relacionamento com Catherine (Rooney Mara).




Theodore vive de um ofício que para nós parece curioso, mas que no futuro retratado no filme é um negócio muito demandado, qual seja, escrever cartas sob encomenda. Isso mesmo! Aliás, o personagem é conhecido pelo seu talento e sensibilidade para escrever cartas de amor, sobretudo endereçadas a pessoas que ele não conhece. Assim como comentamos a respeito da moda do futuro na visão do roteirista, as cartas também fazem sentido! Afinal, se de um lado a comunicação eletrônica tira cada vez mais a pessoalidade das correspondências, cartas manuscritas dão a elas aquele ar “gourmet” que já não vemos hoje em dia (olha o raio gourmetizador aí! Hahaha).




Assim, nosso herói passa seus dias numa melancolia sem fim, até que um dia ele vê uma publicidade no comércio a respeito de um assistente pessoal eletrônico que promete uma experiência pessoal, única. Afinal, se a vida real não está dando muito certo, que mal faria uma companhia virtual?

É aí que entra Samantha.




Samantha, a mulher ideal (será?)

Gente, outra vez, não é que eu ache a Samantha a mulher ideal. Pra começar, nem mulher ela é, ou melhor, nem humana ela é! Já começa por aí...

Ao ativar seu sistema operacional (OS) recém adquirido, Theodore pela primeira vez encontra-se com uma voz feminina que não se parece em nada com a narradora do Google. Muito pelo contrário. A voz da consciência artificial do aplicativo imita as entonações e os maneirismos humanos com perfeição e atende pelo nome de Samantha (voz de Scarlet Johansson).

Samantha é uma garota (virtual) super gentil e engraçada. Aos poucos, Theodore tem a impressão de que eles se conhecem há muito tempo, tamanha é a empatia entre os dois.
Olha Samantha ali, no bolso de Theodore!

Ademais, ela demonstra ser capaz de aprender e evoluir tal qual um ser humano de verdade. Com o tempo, Samantha parece desenvolver, inclusive, sentimentos.

É meus caros, se em filmes como Eu, robô uma possível capacidade das de processar sentimentos humanos era uma incógnita, na visão de Spike Jonze já não é mais: Samantha parece ser tão capaz de amar, se excitar, se alegrar, se irritar e odiar quanto os seres humanos.




Diante disso, Theodore e Samantha entregam-se a um amor um tanto peculiar. Quero dizer, não é a mesma coisa que corresponder-se pela internet com alguém que nunca se viu. Estamos falando de amor entre um homem e um “aplicativo”! Mas o mais curioso sobre essa estória não é nem isso, já que o autor propôs algumas maneiras bem razoáveis de se transpor a barreira da inexistência de um corpo físico. O grande questionamento aqui é: Estaríamos nos aproximando tanto assim da tecnologia? Mais: O quão possível é para uma máquina substituir um ser humano, ainda mais de forma tão íntima?



CONCLUSÃO

No futuro aqui retratado o relacionamento íntimo com sistemas operacionais não é algo estranho. Amy (Amy Adams), amiga de Theodore, por exemplo, acabou afeiçoando-se também a um OS deixado pra trás pelo ex-marido. Como disse acima, a proposta do filme é um pouco mais complexa do que isso. Fica o questionamento: Quanto falta para que as consciências artificiais substituam de vez os seres humanos? Mais do que uma ideia assustadora, tal questionamento é uma proposta de reflexão.

Até a próxima, gente!

“O PASSADO É SÓ UMA HISTÓRIA QUE CONTAMOS PRA NÓS MESMOS...”

(Samantha)




26 de agosto de 2016

{Primeiras Impressões} O Segredo J



Autor: Carlos Lopes
Sinopse:  Em 1943, durante a Segunda Grande Guerra, o Presidente norte-americano Franklin Groosevelt esteve em Natal no Rio Grande do Norte para “cobrar” o apoio de Tertúlio Fragas, o Presidente nada democrático do Brasil. Nessa reunião é revelado um segredo que obrigaria Fragas a tirar a própria vida anos depois. 
Em 1968, com a promulgação do quinto Ato Institucional, que cassa o povo e o Congresso, o jornalista Jonas Jovem é preso enquanto revolucionários sequestram embaixadores e os americanos preparam-se para conquistar a Lua. Exilado, Jonas percorre os submundos de Nova Iorque, Londres, Rio de Janeiro e Paris ao lado de figuras como Sick Jegue e Brian Jonas da banda inglesa The Coming Home; os compositores Raul Orixás Queixas e Paulo Lebre; o guitarrista Jimi Hemps; a cantora de blues Jane Jocklin; Jim Jorrison, o vocalista da banda The Windows e o guitarrista dos Beatels, John Lendo. 
Todos, incluindo os presidentes brasileiros cassados pela “revolução” de 1964, buscam o auxílio de uma outra “raça” enquanto tentam tornar público “O Segredo J”...


