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23.1.18

{Resenha} O jardim das Borboletas

Título original: The butterfly Garden
Autora: Dot Hutchinson
Editora: Planeta
Sinopse: Quando a beleza das borboletas encontra os horrores de uma mente doentia. Um thriller arrebatador, fenômeno no mundo inteiro Perto de uma mansão isolada, existia um maravilhoso jardim. Nele, cresciam flores exuberantes, árvores frondosas... e uma coleção de preciosas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. Cada uma delas passa a ser identificada pelo nome de uma espécie de borboleta, tendo, então, a pele marcada com um complexo desenho correspondente. Quando o jardim é finalmente descoberto, uma das sobreviventes é levada às autoridades, a fism de prestar seu depoimento. A tarefa de juntar as peças desse complexo quebra-cabeça cabe aos agentes do fbi Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, nesse que se tornará o mais chocante e perturbador caso de suas vidas. Mas Maya, a enigmática garota responsável por contar essa história, não parece disposta a esclarecer todos os sórdidos detalhes de sua experiência. Em meio a velhos ressentimentos, novos traumas e o terrível relato sobre um homem obcecado pela beleza, os agentes ficam com a sensação de que ela esconde algum grande segredo.
“Mas não aquela garota da sala de interrogatório. Quando lhe fizeram perguntas, ela simplesmente se virou de costas. Na opinião de todos, ela não tinha a menor intenção de ser encontrada.”
Demorei um pouco para conseguir sentar escrever a resenha desse livro incrível. Acho que colocar em palavras o que pensei e senti durante a leitura dele seria como um fechamento e eu gostei tanto da leitura que não queria que ela chegasse ao fim. 

Maya é uma jovem de, acredito, 16 a 18 anos. Uma sobrevivente, do começo ao fim da história que ela se propõe a contar para os agentes do FBI Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, dois homens com seus próprios problemas em suas vidas e encontram naquela sala de interrogatório talvez um dos maiores mistérios que precisam desvendar e tudo o que podem contar é a participação daquela menina que não parece disposta a colaborar.

Percebemos a antipatia dos agentes em relação à Maya, pois além dela manter-se numa postura distante e sarcástica, todas as outras meninas resgatadas não querem conversar com os policiais antes de a verem. É aí então que começa o delicado trabalho dos dois agentes, conversar com aquela adolescente esperta que não irá cair na lábia do FBI.

Usando toda sua experiência com adolescentes, Hanoverian vai conquistando a confiança da estranha garota, a ajudando a contar sua história. Vejam bem, sua história... Que por acaso calha de ter como acontecimento ser sequestrada. Os agentes sabem que tem algo errado nela, só não sabem exatamente o quê. Elas os provoca, os testa até atingirem seus limites.

Conforme sua história é delicadamente contada, ela relata como foi parar no Jardim: o local onde muitas meninas passaram anos à fio, à mercê de um homem ao qual chamam de O Jardineiro. Não sabem seu nome nem quem ele é, embora o vejam todos os dias.

No Jardim, não há apenas Maya... São muitas meninas com idades entre 16 e 21 anos, de locais diferentes do país. Todas elas tem sua história e seu nome, porém não fazem uso do mesmo por uma simples razão: ele é tudo que lhes resta. 

Após ser levada para O Jardim, a novata recebe apoio durante alguns dias, até se acostumar com sua nova situação. Não interage muito com as outras, pois geralmente elas não suportam a tristeza de ver mais uma jovem presa – e a novata geralmente chora demais, causando stress nas outras que já estão ali há meses ou anos. Até que chega o dia dela ganhar suas asas...

O Jardineiro desenha nas costas das moças tatuagens de borboletas, diversos tipos e cores... E dá a elas um novo nome após possuí-las. A beleza é essencial para ele, como o ar. E ele sabe que a beleza é etérea, mesmo que você a desenhe em sua própria pele.
“Ele atravessou o quarto lentamente, a expressão demonstrando um horror crescente diante de cada ferimento visível, cada marca de mordida ou arranhão, cada hematoma ou marca de dedos. Porque o mais doente de tudo aquilo – e havia muita coisa doente para ser escolhida – era que ele realmente se importava com a gente, ou ao menos com o que pensava que éramos.”
Maya conta sua história, deixando os agentes perplexos com os toques de crueldade e beleza que ela narra. O dia-a-dia, as meninas e seus comportamentos e como lidam com a situação do cativeiro e tudo o que ela impõe. Também conta como é sua vida; sua personalidade é uma calamidade só, porém é constante. Ela é uma lutadora e sobrevivente.

