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30.4.10

Pobre não tem sorte
Leila Rego


Toda garota do interior sonha em se casar com o cara de seus sonhos, ter uma casinha, filhos e ser feliz até que a morte os separe, certo?
E se esse cara for lindo, rico, super fashion e divertido?
E se tal "casinha dos sonhos" for um mega apartamento no melhor bairro da cidade? Uau! Mariana encontrou o cara perfeito e vai se casar com ele!
E nada de casinha! Isso é coisa de gente que pensa pequeno. Mariana vai ter o apartamento dos sonhos que já vem incluso no pacote: case com um homem rico e vá morar em grande estilo.
E quanto a filhos e ser feliz até que a morte os separe... Bem, ela ainda não pensou nesses detalhes. Afinal as prioridades vão para as coisas bem mais interessantes como, por exemplo, o vestido de noiva perfeito, o que o colunista vai dizer sobre o seu casamento no tablóide de domingo, o que as amigas e inimigas irão comentar, quem entrará na lista de convidados para sua despedida de solteira, etc.

Li tantas resenhas e opiniões desse livro que fiquei louca para ler e felizmente ele foi meu livro escolhido para o desafio literário desse mês.

Comecei a ler o livro achando que já sabia tudo sobre ele, afinal, após ler tantas resenhas e até mesmo discutir sobre a história nada mais poderia me surpreender, eu não poderia estar mais enganada. Mariana é uma jovem que está noiva do Edu (fiquei apaixonada por ele) ele é rico, bonito e de boa família e ainda por cima ama Mariana. Já ela tem vergonha da própria família, não aceita sua condição financeira e é capaz de fazer qualquer coisa para "subir na vida". Tenho certeza que você deve tá pensando: Nossa que garota sem noção, não merece o Edu! Vocês não poderiam estar mais certo, tanto que já no inicio do livro temos uma reviravolta em um livro que tinha tudo para ser clichê, mas no final das contas ele é tudo menos isso.

Mariana vai descobrir que a vida é muito mais que posição social e que as vezes damos tanta importância as coisas erradas que acabamos perdendo o que realmente é mais importante. Apesar das burradas que Mariana faz, gostei da personagem, ela é humana e em alguns momentos me identifiquei com pequenas situações que ela descreve, claro que não posso ser mais diferente na "piruagem". Agora estou ansiosa pela continuação, afinal agora é que as coisas ficaram interessantes...

Um livro divertido que nos faz rever alguns conceitos ou devo dizer preconceitos.

Abril/2010.

26.4.10

Explosão de Estrelas
Robin Pilcher

Cada personagem deste livro tem algo a oferecer e algo a solicitar - um emprego, um quarto para alugar, um ombro em que chorar. Quando suas vidas começam a se cruzar no curso das três semanas do festival, decorrem novos amores, traições, perseguições e atentados. Todos querem descobrir o que o futuro lhes reserva. Durante um verão inesquecível, suas vidas serão transformadas para sempre. O cenário da trama - o Festival Internacional de Edimburgo - evento cultural que atrai anualmente, desde 1947, diversos artistas para a capital escocesa. As minúcias sobre o festival, os segredos profissionais por trás de cada performance artística e as particularidades da mente humana são os elementos que compõem 'Explosões de estrelas'

Quero começar falando que a sinopse desse livro não poderia ter sido mais bem escrita, é um resumo perfeito do que acontece nesse livro. Comprei este livro por causa da capa, ela me conquistou assim que pus os olhos nela e foi inevitável levar esse livro para casa. Nunca havia lido nada desse autor e para ser mais especifica acredito que é o primeiro livro de romance que leio que foi escrito por um homem.


Robin Pilcher é filho da autora Rosamund Pilcher e mais uma vez tenho que confessar que ao comprar o livro não me liguei na relação desses dois autores e somente ao chegar em casa foi que descobri, como nunca li nada da Rosamund não tenho como fazer um comparativo das diferenças ou semelhanças entre os dois.

Este não foi um livro fácil de ser lido, talvez porque eu nunca tenha lido nada do autor ou mesmo não estar acostumada com a imensa e intensa relação entre os personagens. São tantos personagens que demorei cerca de 100 paginas até conseguir identificar e ligar cada um a sua história, mas Robin consegue nos ligar e prender a essa universo tão rico e maravilhoso do Festival cultural de Edimburgo que se torna simplesmente impossível deixar o livro de lado e quando nos damos conta já somos íntimos de todos os dramas vividos na história. Todos os personagens do livro são importantes e juro a vocês que não consegui localizar um foco ou casal principal, no decorrer do livro cada personagem se torna principal e coadjuvante ao mesmo tempo.

Fui bombardeada de sentimos durante toda a leitura e quando achava que as coisas iriam por um caminho a história seguia por um curso totalmente diferente e sempre me surpreendia. Seus personagens são tão humanos e sólidos que me senti lendo sobre pessoas e histórias que eu conhecia e me emocionei em diversos momentos do livro.

Sinto-me imensamente feliz e satisfeita de ter seguido um impulso e comprado esse livro, foi um dos mais envolventes e enriquecedores que li nos últimos tempos. Quero deixar uma ressalva com respeito ao livro, o autor deixou um pouco a desejar nas ultimas paginas, acredito que o final de alguns personagens poderia ter sido mais trabalhado e descrito ou talvez a intenção dele fosse deixar que nos mesmo imaginássemos o nosso final ideal.


De toda forma esse é um livro que recomendo e que irei lembrar para sempre.



25.4.10

Confesso que Vivi
Pablo Neruda

Célebre autobiografia de Neruda, a única obra em prosa do poeta chileno que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1971 (o terceiro latino-americano e o sexto escritor de língua espanhola a receber a honraria). Militante comunista e ícone da esquerda latino-americana, Neruda narra, num estilo impregnado de poesia, sua vida desde a infância até os últimos dias, quando mesmo impossibilitado pela doença insiste em escrever - seus poemas à Matilde, o último amor, durante a convalescência, são considerados clássicos da língua espanhola. Diplomata ainda jovem, Neruda revela nesta obra que iniciou suas atividades políticas na Espanha, na década de 30, durante a guerra civil, quando representava o Chile na embaixada em Madri. As impressões do poeta sobre a China e a União Soviética, países que visitou mais por simpatia que por exigências diplomáticas, assim como suas relações com escritores como García Lorca e Miguel

Hernández, são memoráveis. O poeta chegou a ser indicado à Presidência da República de seu país, honra que cedeu ao grande amigo Salvador Allende. "Confesso que vivi" termina com Neruda lamentando a morte de Allende, assassinado em 11 de setembro pelas tropas de Pinochet. O poeta morre pouco depois, em 23 de setembro.

Bom o tema do mês de abril do desafio foi Escritor Latino-Americano. Faz tempo que eu tenho esse livro, mas nunca tinha tempo pra ler. Não sou muito fã de biografias, mas devo confessar que não tinha como não ler a do Pablo.
Sou fã dos poemas dele é um dos poucos autores de poesia que eu gosto, a forma que ele fala sobre a infância, a morte da mãe. O envolvimento com a militância comunista. Neruda narra tudo com poesia. Amei!

“Talvez não tenha vivido em mim mesmo, talvez tenha vivido a vida dos outros.
Do que deixei escrito nestas páginas se desprenderão sempre – como nos arvoredos de outono e como no tempo das vinhas – as folhas amarelas que vão morrer e as uvas que reviverão no vinho sagrado.
Minha vida é uma vida feita de todas as vidas: as vidas do poeta.”
Pablo Neruda


Abril/2010