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16.7.18

{Resenha} Bem atrás de você


Autor: Lisa Gardner
Editora: Gutenberg
Ano: 2018
Sinopse: A infância de Sharlah foi bastante traumática: quando tinha 5 anos, ela presenciou o próprio pai, viciado em drogas, matar a sua mãe e então avançar contra ela e seu irmão mais velho, Telly. Mas o garoto, então com 9 anos, atingiu a cabeça do pai com um bastão de beisebol, salvando os dois. Os irmãos foram separados, e agora, oito anos depois, Sharlah foi adotada por Pierce Quincy, oficial aposentado do FBI e especialista em perfis criminosos, e sua companheira, a policial Rainie Conner.
Um dia, no que parece ter sido um inexplicado acesso de raiva, Telly ressurge como o principal suspeito de matar um casal e assassinar duas pessoas em um posto de gasolina. O jovem, então, foge para um bosque de Oregon, dando início a uma caçada frenética. Enquanto trabalham com a polícia local para traçar um perfil psicológico do assassino, Quincy e Rainie tentam proteger Sharlah, pois, pelo que tudo indica, ela pode ser a próxima vítima.
Resenha:

Se o enredo já me pareceu interessante apenas lendo a sinopse, a história foi me prendendo ainda mais conforme o seu desenvolvimento. A autora nos faz ter dúvidas o tempo todo sobre quem é bom ou mau, herói ou vilão, culpado ou inocente.

Os capítulos são narrados em terceira pessoa, no geral. Porém, alguns deles são narrados em primeira pessoa, ora com as impressões de Telly, ora com as impressões de Sharlah.

Após a morte dos pais, os irmãos foram separados, já que apesar de salvar a vida de Sharlah matando o pai, Telly acabou acertando o braço da irmã com o bastão de beisebol e acharam que talvez ele acabasse representando um risco para ela.

“Separar as crianças. Não sei dizer quem tomou essa decisão, mas eu teria aconselhado contra ela. Oito anos atrás, Telly Ray Nash era um garoto problemático de 9 anos de idade que não tinha muitos pontos a seu favor. Mas ele tinha a irmã. Pelo que observei, ele a amava e se importava genuinamente com ela. E ela também o amava. Por que o sistema iria cortar esse relacionamento, eu não faço ideia. Mas isso provavelmente fraturou um dos únicos laços verdadeiros na vida do jovem Telly. Depois disso, ele teria ficado ainda mais raivoso e à deriva.”

Os dois passaram por diversos lares antes de acabarem com os pais que estão nesse momento. Sharlah vivia com Quincy, Rainie e Luka. Quincy era um especialista em perfis criminais do FBI aposentado e Rainie delegada, também aposentada. Agora eles prestavam consultoria para o departamento de polícia de Bakersville. Ambos desenvolveram um sentimento muito forte por Sharlah, e estavam dando andamento no processo de adoção da menina. Luka era um pastor alemão também “aposentado” da polícia, o melhor amigo e companheiro de Sharlah, que tinha um histórico de tendências antissociais.

“Eu tenho sorte. Sei disso. E estou me esforçando bastante para colar meus cacos e melhorar e controlar meus impulsos.
Mas em alguns dias ainda é difícil ser eu mesma.”

Telly vivia com Frank e Sandra Duvall. Frank era um professor de ensino médio e Sandra uma dona de casa com um passado misterioso, que fazia com que ela se identificasse bastante com o garoto. O filho deles havia ido estudar em outra cidade, e eles decidiram cuidar de Telly como um projeto, para ensiná-lo a se virar, antes que fizesse 18 anos e tivesse que aprender sozinho. Sandra estava ensinando Telly a cozinhar, e Frank o ensinou a atirar com suas armas. Mas agora o casal e mais duas pessoas estavam mortas, e Telly foi visto na câmera de segurança, tornando difícil negar que ele tenha cometido os crimes.

