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22.4.15

A Cabeça do Santo – Socorro Acioli

 

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Pouco antes de morrer, a mãe de Samuel lhe faz um último pedido: que ele vá encontrar a avó e o pai que nunca conheceu. Mesmo contrariado, o rapaz cumpre a promessa e faz a pé o caminho de Juazeiro do Norte até a pequena cidade de Candeia, sofrendo todas as agruras do sol impiedoso do sertão do Ceará.
Ao chegar àquela cidade quase fantasma, ele encontra abrigo num lugar curioso: a cabeça oca e gigantesca de uma estátua inacabada de santo Antônio, que jazia separada do resto do corpo. Mas as estranhezas não param aí: Samuel começa a escutar uma confusão de vozes femininas apenas quando está dentro da cabeça. Assustado, se dá conta de que aquilo são as preces que as mulheres fazem ao santo falando de amor.
Seu primeiro contato na cidade será com Francisco, um rapaz de quem logo fica amigo e que resolve ajudá-lo a explorar comercialmente o seu dom da escuta, promovendo casamentos e outras artimanhas amorosas. Antes parada no tempo, a cidade aos poucos volta à vida, à medida que vai sendo tomada por fiéis de todos os cantos, atraídos pelo poder inaudito de Samuel. Em meio a esse tumulto, ele ainda irá se apaixonar por uma voz misteriosa que se destaca entre as tantas outras que ecoam na cabeça do santo.

Samuel vive em Juazeiro do Norte com sua mãe, Mariinha. Antes de morrer, ela lhe faz dois últimos pedidos: acender uma vela nos pés das estátuas de Padre Cícero, Santo Antônio e São Francisco, seus santos de devoção, e ir para Candeia atrás de sua avó e de seu pai, que ele nunca conheceu. Sob o sol torturante do sertão do Ceará, Samuel parte para sua jornada.

Chegando em Candeia, a recepção de Niceia, sua avó, é um pouco desapontadora. Com a chuva chegando, Samuel acaba se abrigando em uma gruta, que na verdade é a cabeça da estátua de Santo Antônio, que nunca foi colocada no lugar por problemas técnicos, o que acabou desgraçando a cidade. Lá algumas coisas estranhas começam a acontecer. Samuel é capaz de ouvir a reza das mulheres desesperadas que imploram matrimônio ao santo casamenteiro.

Em parceria com Francisco, novo amigo e filho do coveiro, Samuel se torna um mensageiro de Santo Antônio, quase profeta, começando a ganhar dinheiro e revivendo a abandonada e amaldiçoada Candeia.

Com um misto de fantasia e realismo, a história se desenvolve de forma envolvente e sem deixar nenhuma ponta solta, o que eu achava bem difícil de acontecer, sendo um livro de apenas 166 páginas. A leitura é leve e rápida, mas não menos surpreendente.

“ – Eu moro na cabeça e escuto os pensamentos do santo, doutor.

– Ele tá tentando ajudar a cidade – Francisco interveio.

– Você escuta vozes desde quando?

– Desde que cheguei aqui.

– Tem doente mental na sua família?

– O senhor tá achando que eu tô doido? Eu sou normal, doutor! ”

Leitura recomendada!

Trecho em PDF: http://www.companhiadasletras.com.br/trechos/13611.pdf

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Esta resenha foi escrita por Raiana Alves, colaboradora do blog.

Facebook: https://www.facebook.com/raiana.alves.m


1 comentários:

  1. não fico muito animada com a perspectiva da história, não me atrai o enredo! fica a dica para mim, mas não seria um livro que eu compraria
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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