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8.7.15

As Pontes de Madison - Robert James Waller


Se você é um romântico de carteirinha ou acredita em amor à primeira vista, encontro de almas, ou tudo isso junto, então é candidato à leitura do saboroso As Pontes de Madison (Única, 192 páginas). É uma história de amor avassaladora, decisiva para o casal, uma ponte entre os sonhos do passado e a realidade que terão que enfrentar.
Francesca Johnson é uma italiana quarentona, vive com o marido e os filhos adolescentes no Condado de Madison, Iowa. Dona de casa e mãe dedicada, ela deixou os próprios sonhos de lado para se dedicar exclusivamente à família.
Robert Kincaid é um cinquentão, fotógrafo da National Geographic, que chega à cidade para fotografar as famosas pontes cobertas de Madison. Em busca de informações, chega à casa dos Johnson e dá-se o encontro:
"A mulher saiu da varanda e foi em sua direção. Ele desceu da picape e olhou para ela. Olhou melhor. E, depois, com mais atenção. Ela era encantadora, ou havia sido, ou poderia voltar a ser. Logo, ele passou a ter aquela falta de jeito que o dominava sempre que estava perto de mulheres por quem se sentia atraído, mesmo que de leve."
O escritor teria recebido os diários de Francesca após sua morte, pelos herdeiros que gostariam de contar a belíssima história de amor que desconheciam até então. Mas por que reabrir as janelas do passado e revelar ao mundo momentos tão íntimos, que poderiam abalar a família Johnson e macular a imagem da mãe exemplar que fora Francesca?
"Palavras dão sensações físicas, não têm apenas significado..."
Para o escritor, com um tesouro desse quilate nas mãos, Gabriel García Marquez elucida: “O escritor escreve seu livro para tentar explicar a si mesmo o que está além de sua compreensão.”
Robert é a possibilidade de aventura, de viver o que se quer, de estar onde se deseja, de não ter raízes. Tudo o que Francesca não tem. Francesca é a presença doce e constante, aquela que está sempre à espera, a segurança de um lar. Tudo o que Robert precisa.
"Por que ela e Richard não viviam assim? Ela sabia que, em parte, era a inércia da rotina prolongada. Todos os casamentos e relacionamentos estão suscetíveis a isso. A rotina traz a previsibilidade e esta traz seus confortos próprios; também tinha ciência disso. (...) Entretanto, mais coisa acontecia. Previsibilidade é uma coisa, medo de mudar é outra. E Richard tinha medo de qualquer mudança no casamento. E não queria falar a respeito. Não queria falar, principalmente, sobre sexo. O erotismo, de alguma forma, era um negócio perigoso e impróprio para seu modo de pensar."
Eles viveram quatro dias intensos, permeados por muitas conversas e revelações. Jantaram juntos, dançaram, fizeram amor. E foram ainda além: desnudaram suas almas, abriram seus corações. Tiveram, enfim, aquele encontro decisivo que procuramos na vida. E agora, como poderiam ficar juntos? Robert era livre, mas Francesca não:
"Eles desistiram do pretexto de dançar e os braços dela o enlaçaram no pescoço. Ele levou a mão esquerda à cintura dela, às costas, enquanto a outra afagava seu pescoço, seu rosto e seu cabelo. Thomas Wolfe falava do 'fantasma da velha avidez'. O fantasma havia remexido Francesca Johnson por dentro. Por dentro dos dois."
Sobre a leitura, cabe listar alguns olhares: para uns, soará forte a traição de Francesca. Outros entenderão a frustração que ela carrega por viver uma relação monótona e sem paixão. Mas saberá aproveitar melhor o leitor que enxergar que o protagonista do livro é o amor. Um amor que resiste ao tempo, que alimenta dois corações solitários, que sabe exatamente onde deve permanecer, é algo sagrado, intocável, tão deles que só se revela após a morte de Francesca. Por isso conduz os amantes por toda uma vida.
"Em um mundo cada vez mais endurecido, sobrevivemos todos com nossas próprias carapaças de sensibilidades encobertas. Em que ponto a grande paixão termina e a insipidez se inicia, não sei. Contudo, nossa tendência para debochar da possibilidade da primeira e rotular envolvimentos genuínos e profundos com mero sentimentalismo dificulta a entrada no reino da delicadeza, necessária para entender a história de Francesca Johnson e Robert Kincaid."
 Considero o conflito dos personagens o que há melhor no livro. A briga interior, especialmente de Francesca, para compreender a extensão do que sente, tentando separar uma paixão momentânea - a lustrar seus dias embotados – do sentimento genuíno, que começa a reconhecer. E a difícil escolha que terá que fazer entre a família e o amor pelo qual ansiou por toda a vida. Eles se aproximaram de maneira irreversível, única, nas palavras de Robert: “essa certeza só se tem uma vez na vida”.
"O paradoxo é: se não fosse por Robert Kincaid, não sei se teria ficado na fazenda, todos esses anos. Em nossos quatro dias juntos, ele me deu uma vida inteira, um universo, e transformou minhas partes fracionadas em um todo. Nunca deixei de pensar nele, nem por um instante. Até quando ele não estava em minha mente consciente, podia senti-lo, em algum lugar. Ele sempre esteve ali."
Que história de amor linda, não é? É o meu filme preferido, já revi tantas vezes! Por isso pedi o livro: pelo efeito que o filme teve sobre mim. Mas preciso confessar que, apesar do romance inesquecível, este é um daqueles raros casos onde o filme fica melhor que o livro. A leitura é boa, mas tudo parece ainda maior e melhor quando Meryl Streep e Clint Eastwood, nos papéis principais, em maravilhosa sintonia, colocam na tela o algo a mais que faltou ao texto. Fatalmente fui influenciada pela alta carga emotiva que o filme havia despertado e que me conduziu ao livro... Então, na falta da poesia dos olhares, da hesitação das palavras não ditas, do movimento dos personagens em cena, acho que não encontrei tamanha força na leitura. Se tivesse cumprido o caminho inverso, tenho certeza que estaria bem mais satisfeita.
Devo dizer que a cena do carro, sob a chuva, é de arrasar o coração! É angustiante, lágrimas estão previstas, é um legítimo grand finale. Se você não leu o livro ou não viu o filme ainda, sugiro que leia primeiro e depois permita-se, numa tarde gostosa, pipoca e lencinhos, vibrar (e morrer de amor) com o filme.
"E, como o grande caçador antigo que viajara longas distâncias e agora avistava as luzes das fogueiras de seu lar, sua solidão havia se dissipado. Enfim. Enfim. Ele tinha chegado tão longe... tão longe. E ele estava deitado sobre ela, perfeitamente formado e inalteradamente completo era seu amor por ela. Enfim."
 Link do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/as-pontes-de-madison-465ed499044.html