“Também sabiam que essa era a minha última oportunidade. Garoto de 17 anos, dentro de um ano estaria fora do sistema. Os Duvall eram minha última chance de ser parte de algo. Não uma criança adotada. Eu já tinha entrado no sistema velho demais para nutrir esses sonhos dourados. Mas se fizesse tudo direitinho, confiasse um pouco e, diabos, melhorasse meu comportamento, talvez pudesse ter uma família de acolhimento permanente. Um lugar aonde ir todo Natal, todo Dia de Ação de Graças. Melhor ainda, conforme minha agente de condicional explicou, poderia contar com orientação para todas as “Grandes Mudanças” que estavam por vir – conquistar um emprego, arrumar um lugar só meu, pagar minhas próprias contas. Mundo real logo à frente. Um par de figuras parentais ao meu lado para me apoiar seria uma enorme ajuda. Ou pelo menos foi o que a agente de condicional me disse.”

Apesar do passado de Telly, alguns fatos não faziam muito sentido no assassinato de Frank e Sandra. Muito menos nas mortes do posto de gasolina. Ainda assim, o adolescente estava foragido, e a busca por ele movimentou toda a polícia, alguns voluntários e até sua própria irmã.

Tanto Telly quanto Sharlah desenvolveram transtorno opositivo-desafiador. Sharlah também tinha ansiedade, insônia, e havia uma suspeita de que o garoto também sofresse de transtorno de apego reativo e transtorno explosivo intermitente. Mas apesar disso tudo, Telly tinha uma personalidade protetora. Os irmãos viviam à sombra de um passado violento que gerou consequências com as quais eles ainda estavam aprendendo a lidar. Principalmente Telly, por se sentir confuso quanto à sua própria natureza: herói ou vilão?

“Se existe o bem dentro de mim, por que sinto como se o mal estivesse sempre vencendo?”

Havia a preocupação de que Telly estivesse indo atrás da irmã e era impossível compreender seus motivos. Quando criança, Telly praticamente criou Sharlah, cuidava, alimentava, lia para ela na biblioteca, e tentava mantê-la o mais distante possível da violência em sua casa. Porém, foram encontradas fotos de Sharlah com uma mira desenhada em seu rosto, no meio das coisas de Telly. Sharlah precisava ser protegida, mas queria encontrar o irmão a todo custo.

“Você consegue, Telly. Talvez não perfeitamente. E talvez precise cometer alguns erros primeiro. Mas eu vejo algo a mais em você. Você salvou sua irmã. Agora só precisa descobrir como salvar a si mesmo. Mais um ano, Telly. E então vai depender só de você: que tipo de homem você será?”

Apesar de algumas palavras traduzidas de forma um pouco estranha e alguns errinhos de digitação, é uma leitura muito tranquila, não dá vontade de fechar o livro enquanto não descobrimos todos os mistérios que envolvem esses assassinatos.

Eu nunca havia lido nada da autora, e gostei muito da forma como ela descreve todos os acontecimentos, da criação de cada um dos personagens, da pesquisa sobre tantos transtornos de personalidade, e do final surpreendente! Todas as características que me fazem amar uma história! Foi uma grata surpresa e espero ter a oportunidade de ler mais livros da autora em breve.


11.7.18

{Resenha} Interferências


Título Original: Crosstalk
Autor: Connie Willis
Editora: Suma
Sinopse: Combinando humor e romance, Connie Willis, ícone da ficção científica, entrega um livro envolvente sobre os perigos da tecnologia, do excesso nas redes sociais e... do amor. Em um futuro não muito distante, um simples procedimento cirúrgico é capaz de aumentar a empatia entre os casais, e ele está cada vez mais na moda. Por isso, Briddey Flannigan fica contente quando seu namorado, Trent, sugere que eles façam a cirurgia antes de se casarem — a ideia é que eles desfrutem de uma conexão emocional ainda maior, e que o relacionamento fique ainda mais completo. Bem, essa é a ideia. Mas as coisas acabam não acontecendo como o planejado: Briddey acaba se conectando com outra pessoa, totalmente inesperada. Conforme a situação vai saindo do controle, Briddey percebe que nem sempre muita informação é o melhor, e que o amor — e a comunicação — são bem mais complicados do que ela esperava. Mais complicado do que ela esperava.

Será que estar sempre conectado pode ser algo bom?