Algo que pensei foi: porque elas aceitam tudo? Porque não se rebelaram? Poderiam ter dado um jeito, sei lá. Claro que sou eu, a pessoa que analisa a situação do lado de fora. Com um pouco de estratégia, talvez conseguissem sair. Oportunidades inúmeras, mas vi também a presença da Síndrome de Estocolmo; sutil, mas presente. Talvez tenha sido por isso...


A capa do livro é dura e em relevo, com uma borboleta bem grande ali. Logo eu, a pessoa com fobia de borboletas, escolheu ler um livro com elas! Mas percebi a razão, para ver o quanto elas podem ser malignas, huahuahuha! A folha amarelada e a fonte média ajudam bastante a ler continuamente, coisa que você faz com facilidade nessa obra de Dot Hutchison. A diagramação toda é recheada de borboletas – meu marido riu demais de minha expressão horrorizada ao ver as borboletas enoooormes nele!

Se gosta de um ótimo suspense policial, O jardim das Borboletas é uma ótima escolha: embora já se saiba o final, como se chega nele é eletrizante!

22.1.18

{Resenha} Polícia


Autor: Jo Nesbø
Editora: Record
Ano: 2017
Sinopse: Policiais estão sendo assassinados em Oslo. Um investigador aposentado é morto de modo brutal em um bosque nos arredores da cidade; um detetive é encontrado morto com requinte de crueldade. Ambos trabalharam em casos não solucionados. Ambos foram encontrados nos locais em que os primeiros crimes aconteceram.
Em um beco sem saída, Gunnar Hagen, chefe da Divisão de Homicídios, se alia a Beate Lønn, Bjorn Hølm, Ståle Aune e Katrine Bratt, os amigos de Harry, para encontrar o assassino antes que seja tarde demais.



Resenha:

Já faz muito tempo que carrego uma grande curiosidade em relação aos livros de Jo Nesbø, principalmente aos da série “Harry Hole”. Sempre lia as sinopses e ficava pensando no quanto eu iria adorar suas histórias, mas na correria do dia-a-dia, nunca tive a oportunidade de ler esse autor, e nem cheguei a comprar nenhum de seus livros.

Até agora pelo menos, quando recebemos o livro Polícia, o décimo livro da série. Acho que já falei em algumas resenhas que tenho um pouco de TOC e não gosto muito de ler séries fora de ordem, mesmo quando são histórias independentes. Mas nesse caso, a curiosidade falou mais alto, então me propus a conhecer o autor e seu personagem mais famoso, já no final de suas aventuras, e só posso dizer que valeu cada uma de suas 544 páginas!

Foi um pouco difícil me situar, conhecer os personagens que já fazem parte de todas as outras obras, mas apesar de ficar meio perdida às vezes, isso não afetou a história em si, mesmo sem saber os acontecimentos anteriores.

A essa altura do campeonato, Harry se aposentou da carreira de investigador, devido a fatos ocorridos anteriormente, (que você deve saber se leu Boneco de Neve) e está trabalhando como professor. Me incomodou um pouco o fato desse personagem, que deveria ser o protagonista, só aparecer lá pela metade do livro, mas acaba fazendo sentido depois. Até porque o autor começa descrevendo todo um contexto, apresentando personagens novos e antigos e criando o ambiente em que a trama irá se desenvolver.

Em resumo, tudo começa quando policiais começam a aparecer mortos em cenas de crimes que eles não conseguiram solucionar. Os membros da antiga equipe de Harry Hole se reúnem para investigar o caso, mas sentem que precisam da mente do policial especialista em assassinatos em série, que tenta ajudá-los como um tipo de consultor, mesmo sem se envolver completamente, a princípio. Mas desde o começo, sabemos que ele não vai aguentar se manter à distância por muito tempo. Sua equipe precisa dele.

Gostei bastante dos personagens, cada um com suas peculiaridades e especialidades que fazem com que sejam essenciais na resolução do caso. Mas obviamente (ou não), o que mais chamou minha atenção foi Ståle Aune, psicólogo que fez parte da equipe de Hole, mas assim como ele, afastou-se dos crimes, e segue apenas atendendo seus clientes em sua clínica, porém não é o lugar em que gostaria de estar.