Classificação: 4 estrelas



                 Resenha escrita por Manuh Hitz, colabora do blog.
Meu link do Skoob: http://www.skoob.com.br/usuario/596865




13 comentários:

  1. querida Manuh, há livros que valem pela história, outros pela sensação que nos causa. Mas como não ler um livro com uma frase dessas: "Palavras dão sensações físicas, não têm apenas significado..."?
    eu durmo e acordo em cima das palavras, elas me causam um impacto tão grande que me tira o fôlego pensar que um dia posso perder a capacidade de ler. com um empurrãozinho do genial "gabo" que você tão singelamente colocou na resenha, é claro que este torna-se livro obrigatório.
    o tempo todo somos domados pelo superego, o freio de nossos desejos, de nossos impulsos selvagens, vontade de uma liberdade antissocial. queremos nos aventurar, entrar de cabeça naquilo que nos daria a sensação de sermos livres, de fazermos o que quiser. por isso, a leitura é minha vingança contra a impossibilidade de tal atitude.
    como se afastar de alguém que tornou suas "partes fracionadas em um todo"? não li o livro, não assisti ao filme, mas prevejo chuvas e trovoadas, já que sempre me questiono sobre a união corpos e de almas. há meio-termo nisso? será que “essa certeza só se tem uma vez na vida”? quero crer que não, quero crer que cavalo selado passa várias vezes, até que estejamos preparados para cavalgar.
    que linda resenha, você colocou o coração em cada palavra e isso faz toda a diferença. beijos!