Briddey Flannigan é uma mulher independente, tem um bom emprego, mas sua vida não é fácil quando tem sua família e os seus colegas da empresa Commspsan xeretando sua vida pessoal. E a fofoca do momento é que ela vai fazer um EED com seu namorado Trent. EDD é um procedimento cirúrgico que faz com que aumente a empatia entre um casal, fazendo eles conseguirem sentir os sentimentos um do outros, melhorando assim o relacionamento.

Briddey aceita fazer, porém a notícia se transforma no assunto do momento na empresa e sua família não aceita a ideia. Até mesmo o quieto C.B Schwartz, o desenvolvedor de eletrônicos da empresa, está dando palpites. Ele diz que o EED pode acabar trazendo consequências terríveis para quem faz o procedimento. No entanto, ela faz mesmo assim e as consequências não poderiam ser as mais estranhas... Briddey acaba sendo conectada com ao C.B, na forma de telepatia entre os dois. Mas ainda assim, as coisas estão prestes a ficarem piores...

A edição está super caprichada! A capa está realmente incrível e combina muito com a história proposta. As folhas são amareladas e de boa qualidade. O único porém é a capa soft touch. Argh! Sério não consigo me acostumar com capas assim. Rsrs... A narração está em terceira pessoa com foco nas aventuras de Briddey.


A relação entre Briddey e C.B é maravilhosa! No início eles se estranhavam muito, pois Briddey  achava que ele estava atrapalhando sua relação com Trent, mas ao longo da história os dois começam a trabalhar juntos fazendo com que Briddey consiga superar alguns problemas que vieram por conta do EED. E isso acaba aproximando os dois mesmo contra vontade de Briddey.

Eu já imaginava que esse livro seria diferente de O Livro do Juízo Final, mas me surpreendi. Nessa ficção-científica temos um toque de romance e humor na medida certa. Achei incrível o modo como a autora Connie Willis criou esse universo tão conectado de forma diferente e como criou toda a teoria que embasa a telepatia. Porém um ponto me incomodou: Briddey foi muito passiva. Ela era uma mulher independente, mas eu a via muitas vezes muito submissa aos personagens da história, sejam femininos ou masculinos. Isso me deixava louca, mas fora esse fato a história transcorria muito bem.

Interferência tem uma dinâmica muito boa, mesmo sendo um livro gigantesco. Com muitas falas e momentos cômicos, nos inserimos rapidamente na história e logo pegamos o embalo nas peripécias nos personagens. Não tem como não nos divertir. Se você quiser se aventurar na área de sci-fi, indico esse livro, pois ele é leve. Assim você se acostuma a ler esse gênero e vai pode se apaixonar por essa história incrível! Não tem como resistir ao cabelo bagunçado, as camisas temáticas e ao próprio C.B.



10.7.18

{Resenha} A Faca Sutil

Título Original: The Subtle Knife
Trilogia: Fronteiras do Universo vol.2
Autor: Philip Pullman
Editora: Suma de Letras
Sinopse: Perdida em um mundo desconhecido, Lyra Belacqua encontra Will Parry - um fugitivo que logo se torna um aliado mais do que necessário. Afinal, este novo mundo é povoado por Espectros sugadores de alma, e no céu as feiticeiras disputam espaço com os anjos.
Will procura pelo pai, um explorador desaparecido há anos, e Lyra busca a origem do Pó. No entanto, o que os dois descobrem é um segredo mortal e uma arma de poder absoluto, capaz de decidir o resultado na guerra que se forma ao redor deles. O que nenhum dos dois suspeita é o quanto suas vidas, seus objetivos e seus destinos estão conectados... até que precisam se separar.

Will é um garoto de Oxford que passa seus dias cuidando de sua mãe, até que homens misteriosos começam a visitá-los constantemente em busca de algo sobre seu desaparecido pai.
Quando o menino acidentalmente mata um deles ao escapar, ele é obrigado a ir o mais longe possível para manter sua mãe em segurança e nessa fuga ele acaba por se deparar com algo extraordinário: uma janela para outro mundo.

Nesse mundo, povoado por crianças e espectros, dos quais nenhuma delas pode ver, ele conhece uma garota com um animal estranho, que o faz repensar seu possível esconderijo.

