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21.8.14

Libertada - Michelle Knight


Michelle Knight foi raptada em 2002 por um motorista de ônibus escolar de Cleveland chamado Ariel Castro. Por mais de uma década, ela sofreu torturas inimagináveis nas mãos de seu sequestrador. Em 2003, Amanda Berry juntou-se a ela no cativeiro, seguida por Gina DeJesus em 2004. A fuga das três, em 6 de maio de 2013, foi notícia ao redor do mundo. Milhões de pessoas comovidas agora se perguntam: o que realmente aconteceu naquela casa, e como Michelle encontrou forças para sobreviver? Comovente, chocante, e por fim triunfante, “Libertada” revela os detalhes da história de Michelle, incluindo os pensamentos e orações que a ajudaram a encontrar coragem para suportar suas inimagináveis circunstâncias e construir, a partir de agora, uma vida que valha a pena ser vivida. Ao compartilhar seu passado e seus esforços para criar um futuro, Michelle se torna a voz dos que não têm voz, e um poderoso símbolo de esperança para milhares de crianças e jovens que desaparecem todo ano.
Depois de ter virado a noite completamente vidrada nesse livro e de não ter conseguido largá-lo nem para ir ao banheiro, estou aqui hoje para compartilhar com vocês essa história chocante e real... A incrível história verídica de Michelle Knight, em “Libertada”.
Comecemos essa resenha pelo final da história... Afinal de contas, foi justamente quando tudo teve um fim, que o mundo conheceu Michelle e toda a sua história digna dos piores filmes de terror (e olha que de filmes de terror eu entendo).
O ano era 2013, todos os jornais veiculavam três garotas que haviam sido libertadas de uma casa no subúrbio de Cleveland nos EUA, após passarem mais de uma década em cativeiro, sofrendo as mais inimagináveis torturas e abusos. Uma dessas garotas era Michelle Knight, e é sobre a ótica dela que iremos visualizar tudo que aconteceu antes e depois dela ter adentrado nessa casa dos horrores, onde passou 11 anos sendo diariamente espancada e abusada sexualmente.
O livro tem uma escrita fácil e que carrega o leitor até o final. Mas devo pedir aos leitores que não se enganem, pois apesar de ter uma “escrita fácil”, o livro não é de maneira nenhuma uma “leitura fácil”... Explico: O livro esta repleto de descrições sobre as violências físicas e psicológicas as quais Michelle e as outras duas meninas eram submetidas. Em certos momentos, tenho de admitir, fiquei realmente desconfortável com tudo que estava lendo. Quando se esta lendo livros de ficção, você pode simplesmente parar e pensar: “Nada disso é real”... Bem, com esse livro você não pode fazer isso. Tudo que esta lá, até os detalhes mais horríveis, foram verdade.
O livro também dá uma rápida passada,pela vida de Michelle antes de ter sido raptada, todas as dificuldades e abusos que teve de suportar enquanto ainda era criança na casa dos pais. Tomamos conhecimento da relação e do amor que tem com seu filhinho Joey, que foi a sua principal fonte de coragem para suportar os anos de cativeiro.
Recomendo fortemente esse livro para as pessoas que gostam de livros verídicos e que tem estômago para uma leitura mais forte. O livro é curto e bem escrito e com certeza, bastante tocante.
Por hoje é só, um beijo grande pra todo mundo e até à próxima.

18.8.14

Mil Rosas Roubadas - Silviano Santiago

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Esta foi uma resenha bem difícil de elaborar, confesso. Primeiro porque o autor é um famoso professor e ensaísta – e nem de longe sou capaz de fazer análise de uma obra, apenas registro minha opinião como leitora. E depois... porque a leitura é exigente, um romance com toques (auto)biográficos que não assenta o leitor sobre a veracidade da exposição. Entre a verdade dos fatos e a ficção, parece que o autor quer mesmo é deixar o barco da imaginação (e da memória) correr. Ele mesmo contou, em entrevista, que um romancista não pretende atestar a verdade ou a mentira e oferecê-las ao leitor.

Mas, antes, deixe-me convidá-lo para uma viagem. Vamos de carro e, ao longo do caminho, numa pista sinuosa, podemos ver belas paisagens, que se insinuam, mas não chegamos a elas. Como se subíssemos a um ponto mais alto e, para chegar lá, a estrada virasse em mil curvas, ao final de cada uma delas uma nova imagem de encher os olhos, de dar vontade de parar e descer do carro. Mas não, não podemos ter mais do que a bela imagem e a promessa de chegar àquele lugar. Só a promessa.

