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21.11.19

{Lançamentos} Editora Planeta - Novembro 2019


Oie amores.
C-H-E-G-U-E-I!


Confere aí os lançamentos da Editora Planeta do mês de Novembro.





Por hoje é só amores.
Até a próxima.
Tchau!


15.11.19

{Resenha} Austenlândia - Shannon Hale

Descubra o que é real para você. Não tem sentido se apoiar na história de alguém por toda sua vida.

Título Original: Austenland
Autora: Shannon Hale
Editora: Record
Sinopse: Jane Hayes tem 33 anos e mora na Nova York atual. Bonita, inteligente e com um bom emprego, guarda um segredo constrangedor - é obcecada pelo Sr. Darcy, personagem criado por Jane Austen. Com uma vida amorosa lamentável, Jane decide aceitar seu destino - noites solitárias no sofá assistindo a Colin Firth em Orgulho e preconceito. Contudo, ao ganhar uma viagem de férias para Austenlândia, um misterioso lugar onde todos devem se portar como se estivessem em uma obra da consagrada escritora, Jane tem a chance de viver o romance que sempre sonhou. Mas pode a vida imitar a arte?


Siiiim, sou viciada por tudo o que se trata de Jane Austen. E, quando vi que tinha um livro que se passava em sua era - ou nem tanto assim - quis comprar imediatamente! E, verificando na internet atrás da sinopse, vi que esse livro tem até um filme feito em 2013 (já o consegui, ca-ham. Depois conto como foi!).

Poster Original do Filme
Em todo o momento em que o li, tive a impressão de estar vendo a Bridget Jones, especialmente no final por uma razão que não vou contar qual senão é spoiler. A vida amorosa que é um desastre também é uma boa ligação... O livro nos traz, a cada novo capítulo, um pequeno trecho que relata cada namorado que Jane teve, desde os 5 anos de idade e como ela se decepcionou com cada um deles, o que resultou em sua decisão de nunca mais sair com um homem (Mas não diz nada sobre mulheres, btw). Porém, ela tem essa paixão esmagadora pelo Mr. Darcy, especialmente depois de ter assistido a adaptação cinematográfica de Orgulho e Preconceito que nos dá uma boa visão de Colin Firth de camisa molhada e, todos os caras que ela encontra a partir daí, são comparados ao chato Mr. Darcy (sim, não fui com a cara dele, não me crucifiquem!).

Sua tia avó descobre sua pequena obsessão e, como testamento, deixa para ela uma viagem para Pembrook Park, um local na Inglaterra em que você vive no século XIX, na intenção de que isso a "curasse" e lhe deixasse viver sua vida. Pendendo entre: "isso vai me afundar na vida de solteirona" e "ei, isso realmente pode me curar", ela acaba aceitando. Porém, é difícil para ela entrar no jogo. É interessante até, porque é realmente uma sociedade do século XIX em pleno século XXI: com atores, roupas, comportamentos, casas, atividades diárias desse tempo e deixar para trás tudo o que é moderno. E não, não são os personagens do livro de Jane Austen, mas sim personagens que outras pessoas que pagam uma pequena fortuna para ir até lá criam. Sim, existem os personagens atores fixos, também... E a história da casa é linear, de modo que quem esteve lá na última temporada, pode dar seguimento da onde a história de seu personagem parou. Me pareceu bem divertido, mas é claro que minha mente e coração não são tão atormentados quanto os de Jane, que se vê nessa realidade, mas não consegue tirar os pés do chão.

É visivelmente complicado para ela, pois a cada dia ela se descobre um pouco mais. O tipo de descoberta que te joga no chão e te destrói, te deixando confusa e perdida e não tem nenhum aliado ali dentro. Ninguém em quem se apoiar... E, quando pensa que encontrou um aliado, mais um pedaço se quebra. Quando descobre que não tem nada a perder, ela entra de fato na personagem Miss Jane Erstwhile e age como uma nova pessoa. A Nova Jane. 

Como disse antes, me lembrou muito Bridget Jones, então vale muito a leitura. Ainda mais se você tem mania de se identificar com personagens e sonhar com lugares assim... Admita, não seria interessante viver, mesmo que por 3 semanas, em Austenlândia? Mesmo sabendo que tudo ali é falso, até aquela que você criou... E, no final, você descobrir que aquela é você, de verdade?