E é assim que Lyra conhece Will, um garoto de sua idade, sem daemon, mas que pelo que tudo indica está muito vivo. Ela que está em busca da origem do Pó, decide pesquisar sobre na Oxford de Will, que apesar de ser muito parecida, é totalmente diferente de sua própria Oxford. Além do fato de ninguém em seu mundo possuírem, ou ao menos saberem sobre daemons.

Enquanto Will tenta descobrir algo sobre o paradeiro de seu pai, ele terá que ajudar a menina a se ajustar ao seu mundo, para que não levantem suspeitas. Mas o trabalho parece ser um pouco mais difícil quanto pensava. E no meio disso tudo acabam se envolvendo com algo mais poderoso do que jamais imaginaram, uma faca capaz de abrir janelas para outros mundos!
"[...] uma gata encolhida contra a parede da torre, a orelha rasgada e a cauda torcida. [...] Will estava ajoelhado junto à gata.
E logo ela estava em seus braços. Quando ela saltou para o peito de Will, ele a segurou junto ao corpo e se levantou para enfrentar as crianças; por um segundo Lyra teve a ideia louca de que o daemon dele tinha finalmente aparecido."
Esse volume foi mais curto e um tanto mais trágico do que o anterior, para minha surpresa, mas ao mesmo tempo, a leitura me foi rápida, no sentido de haver bastante ação acontecendo por todos os lados. Pareceu focar mais na história de Will do que na de Lyra, embora ela esteja sempre presente.

Quanto a amizade que os dois começam a cultivar, provavelmente teve mais a ver com a necessidade da situação do que interesse mútuo, a princípio. Mas conforme perigos passam, e outros desconhecidos  se desenrolam sobre eles, memórias e sentimentos começam a ser compartilhados e a ligação dos dois fica mais forte.
"[...] Sendo assim, não conseguia dizer isso para Lyra, embora ela conseguisse ler tudo nos olhos dele - e isso era novidade para ela também: ser tão perceptiva. O fato era que, em relação a Will, ela estava desenvolvendo outro sentido, como se ele simplesmente estivesse mais nítido do que qualquer outra pessoa que ela conhecia. Tudo nele era claro, próximo e imediato."
Ainda no mundo desconhecido, nos encontramos com as feiticeiras, que estão em busca da pequena Lyra, por quem elas tanto tem afeição. E assim elas conhecem os Anjos, que não existem em seu mundo, mas que parecem dispostos a ajudar Lorde Asriel.

Devo dizer que em relação à elas, me senti bem decepcionada, pois já havia como expectativa uma grande ajuda, como no livro anterior, no entanto em A Faca Sutil, elas me pareceram não serem tão prestativas e úteis, quanto gostariam de ser. Talvez fosse por estarmos sendo apresentados à outras grandes aparições, como Anjos e os Espectros, mas em todo caso, fiquei um pouco chateada com as Feiticeiras.

Ao todo, o livro foi uma experiência maravilhosa. Em alguns momentos enquanto Lyra conversava com Will sobre suas aventuras, ou às vezes se lembrava de algo específico eu me pegava querendo reler o primeiro volume todo de novo, só para relembrar perfeitamente. Por ser mais curto do que o primeiro e as coisas acontecerem tão rápidas, ficava naquela adrenalina e naquele gostinho de "quero mais", tanto é que quando terminei, já estava pegando o último para poder começar! (risos)


9.7.18

{Resenha} A Escola do bem e do mal: Um mundo sem príncipes



Título original: The school for Good and Evil 2# - A world without princes.
Autor: Soman Chainani
Editora: Gutemberg
Sinopse: Um Mundo Sem Príncipes - Nesta esperada continuação de A Escola do Bem e do Mal, as melhores amigas Sophie e Agatha estão de volta ao seu lar, em Gavaldon, para viver seu desejado final feliz, certas de que seus problemas terminaram. Mas a vida não é mais o conto de fadas que elas esperavam. Quando Agatha escolhe um fim diferente para sua história, ela acidentalmente reabre os portões da Escola do Bem e do Mal, e as meninas são levadas de volta para um mundo totalmente modificado. Agora, bruxas e princesas moram juntas na Escola para Meninas, na qual são inspiradas a viver uma vida sem príncipes. Tedros e os meninos estão acampados nas antigas Torres do Mal, onde os príncipes se aliaram aos vilões, e uma verdadeira guerra está se armando entre as duas escolas. O único jeito de Agatha e Sophie se salvarem é procurando restaurar a paz. Será que as amigas farão as coisas voltarem ao que eram antes? Sophie conseguirá ficar bem com Tedros nessa caçada? E o coração de Agatha, pertencerá a quem? O felizes para sempre nunca pareceu tão distante.