“Ele sentia falta de ser o agente, aquele que intervém, aquele que salva o inocente do culpado, que faz o que mais ninguém podia fazer porque ele, Ståle Aune, era o melhor. Era simples assim. Sim, ele sentia falta de Harry Hole. Ele sentia falta do homem alto, carrancudo, bêbado, de coração grande, ao telefone, incentivando-o a cumprir seu dever cívico – ou melhor, ordenando que ele o fizesse –, exigindo que sacrificasse a vida em família e as noites de sono para pegar um dos marginais da sociedade. Só que não havia mais um inspetor na Divisão de Homicídios chamado Harry Hole, e nenhum dos outros tinha telefonado para ele.”

O primeiro suspeito a surgir durante a investigação chamava-se Valentin Gjertsen, que já era um nome ligado aos homicídios originais, que provavelmente tinham motivação sexual. Valentin havia sido acusado pela primeira vez aos 16 anos, sempre por crimes sexuais praticados contra homens, mulheres e crianças. Porém, ele estava morto. Ou não estava?

Dessa forma, a equipe começa a investigar os dois casos ao mesmo tempo. As mortes do passado, e as atuais, que aconteceram nos mesmos locais dos crimes não solucionados. Afinal, quem estava cometendo esses novos crimes deveria ter alguma ligação com os antigos. E o primeiro passo era descobrir como o assassino atraía suas vítimas para os locais dos crimes.

“Assassinos em série podem quebrar o padrão, se é o que você quer saber. Mas não acredito que isso seja obra de um imitador que decidiu continuar o trabalho do primeiro... hã... assassino de policiais. Como Harry costumava dizer, um assassino em série é uma baleia branca. Um assassino em série de policiais é uma baleia branca com pintas cor-de rosa. Não há dois.”

Foi maravilhoso acompanhar o funcionamento da mente de todos esses personagens inteligentíssimos, principalmente do protagonista, insubstituível e essencial para a equipe, que atua de forma completamente diferente com ele por perto.

Além da parte profissional, também podemos conhecer a vida pessoal de Harry Hole, os motivos que o levaram a abandonar o trabalho como inspetor, seus sentimentos mais profundos por sua família, suas angústias, além de sua esperteza quando pessoas tentam prejudicá-lo.

“Falavam sobre tudo, sem rodeios. Quase tudo. Harry nunca disse nada sobre o medo que sentia. O medo de prometer algo que ele não sabia se seria capaz de cumprir. O medo de não conseguir ser a pessoa que ele queria e precisava ser para eles. O medo de também não saber se aqueles dois poderiam ser isso para ele. O medo de não saber como alguém seria capaz de fazê-lo feliz.”


Não vou entrar muito em detalhes para não dar muitos spoilers, mas a trama é extremamente bem desenvolvida, a investigação é deliciosa de se acompanhar, e as pontas soltas vão se unindo de forma magistral até o final do livro. Estou encantada com a escrita de Jo Nesbø e não vejo a hora de ler todos os outros da série, e quem sabe, ler Polícia novamente, quando chegar sua vez.

19.1.18

{2017} Livros lidos!


Muito bem, sem mais delongas... Os meus livros lidos de 2017!

Não li tanto quanto gostaria no ano que findou, procrastinei demais, dormi demais, assisti demais. Não, não me arrependo do tempo gasto com séries não, gostei de todas que eu vi!

Aliás, tenho até um pouco de arrependimento de algumas coisas e que gostaria de encontrar tempo para fazer: quero jogar mais coisas, assistir mais coisas... Quero escrever mais, mas a procrastinação não me deixou muito. Na verdade acho que nem foi a procrastinação, foi vontade de fazer outras coisas... Aí eu acabava não fazendo nenhuma delas, huahuhauh!


Então, 2017 eu li um total de 50 livros. Os gêneros foram bem diversificados, gostei da maioria deles. O que não gostei foi ter comprado tantos e ter lido muito pouco deles! Então estou pensando em fazer uma #tbr e ler pelo menos dos meus livros comprados por mês! Não sei se vou conseguir seguir isso, mas vou me esforçar!

Vamos lá, esses foram os meus livros lidos:


Vou listar os melhores e os piores e as razões, tá? Tipo um... top 3.