Gostei bem do livro, há um segundo lançado: Meia-noite na Austenlândia que, assim que conseguir, lanço minhas opiniões sobre ele (envolve Jane Austen e Agatha Christie... o que será pode sair dali?).

"Sou solteira porque aparentemente os únicos homens bons são fictícios."

11.11.19

{Resenha} Como eu era antes de você


Título Original: Me Before You
Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Sinopse:  Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Sua vidinha ainda inclui o trabalho como garçonete num café de sua pequena cidade - um emprego que não paga muito, mas ajuda com as despesas - e o namoro com Patrick, um triatleta que não parece muito interessado nela. Não que ela se importe.
Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor tem 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de ter sido atropelado por uma moto, o antes ativo e esportivo Will agora desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Sua vida parece sem sentido e dolorosa demais para ser levada adiante. Obstinado, ele planeja com cuidado uma forma de acabar com esse sofrimento. Só não esperava que Lou aparecesse e se empenhasse tanto para convencê-lo do contrário.
Uma comovente história sobre amor e família, Como eu era antes de você mostra, acima de tudo, a coragem e o esforço necessários para retomar a vida quando tudo parece acabado.




A razão pela qual li esse livro, inicialmente, foi: todo mundo postando o trailer do filme e eu detesto ver trailer porque é spoiler. Então eu decidi ler o livro e me sentir livre para ver o trailer (só vi o trailer, então, no dia 13 de março!!!). Sabem o quanto é difícil estar em uma rede social e ser blogueira e se abster de ver um trailer “literário”? Eu sofri, gente!!!

Mas não tanto quanto sofri no final desse livro. Admito que minhas lágrimas quase caíram – que fique bem claro: “quase”!!! Os personagens, memso os mais chatos, são tão magnéticos que não tem um que não agrade – talvez Patrick... Mas tá, ele tinha suas razões para ser “um merda”.

Acredito que cidades pequenas sempre serão cidades pequenas, não importa o país no qual estejam localizadas. Claro que a presença do Castelo na cidade onde vivem ajuda a dar um ar maravilhoso à cidade, mas para os jovens a ansiedade de fugir dali é sempre a mesma. As vantagens de morar em uma cidade grande, um mundo completamente desconhecido à sua frente. Algo além do que a cidade pequena, com sempre os mesmos rostos, as mesmas fofocas, pode oferecer.

Mas não para Louisa Clark. Ela sente prazer nas coisas pequenas que sua cidade oferece. Gosta de conversar com as pessoas do pequeno café no qual trabalha(va), imaginar suas vidas, as uniões e separações. A gentileza que só um local reconfortante pode oferecer. Mas a jovem de vinte e sete anos, apesar de gostar de sua vida, tem um jeito próprio de mostrar a sua individualidade: suas roupas escalafobéticas. Tá, eu exagerei, mas não é qualquer pessoa que ama meias listradas de abelhinhas, né? Só uma pessoa de opiniões fortes não liga para o que pensam dela, nem para seus julgamentos.

Até aquele momento de sua vida, ela foi subestimada – por sua irmã, seus pais, seus amigos... E apenas Will Traynor fez com que ela visse a si mesma: uma mulher forte e madura, inteligente e capaz de alcançar seus desejos – uma pessoa capaz de desejar. Sei que no geral livros de romance são assim: uma mulher é esquisita (ou coisa assim) e chega um homem e muda ela para a melhor. Mas acredito que, pelo menos entre Will e Lou a mudança surgiu para os dois.

Will era tudo o que um jovem de posses pode ser: destemido, determinado, rico, arrogante... E não conseguia viver uma vida que não fosse uma vida de aventuras, uma vida em que ele não fosse ativo.

Quando isso lhe é tomado, foi como se a morte fosse melhor do que continuar vivendo e dependendo de outros para suprir todas as suas necessidades básicas. Viver com a dor física e emocional, carregada das lembranças de quem você foi, de tudo o que foi capaz de fazer e ser limitado sem chances de cura. Não há nenhuma perspectiva de futuro para Will. E, por esta razão, ele decide não continuar vivendo.

Sua família morreu com ele junto com seu acidente há alguns anos atrás. Sua mãe, uma juíza atarefada, tenta ser a melhor mãe distante do mundo, tanto que ela se sente incapaz de continuar ajudando o filho. Mas nunca pergunta o essencial: você quer “isso” ou “aquilo”, Will? Apenas decide tudo por ele como se o mesmo fosse incapaz também de desejar e pensar por si mesmo.