Estava tão ansiosa para saber como continuava a história das amigas Sophie e Agatha que passei o livro 2 na frente de outros que tenho na lista!

Só que assim... Vou evitar ao máximo dar spoilers, mas do primeiro livro vai ficar difícil. Então se você é como eu e não gosta de spoilers, leia essa resenha com cautela!

Se quer conferir a resenha do livro 1, clique aqui! Garanto que vai gostar!

Sophie e Agatha estão vivendo seu final feliz, de  volta a Galvadon. Tiveram seu momento de fama ao retornarem, as únicas leitoras a terem deixado para trás a Escola do Bem e do Mal e agora tentam retomar suas vidas.

Agatha tem sua melhor amiga só para si; bem como todos os fãs das duas leitoras (na verdade só da Sophie, a menina pira em ser o centro das atenções minha gente!). A vida está boa, com sua mãe conseguindo mais trabalho pelo impacto de seu sucesso, mas ainda assim sente que tem algo errado...

Sophie é... Sophie. Faz de tudo para continuar sendo o centro das atenções, mas nem tudo está como ela gostaria. Algo que ela não queria que acontecesse, acaba acontecendo.

Em um pequeno instante, um único momento... Um único pedido silencioso, murmurado por sua alma, um desejo distraído... E tudo muda. Descobrimos segredos podres de alguns lugares, enquanto as duas jovens são arrastadas de volta para a escola.

Uma vez lá encaram as consequências de seu final feliz: as meninas acreditam que os meninos são desnecessários, não há mais príncipes.

Não existe mais a Escola do Bem e do Mal. Em seu lugar, está a escola dos meninos e a escola das meninas. A segunda é comandada pela reitora Evelyn, uma nova personagem nessa história. É uma mulher poderosa e magnífica, basicamente onipresente. Já a escola dos meninos está abandonada. Não há nenhum adulto para controla-los.

Os príncipes e vilões estão revoltados, já nem dá mais para definir quem é pertencia a qual lugar. Já as meninas estão muito bem, obrigada. Adaptaram-se a situação e estão tendo aulas de empoderamento, de como se virar sozinhas... Parecem estar muito felizes, exceto pelo fato de uma guerra iminente.

Qual lado venceria? Meninos ou Meninas? Quem está melhor preparado para esta batalha?

Este livro é bem diferente de seu predecessor, aponta bem as mudanças nos personagens, como evoluíram ou não em todo esse processo. Também conhecemos o passado de alguns professores, informações que já ajudam o leitor a criar teorias e conspirações sobre outros personagens.

Sophie está feliz com sua nova posição, está finalmente onde queria estar e a nova ordem lhe agrada. Mas Agatha não confia em tudo o que está acontecendo e deseja restabelecer a ordem.. E teme que a Bruxa volte.

A desconfiança domina os ares e cada uma das amigas fará o possível para atingir seus objetivos. O futuro do casal parece distante de ter um final feliz. Tedros se prova cada vez mais um jovem comum... Confuso e sem saber o que fazer.

Será que a amizade de fato irá superar tudo?

O final me deixou de coração partido. Para quem acompanhou a trajetória dos personagens, um final daqueles foi... Terrível demais. Ver que tudo estava caminhando por aquele rumo realmente me destroçou.

Só estou me segurando para não começar logo o terceiro livro, pois o quarto irá ser lançado só em agosto!!! <o> Segue capa e não vou colocar a sinopse... Se desejar lê-la, clique aqui!