Mas não é que o livro foi pioooor. É só que menos gostei. Então não fique triste se um livro que você gosta veio parar nessa lista, ok? É só meu gosto particular!


É sério, eu acho que esse foi o livro revelação para mim, ainda mais que fui com muito preconceito pra cima dele: “Que tipo de livro tem um personagem que chama Chuvisco?” Pois é, mordi minha língua e estou aqui recomendando ele para todo mundo! Política e heroísmo se combinaram nessa leitura lindamente!

Sensível e emotivo, vemos um pai, uma avó e o fantasma de um neto serem capazes de mudar vidas e ainda serem capazes de sonhar. Lindo de verdade.

3º O jardim das borboletas, de Dot Hutchison (em breve resenha!)
Suspense dos bons, definitivamente o melhor do gênero lido em 2017. Uma adolescente que passa por algo inimaginável pela maior parte das pessoas e é tudo o que vou falar, leiam a resenha depois!

Agora os ruins... Não está em ordem do que menos gostei para o que mais gostei, ok?

Uma reunião de contos diversos para celebrar a amizade. Gostei mesmo de um conto só, mas ele está aqui porque não gosto muito de contos e a maioria não me convenceu.

2º Virando o jogo do amor, de Jenny Rugeroni (em breve resenha!!!)
Terrível. Dicas de autoestima feminina muito erradas, na minha humilde opinião.


Acho que foram apenas esses dois que eu não gostei...

Algo que quero melhorar para 2018 é de fato ler mais do que compro. Até agora estou indo bem, já li um dos que comprei o ano passado... faltam só mais uns 110... huahuahua!
Bem, é isso aí! Ainda irei contar para vocês quais leituras que eu tenho que eu vou fazer neste ano, okay?

E vocês, quais foram os seus melhores e seus piores? Deixem aí nos comentários para eu conhecer!!!

Até pessoas!

18.1.18

{Resenha} Fúria Domada - Guerreiras # 2


Oie amores. C-H-E-G-U-E-I!


Estou um pouco adoentada, então hoje o papo vai ser rápido, pois não consigo ficar muito tempo sentada. 😐
Então confere aí a resenha!

*livro cedido pela editora

Sinopse:

Gillian é conhecida entre os membros de seu clã como a Desafiadora por seu caráter indomável sua principal qualidade e também sua grande maldição. Apaixonou-se por Niall na infância e viveu com ele uma bela história de amor, interrompida quando o rapaz partiu para lutar junto ao rei da Escócia sem dizer adeus. Gillian jurou que nunca o perdoaria. Tão teimoso e orgulhoso quanto sua amada, Niall está de volta, mas não é mais o mesmo homem, disposto a qualquer coisa para reconquistá-la. Agora que se reencontraram, nenhum dos dois quer dar o braço a torcer. Mas a paixão do passado os domina novamente. Até quando eles serão capazes de resistir?”

Resenha


Esse drama se passa no ano de 1348, onde o casal que protagoniza está estória é Gillian e Niall. Ambos escoceses, guerreiros, sim porque Gillian sabe manejar uma espada como qualquer guerreiro barbado.
Nesse segundo livro da Série Guerreiros, o casal ficou num impasse, era casar ou defender a Escócia, a mando do Rei.
Como o convite era irrecusável, Niall foi com outros gigantes defender seu Rei, seu país, suas terras e tudo que estivessem nelas.
Só que Gillian não gostou, à segunda semana do casamento e um “bilhete” de Niall, ela passou a desprezar todos os pretendentes que surgiram no grande período que durou a guerra.
A guerra finalmente acabou, com a vitória dos “Highlanders”, mas nem tudo foi glória.
Gillian não aceitou as desculpas de Niall e simplesmente o ignorou por anos.
Mas no aniversário de vinte e seis anos de Gillian, havia um acordo infeliz, entre seu pai e o pai de Ruarke, onde ela teria que se casar com ele. Um homem nanico, com cara de rato e hálito fétido.


Essa noticia pegou todos do castelo de surpresa e Gillian, se desesperava, procurando uma saída, para tal infortúnio.
Será que haverá uma saída?
E Niall, como recebeu a noticia? O que ele fará?
Haverá casamento ou guerra?

