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28.1.15

Mansfield Park - Jane Austen

"Mas certamente não tem muitos homens de grande fortuna no mundo quanto há mulheres bonitas que os mereça."


Editora: Martin Claret

Sinopse: Jane Austen é a maior romancista da literatura inglesa. Em seus romances, criou personagens completamente humanos que experimentam a solidão, o amor, a frustração, a humilhação, o egoísmo, o ciúme e a confusão. Em Mansfield Park, Fanny Price mora de favor na casa dos tios, para onde foi levada aos 12 anos; aparenta ser uma menina doce e diz “sim” a todos os caprichos de seus tios e primos. Austen, no entanto, mostra mais uma vez por que merece as honras que recebeu: apesar da aparência frágil, Fanny concentra em si diversos conflitos da alma humana, mostrando-se uma personagem forte e profunda que certamente cativará leitores de diversas idades e contextos sociais. Recheado de dissimulação, Mansfield Park revela a sociedade inglesa do século XIX, com seus costumes peculiares e, muitas vezes, aprisionadores.


"Uma tendência por leitura, apropriadamente dirigida, deve ser educativo por si mesma."

Tive um sério problema de achar a sinopse desse livro online! Porque mesmo nas lojas, ele não tinha muito haver com o que li no livro, pois falava de tráfico negreiro e eu fiquei: “What? De onde tiraram isso? Li o livro certo?! Aí por fim acabei digitando a que tem atrás do livro mesmo.

"Todos os momentos tem seus prazeres e suas esperanças."

Enfim, Jane Austen é minha autora favorita. Sua escrita me encanta e seus personagens me prendem do começo ao fim. Comecei a ler Mansfield Park na segunda e terminei na quinta-feira à noite da mesma semana, de tão ávida que eu fiquei pra saber qual era o nobre destino de Fanny Price! A jovem é uma personagem encantadora, de fortes princípios e rubor fácil. Não diz muito o que pensa, embora o sinta enormemente em seu coração e alma. Mas vamos dizer mais ou menos como é a vida da pobre menina Fanny em uma sociedade que vê nos pobres nada além da gratidão que os mesmos devem ter para com os ricos! Existem três irmãs: Lady Bertram, a tia rica esposa de um baronete em Mansfield Park; sra. Norris, a tia esposa do clérigo que tem o suficiente para manter a casa e mora nos terrenos de Mansfield Park, auxilia Lady Bertram em tudo; e a pobre irmã Price, mãe de Fanny Price (pelo que entendi, pois essa parte da explicação ficou meio confusa, ela também se chama Fanny). Sra. Price casou-se com um aspirante a marinheiro que não tem nada como profissão e, por consequência, não teve como o marido de Lady Bertram o ajudar, já que ele não tinha nenhum trabalho que o mesmo poderia oferecer. Como toda família pobre, tiveram 9 filhos. Fanny Price é a mais velha deles.


Em um apelo à sra. Norris e Lady Bertram, a sra. Price pede que os tios sejam bons com seus filhos, já que qualquer um dos mais velhos podem lhe ser úteis no campo. Num momento de bom coração, a sra. Norris sugere à Lady Bertram e sir Thomas (marido de Bertram e o rico da história) que tragam um dos sobrinhos para ajudar em sua criação e sua educação e, assim, tirar um fardo da pobre irmã Price. É desse modo que nossa querida Fanny, aos seus 12 anos, vai para a casa do tio. Uma casa gigante, desconhecida, onde a sra. Norris a faz ficar agradecida por simplesmente estar ali. E quando chora, seja de saudade ou de medo, a chamam de ingrata, depois de tudo o que fizeram para trazê-la até ali!

Lady Bertram e sir Thomas tem 4 filhos: Thomas, Maria, Julia e Edmund. Thomas é um bom vivant, adora gastar o dinheiro do pai. Maria e Julia são tudo o que as mulheres são treinadas para ser: obedientes, submissas, donas as artes e do francês, preparadas para conseguir agarrar um bom marido (por bom marido quero me referir a rico). Edmund é o mais novo e o melhor deles, pretende um dia ser clérigo e possui maior discernimento de justiça. Ele é o único que entende os sentimentos de Fanny e o único para o qual Fanny abre seu coração: conta seus medos e suas tristezas. Ele também vê nela uma forte amiga.

"Eu era quieta, mas não era cega."

