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11.6.15

Sejamos todos Feministas - Chimamanda Ngozi Adichie



"como estereótipos limitam e formatam nosso pensamento (...).”

Se existe algum preconceito com o tema Feminismo, vamos nos despir dele e entrar neste livrinho maravilhoso, informativo e necessário. Baseado no discurso que a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie fez no TEDxEuston, Sejamos Todos Feministas (Companhia das Letras, 64 páginas) é um pequeno ensaio sobre o olhar que precisamos ter para as questões de gênero. O conteúdo feminista moderniza-se e precisa ser discutido pela sociedade. Não se trata mais do estereótipo dos sutiãs queimados ou da misandria (aversão aos homens). Feminismo é uma busca de igualdade e Chimamanda vem dizer como é isso:

"O problema da questão de gênero é que ela prescreve como 'devemos' ser em vez de reconhecer como somos. Seríamos bem mais felizes, mais livres para sermos quem realmente somos, se não tivéssemos o peso das expectativas de gênero.”.
O início da leitura já anuncia o teor informal: a partir das próprias experiências, a autora fala sobre as dificuldades que nós, mulheres, enfrentamos. E que ideias preconceituosas, de tão arraigadas, quase padronizadas e também repassadas de maneira subliminar o tempo todo, parecem definir como deve ser o comportamento feminino. Então crescemos assimilando conceitos que categorizam o ‘ser mulher’ e o ‘ser homem’.
"Uma vez eu estava falando sobre a questão de gênero e um homem me perguntou por que eu me via como uma mulher e não como um ser humano. É o tipo de pergunta que funciona para silenciar a experiência específica de uma pessoa. Lógico que sou um ser humano, mas há questões particulares que acontecem comigo no mundo porque sou mulher.”
A mulher é submetida a atitudes machistas muitas vezes no próprio lar, ainda menina, e mais tarde descobre os dissabores dessa prática enviesada, de uma sociedade desatenta aos menores (ou até mesmo aos claros) sinais de estupidez. Tem sempre uma cantada barata, um fiu-fiu desnecessário, um cara nojento encostando na moça dentro do ônibus... Daí a repercussão de campanhas contra toda e qualquer forma de assédio que elas (e eu também, como não?) promovemos, as redes sociais multiplicando essas ideias e abrindo os olhos da mulherada que sente, já sentiu ou inevitavelmente sofrerá alguma forma de abuso. Lembrando que elogio está muito longe de assédio, meninos e meninas, certo?

O problema é que o feminismo esbarra na falta de conhecimento, da desvirtuada noção de que é o antônimo de machismo. Não é não, caro leitor, se você achava que era. Feminismo, numa excelente definição de Clara Averbuck (escritora, blogueira e ativista feminista): 

não prega ódio, não prega a dominação das mulheres sobre os homens. Feminismo clama por igualdade, pelo fim da dominação de um gênero sobre outro. Feminismo não é o contrário de machismo. Machismo é um sistema de dominação. Feminismo é uma luta por direitos iguais.”

A luta feminista é muitas vezes deturpada – e isso muito interessa aos reacionários ou aos ignorantes da questão. A própria Chimamanda, ainda adolescente, ao ser taxada como feminista por um amigo, ficou chocada, como se fosse uma acusação ou uma depreciação. Foi atrás do conceito e se encantou, desprezando as vertentes mais radicais da causa, descobrindo que ser feminista não é odiar ou menosprezar os homens, muito menos abrir mão da vaidade. Assim, se define 

“feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens”.