Metáfora tosca criada para situar o leitor onde estive durante esta leitura densa. Apesar de admirar as ideias geniais, as construções frasais eloquentes e o autor deveras inteligente, não chegamos a lugar algum. Explico: quase nada de situações reais, factuais. E muito de questionamentos pessoais. Tal como o convite feito ao leitor no início deste relato, vislumbrei paisagens lindas, quase tomei banho em cachoeiras que vi, quase colhi as flores do jardim convidativo, quase pisei os seixos da trilha que surgiu na densa mata... quase. Não cheguei ao que julguei, a princípio, ser o objetivo da viagem – da narrativa.

O livro começa com o narrador-protagonista assinalando suas impressões angustiadas diante do amigo no leito de morte:

"Ao obrigarem o coração a pulsar por algumas horas a mais na cama do hospital, especialistas da saúde e máquinas computadorizadas acreditam estar proporcionando o bem-estar almejado ao moribundo." (...) Como se para salvar a alma das labaredas do inferno fosse indispensável perfurar túneis e mais túneis no corpo, que de maneira cômoda e rápida o transportariam para a eternidade sem gritos e sem caretas de dor." (pp. 8- 9)

Ao solicitar o livro, imaginei se tratar da biografia de Ezequiel Neves (Zeca), jornalista e produtor musical, amigo do autor desde a adolescência, parceiro de Cazuza na canção que dá título ao livro. Pensei escarafunchar fatos específicos da vida de ambos, descrições do cotidiano e todos esses pormenores que compreendem o gênero literário em questão. Mas a obra que Silviano Santiago nos presenteia é ampla, com as lembranças brotando por entre indagações complexas e íntimas do autor, enquanto elucubra sobre quem ele é, afinal. Cansativa em alguns momentos, mas de conteúdo brilhante. É o que os franceses chamam “roman à clef”, quando o autor se baseia em pessoas reais na criação de seus personagens. Daí a confusão entre biografia, ensaio e ficção.

O texto trata, em síntese, do afeto nascido entre o narrador e Zeca, desde que se conheceram, em 1952, até o momento derradeiro do amigo. Desfilam no texto mais as confissões do suposto biógrafo, que é um reconhecido professor, que as curiosidades acerca do biografado. Há um momento bem divertido, entre um e outro desabafo sobre os "terceiros" que os afastaram: a voz-narradora ensina como montar um baseado. Ilustra, com apelo sensual, a língua passada no papel para fechar o cigarro.

“Não preparei e organizei toda a minha vida com a esperança de que ele não morresse antes de mim? Não a arranjei para que ele me sobrevivesse e se transformasse no meu biógrafo ideal? Só ele seria capaz de manejar com destreza a lâmina do bisturi psicológico e dissecar, no meu futuro cadáver, a intimidade da vida com a ajuda da memória e das palavras." (p. 10)

Alimentando por anos a ideia de ser um dia biografado por Zeca, nosso protagonista é surpreendido pela inversão das posições, uma artimanha do destino para que olhe para si e percorra um longo caminho de autoconhecimento. Tentando registrar a vida do amigo querido, acaba por escrever sobre suas próprias experiências. São reflexões bonitas e profundas que provocam e, inevitavelmente, põem narrador do avesso e viram o jogo de espelhos para nós.

“O resultado final é que me gerei. Dei origem ao que se chama - e eu chamo agora - de pessoa sem importância coletiva." (p. 258)"

Só ao final das 280 páginas, enquanto o narrador concluía e arrematava suas purgações, notei que o objetivo da viagem – aquela metáfora do começo da resenha - não era chegar a um lugar específico. Era experimentar sensações, provocar vibrações na vontade, tentar capturar sentimentos despertados durante o trajeto. A libertação que o protagonista encontra se dá por meio da palavra escrita, ruminada antes de impressa. Um processo lento, enfadonho, mas transformador. A viagem é introspectiva, pura catarse. E a palavra do livro é “durante”. Boa viagem!

Livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/393884-mil-rosas-roubadas

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Essa resenha foi escrita por Manuh Hitz, colaboradora do blog.

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