4.7.18

{Resenha} O Iluminado - Stephen King



Título Original: The Shining
Editora: Suma de Letras
Sinopse: O lugar perfeito para recomeçar, é o que pensa Jack Torrance ao ser contratado como zelador para o inverno. Hora de deixar para trás o alcoolismo, os acessos de fúria e os repetidos fracassos. Isolado pela neve com a esposa e o filho, tudo o que Jack deseja é um pouco de paz para se dedicar à escrita.
Mas, conforme o inverno se aprofunda, o local paradisíaco começa a parecer cada vez mais remoto... e sinistro. Forças malignas habitam o Overlook, e tentam se apoderar de Danny Torrance, um garotinho com grandes poderes sobrenaturais.
Possuir o menino, no entanto, se mostra mais difícil do que esperado. Então os espíritos resolvem se aproveitar das fraquezas do pai...
Um dos livros mais assustadores de todos os tempos, O iluminado é uma das obras mais consagradas do terror.
Seguindo a saga de livros do Stephen King, ler O Iluminado era uma de minhas prioridades e tenho de admitir que acertei na escolha. O livro ressignificou a palavra suspense e mostrou, de uma vez por todas, porque King é literalmente o rei nesse ramo. 

Neste thriler de suspense escrito com maestria, acompanhamos a intimidade da família Torrance, seu passado obscuro e sua busca por um recomeço. Toda a história orbita em volta de Danny, o garoto de 8 anos que tem a capacidade de ouvir pensamentos, ver lapsos do futuro e conversar com pessoas que já faleceram - o que o caracteriza como um "iluminado". Entretanto, essas habilidades não lhe dão nenhuma ajuda quando seus pais escolhem um isolado hotel de luxo com um passado sangrento e uma enorme sede de vingança como marco do recomeço da família Torrance.

A decisão de isolar-se no grande Overlook não foi voluntária, mas sim condicionada por uma família em declínio que precisava de um bote salva-vidas urgentemente. Jack Torrance, o patriarca, é um ex-alcoolatra aspirante a escritor que, após ser demitido de seu emprego como professor por agredir um aluno durante um acesso de fúria, teve de aceitar a única chance de evitar a falência total: um emprego como zelador durante o inverno no Hotel Overlook. Wendy, sua mulher, acha que um pouco de ar fresco e tempo em família vão fazer bem para o marido em recuperação e para o filho, Danny, que costuma ter convulsões inexplicáveis.

Danny, seu filho iluminado, percebe que a escolha feita por seu pai de isolar-se num hotel de história obscura não é a melhor opção para um recomeço. Entretanto, antes que eles descobrissem a verdade sobre as forças que regiam aqueles corredores antigos, os espíritos do grande hotel Overlook já haviam obtido controle sobre Jack. Com constantes pensamentos intrusos de que a mulher quer domesticá-lo e de que o filho é um bebê chorão que só dá problemas, Jack se transforma em outro homem. Tem alucinações frequentes, conversa com desencarnados, não dorme. Vive em um eterno pesadelo e carrega sua família para dentro dele. A salvação depende de Danny, o garoto iluminado que tem suas forças drenadas pelos espíritos do Hotel.

É impossível não desenvolver total empatia por Jack, um homem falido, assombrado pelos erros de seu passado, tentando a qualquer custo manter-se na linha e dar a volta por cima. Danny é, obviamente, o astro desse livro; demonstra uma maturidade extrema, até mesmo surreal para seus 5 anos de idade. Já Wendy, diferente do filho, não brilha tanto assim. Nas páginas finais, nos surpreende positivamente, mas permanece apagada no restante do livro. Outros personagens, embora estejam menos presentes na história - como Tony e o cozinheiro iluminado Hallorann - têm maior destaque do que a mãe de Danny.

Cada personagem é abordada de maneira individual e profunda, o que ajuda na construção da empatia durante a leitura. É impossível não desenvolver total empatia por Jack, um homem falido, assombrado pelos erros de seu passado, tentando a qualquer custo manter-se na linha e dar a volta por cima. Até mesmo quando as forças do Overlook o dominam, é difícil vê-lo como um vilão. Além da abordagem individual, os flashbacks frequentes também ajudam na construção dos personagens, trazendo à tona narrativas que explicam a maneira de agir e de pensar que cada um dos integrantes da família Torrance possui.