É uma boa estória, com cenários extraordinários que dá vontade, que o “túnel do tempo” exista, para sermos teletransportados para lá. Mas como todo livro descritivo, histórico, com o passar das páginas fica um pouco monótono.
As emboscadas, os sequestros, são frequentes e tudo se passa no mesmo local, na mesma época, no mesmo ambiente que o primeiro livro.
Apesar de ter sido um pouco monótono, eu simplesmente amei Gillian e Niall.
Um casal completamente diferente, ela muito esquentada, respondona, com uma personalidade forte, que deixou muitas vezes Niall em apuros.
Uma estória muito boa, ansiosa pela continuação.
Por hoje é só amores. Até a próxima. Tchau!


Título: Fúria Domada - Guerreiras # 2
Autor (a): Megan Maxwell
Editora: Essência
Número de Páginas: 368

17.1.18

{Resenha} O Inquisidor

Autor: Catherine Jinks
Editora: Contexto
Ano: 2017
Sinopse: Em 1318, padre Augustin, um novo inquisidor, chega a Lazet, na França, disposto a rever processos antigos do Santo Ofício. Pouco tempo depois é brutalmente assassinado e seu subalterno, padre Bernard, é encarregado da investigação. No entanto, ao tentar proteger quatro mulheres, ele próprio se torna suspeito por seus pares. Acusado de assassinato e perseguido como herege, Bernard terá que lutar por sua vida e a de suas protegidas.
As violências praticadas em nome da religião, o intrincado jogo de interesses dos poderosos, o fanatismo, a caça às bruxas e as relações marcadas por luxúria, amor e traição fazem deste romance histórico uma narrativa arrebatadora e – por que não? – terrivelmente atual. 

Resenha:

O Inquisidor é uma romance histórico que se passa na França do século XIV, mostrando o lado mais escuro da Inquisição, as questões hierárquicas dentro da Igreja e as crenças mais absurdas que eram usadas nos julgamentos de heresia.

Padre Bernard trabalhava com o Santo Ofício investigando e identificando os “inimigos da Igreja”, os “defensores da doutrina herética” em Lazet, na França. Em um dado momento, ele solicita ajuda nesta tarefa, e então padre Augustin é enviado para Lazet, onde ficou menos de três meses antes de ser assassinado.

Padre Augustin desconfiava de tudo e de todos, até mesmo do próprio padre Bernard e seu possível envolvimento com pessoas hereges. Isso porque padre Bernard fazia o possível para ter boas relações com o povo de Lazet, pois assim ficava mais fácil se manter informado sobre tudo o que acontecia na cidade.

Como superior, padre Augustin parecia querer questionar o trabalho de seu antecessor, padre Jacques, solicitando todos os seus registros para analisar, encontrando assim quatro suspeitos identificados como subornadores de padre Jacques, além de prender toda a população de uma aldeia, após um homem ter acusado quase todos os seus habitantes de heresia.

Após aumentar consideravelmente o volume de trabalho de padre Bernard, padre Augustin é brutalmente assassinado durante uma viagem, quando os corpos dele e de seus companheiros são esquartejados e espalhados pelo bosque para dificultar a identificação de todos.

“O senhor deve ter ouvido falar, sem dúvida, que padre Augustin e seus guarda-costas foram feitos em pedaços. Talvez o senhor não atine totalmente, porém, que, quando emprego a expressão “feitos em pedaços”, não estou usando uma hipérbole, mas uma descrição literal e precisa do estado das vítimas. Seus corpos haviam sido divididos em pequenas porções espalhadas como sementes, não sobrara nem um pedaço da roupa deles. O translatio que poderia ser empregado ao estado dos defuntos é o de uma cripta pilhada – ou talvez até do Vale dos Ossos –, só que esses ossos não estavam limpos e secos. Estavam cobertos de sangue e carne pútrida e, sob um manto de moscas, clamavam aos céus por vingança.”

E assim começa a investigação imposta a padre Bernard, para descobrir o que aconteceu com seu superior. Durante esse processo, ele descobre que as viagens misteriosas de padre Augustin para Casseras estavam relacionadas a quatro mulheres que viviam lá, que escondem segredos que podem comprometê-las como hereges, se mal interpretadas, e que também comprometiam o próprio padre Augustin.

Johanna, uma viúva com “voz de uma freira e olhos de um juiz”, muito bonita, postura firme, apesar das roupas simples e mãos sujas, cuja presença de alguma forma impressionou padre Bernard. Vitália, uma velha senhora, bastante doente, que já ficava apenas na cama. Alcaya, amiga da família, adorava ler e tinha alguns livros curiosos que chamaram a atenção do padre. E finalmente, Babilônia, a jovem filha de Johanna.

