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22.3.20

{Resenha} Através do Vazio - S. K. Vaughn



Estamos em 2067. A comandante May Knox espaçonave Hawking II desperta de sua cápsula no espaço, sozinha e sem muitas lembranças das últimas semanas. Ela não sabe o que aconteceu com os tripulantes e nem mesmo com a nave. Desesperada, procurando saber o que aconteceu, ela conta com a ajuda de Eva, a inteligência artificial para ajudá-la a cuidar da nave que está cheia de defeitos e em estado de destruição.

A espaçonave está sem comunicação e às escuras, e quanto mais May tenta restaurar a nave para que funcione direito, mais ela percebe que tudo o que aconteceu não foi ao acaso e que ela pode não estar tão sozinha quanta imagina.

Na Terra, temos o dr. Stephen Knox, um dos cientistas ligados à missão de May, preocupado com o silêncio da nave que já dura oito dias. Ele está principalmente preocupado com May, sua ex-mulher. Os dois estavam em processo de separação quando ela partiu, porém ele ainda a ama. E quando a NASA recebe uma mensagem de que May está viva. Stephen vê isso como uma oportunidade do destino, mas será que May conseguirá retornar à Terra?

“Por mais que se esforçasse para olhar para além do hangar, sua mente, estava ancorada ali, o último lugar onde ele a viu, talvez o último lugar onde jamais a veria.”

Em Através do Vazio há muitas reviravoltas! O foco da história não foi apenas a ficção-científica espacial, pois isso foi o pano de fundo para muito mais. As relações humanas entre os personagens, as suas situações que estavam sendo vividas e principalmente nas retomadas ao passado para que a história tivesse uma ambientação mais emocional com tudo que estava acontecendo, isso é o que mais norteia Através do Vazio. Porém, o livro tem uma trama bem elaborada até certo ponto.



May é uma mulher astronauta e ainda por cima negra, então o autor de Através do Vazio tinha nas mãos a faca e o queijo, pois em um meio de predominância masculina branca, uma protagonista com todas essas características tinha tudo para trazer uma grande discussão sobre representatividade feminina e negra. Isso acabou por não ser algo tão relevante na história e como eu disse acima, as relações dos personagens tiveram um peso maior. Isso não é de todo ruim, pois eu realmente gostei do livro, mas eu esperei esse momento de discussão que não veio.

Ao final dessa resenha, eu realmente recomendo a leitura para todos os leitores. Através do Vazio tem uma história que prende e pode ser uma boa trama para quem quer iniciar na leitura de livros de ficção-científica, pois temos momentos de thriller e perseguição. Vale a pena!

“Ela escureceu o vidro do capacete e acendeu o maçarico. A chama brilhou como fogo branco, jogando luz seis metros à frente em todas as direções, revelando os objetos desconhecidos que o atingiam na escuridão. May gritou, um uivo primitivo de horror.”


19.3.20

{Resenha} Uma Canção de Natal – Charles Dickens


Oie amores.
C-H-E-G-U-E-I!


Recebi o livro com atraso, por culpa dos correios daqui... que não 
entregou quando chegou e o livro acabou voltando.
Por isso a resenha saiu bem depois do Natal, mas não faz mal, 
pois estória deve ser repassada para todos os leitores que 
gostam de uma boa estória clássica.
Confere aí a resenha!


*livro cedido pela editora

Sinopse:
"Incapaz de compartilhar momentos de amizade e de compreender a magia do Natal, Ebenezer Scrooge só encontra refúgio na riqueza e na solidão. Até que, num 24 de dezembro, recebe a visita do fantasma de Jacob Marley, seu ex-sócio falecido há sete anos.
É ele quem avisa a Scrooge que mais três espíritos o visitarão para lhe dar a chance de mudar seu triste fim e ser poupado de vagar a esmo depois de morto, como Marley. Assim, o Fantasma dos Natais Passados, o Fantasma do Natal Presente e o Fantasma dos Natais Futuros levarão o protagonista para uma viagem no tempo, mostrando-lhe que a generosidade é sempre a melhor escolha.
Um dos livros mais carismáticos da literatura inglesa, Uma canção de Natal recebe o crédito por ter concebido a celebração desse evento como a entendemos hoje: uma ocasião para agradecer e ajudar o próximo."
Resenha
A introdução é um primor de informações, que eu gostei.
São vinte e duas páginas que antecedem à estória. O prefácio é escrito pelo próprio Dickens, em Dezembro de 1843. Gostei da expressão – “morto como um prego”.
O redator dessa estória é o próprio autor. Seu personagem principal é o banqueiro sovina, o Sr. Ebenezer Srooge. A estória é macabra sem ser assombrosa.
A descrição de cada espírito é macabra, não consegui ler esse livro a noite, confesso pra vocês rs.