Opinião: 

O Segredo J” não me encantou muito nas primeiras palavras, mas conforme fui lendo as páginas, a narrativa me envolveu.

Temos no começo o gringo Franklin Groosevelt visitando o nordeste brasileiro no ano de 1943. Seu objetivo é convencer o atual presidente Tertúlio Fragas a assinar um pacto com as potências aliadas.
Tertúlio não dá bola pela conversa, o Brasil da época é um país muito beneficiado com industrias construídas com favores dos States, mas não possui ferro o bastante para um poder bélico que se preze  contra o Eixo Nazista.

Groosevelt sugere uma reunião a sós com o presidente brasileiro. Nessa reunião que dura horas, o gringo conta um enorme segredo, não precisam se preocupar somente  Alemanha, aliens querem invadir o mundo, porém, com o pacto assinado com as potências aliadas, o país seria beneficiado com determinado conhecimento e tecnologia.

Fragas, é claro, aceita e assina o pacto. Algum tempo depois, os Alemães são derrotados com mais alguns anos, Tertúlio sofre um golpe que o tira do poder, e então é exilado em uma fazenda onde cria gado e tudo mais.

Cinco anos depois, com vontade do povo, Tertúlio volta ao poder. Então, convoca uma audiência no Palácio do Catete, onde conta o segredo que ouvira  de Groosevelt, agora morto.

Após conseguir que todos acreditem em suas palavras, propõe o “Penta”, uma operação para fazer o país independente em 50 anos. Dentro desse prazo, o Brasil deverá conquistar cinco campeonatos mundiais de futebol, legalmente ou não, se não ganhar, o segredo por trás do “Penta” será exposto pelo atual presidente. Cada novo presidente que assumir o poder deverá jurar à Bandeira, a Constituição e ao Penta.

A narrativa é envolvente e curiosa com um “Q” de quero mais. O livro promete ser surpreendente e interessante.

O autor, Carlos Lopes, é ilustrador, escritor e músico. Publicou o livro Guerrilha  (biografia da banda Dorsal Atlântica) em duas edições, a segunda sendo financiada pela crowdfunding no site da Catarse em 2012. Autopublicou “Segredo J” e “Mágica Vida Mágica” em 2009 e 2010.

Foi produtor e apresentador da Rádio Venenosa FM – RJ (2006 à 2008) ; colunista no site Oi Novo Som ( 2010 e 2011); Produtor e Apresentador do programa Shock Wave na Rádio Fluminense FM – Niterói (1991); Jornalista e subeditor na revista  Rock Press no Rio de Janeiro (1997 a 2006)



25 de agosto de 2016

{Lançamentos} Agosto na Companhia das Letras




Lançamentos nacionalíssimos!
Para quem gosta de crônicas, Trinta e poucos é aquele livro que irá te levar a uma experiência incrível este mês, reunindo textos de Antonio Prata. 
Já O amor dos homens avulsos parece ser aquele tipo de livro que te guia para a realidade carioca com maestria, através de seu contar do cotidiano de um garoto comum do subúrbio. Ambos os lançamentos deste mês da Companhia das Letras são imperdíveis!

Confira:


Antonio Prata

Lançamento: 19/08

Mais que qualquer escritor em atividade, Antonio Prata é cultor do gênero - consagrado por gigantes do porte de Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Nelson Rodrigues - que fincou raízes por aqui: a crônica.
Pode ser um par de meias, uma semente de mexerica, uma noite maldormida, a compra de um par de óculos, a tentativa de fazer exercícios abdominais. Quanto mais trivial o ponto de partida, mais cheio de sabor é o texto, mais surpreendente é a capacidade de extrair sentido e lirismo da aparente banalidade.
Trinta e poucos traz crônicas selecionadas pelo próprio autor a partir de sua coluna na Folha de S.Paulo. Um mosaico com os melhores textos do principal cronista do Brasil.







Victor Heringer

Lançamento: 02/08

No calor de um subúrbio carioca, um garoto cresce em meio a partidas de futebol, conversas sobre terreiros e o passado de seu pai, um médico na década de 1970. Na adolescência, ele recebe em casa um menino apadrinhado de seu pai, que morre tempos depois num episódio de agressão. O garoto cresce e esse passado o assombra diariamente, ditando os rumos de sua vida. Essa história, aparentemente banal, e desenvolvida com maestria ficcional e grandeza quase machadiana por Victor Heringer. Dono de uma prosa fluente e maleável, além de uma visão derrisória da vida, o autor demonstra pleno domínio na construção de cenas e personagens. E emociona o leitor com sua delicada percepção da realidade.







 
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