É o segundo livro que trata de deficiência esse ano (o primeiro foi “Ela não é invisível”) que mostra um pouco a respeito de como muitas pessoas tratam os deficientes: incapazes, julgando que suas capacidades cognitivas são menores por não terem a capacidade de ver ou andar. Os olham com pena e os tratam como coitados. Will Traynor não admitia nenhum desses comportamentos, mostrava-se extremamente chateado quando saíam e irritava-se, a ponto de ficar emburrado por dias.

Seu único alívio foi a chegada relutante de Louisa Clark, a moça determinada a mostrar para ele o lado bom da vida. Mas como conseguir isso, se ele tinha todo o lado bom da vida e o conhece melhor do que ninguém e acredita que já não pode mais fazer parte dele?
Adorei o livro, os personagens são apaixonantes. A mãe de Lou é uma senhora meio retrógrada, mas tem o coração no lugar certo. Apesar do final ser pesaroso, é um livro que todos deveriam ler e rever seus conceitos sobre vários tabus da sociedade.

E agora que posso ver o trailer do filme, me deu vontade até de coloca-lo aqui para vocês!



Link do livro no Skoob: Como eu era antes de você





4.11.19

{Resenha} Starters - Lissa Price


Editora: Novo Conceito 
Sinopse: Seu mundo mudou para sempre. Callie perdeu os pais quando a Guerra dos Esporos varreu todas as pessoas entre 20 e 60 anos. Ela e seu irmão mais novo, Tyler, estão se virando, vivendo como desabrigados com seu amigo Michael e lutando contra rebeldes que os matariam por uma bolacha.
A única esperança de Callie é Prime Destinations, um lugar perturbado em Berverly Hills que abriga uma misteriosa figura conhecida como o Old Man. Ele aluga adolescentes para alugar seus corpos aos Terminais — idosos que desejam ser jovens novamente. Callie, desesperada pelo dinheiro que os ajudará a sobreviver concorda em ser uma doadora. Mas o neurochip que colocam em Callie está com defeito e ela acorda na vida de sua locadora, morando em uma mansão, dirigindo seus carros e saindo com o neto de um senador.Parece quase um conto de fadas, até Callie descobrir que sua locatária pretende fazer mais do que se divertir — e que os planos de Prime Destinations são tão diabólicos que Callie nunca podia ter imaginado…

Starters passou um bom tempo parado na minha estante; não sei o porquê, mas ele simplesmente havia perdido o encanto. Nos últimos dias, porém, depois de ler Skywalker e ter ficado com um sentimento de "vazio literário", olhei para Starters com outros olhos. Era um livro de ficção científica, infanto-juvenil, com uma protagonista feminina, provavelmente com um romancezinho meia-boca (que eu adoro! Haha)... Então era justamente dele que eu precisava!

Em um cenário pós-guerra onde todos os adultos de 20 a 60 anos deixaram de existir, os Starters - aqueles com 19 anos ou menos - não tinham muitos direitos. Se não fossem agraciados com a presença de um avô ou avó para protegê-los, estavam fadados a morar nas ruas, fugindo dos inspetores do governo que tratam as crianças e adolescentes com um inconveniente problema social.

Contrapondo toda a miséria em que vivem os Starters em sua maioria, os Enders (como são conhecidos aqueles com 60 anos ou mais) gozam de plenos direitos e muito, muito luxo. Com o avanço da medicina, eles conseguiam chegar facilmente aos 200 anos e desfrutar de tudo aquilo que o dinheiro podia comprar, incluindo corpos mais jovens. A empresa Prime Destinations era muito discreta, mas seus serviços de conectar a mente de Enders aos corpos alugados de Starters sem família já eram muito conhecidos. Os Enders ganhavam dias (ou meses) vivendo em corpos jovens e saudáveis, fazendo tudo aquilo que a idade avançada não os deixava mais fazer; e os Starters, em troca, recebiam promessas de grandes quantidades de dinheiro que garantiriam um futuro seguro, longe das ruas e dos inspetores.

