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13.2.15

Garota Exemplar – Gillian Flynn


“Há uma diferença entre realmente amar alguém e amar a ideia que se tem dela.”


Título Original: Gone Girl
Editora: intrínseca
Sinopse: Amy Dunne desapareceu. No dia de seu quinto aniversário de casamento, seu marido, Nick, encontra a casa revirada e nem sinal da esposa. Tudo indica se tratar de um sequestro, e Nick imediatamente chama a polícia, mas logo as suspeitas recaem sobre ele. Exibindo uma estranha calma e contando uma história bem diferente da relatada por Amy em seu diário, Nick parece cada dia mais culpado, embora continue a alegar inocência. À medida que as revelações sobre o caso se desenrolam, porém, fica claro que a verdade não é o forte do casal.


Alternando entre os pontos de vista de Nick e Amy, Garota Exemplar – um best seller que conquistou público e crítica e já vendeu mais de 3 milhões de exemplares em todo o mundo – traça o retrato cruel sobre como as mentiras podem construir um relacionamento. E também destruí-lo.

“Esses são tempos difíceis para ser uma pessoa, uma pessoa real, ao invés de uma coleção de personalidades selecionadas de vários personagens automatizados.”


Sabe, não sei porque houve tanta coisa sobre esse livro. Comprei ele e ficou um tempo estacionado na minha estante, só comecei a ler quando o filme foi lançado... E demorei acho que mais de um mês pra ter vontade de terminá-lo. Não tinha nada que me interessava no começo: marido sem emoções (essa era a característica dele), esposa chata, policiais sem personalidade, irmã gêmea de Nick legal. Mas era só isso. Tipo, o assunto se prolongou e prolongou umas 200 páginas sem nenhuma reviravolta! Se você passar das 250 páginas, aí tem coisas que podem interessar... Mas eu tive que lutar bravamente viu.
Então... o livro retrata a história de um casal nova iorquino: Amy Elliot é formada em psicologia, tem como pais dois psicólogos escritores. Escreveram best sellers intitulados Amy Exemplar: baseados em sua filha, criaram estórias sobre como a personagem era perfeita e fazia sempre a coisa certa. Amy Elliot cresceu nessa persona, mas extremamente mimada, orgulhosa e arrogante. Cria comportamentos que os outros esperam que ela tenha, como a Garota Legal, por exemplo. A Garota que todo homem que namorar, que não liga para o que come, que gosta de ver futebol e passar o dia jogando vídeo-games e ainda por cima é linda e gostosa.

“Amigos veem a maior parte de seus defeitos. Casais veem cada pedacinho detestável delas.”

Nick é o tipo de cara que faz toda mulher se apaixonar por ele com um mero sorriso. Bonitão, jornalista. Tem uma história triste que deixa qualquer mulher tocada. Mulheres do tipo da Garota Legal, pelo menos. Te faz se sentir amada e faz de tudo para te ver feliz. Tem uma irmã gêmea chamada Margot que traz tanto rancor do pai quanto ele, senão mais; um pai abusador e misógino, uma mãe carismática e típica sulista dos Estados Unidos.
O começo do casamento é puro amor. Nick tem a mulher perfeita, Amy cumpre bem sua persona. Até que ambos perdem seus empregos, os pais de Amy falem e pedem pra ela emprestado o que resta de sua fortuna. A mãe de Nick fica doente e sua irmã não pode cuidar dela sozinha... E pouco depois, o casal nova iorquino se torna o casal caipira do sul, na cidade natal de Nick. Amy se porta como a perfeita esposa cansada, Nick se cansa... E Amy desaparece após uma briga. O livro vai e vai com tudo indo contra o homem, ainda mais por parecer o marido frio e distante, que sorri diante de uma coletiva. Os repórteres o tratam como o assassino, a polícia o trata como suspeito. E Nick parte sozinho em busca de pistas, uma vez que ele diz ser inocente e quer provar isso.
Os pais de Amy tem uma tradição de casamento, que é montar uma caça ao tesouro para o outro encontrar o presente de aniversário de casamento e é nisso que Nick se concentra. Aos poucos, vai revelando uma conspiração para incriminá-lo, mas a polícia não dá atenção. Ele mente para salvar a própria pele.

“O pior sentimento: quando você apenas tem que esperar e se preparar para a mentira.”

O livro se divide entre os dias atuais do desaparecimento de Amy e um diário que ela escreveu, contando desde o primeiro encontro com Nick, até a noite anterior de seu desaparecimento. Os pensamentos de Amy, suas ideias feministas, seus encontros. Sua dedicação ao casamento e sua visão a respeito de Nick se modificando. Era a esposa perfeita e Nick o marido babaca.
Sabe um livro que no final, te deixa p*** da vida com a impunidade do sistema? Com pessoas manipuladoras e psicóticas? Eu tive a sensação de ser enganada o tempo todo, acho que por isso esse livro fez sucesso. Você cria uma teoria... Aí bum, sua teoria vai pro espaço e você percebe que foi muito inocente em pensar nisso. Que o ser humano é uma criatura podre e que a humanidade está perdida, se todos forem como o criminoso do livro. Sério, é um daqueles livros que você termina e tem vontade de jogá-lo na parede! Nunca fiquei tão contrariada com um final!
Te faz pensar se cada relacionamento que você tem na vida – amigos, namorados, familiares – são verdadeiros. Te faz pensar se sua vida não é criada numa mentira e se até você mesmo não é um grande mentiroso fedido e não percebe isso. Aquelas que chamamos de mentirinhas brancas, sabe? Que não fazem mal nenhum. Fazem, minha gente, elas fazem! Quando as coisas vão mal, você tenta mentir apenas para manter o sentimento vivo... Mas um sentimento baseado em mentiras, não pode ser verdadeiro, não é?

“Você pode imaginar, finalmente mostrar quem você verdadeiramente é ao seu cônjuge, sua alma gêmea, e ele não gostar de você? Então é assim que o ódio começa. Eu pensei muito sobre isso, e acho que é onde começou.”

Depois dessa, vou ali ler algo que restaure minha fé na humanidade e já volto.

3 comentários:

  1. parabéns por dinamizar a literatura com ótimas divulgações! Este livro é interessante, desde que lançou fiquei bem curiosa! Acredito que deva ser uma daquelas histórias que marcam
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Obrigada!
    É preciso muita FdV pra conseguir passar da metade XD mas, uma vez que continuou, acaba se tornando interessante!

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  3. Eu amei esse livro, não tive a mesma sensação que você não, principalmente no começo. Talvez porque eu tenha lido a versão original em Inglês. Vi uma cópia traduzida em Português e só de ler alguns trechos já vi que ficou bem pobre. O livro em inglês é extremamente bem escrito, chega a ser poético. Em português a tradução ficou rala e superficial. Achei a análise que a autora faz na voz de Amy da 'garota legal' muito pertinente aos dias de hoje e a forma como nos "fazemos" para conquistar os homens. Você podia ter expandido um pouco mais esse aspecto, que talvez seja o mais interessante do livro.

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