Segundo Johanna, as visitas de padre Augustin se deviam a uma disputa de propriedade à qual ela estava envolvida e o padre a estaria aconselhando. Mas padre Augustin teria deixado um documento em que dizia que Babilônia estaria possuída por um demônio, e padre Bernard, como um bom inquisidor, precisava saber se isso seria verdade, e o que descobriu foi algo muito mais chocante sobre padre Augustin.

“Em resposta a meu interrogatório, delicado, mas persistente, ela revelou que a filha, uma moça doce e linda, nunca esteve “muito bem”. Mesmo quando criança, tinha pesadelos, ataques súbitos de cólera, períodos de letargia anormais. Os sermões severos faziam que chorasse de maneira incontrolável e mutilasse a própria carne. Aos 12 anos, ela havia tido uma “visão de diabos”, e gritava toda vez que seu primo se aproximava dela, dizendo que ele estava cercado por um “halo escuro”. Seus problemas pioraram com o passar dos anos: ela caía no chão, cuspindo e gritando e mordendo a língua. Às vezes, se sentava nos cantos, balançando-se para a frente e para trás, falando de maneira incoerente; às vezes gritava sem parar, sem razão aparente.”

As pessoas tinham medo de Babilônia, achavam que ela realmente estava tomada por um demônio, jogavam pedras e cuspiam nela na rua quando estava em crise (porque acredito que a jovem sofria de algum transtorno mental, obviamente, inclusive tinha convulsões que a faziam morder a língua), mas Alcaya acreditava que ela era especial, próxima a Deus, e era a única que conseguia acalmá-la.

Padre Bernard se envolve com as mulheres tanto quanto padre Augustin se envolveu anteriormente, e ele mesmo passa a ser acusado de heresia pelo novo padre que chega para substituir Augustin, (na minha opinião ainda mais doido), Pierre-Julien Fauré, que achava que todo mundo estava envolvido com magia, todo mundo era bruxo ou bruxa, e toda a sua pesquisa se baseava nesse assunto.

“Então perguntei a mim mesmo: foi isso que encontrei na colina? O nada? Eu tinha a sensação de ter encontrado o amor, e todos sabemos que Deus é amor. Mas que tipo de amor? E se eu tivesse realmente experimentado o amor de Deus, então, talvez, por eu tê-lo experimentado (porque acredito que estava consciente de meu próprio ser o tempo todo), não fiquei amorfo, formado e transformado de verdade na uniformidade divina que nos faz uno com Deus. Eu estava tão confuso!”

O livro foi escrito na forma de uma carta redigida por padre Bernard, buscando sua absolvição com os maiores superiores da Igreja da época, como uma confissão, em que conta sua versão de toda a história, incluindo seus erros, acertos, pensamentos, tudo muito rico em detalhes.

“Reverendo padre, eu lhe contei tudo o que há para contar. Contei-lhe uma história sangrenta de morte e de corrupção, mas esses pecados não foram meus. Embora eu tenha pecado contra meus votos de castidade e de obediência, não pequei contra a Igreja Santa e Apostólica. Ainda assim meus inimigos me censuram sempre; eles são corruptos e falam maldosamente; a violência os cobre como uma roupa. Eles buscam minha alma, porque a maldade está em sua morada.”

Com sua narrativa, podemos imaginar com todos os detalhes e imagens como eram realizadas as inquisições pela Igreja, a corrupção que sempre existiu dentro da instituição, os postos hierárquicos e o autoritarismo extremo presente o tempo todo, a provável falta de conhecimento dos transtornos mentais, que se transformavam em demônios, levando tantas pessoas à morte por uma heresia que na grande maioria das vezes era apenas falta de conhecimento e discernimento dos inquisidores.

O começo do livro foi um pouco arrastado para mim, mas quando começa a real investigação e as revelações começam a aparecer, a leitura me prendeu bem mais, me deixando bastante curiosa em relação ao desfecho. Para quem gosta de romances históricos, investigações, conhecer mais sobre a Igreja Católica e sua história da época da Inquisição, e principalmente para que tem estômago forte para lidar com corrupção, injustiças, e as maiores doidices cometidas por estes inquisidores, essa história tem tudo para te agradar também!


