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11.7.15

A Filha do Louco - Megan Shepperd

E quando um livro supera todas as suas expectativas? OH, YEAH, BABY! A Filha do Louco me ganhou no título, me ganhou na foto da capa e me ganhou no primeiro capítulo. Também teria me ganhado na sinopse, caso eu a tivesse lido. Mas não li, então nunca saberemos.

A trama inicia-se no século XIX em Londres, onde Juliet, uma jovem de 16 anos, trabalha como faxineira em uma faculdade de Medicina. Um destino inesperado para alguém que, 6 anos anos antes, levava uma vida sossegada (gostava de sombra e água frescaaaaaa /ritalee) como filha de um renomado médico e professor, o Dr Moreau. Criada para ser uma dama como sua mãe, Juliet teve sua vida virada de cabeça para baixo quando um escândalo envolvendo os experimentos de seu pai veio à tona. Logo em seguida, após o sumiço do pai - dado como morto -, a jovem garota e sua mãe se vêem abandonadas, a mercê de favores da família; mas a gentileza de seus parentes não durou muito tempo. Para selar a sorte de Juliet, sua mãe faleceu dois anos depois e tornar-se faxineira na faculdade onde seu pai lecionava foi a opção que lhe restou para sobreviver naquela cidade que não havia esquecido as atrocidades cometidas pelo seu pai - para sua infelicidade, o nome Moreau estava manchado para sempre.

Na companhia de sua amiga Lucy - a única que não a abandonou após o escândalo - e alguns (estúpidos) estudantes de Medicina, a filha do Louco se vê envolvida numa pequena aventura pela madrugada nos corredores da faculdade onde trabalha. Lá, entre um acontecimento e outro (mistério! acho essa cena iradíssima e não vou estragar a leitura de ninguém), a protagonista tem acesso a um documento que foi de seu pai e, assim, uma dúvida aparece: será que o Dr. Moreau ainda estava vivo? Movida pela esperança de um "sim", Juliet segue as pistas que vão surgindo em seu caminho e encontra Montgomery: um belo jovem loiro, bronzeado e de olhos azuis (GAAAATO!) que um dia já foi apenas um criado em sua casa.

E é aí - ao ver esse rapaz alto, forte, bonito e sensual - que Juliet tem um clique: "Ei! Eu acho que sempre fui afim desse cara!". Sim, o romance é forçado desse jeito; com um estímulo visual desse, até eu posso afirmar que sempre fui apaixonada por ele. Mas vamos em frente.

Montgomery agora é médico e tem como criado Balthazar - um homem deformado e assustador, mas de personalidade gentil. Após insistir um pouco (muito pouco), Juliet consegue fazer com que o jovem médico revele o paradeiro de seu pai: uma ilha isolada pra lá do oceano Pacífico - não em uma cova rasa, como ela pensava até então. Na esperança de reaver o pai e saber de uma vez por todas se ele era mesmo o louco que todos afirmavam que ele era - além de outras questões que perturbavam sua mente -, Juliet, apesar das negativas de Montgomery, acaba embarcando com ele e seu estranho criado em direção à misteriosa ilha onde seu pai se refugiava.

Durante a viagem, os tripulantes da embarcação salvam um náufrago que se encontrava entre a vida e a morte. Desacordado, o rapaz recebe os cuidados de Montgomery e logo reage, mas não de uma maneira amigável. O náufrago, em meio a um delírio que lhe conferia forças extraordinárias, se acalmou ao pôr os olhos em Juliet (amor à primeira vista - romance forçado parte 2). A calmaria não durou muito tempo, apenas o suficiente para que Montgomery tomasse as rédeas da situação.  Dias depois, Juliet, Montgomery e Edward - o náufrago - desembarcam na ilha do doutor Moreau, onde mortes misteriosas e experimentos ainda mais misteriosos acontecem. Let the games begin, MUAHUAHUA!