Charles Dickens é detalhista minucioso, me lembrou José de Alencar. Essa estória, na verdade tem quatro fantasmas: o primeiro é Marley, sócio de Ebenezer, outro sovina igual ao amigo, sem coração, que veio anunciar a vinda dos outros três fantasmas.


E por que esse fantasma voltou ao mundo, para visitar Ebenezer? Não foi saudade, foi um ato de grande generosidade, qualidade que ele não possuía em vida.
Marley queria que Scrooge, não passasse a eternidade, como ele estava passando.
As visitas aconteceram como Marley dissera e o proposito era mudar o comportamento de seu amigo, principalmente nos períodos natalinos. Era a chance dele se redimir.

E depois que os três fantasmas que viriam (Fantasma dos Natais Passados, o Fantasma do Natal Presente e o Fantasma dos Natais Futuros) mostram a ele o Scrooge do passado, o ser humano avarento e sem caridade que ele era como o Scrooge presente, se comportará perante essa realidade?
Como ele vai encarar o Natal, a família, o “ter”?


Gostei muito do livro, apesar do assombro. Mas valeu a pena.
Quem dera descesse a terra, milhões destes, fazendo o mesmo trabalho. Leiam esse clássico e você verá que valeu a pena.
Já li livros demais e nunca encontrei em nenhum texto lido, o maior vocábulo da língua portuguesa, com suas doze sílabas, na página 61.
Recomendo demais, são só 135 páginas do livro todo, mas o texto em si são só 106 páginas, eu simplesmente adorei.
Por hoje é só amores.
Até a próxima.
Tchau!

Título: Uma Canção de Natal
Autor (a): Charles Dickens
Editora: Cia das Letras
Número de Páginas: 136

8.3.20

{Resenha} A Metade Sombria - Stephen King


Editora: Suma

Sinopse:

Quando terminei de ler O Cemitério, prometi a mim mesma que passaria um bom tempo sem ler nada do Stephen King. Foi uma leitura triste demais; antes disso, já tinha me traumatizado com o terror alucinante de O Iluminado... Tentei dar, então, "férias" literárias ao King. Mas foi uma tentativa em vão;e foi assim, desobedecendo à mim mesma, que me vi apaixonada pela capa de Metade Sombria, livro que passou anos esgotado no Brasil e que tem a trama baseada em uma experiência pessoal do autor... Não resisti. Eis o resultado!

Em A Metade Sombria, Thad Beaumont, um escritor cuja fama só veio após a revelação de que era dele a mente maligna por trás dos livros aterrorizantes e sádicos assinados por George Stark, seu pseudônimo. Thad vive tranquilamente com sua mulher e filhos na pacata cidade de Castle Rock - nada incomum até aí. Mas, logo após Thad determinar a morte de George Stark ao assumir sua verdadeira identidade em uma entrevista, então, uma série de assassinatos começa.

Juntamente com o início dos crimes, Thad começa a ter sonhos (ou visões?), lapsos de memória e uma sequência de coincidências que vão estreitando sua relação com as mortes - mesmo que elas aconteçam em outro país! Como suas digitais podem estar na cena do crime? Como ele poderia saber a frase que o assassino escreveu com o sangue da vítima, antes mesmo da polícia lhe contar?! Suspeito de estar beirando a loucura, Thad encontra indícios suficientes para pensar que quem orquestra todos os assassinatos é George Stark,  a metade Sombria de nosso escritor. Engraçado, temos aqui dois protagonistas em um só.

