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3.6.15

A Menina Submersa: Memórias - Caitlín R. Kiernan

No fim das contas, todo mundo machuca alguém, por mais que tente não machucar.


Título Original: The Drowning Girl
Autora: Caitlín R. Kiernan
Editora: Darkside
Ano: 2012
Lançamento no Brasil: 2014
Sinopse: 'A Menina Submersa - Memórias' é um verdadeiro conto de fadas, uma história de fantasmas habitada por sereias e licantropos. Mas antes de tudo uma grande história de amor construída como um quebra-cabeça pós-moderno, uma viagem através do labirinto de uma crescente doença mental. Um romance repleto de camadas, mitos e mistério, beleza e horror, em um fluxo de arquétipos que desafiam a primazia do 'real' sobre o 'verdadeiro' e resultam em uma das mais poderosas fantasias dark dos últimos anos. Considerado uma 'obra-prima do terror' da nova geração, o romance é repleto de elementos de realismo mágico e foi indicado a mais de cinco prêmios de literatura fantástica, e vencedor do importante Bram Stoker Awards 2013. A autora se aproxima de grandes nomes como Edgar Allan Poe e HP Lovecraft, que enxergaram o terror em um universo simples e trivial - na rua ao lado ou nas plácidas águas escuras do rio que passa perto de casa -, e sabem que o medo real nos habita. O romance evoca também as obras de Lewis Carrol, Emily Dickinson e a Ofélia, de Hamlet, clássica peça de Shakespeare, além de referências diretas a artistas mulheres que deram um fim trágico à sua existência, como a escritora Virginia Woolf.



Sabe, acho que esse é um livro que me deixou perdida. Confusa, o tempo todo. É estranho estar nos pensamentos de uma pessoa esquizofrênica, encontrar o real entre o delírio... E o livro todo é isso, um delírio contínuo de uma mulher que está presa a uma ideia. E para além disso, presa em uma situação, trancada com seus fantasmas e encontra na escrita uma forma de libertar-se deles, exorcisar-se.

Pois não adianta para onde se vai... Os fantasmas sempre vão com você.


Há várias referências a contos de fadas, histórias que preencheram a vida da personagem principal: India Morgan Phelps... Ou Imp, que é seu apelido. Um apelido até engraçado, pois sabemos que Imp é o nome dado a um tipo de goblin... Um duende. Selvagem e incontrolável. São aqueles que quando você tem certeza que deixou uma coisa ali e de repente a coisa não está mais lá: você diz que um duende a levou embora e pede pra ele devolver. E, quando você olha de novo, a coisa está de volta no mesmo lugar em que você havia deixado. São duendes que querem sua atenção, sua afeição e amizade.

Por que estou dizendo tudo isso? Simplesmente porque a história é cheia desses misticismos. Cheia de ligações com o mito local da cidade onde Imp nasceu e mora. Sua vida é cercada deles e o mais interessante é como ela decora datas exatas de acontecimentos, como ela pesquisa cada informação que cai em suas mãos, alguém com claro comportamento obsessivo.

Imp descende de mulheres esquizofrênicas: assim era sua avó materna, assim foi a sua mãe.. E sabe-se lá quantas gerações atrás também possuíram a esquizofrênia. E todas elas se mataram, mais cedo ou mais tarde...

Obcecada por seus fantasmas, observamos Imp afundar-se cada vez mais em sua patologia, vivendo entre o delírio e a realidade. Algo que achei interessante foram as páginas do livro acompanhando seu surto, colocando desenhos de insetos peçonhentos em suas folhas. Os pensamentos confusos e perdidos, transcritos em uma antiga máquina de escrever que havia pertencido à sua avó. É ali que Imp deixa seus fantasmas, dando a eles uma forma para que possam ser destruídos.

Não sei muito bem o que falar sobre essa história. São muitas histórias... Belamente escritas, acompanhadas de poemas, músicas, amores... Creio que se referiram a ela como um vrdadeiro conto de fadas por realmente seguir a linha dos contos de fadas em sua origem, como... A história da Chapeuzinho Vermelho que foi criada para as crianças nunca andarem por pontos desconhecidos na floresta, por exemplo.

Acho que podemos dizer também que é uma história que mostra como o amor pode nos destruir. Como sua potencialidade pode nos levar à loucura, a ponto de nos fazer surtar e esquecer de quem nós somos, de fazer nossa memória esquecer uma parte de nossa vida e colocar uma outra história no lugar, uma mentirosa... Mas uma mentira que podemos suportar, não o amor que pode nos afogar.

É um livro longo e pesado. Não tem muitas pausas, uma vez que a personagem principal que o escreve não vai muito com a cara de capítulos. E também é um livro repleto de palavras... Páginas longas. Eu gostei do livro, no geral. Mas não sei se o leria de novo.


Ninguém nunca dissera que você tinha de estar morto e enterrado para ser um fantasma.


Resenha por:


3 comentários:

  1. oi flor, eu não sou muito atraida por estes enredos, mas vê-la comentando tão bem é animador!
    espero que em breve eu leia e possamos papiar sobre o livro
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Obrigada, fico feliz de fazê-lo bem! E espero que o leia, de verdade =3

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  3. Olá!
    A capa e o título desse livro chamou bastante a minha atenção, e logo tratei de procurar uma resenha para saber mais sobre a história. Confesso que não o tipo de leitura que gosto de ler, mas como estou a procura de novos gêneros e estilos diferentes, me interessei por esse e quero muito ler. Ótima resenha!

    Beijos,
    http://lovesbooksandcupcakes.blogspot.com.br//

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