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6.3.15

Juliette Society – Sasha Grey


Editora: LeYa

Sinopse: Se eu te contasse que existe um clube secreto, cujos membros pertencem à classe mais poderosa da sociedade – banqueiros, milionários, magnatas da mídia, CEO’s, advogados, autoridades, traficantes de armas, militares condecorados, políticos, oficiais do governo e até mesmo o alto clero da Igreja Católica –, você acreditaria? Este clube se reúne sem regularidade, em um local secreto. Às vezes em locais distantes e às vezes escondidos. Mas jamais duas vezes no mesmo lugar. Normalmente, nem mesmo duas vezes no mesmo fuso horário. E esses encontros, essas pessoas... Não vamos enrolar, vamos chamá-las do que são, os Mestres do Universo. Ou o Braço Executivo do Sistema Solar. Então, essas pessoas, os Executivos, usam os encontros como uma válvula de escape do cansativo e estressante negócio de estragar ainda mais o mundo e criar novas maneiras sádicas e diabólicas de torturar, escravizar e empobrecer a população. E o que eles fazem em seu tempo livre, quando querem relaxar?

Deveria ser óbvio.

Eles fazem sexo.


"Antes de irmos adiante, vamos combinar uma coisa.

Eu quero que você faça três coisas por mim.
Uma.
Não se ofenda com nada do que ler a partir deste ponto.
Duas.Deixe suas inibições à porta.
Três, e mais importante.
Tudo o que você vir e ouvir a partir de agora deve ficar só entre nós.
Ok. Agora vamos ao que interessa."

Se espera um livro parecido com o nosso amado – tá, meu querido – 50 tons de cinza, recomendo que se prepare para ter algo bem diferente. Sasha Grey sabe do que escreve, afinal já fez parte de uma sociedade que muitos tem como escusa – embora idolatrada (secretamente) por uma grande maioria – e, com este livro, veio mostrar que não manda recados com sua escrita. Instigante e com um bocado de suspense, ela consegue nos prender página por página. Seja com o mistério que acaba surgindo, seja com sua escrita deliciosa de ler.
Ela descontrói o ser humano e traz o que de mais íntimo existe em nós – nossas pequenas taras, nossos pequenos prazeres. Tudo aquilo que gostamos de fazer, de forma simples. Como ela mesma diz: Já viu um mecânico que não tem tara por carros? Já viu gente poderosa – que no livro ela chama de Executivos – não gostar de * Priscila pensando se deve usar a expressão que ela usa no livro* de... *Procurando por palavra similar* de... *falhando miseravelmente* ah... tá, vamos usar “detonarem” seus subordinados.

“Eles vão te detonar pra trepar contigo. Eles vão te detonar para ficar por cima. Eles vão detonar com o seu dinheiro, sua liberdade e seu tempo. E eles vão continuar te detonando até você estar há sete palmos do chão e então vão te detonar um pouco mais.”

Simplesmente porque o poder é o maior afrodisíaco que praticamos. Pequenas manipulações, pequenas mentiras, verdades. Nada dá mais prazer ao ser humano do que ver que suas intenções dão certo, e os “Grandões” sabem disso.
Mas enfim, vamos ao livro. A história é contada a partir de uma personagem de vida comum, Catherine. Estudante de Cinema, ama o namorado com o qual vive, tem fantasias sexuais como qualquer pessoa saudável – e, como qualquer pessoa reprimida, mantém a maioria delas apenas em sua imaginação, com o agravante de seu namorado trabalhar demais e estar sempre cansado. Possui reflexões profundas sobre o ser humano e acredita que mesmo na realidade, “o enredo sempre está a serviço do personagem.” 
Começa a contar sua história a partir de uma paixão que desenvolve por um de seus professores, relatando a fantasia que tem com ele. Não que ela não ame o namorado, é apenas mais uma fantasia para “se distrair durante as aulas”. E, durante as mesmas aulas, ela conhece Ana, colega de classe que já dormiu com Marcus e se tornam amigas. Ana, ao contrário de nossa protagonista, é sexy, sedutora, a garota que todo cara quer. Conversam sobre fantasias sexuais, tamanhos, formatos e gostos de... Vocês sabem.
A insatisfação de Catherine começa ao assistir um filme e se comparar com a protagonista. Alguém que é escrava de seu desejo, e não sua protagonista. Em um insight, ela se torna a protagonista do filme. E, como sabemos... o enredo está a serviço do personagem. É neste momento que ela descobre que deseja ser dominada... E dominar. Quando você pede, você dá controle ao outro. Quando você permite, você tem o controle, também. O poder, lembram? O poder excita. A segurança, também.
Momentos de sexo e reflexões se combinam nesta narrativa através das ânsias de Catherine. Diz que sexo é o motor da vida, a biologia prova isto – e também a Bíblia.

“Isto é o que me pergunto agora:
O que é o valor de uma experiência? E qual o seu preço?
São duas coisas diferentes. Um conceito está ligado a significado, o outro a sacrifício.
Nós estamos muito acostumados a pagar um preço – pelas compras da semana, nossa saúde, nossos erros, nossas indiscrições, e outros crimes, afrontas e infrações – e nunca questionar quanto ou quem decide isso e por quê. E, como sociedade, parecemos obcecados com o que foi perdido – seja inocência, privacidade, privilégio, segurança ou respeito – raramente o que foi ganho."


Tomada pelo seu desejo, Catherine recorre a Ana, que lhe relata sua profissão e que consegue manter todas as suas contas e mais um pouco com o que ganha. Sadomasoquismo. Uma prática que para muitos é controversa e que, para outros, é a satisfação de todas as suas fantasias por sua ambiguidade. O modo como nos atraímos para aquilo que nos causa o horror. O não e o sim ao mesmo tempo... A vida e a morte. Li em algum lugar que o prazer e a dor estão tão interligados que é impossível dizer onde um começa e o outro termina e vice-versa.
Sua vida vai de um relacionamento que está fracassando pela incompreensão de ambos os lados – dela e Jack, seu namorado – pois ela não explica o que deseja, ele não tenta descobrir o que acontece. Levada pela frustração, ela descobre o que deseja. Quer o Ana tem. Frequenta clubes noturnos, enfrenta seus próprios medos e conceitos e descobre que nem tudo é o paraíso do orgasmo. Lembre-se, são homens poderosos... Donos da vida e morte (no sentido figurado) daqueles em que conseguem pôr as mãos.

“Eu não acredito mais em contos de fadas. Já não sou tão ingênua.
Finais felizes não existem.
E o sonho?
Estou vivendo agora.
Eu sei disso.
E o final ainda não foi escrito.”

Se você espera algo romântico... Vá ler outra coisa. Este apenas esfrega a realidade na sua cara, de um jeito rude e, ao mesmo tempo, lhe causa um enorme prazer.

2 comentários:

  1. apesar do enredo inovador, algo me faltou para tornar a história especial, algo que me fizesse ter vontade de ler não existiu
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Então, tive sentimento parecido. O livro é bom pra uma estréia, mas sei lá... parece que faltou algo

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