Callie é uma Starter. Seus pais faleceram após o ataque com os mísseis de esporos biológicos. Hoje, sua única família é seu irmão Tyler, com 7 anos de idade e uma doença provavelmente incurável. Com a companhia de Michael (um antigo vizinho também adolescente), os irmãos Underwood vivem fugindo, de um prédio abandonado a outro. Mas as condições de vida estão insustentáveis e a doença de Tyler apenas piora. Callie, então, decide que a única maneira de contornar a situação é alugar seu corpo para os Enders por intermédio da Prime Destinations. Algumas semanas "dormindo" enquanto um Ender usa seu corpo em troca de dinheiro suficiente para comprar uma casa e viver bem por vários anos... bem, parece uma troca justa.

Mas as aparências enganam. A conexão cerebral entre Callie e sua inquilina - como chamam uma Ender que ocupa o corpo de uma Starter - é fraca, e ela acorda durante um aluguel. Tenta manter as aparências e agir como uma inquilina, mas percebe que aquela não era uma inquilina normal: sua inquilina estava envolvida em um plano para matar. Callie não queria comprometer o seu aluguel e a promessa da fortuna que tanto precisava, mas não podia deixar a inquilina retomar seu corpo e continuar com aquele plano, então, era preciso agir.

E é com essa ação toda que começamos Starters! Parece tudo meio surreal no início mas o que eu poderia esperar de um livro infanto-juvenil de ficção? Depois que "entrei na onda", ficou bem mais fácil aproveitar a leitura - que, aliás, foi super rápida. Durante a leitura, a autora vai deixando inúmeras lacunas e fica bem difícil desgrudar do livro até preenchê-las; porém você preenche uma lacuna e ela lhe apresenta mais duas, ou seja: a gente tem que ler de uma vez.

O livro é repleto de reviravoltas. Quando eu começava a criar uma linha de raciocínio e criar algumas certezas acerca da trama, tudo era revirado e eu conseguia apenas ficar (levemente) boquiaberta e esperar a próxima reviravolta.

Durante a leitura, eu estava me preparando para vir aqui e falar que o triângulo amoroso era totalmente previsível (embora fofinho). Porém nas paginas finais, ele virou algo totalmente imprevisível e um pouquinho... asqueroso, por falta de palavra melhor. Só eu sei o quanto eu gosto de um triângulo amoroso bem juvenil, haha, mas nunca li algo assim. Ainda estou em dúvida se odiei ou amei essa abordagem da autora, talvez eu descubra no próximo volume.

Sim, temos continuação - como toda ficção científica infanto-juvenil de respeito, haha. Lissa Price terminou sua obra com muitas perguntas e deixou minha cabeça cheia de hipóteses. Mal vejo a hora de ler o segundo volume e descobrir se pelo menos uma delas vai se concretizar. Starters se mostrou um livro bacana pra ler num fim de semana em que você quer uma leitura leve mas intrigante, com um toque de romance adolescente bobo - ou seja, tudo aquilo que eu adoro, então, está mais que recomendado!


3.11.19

O Soldador Subaquático - Jeff Lemire



O graphic novel narra a história de Jack Joseph, um soldados subaquático de uma plataforma de petróleo. Ele é viciado em trabalho e isso piora quando seu filho está prestes a nascer. Jack tem um trauma que o atormenta há anos e por isso não consegue viver o presente direito. Não consegue aproveitar os momentos que tem com sua esposa grávida e acaba sempre se refugiando com o trabalho. Uma dúvida lhe assola: será que ele está preparado para ser pai? Porém, Jack vai descobrir que ficar sem as pessoas que ama é muito pior do que qualquer outro medo.

O Soldador Subaquático é um graphic novel que fala sobre como os traumas familiares acabam muitas vezes impedindo alguém de viver. Os esqueletos do passado sempre estarão ali para te atormentar, porém o que fará a diferença é modo como os enfrenta. Nosso protagonista, está tão atormentado com um período de sua infância que não se dá conta que o que tem no hoje é mais importante.



“Sei que há esperança. Então, vou mergulhar. E continuarei mergulhando até encontrar o caminho de volta para você.”

Confesso que algumas lágrimas foram roubadas quando li O Soldador Subaquático. A história nos toca e comove com seu relato de perdas e encontros. E que no fim, nós só precisamos nos arriscar para termos aquilo que sempre quisemos ter. É lindo demais!!! Agora já estou imensamente curiosa com outras graphics novels do autor Jeff Lemire. Sei que ele tem outras graphics novels publicadas também pela editora Intrínseca e Nemo. Já quero!