Boa parte da estória se resume a descrever Thad tentando não enlouquecer. É angustiante porém enfadonho. Temos cenas de assassinatos a sangue frio, tortura, etc. algo esperado pra quem conhece King há alguns livros. Nem de longe tão aterrorizador quanto O Iluminado, mas ainda assim rendeu algumas acelerações cardíacas enquanto eu lia, haha.

Como sempre há uma pegada "psicológica" (ou não há e eu simplesmente a invento na minha cabeça?), em A Metade Sombria descobrimos do que nosso lado mais selvagem é capaz se não o contermos. A ganância, a fúria, a inveja. Sentimentos que nos destroem por dentro e acabam refletindo em tudo que há ao nosso redor. Me peguei pensando nisso durante a leitura e foi um sentimento que ficou: a necessidade de colocar as rédeas na metade sombria que há dentro de todos nós.

Em resumo, é um ótimo livro. A edição é linda, com uma capa dura emborrachada e conteúdo extra de King contando sua experiência antes da fama com o próprio pseudônimo. O conteúdo, já descrito, me fez prometer nunca mais dar férias ao autor! Haha. Não me aterrorizou como O Iluminado e não me entristeceu como O Cemitério Dos Bichos. King é versátil, afinal, foi bom aprender isso. King merece todo o sucesso que vem acumulando ao longo dos anos. As gerações mudam, mas o bom gosto literário, pelo visto, é o mesmo.

Ascensão | Stephen King


Scott Carey  é um homem comum ou era isso que ele achava até começar a sofrer uma perda de peso muito estranha. Não importava o quanto comia ou o que estava vestindo, seu peso não aumentava. Scott procura seu amigo doutor Bob Ellis para desabafar sobre a questão. Nada parece que pode ser feito para ajudá-lo, porém Scott não quer consultar nenhum outro médico ou fazer exames. Apesar de sua massa não se alterar, ele fica cada vez mais leve e a cada dia que passa seu peso se aproxima de zero, mas Scott não se preocupava com isso, pois há questões mais importantes para ele no momento.

Scott vive uma vida tranquila em Castle Rock. Uma típica cidade interiorana que quando algo acontece toda a comunidade fica sabendo em questões de minutos, além do fator de que muitos têm a mente fechada para aquilo que eles consideram fora do padrão. Ele é vizinho de Deirdre McComb e Melissa Donaldson, que são fora do padrão. As duas chegaram na cidade há pouco tempo e são casadas. Elas têm um restaurante na cidade, porém as coisas não andam bem financeiramente e já imaginam o motivo disso. Scott, que até então nunca tinha notado (ou fingia não notar) o preconceito da cidade contra as moças, agora quer ajudá-las a se integrarem na cidade mesmo enfrentando frio tratamento pela qual é tratado por Deirdre e até mesmo pelos moradores locais.

“Ela é lésbica. Não haveria problema nenhum se ficasse na dela, ninguém se importa com o que acontece atrás de portas fechadas, mas ela tem que apresentar a mulher que cozinha no Frijole como esposa. Muita gente daqui vê isso como um grande ‘vai todo mundo se ferrar’.”

Ascensão tem uma história bem diferente! Eu sinceramente não esperava que o enredo fosse se tornar o que se tornou. O problema que Scott enfrenta é como se fosse um personagem. Um personagem importante que o faz enxergar melhor as coisas ao seu redor. Porém o foco da história não é o problema em si, mas sim a relação dos personagens que se criou a partir dele. O livro trabalha tantos temas em tão poucas páginas! Fala sobre a homofobia, o perdão, sobre amizade, em como devemos viver ao máximo a vida que nos é dada e em como o amor está nos pequenos detalhes. Já os personagens dessa história são cativantes por si só. Cada um tem sua maneira de pensar e viver, mas uma amizade surge e a união desses é muito impactante para o leitor.


Ascensão realmente tem uma história muito bonita! O nome do livro não foi algo aleatório, pois seu significado é presente em toda a narrativa. O título se refere ao pensamento em elevação aquilo que não faz bem, deixar os preconceitos de lado, de viver e se deixar sentir, de ir além dos padrões. É uma forma de crescimento pessoal que os personagens passam no decorrer da trama, uma desconstrução do ser.