Este é, de longe, o melhor livro dele que li até agora. O Iluminado faz jus à toda sua fama e ressignificou as palavras suspense e terror para mim. Do meio para o fim, ler esse livro antes de dormir era a pior escolha que eu poderia fazer. Perdi as contas de quantas vezes fiquei paranóica com barulhos em casa, revirando na mente as cenas que li minutos antes - agora eu estou rindo da minha loucura, haha, mas na hora... ô, sofrimento! 

OBS: 37 anos depois do lançamento de O Iluminado, a continuação dessa trama foi lançada nos EUA na obra Doutor Sono, que também já está disponível na Suma de Letras. Quem vou correr pra comprar? o/


2.7.18

{O menino que vê filmes} Peaky Binders - Sangue, Apostas e Navalhas.



Autoria e Produção: Steven Knight e Caryn Mandabach 
Elenco: Cillian Murphy, Tom Hardy, Helen McCrory, Annabelle Wallis, Sean Neil, Paul Anderson, John Cole, Adrien Brody, Iddo Goldberg, Ned Dennehy, Andy Nyman, Charlie Murphy 

ATENÇÃO – ALERTA DE SPOILER! Se você não assistiu a série em questão, prossiga por sua conta e risco 

Oi gente! Hoje venho trazer uma série que já está há 5 anos no ar pela BBC, mas que só agora começou a cair no gosto da galera, sobretudo fãs (orfãos) de Sons Of Anarchy e Breaking Bad. 

Dona de uma fotografia e trilha sonora sensacionais, Peaky Blinders, entra com o pé na porta desde o primeiro episódio e, se antes era pouco conhecida, já vem conquistando espaço entre as séries mais memoráveis dos últimos 10 anos. 

A série tem 4 de suas 5 atuais temporadas disponíveis na Netflix, é só relaxar e aproveitar! 

Vem comigo?

Ambientação


A série se passa em Birmingham, Inglaterra, por volta de 1919, contando a história dos Peaky Blinders, uma violenta gangue de imigrantes irlandeses vindos de Belfast que vivem de negócios escusos, sobretudo as apostas ilegais nas corridas de cavalos. Como toda gangue, os Peaky Blinders estão em constante luta por território e pela posse dos negócios alheios, cobrando pela proteção proteção aos comerciantes locais e sobrevivendo na Inglaterra pós Primeira Grande Guerra. 

Viseiras de Pico?

O nome Peaky Blinders significa, literalmente, “viseiras de pico” ou bonés cortantes, devido ao fato de os membros da gangue usarem boinas com navalhas costuradas na parte traseira, constantemente usadas como armas capazes de retalhar os rostos de seus inimigos. Embora, na série, os Blinders sejam denominados como gangue, talvez o nome máfia seria mais apropriado, dado o caráter familiar da organização. Os membros centrais são os irmãos Tommy, Arthur e Finn Shelby e sua tia Elisabeth (Polly) Shelby, contadora e conselheira do grupo. 

Os irmãos Shelby sofrem de estresse pós traumático, tendo sido condecorados como heróis de guerra. 

Trilha Sonora 

Nick Cave and The Bad Seeds 
Talvez o ponto alto da série, a incrível trilha sonora de Peaky Blinders impressiona, quase toda ela comandada por músicas muito bem colocadas do fantástico Nick Cave e de PJ Harvey. 

White Stripes marcou muitos pontos na sonorização da primeira temporada. Raconteurs, outra banda de Jack White, também teve forte presença. Até Dead Weather surgiu em um momento.

Na mesma pegada que juntou clima de gângster e alta música independente, Tom Waits e Johnny Cash também tem seu lugar garantido.

The Kills, Queens of the Stone Age surgem numa cena da terceira temporada. Até novos como Royal Blood e Laura Marling foram bem selecionados. Sem esquecer, é claro, da fabulosa Black Rebel Motorcycle Club.

Em um certo período da segunda temporada e em praticamente toda a terceira, quem manda no som é o grupo Arctic Monkeys. 
Black Rebel Motorcycle Club 





Resumindo, vale assistir só pela trilha sonora!






CONCLUSÃO 

Séries envolvendo imigrantes irlandeses, que são um povo bravo, trabalhador e de sangue quente não são novidade. Mas Peaky Blinders merece ser assistida com carinho… Fica aqui a minha recomendação! 

Até a próxima, gente!