O discurso pode ser visto no vídeo e o livro pode ser baixado gratuitamente (deixei os links no final da resenha). Com uma linguagem fácil e abrangente, todos entenderão a ‘experiência’ que é pensar sobre o tema e como somos afetados, especialmente afetadAs, diariamente, pelo limitado conceito do feminino e pela crueldade do machismo que ainda impera.
"Algumas pessoas me perguntam:
- Por que usar a palavra 'feminista'? Por que não dizer que você acredita nos direitos humanos ou algo parecido?
Porque seria desonesto. O feminismo faz, obviamente, parte dos direitos humanos de uma forma geral - mas escolher uma expressão vaga como 'direitos humanos' é negar a especificidade e particularidade do problema de gênero. Seria uma maneira de fingir que as mulheres não foram excluídas ao longo dos séculos. (...) Por séculos os seres humanos eram divididos em dois grupos, um dos quais excluía e oprimia o outro. É no mínimo justo que a solução para esse problema esteja no reconhecimento desse fato.”

Não dava para fazer uma resenha imparcial diante do tema e depois desta pequenina e encantadora leitura, caríssimo leitor. Então tome como minhas essas ideias e perdoe a empolgação. É que o texto de Chimamanda é provocativo e ela – veja o vídeo! – é encantadora e merece ser ouvida e lida. Além deste ensaio, que foi musicado por Beyoncé e passou de 1,5 milhão de visualizações no YouTube, a autora nigeriana já publicou outros quatro livros de sucesso e recebeu importantes prêmios, como o Orange Prize.
"A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente."
Quer um conselho? Leia este livro, critique, incomode-se, identifique-se, mas, por favor, experimente. Uma hora teremos que discutir ou, pelo menos, nos situar nesses assuntos (até então) nevrálgicos, para então desmistificá-los.

Link do livro no Skoob: http://zip.net/bsrpPw
Classificação: 5 estrelas
Vídeo do pronunciamento da autora no TED: http://zip.net/bvrpNW
Para baixar o livro digital grátishttp://zip.net/bjrpss

http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=61798


Resenha escrita por Manuh Hitz, colabora do blog.
Meu link do Skoob: http://www.skoob.com.br/usuario/596865




8 comentários:

  1. Quando eu li esse livro, lembrei de várias pequenas atitudes machistas em coisas bobas do dia a dia (como o garçom se dirigir ao homem), a gente acaba deixando de lado e achando até 'normal' certas atitudes. Adorei o ponto de vista informal da Chimamanda, mas acima de tudo adorei ainda mais você trazer a resenha para mostrar que não dá mais para a gente se acomodar com estas situações.

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  2. cara Manuh, colocar o dedo na ferido é sempre dolorido, expõe preconceitos e pior, reabre a ferida. percebo o mundo machista pronto a fazer valer sua força, bate, depois cinicamente assopra. sou contra qualquer distinção de minorias (é apenas uma palavra, como outra qualquer, não tem caráter doutrinário) e marginalização. não é discurso, é exercício puro e simples da educação que tive (posso me considerar um cara de sorte). sejamos honestos, a igreja tem uma enorme parcela de culpa nesta polarização de gêneros e por isso sempre tenho um pé atrás com ela, apesar de minha religiosidade ser intrínseca. então louvemos àquelas ou àqueles (sem distinção de gênero) que levantam bandeira, não se deixam intimidar feito água parada e que dão a cara à tapa, porque a sociedade precisa mudar e caminhamos a passos lentos demais.
    este livro não é uma dica, minha cara amiga, mas leitura obrigatória. parabéns pela coragem de nos trazer o tema.

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  3. Oiiii Manuh <3

    Demorou muito pra eu me nomear feminista, mas as vezes confesso que tenho receio de contar a todos que sou feminista porque dá um enorme trabalho para desconstruir o "feminismo que o senso comum acha que é" HUAEHUAEUA Mas faz parte. Eu ainda estou engatinhado nesse movimento de luta da mulher, então a cada dia vou conhecendo mais sobre o movimento e aprendo a a desconstruir meu pensamento machista (acho que é a parte mais dolorosa quando se é mulher e está colocando o feminismo na tua vida é essa desconstrução do machismo, vc para e pensa "não creio que eu pensava assim, queria star morta"). É muito bom saber que essa leitura é super válida e de fácil entendimento para todxs. Fiquei muito contente com a sua resenha <3

    OBS: ainda bem que baixei esse livro enquanto estava gratuito na Amazon, preciso lê-lo o mais rápido possível.