“– Como é a sensação, Scott? Como você se sente?
– Ascendendo. – disse ele por fim.”

Há um toque de sobrenatural na trama, pois livros do Stephen King sempre o têm, mas é esse detalhe que faz a trama funcionar e não há o que temer. Espero ter a oportunidade de ler mais do King com esse tipo de enredo: mais tocante e mais emocionante.

Curiosidade: Esse livro se passa na mesma cidade e ambientação do livro A Pequena Caixa de Gwendy que foi escrita por Stephen King e Richard Chizmar, porém não há uma ligação direta entre as histórias.

5.3.20

{Resenha} Biblioteca H. P. Lovecraft - O Chamado de Cthulhu e outras histórias


Editora: Companhia das Letras 
Sinopse: Nascido em 1890, Howard Phillips Lovecraft revolucionou o gênero literário do horror ao inserir em suas histórias elementos típicos da fantasia e da ficção científica. Com um estilo de escrita único, por vezes de vocabulário e ortografia conservadores, Lovecraft elevou o terror a um patamar literário poucas vezes visto. Assim como Edgar Allan Poe no século XIX, Lovecraft é visto por autores como Neil Gaiman, Joyce Carol Oates e Stephen King como um dos principais autores de terror do século XX.
Neste primeiro volume da série "Biblioteca Lovecraft", traduzida e organizada por Guilherme da Silva Braga, encontramos textos clássicos como "O chamado de Cthulhu" e "A sombra de Innsmouth", e também textos menos conhecidos como "Dagon" (espécie de breve preâmbulo aos mitos de Cthulhu).


Aclamado como um dos criadores do gênero de Terror literário, Lovecraft sempre teve um pouco da minha atenção e eu há muito ansiava por ter um contato maior com o autor. Há aproximadamente um ano, li Contos Clássicos de Terror, uma coletânea também da Companhia das Letras que, obviamente, tinha contos de sua autoria. Não me lembro de quais contos eram e, pra piorar a situação, não sei onde se encontra o livro (oh-meu-deus), daí fica difícil fazer uma comparação das experiências... Então, essa vai ser oficialmente a minha primeira experiência relatada com o autor. Vamos lá!

É impressionante como Lovecraft consegue criar um universo próprio de mitologia e ocultismo. Os contos se entrelaçam em alguns momentos e o autor faz questão de explicar a origem dos mitos, talvez para dar mais terreno a ser explorado em suas outras obras ou apenas dar mais profundidade à estrutura de seus contos. De qualquer forma, ser apresentado a algo novo em cada um de seus contos é uma experiência única. Como se cada conto fosse um universo à parte e, aos poucos, você vai descobrindo que esses universos coexistem; fantástico!

O que imediatamente me chamou atenção na leitura foi o estilo extremamente rebuscado do autor. Descrições floreadas e palavras difíceis são encontradas em todos os contos do autor - tive que recorrer ao dicionário  duas vezes e não me envergonho disso. Quando bem empregado, o floreio vem a calhar e ajuda a criar uma atmosfera mais pitoresca e sombria; porém, por várias vezes, acabava apenas enfadando a leitura e interrompendo até mesmo o clímax de algumas cenas. 

Sobre os contos em si, temos 10 deles neste primeiro volume da coletânea - que ainda não sei quantos volumes vai conter. Engraçado que, diferente do estilo de terror ao qual estou acostumada, Lovecraft evita usar figuras humanas como as grandes protagonistas malignas de suas estórias - são sempre alienígenas antigos, figuras demoníacas ou algo tão fantasioso quanto. Nesse aspecto, o autor ganhou pontos comigo. 