Maria e Julia foram ensinadas a vaidade e egoísmo, a fazer diferença entre as mesmas e Fanny, altamente recomendado pela sra. Norris. Sir Thomas e Lady Bertram delegam à ela a criação de seus filhos e, aqui entre nós, essa mulher é um porre. É uma interesseira, ligada apenas àqueles que podem lhe trazer vantagens, muito mesquinha. Em especial com Fanny, dizendo que qualquer coisa que delegam à menina, ela precisa dizer sim e ser agradecida. A jovem é a única que fica dentro de casa em um dia lindo de verão, por exemplo. O livro nos mostra muito bem o papel da mulher na sociedade do século XIX. Aprendi que temas que consideramos de hoje (como a luta pela independência da mulher) já existiam naquele tempo.

Fanny cresce, é educada (mas não tanto quanto seus primos) e aprende a ser humilde e modesta e atender aos pedidos de todos. Sente-se intimidada pelo tio, que nunca lhe demonstrou afeto. Vê Lady Bertram como uma embotada e sem opiniões.

"Seus próprios pensamentos e reflexões eram habitualmente suas melhores companhias."

Chega o dia em que dois jovens chegam ao presbitério, cunhados dos novos cuidadores do presbitério após a morte do sr. Norris e os jovens Bertram e Fanny os têm em seu círculo social: Henry e Mary Crawford. Henry é o típico riquinho bonito arrasador de corações e Mary a mesma coisa. Acostumados a conquistarem tudo e todos, Mary mostra que mulheres devem apaixonar-se somente pela riqueza do jovem. Se tiver amor, melhor ainda. Henry mostra gostar das duas irmãs Bertram, as seduz... Mesmo Maria já sendo noiva, já que sua diversão é apenas enganar o coração das jovens. E ela corresponde, pois não possui amor pelo noivo, apenas por sua riqueza. Fanny apenas observava a tudo isso, sem ter coragem o suficiente ou permissão para falar sobre o que via, pois à ela sempre foi delegado o último lugar.

Mary e Henry Crawford colocam Mansfield Park às avessas. Julia sente ciúmes por Henry preferir Maria, Mary faz Edmund se apaixonar por ela e não aceita que ele queira ser apenas um clérigo. Fanny apenas observa e tem raiva de ambos os Crawford, mas nada diz contra os mesmos. Apenas Edmund sabe de seus sentimentos e os compartilha, em partes. Mas se cega pela beleza e algumas falsas qualidades que seus olhos e coração colocam em Mary. Afinal, o amor nos torna cegos muitas vezes, não é?

"Eu estava tão ansioso para fazer o que é certo que eu esqueci de fazer o que é certo!"

Mansfield Park nos traz o cotidiano comum da juventude do século XIX, bem como os costumes, o progresso chegando ao mundo... A diferença cultural entre aqueles de mais posse e os de menos posse. Mostra que a felicidade pode ser alcançada, não importa os problemas que encontremos no caminho. E olha, que esse livro chega uma hora que você imagina que nada feliz pode sair disso! Mas chega... Basta não desistir!

Espero que gostem desse livro tanto quanto eu, se se proporem a lê-lo! Há também um filme, pelo que pesquisei, mas ainda não o assisti. Assim que o ver, posto uma resenha também! ^-^

4 comentários:

  1. Pri, tudo bem?

    Eu até hoje só li Orgulho e Preconceito dessa autora, e amei! Foi legal perceber o quanto você curtiu a leitura desse livro, eu nunca tinha lido nenhuma resenha sobre ele.

    Quem sabe pego o seu embalo e finalmente leio meu exemplar de Persuasão que se encontra parado na minha estante faz anos. rs

    Bjs

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  2. Eu tenho vários livros dessa autora, amo ela de paixão =3 mostra que temas atuais são muito antigos e a escrita dela é maravilhosa!

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  3. tenho lido ótimas resenhas recomendando este livro e confesso que estou bem animada e curiosa, pois de cara ja me apaixonei pela trama e preciso ler mais livros da Jane!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  4. Esse livro é super denso e todos os personagens posse um uma carga emocional bastante grande, para bem ou para mal. Não suporto Edmund. Acho que ele é o personagem masculino da Jane que eu menos gosto. Se apaixonou por aparências e quando se viu contrariado (ai coitadinho) voltou os olhos pra prima que até então tratava como uma irmã.
    Gostei mesmo foi da Mary! Ela mostrava o que pensava e fazia o que queria, mas foi duramente julgada por isso, numa sociedade que ainda achava que mulher não podia pensar (olha a Fanny...).

    Gosto muito dos livros da Jane e esse foi um dos que mais mexeu comigo, em relação a sentimentos!

    Beijão!

    http://arabesqueando.blogspot.com.br/

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