29.10.19

{Resenha} Caixinha de Gwendy


Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Há três caminhos para subir até Castle View a partir da cidade de Castle Rock: pela rodovia 117, pela Estrada Pleasant e pela Escada Suicida. Em todos os dias do verão de 1974, Gwendy Peterson, de doze anos, vai pela escada, que fica presa por parafusos de ferro fortes (ainda que enferrujados pelo tempo) e sobe em ziguezague pela encosta do penhasco.
Certo dia, um estranho a chama do alto: “Ei, garota. Vem aqui um pouco. A gente precisa conversar, você e eu”. Em um banco na sombra, perto do caminho de cascalho que leva da escada até o Parque Recreativo de Castle View, há um homem de calça jeans preta, casaco preto e uma camisa branca desabotoada no alto. Na cabeça tem um chapeuzinho preto arrumado.
Vai chegar um dia em que Gwendy terá pesadelos com isso.

Faz uns bons meses que terminei esta leitura e fiquei desanimada o suficiente para não ter coragem de falar sobre isso. Mas aqui estou eu para dar minha opinião mesmo quando não há muita coisa boa a ser dita.

É um livro pequeno (160 páginas), com letras grandes, espaçamento duplo e muitas figuras. Isso já deveria ter me alertado sobre uma narrativa mais infantil do que a qual eu estava acostumada... mas me deixei levar pelos nomes na capa. Salvo engano, li A Pequena Caixa de Gwendy em apenas uma tarde. Mas não pela intrigante estória que me deixou faminta por mais páginas, e sim pela busca incessante por um clímax (ou pelo menos por alguma parte mais interessante) que nunca chegou.

Na famosa Castle Rock, palco de grandes tramas de Stephen King, acompanhamos Gwendy, uma garotinha acima do peso que está correndo - literalmente - atrás do seu objetivo atual: perder peso e ser vista de modo diferente pelos colegas da escola. Num de seus exercícios subindo a escada do penhasco, Gwendy tem sua atenção atraída por um homem esquisito... Com sua face parcialmente oculta pelo chapéu e sua aparência meio assustadora devido as vestes escuras, o estranho - logo nominado Sr Farris - simplesmente lhe oferece um presente: uma pequena caixa intrigante com alavancas e botões.

Como qualquer criança de 12 anos faria, Gwendy aceitou a caixinha e seus benefícios, sem pensar mais de uma vez nas possíveis consequências.
As alavancas forneciam chocolates que saciavam a fome (ajudando a jovem no seu emagrecimento) e pequenas moedas de ouro; tudo ótimo até aí, não é mesmo? Mas os botões, coloridos e associados aos 5 continentes, tinham funções ocultas que Gwendy estava ansiosa, mas também temerosa, em conhecer.

Mas a caixinha não se resumia a isso. Logo após sua chegada, nossa protagonista notou mudanças em sua vida  - algumas sutis, outras exuberantes. Seus pais, alcoólatras, deixaram de beber subitamente e melhoraram o convívio no lar. As outras crianças já não viam Gwendy da mesma maneira: ela estava cada vez mais alta e bonita, e parecia ter sucesso em tudo que decidisse fazer - provas? esportes? Nada era um desafio real. Com tantas vantagens, Gwendy vê que a caixa é preciosa demais para ficar dando bobeira no seu armário. É preciso protegê-la, escondê-la! E então, a paranoia começa. Junto com ela, pequenas "adversidades" que já vão nos preparando para o maior desafio da protagonista ao final do livro - ou seja, até isso foi meio previsível.

A trama é tranquila, mostra poucos eventos associados ao uso da caixa misteriosa e ao crescimento da personagem. Apenas no fim do livro é que o objeto mágico (ou amaldiçoado?) tem um papel mais importante e, mesmo assim, parece algo incompleto. O livro inteiro dá essa sensação: falta algo. Falta profundidade nos personagens, faltam respostas sobre o funcionamento da caixa e sua origem, falta adrenalina.

Posso estar sendo injusta e até mesmo dramática, mas o livro, de maneira geral, não me encantou. O texto poderia muito bem estar incluso em um livro de contos do autor - eu, aliás, gostaria muito mais dele se o tivesse lido assim pois teria diminuído minhas expectativas.
Em resumo, é uma crônica de 160 páginas que não é eletrizante nem aterrorizante, apenas levemente intrigante. Mas de que adianta ser intrigante se as dúvidas do início do livro permanecem após a ultima pagina? Faltou algo, afinal...