“Tentei me convencer de que essa seria a melhor solução. O amor era uma espécie de loucura – uma doença que passaria. Há um tempo para amar, e um tempo para odiar. O que eu ganharia em abandonar o trabalho de toda uma vida por uma mulher que eu mal conhecia? Por um amor que era tanto angústia quanto felicidade?”

16.1.18

{Resenha} A Poção Perdida - Diário de Uma Garota Alquimista #02


Oie amores. C-H-E-G-U-E-I!


Resenha prontinha da continuação de A Poção Secreta, que novamente prendeu minha atenção.
Confere aí!


*livro cedido pela editora

Sinopse:

“Depois de vencer a Caçada Selvagem, salvando a Princesa Evelyn, a vida de Sam Kemi mudou completamente! Com uma avalanche de entrevistas na TV, o trabalho na loja de poções da família e os preparativos para acompanhar a Princesa – sua nova melhor amiga – numa grande viagem internacional, tudo parece estar indo muito bem, até que de repente não está mais...Alguém adulterou a mente do avô de Sam para tentar descobrir a fórmula da Aqua Vitae, uma poção capaz de curar qualquer doença e que estava perdida entre as páginas de um antigo diário da família Kemi. Sem suas memórias e precioso conhecimento, seu avô está cada vez mais perdido e confuso. E, conforme o tempo passa, seu estado só vai piorando. Agora, Sam precisa encontrar a receita perdida da poção mais poderosa do mundo, aquela que as pessoas matariam para pôr as mãos, e também tentar trazer as memórias do seu avô de volta. Trocando vestidos, príncipes e palácios por dragões, centauros e cavernas, Sam começa a aventura mais importante e perigosa de sua vida – na qual tudo pode acontecer!”

Resenha

No primeiro livro dessa série, Sam Kemi, passa por momentos difíceis e desesperantes, vence a Caçada Selvagem, resolve o problema da Princesa Evelyn e da família real e do país. Vendo uma mudança satisfatória na loja da família Kemi, que recebe muitas pessoas o que era almejado pela família durante muito tempo.
Sua amizade com a Princesa Evelyn se torna mais forte e seu namorado Zain é um fofo e carinhoso. 

Agora no segundo livro da série, Sam tem a responsabilidade passada por seu avô, de encontrar o diário perdido da família Kemi, antes que cai em mãos erradas.
Neste diário tem a receita da porção que cura todos os males – a Aqua Vitae.

Agora Sam tem uma outra missão tão tenebrosa quanto a anterior. Só que dessa vez, a família Kemi, seu prestigio, seu nome no rol dos alquimistas do reino, está comprometida, pois “alguém” adulterou a mente de seu avô Ostanes, com duas principais finalidades: impedir que a família de Sam não encontre o diário com a formula da poção mágica que tudo cura.


E o que é pior, se “alguém” se apossar indevidamente da receita, isso será o caos para o reino e o fim do avô de Sam, que só piora.
Numa viagem com seus amigos, não será uma jornada fácil, ainda mais se tiver “alguém” no encalço lutando contra e tentando pegar o diário.
Sam encontrará o tal diário com a formula que cura todos os males? Será a única que está atrás do diário?
A bruxa Emília, que estava presa até então quer o diário, mas para que e para quem?
Ah! Adorei todas as poções das últimas páginas do livro.
Para quem gosta de mistérios, seres e coisas estranhas, poções e feitiços está série é um prato cheio.
A criatividade da autora precisa ser lida, pois vai além da sua/nossa imaginação.



Parabéns a Editora Jangada pela diagramação, por não ter trocado a capa original, ficou ainda mais linda que a do primeiro livro. A diagramação ficou ótima de ler a qualquer hora do dia, sem doer a vista. 💗
Deixo vocês com a porção que eu adorei entre todas as que Sam deixou nas últimas páginas do livro.






2) COLA-MEMÓRIA
Misture raiz de valeriana com veneno roxo e viscoso de perereca, alecrim e uma pitada de leite de magnésio. Prepare a poção perfeita para ajudar a memorizar a matéria das provas finais. Proceda com cautela: over-doses podem ser perigosas.

Por hoje é só amores. 
Até a próxima.Tchau!


Título: A Poção Perdida - Diário de Uma Garota Alquimista #02
Autor (a): Amy Alward
Editora: Jangada
Número de Páginas: 448