Fica difícil julgar um autor renomado com décadas de experiência e sucesso associados a seu nome... Posso, humildemente, dizer que me agradei da leitura mas achei um terror muito chique para minha reles experiência como leitora. Pelo visto, sou adepta a estilos mais despojados como de (meu querido) Stephen King - discípulo do majestoso Lovecraft. Alguém pode até se ofender com a comparação, haha, mas cada um com seu gosto e vida que segue :p 



20.2.20

{Resenha} O Tatuador de Auschwitz - Heather Morris


Editora: Planeta 
Sinopse: A incrível história, baseada em fatos, de um amor que os cruéis muros de Auschwitz não foram capazes de impedir Nesse romance histórico, um testemunho da coragem daqueles que ousaram enfrentar o sistema da Alemanha nazista, o leitor será conduzido pelos horrores vividos dentro dos campos de concentração da Alemanha nazista e verá que o amor não pode ser limitado por muros e cercas. Lale Sokolov e Gita Fuhrmannova, dois judeus eslovacos, se conheceram em um dos mais terríveis lugares que a humanidade já viu: o campo de concentração e extermínio de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. No campo, Lale foi incumbido de tatuar os números de série dos prisioneiros que chegavam, trazidos pelos nazistas – literalmente marcando na pele das vítimas o que se tornaria um grande símbolo do Holocausto. Ainda que fosse acusado de compactuar com os carcereiros, Lale, no entanto, aproveitava sua posição privilegiada para ajudar outros prisioneiros, trocando joias e dinheiro por comida para mantê-los vivos e designando funções administrativas para poupar seus companheiros do trabalho braçal do campo. Nesse ambiente, feito para destruir tudo o que nele tocasse, Lale e Gita viveram um amor proibido, permitindo-se viver mesmo sabendo que a morte era iminente.

A Segunda Grande Guerra me fascina. Os livros baseados na Segunda Grande Guerra me fascinam. Os livros baseados em histórias de amor que sobreviveram à Segunda Grande Guerra, óh céus... Como não amá-los?

Vivo a me perguntar COMO o genocídio de milhões de pessoas ocorreu por tanto tempo e de maneira tão organizada. COMO as pessoas concordavam em matar outras baseadas apenas em sua religião ou sua etnia? COMO alguém consegue matar crianças em câmaras de gás, recolher seus corpos e dormir à noite como se fosse apenas mais um dia de trabalho?

A cada livro que leio, seja ele um romance ou documentário, algumas dúvidas são sanadas porém outras são criadas. Acho que nunca vou conseguir me libertar desse ciclo vicioso que me faz sempre retornar ao mesmo tema e reviver esse momento tão triste da história mundial. Mas, histórias como a de Lale e Gita acalenta meu coração: alguém sobreviveu. Alguém sofreu, mas encontrou felicidade depois daquilo. Há esperança...

Lale foi um dos vários judeus levados à força para um campo de concentração. Trabalho forçado, fome, miséria. Nada de novo sob o sol para qualquer um que teve aulas de histórias sobre isso. Acho que esse foi o motivo que fez O Tatuador de Auschwitz passar um tempo a mais na estante sem ser finalizado: eu já conhecia o começo da história. Milhões viveram aquela história. Não há nada de especial, apenas muito sofrimento e tristeza, infelizmente. Mas depois de algum tempo, decidi que precisava lê-lo. Tinha de haver algo de diferente! Mesmo que metade do livro já tivesse me mostrado o contrário, eu precisava ler para crer - questão de honra.

E o inesperado aconteceu. Uma troca de olhares entre Lale e Gita, uma jovem que também sofria os males do confinamento e do trabalho forçado, foi o suficiente para despertar uma paixão entre os prisioneiros. Usando de sua posição "privilegiada" como tatuador, Lale consegue manter contato com Gita - pequenos bilhetes e porções extras de comida são alguns dos regalos que Lale conseguia clandestinamente para alimentar o amor de sua pretendente. 

Mas nem tudo são flores. Para conseguir concretizar esse amor e, ainda assim, mantê-lo em segredo (já que relacionamentos eram proibidos nos campos de concentração), o casal passou por maus bocados que vale a pena ler para conferir e ficar incrédula como eu fiquei. 

Terminei a leitura em êxtase pelo final tão lindo -apesar das tragédias que foram necessárias para que ele acontecesse. Há, nas páginas finais, um relato da autora sobre como foi entrevistar Lale e reviver esses momentos com ele. Definitivamente, são páginas de ouro, do começo ao fim.