    Beijos!
    www.livroterapias.com

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  4. Acho que temas assim devem ser discutidos, sim, Manuh! Achei incrível que você tenha nos trazido a resenha desse livro.
    Sei que serei apedrejado e queimado em praça pública, mas confesso que sou machista "borra botas", se é que existe essa categoria. kkkkkkkkk Explicando melhor, não sou do tipo extremo de dar cantadas grotescas ou grosseiras, nem achar que a mulher deveria só cuidar da casa, mas alguns pequenos gestos que muitas pessoas acham "machistas", eu não acho. Dou como exemplo o do garçom se dirigir apenas ao homem em um bar, ou algum outro gesto parecido. Na questão de mercado de trabalho também. Sei que não existe "apenas para homens" ou "apenas para mulheres", mas quando vejo alguma mulher fazendo algum trabalho onde vemos mais homens realizando (mecânica, piloto de avião, pedreira, etc.), fico imaginando que ela poderia estar fazendo outra coisa. Não por ela não ser capaz de realizar, mas por outras questões que nem eu mesmo sei explicar. Deixaria de consertar carro, entrar em um avião ou morar em uma casa onde quem realizava esse trabalho/serviço era uma mulher?!?! Não! Discriminaria alguma mulher por estar nesse tipo de trabalho?!?! Também não!. Por isso me considero um "machista borra botas".
    No mais, acho que quem se sentir incomodado, tem que colocar a boca no trombone mesmo e lutar pelo que acha que é certo. Sou a favor da igualdade de gêneros. Então, digo que gostei bastante dessa dica e vou ler muito em breve.

    @_Dom_Dom

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  5. Manuh!
    O tema deve mesmo ser discutido.
    Acredito que devemos buscar mesmo ser igualitários aos homens que sempre foram incentivados a comandar e serem machistas. Devemos ir em busca dos nossos direitos, não para sermos iguais aos homens, mas para continuarmos a sermos femininas, porém com direitos iguais.
    E acredito que aos poucos isso tem mudado, os próprios homens, os mais sensíveis pelo menos, tem percebido o quanto nossa jornada coo mulheres é 2,3,4 vezes mais que a deles. E isso começa em casa, com o marido, com a educação dos filhos onde temos de desmistificar esse tabu, depois na escola e por aí vai.
    O livro parece promissor em relação ao debate e a exposição das ideias corretas sobre o feminismo.
    “A vida sem ciência é uma espécie de morte.”(Sócrates)
    Cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  6. oi Manu, creio que em tempos em que absurdos são ditos e que de repente todo mundo está virando um antifeminista, outros se creem feministas e ainda assim tem qualquer preconceito bobo esse livro se faz necessário não só por mostrar a luta por direitos, mas também ser um discurso explicativo e de estimulo
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  7. Oi, Manu! Faz tempo que anseio conhecer a escrita de Chimamanda , e agora com sua resenha esse desejo ficou mais urgente. O tema abordado é bastante atual e pertinente . Baixei o livro e compartilharei com meus colegas da Universidade , é muito importante que esse livro seja lido por todos. Obrigada por presentear-me com mais uma magnífica resenha . Bjs ^-^

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  8. Manu, gosto de pensar que sou uma pessoa despida de preconceitos, aceito o diferente e acredito que o importante é a felicidade. Mas estou bem ciente que isso que penso é uma utopia, que vivemos num mundo cheio de preconceitos e infelizmente ainda machista. Digo isso pois sou mãe de uma menina, que procuro orientar de maneira aberta, mas salientando claramente para ela que o nosso país ainda é machista e que a mulher ainda é vista com outros olhos em determinadas situações e que cabe a ela, como cabe a mim, como mãe, ir mudando aos poucos esta situação. Acho o livro extremamente válido, mesmo em passos de formiguinha temos que ir mudando esta situação.
    Abraços,
    Gisela
    @lerparadivertir
    Ler para Divertir

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