A leitura é simples e tem um ritmo que me agradou logo no primeiro capítulo. A autora parece ter um alarme em sua mente dizendo "FOCO! MANTENHA O FOCO!", então, para seu mérito, não são encontradas neste livro descrições imensas e enfadonhas. Já que "foco" foi citado, vale dizer que o foco desse livro é disputado pelo triângulo amoroso Montgomery-Juliet-Edward e pelos mistérios da ilha; não gostei disso, preferiria que focassem no suspense da trama, já que não fui convencida por esse romance forçado (digo isso mas tenho meu queridinho do triângulo, haha).

Fiquei encantada com a protagonista (tirando a parte do amo-fulano-mas-quando-estou-com-cicrano-tudo-fica-confuso, porque quando ela entrava nesse dilema, só me restava cruzar os dedos e esperar esse momento passar). Por curiosidade, li algumas opiniões de outras leitoras sobre Juliet e fiquei triste com o que encontrei. Juliet é descrita como fraca, passiva, decepcionante às vezes. Discordo completamente do que li. Numa época onde mostrar os tornozelos era quase pornográfico, onde uma garota estudar ciências era impensável, a filha do Dr Moreau está bem a frente do seu tempo. Muitas vezes no livro, ela abaixa a cabeça e acata as ordens alheias sem discutir, depois faz exatamente o contrário do que lhe foi imposto; uma solução que muito me agrada, já que se ela fosse TOTALMENTE rebelde, a trama seria ainda mais forçada (e no quesito forçação de barra, esse triângulo amoroso já basta).

Os outros personagens também me cativaram. De modo geral, os personagens principais não são nada lineares; gosto disso porque ler um livro onde todos são totalmente bons ou totalmente maus é, no mínimo, enfadonho e previsível. Não posso dizer o mesmo sobre os personagens secundários, mas isto é perdoável já que, né, eles são secundários.

Depois de ler o livro, fui angariar algumas informações sobre ele e:
1 - O livro é baseado em um clássico: A Ilha do Doutor Moreau, de HG Wells. Clássico este que eu nunca li, então não sei o quanto A Filha do Louco tirou de inspiração dele. Mas pretendo ler e, quando o fizer, volto aqui para contar.
2 - A Ilha do Doutor Moreau ganhou um filme, então talvez eu não leia o livro.
3 - O livro é o primeiro volume de uma série de três livros. Isso explica o desfecho...
4 - O próximo volume da série será baseado em O Médico e o Monstro, de Robert Louis. O que dizer desse livro que eu nunca li mas só pelo título já adoro pakas?
5 - A Filha do Louco também parece ter se inspirado em Crepúsculo e em Frankestein, mas são apenas boatos.


Comecei esta resenha pensando "esse-é-o-melhor-livro-do-ano" (vide primeiro parágrafo kkk socorro!) mas, agora, só posso dizer que é um livro bom que quase foi estragado por um triângulo amoroso mal-feito. Mesmo não sendo o romance, ainda acho que está melhor que muitos que já vi, porque ele pelo menos dispensa as melosidades usuais - e eu detesto melosidades com todas minhas forças.

Se você gosta da combinação suspense + triângulo amoroso (eu adoro, confesso), recomendo a leitura. Mas se você gosta de um romance bem elaborado, cheio de idas e vindas, com muitas frases inspiradoras... corra. Corra muito.

Edição: 1
Editora: Novo Conceito
ISBN: 978-85-8163-154-7
Ano: 2014
Páginas: 416

2 comentários:

  1. além das ressalvas feitas que ja me desestimulariam eu não consigo gostar dessa história no geral
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Nunca li esse livro mas pelo que li e ouvir dizer deve ser bom, mas depende muito de quem esta lendo.Fiquei curiosa para ler esse livro,mas eu não gosto muito de triangulos amorosos, mas mesmo assim minha curiosidade em relação a historia e qual foi o desenrolar da trama é bem maior do que o ''triangulo amoroso''.

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