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  2. Manuh, parabéns! Lindo olhar sobre uma estória muito complicada de analisar através de olhos que já foram formatados de modo conservadores quando o tema é amor. O certo e o errado se confundem? Ou não existem? Não sei se assisto primeiro, confesso que aguçou minha curiosidade, ou, se sigo o seu conselho, lendo e assistindo após. Mas de qualquer forma, irei viajar nessas sensações que certamente, mais um livro fascinante, nos proporciona.
    Abraço grande!

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  3. Oi Manuh!
    A história parece ser linda, temperada pelo fato de sabermos tratar-se de uma história real. Ainda não li o livro, nem vi o filme, mas vou procurar fazer isso, embora não esteja certa se irei gostar do final.
    Beijos... Elis Culceag. * Arquivo Passional *

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  4. Oi Manuh, eu ainda não tive o prazer de ler o livro mas o filme já assisti muitas vezes, cheguei a ter o dvd mas o perdi.
    Como penso que o livro deve ser infinitamente melhor acho que estou perdendo uma oportunidade de ouro.
    Sou apaixonada por Francesca, uma mulher de meia idade, forte, intensa e que por razões da vida no passado fez uma escolha errada, e deixando de lado o assunto adultério viver um romance desse mudou totalmente a dona de casa que ela era em notavelmente uma outra mulher.
    Não sei se o livro te levou ao sentimento de nostalgia e ao meu ver depois do filme passei a pensar muito mais em relação as minhas escolhas.
    Ótima resenha Manuh, muito obrigada, foi muito bom relembrar Francesca.
    Beijos queridos.

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  5. MANUUUUUUUU sua linda!!!!

    Acredita que eu acabei de pegar esse livro na estante pra ler, deixei aqui de lado pra quando eu sair do computador começar a ler, e caí aqui pra ver as novidades e eis que leio essa resenha incrível!!! Tipo, vou ler o livro já com lágrimas nos olhos!!

    Amei muito!! Leitura de pensamento mesmo!

    Bjks

    Lelê - http://topensandoemler.blogspot.com.br/

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  6. Que resenha maravilhosa, Manuh. Já li outras resenhas desse livro e todos falam muito bem. Nunca li o filme, mas seria um boa comparação entre os dois. Uma ótima leitura para os apaixonados por literatura romântica.

    Aguardo sua visita:
    http://porredelivros.blogspot.com.br/2015/07/zoo-do-james-peterson-sera-o-novo_9.html

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  7. Oi Manuh sua linda!
    Mais uma super resenha!
    Eu já assisti este filme algumas vezes, e sempre me emociono muito!
    O filme é lindo mesmo.
    Nem sabia que existia o livro. Mas, te confesso que não sei se irei ler, pois o filme é tão impactante que tenho medo do livro arrefecer o seu brilho.
    Bjus flor.
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  8. Manu!
    E como dizia Renato Russo: "Quem um dia irá dizer que existe razão
    Nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer
    Que não existe razão?"...
    Como boa romântica sou apaixonada pelo filme que mostra a intensidade com que o amor arrebata o coração, revi semana passada.
    E como condenar o amor? concorda! Mesmo não sendo de nossa cultura a traição, nos vemos envolvidos em um dilema, porque não tem como condenar um sentimento profundo que nos domina de uma hora para outra.
    Não li ainda o livro, mas quero justamente porque já assisti o filme.
    Obrigada pela resenha.
    “Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra.”(Bob Marley)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participe no nosso Top Comentarista!

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  9. Nuhhhhhh, como você disse no começo é um livro extremamente romântico, daqueles que te fazem suspirar, sonhar com um amor igual que rompa com o certo e errado, que transforme tudo, que sobreviva à tudo
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  10. Manuh, só vi o filme uma vez e achei a atuação de Meryl ótima!
    Existem casos assim, onde o filme ultrapassa o livro, faz parte, rsrs.
    Gostei da resenha!
    Bjokas!

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  11. O que falar sobre um dos meus livros preferidos? Posso dizer que é uma linda história de amor, que suscita muitas reflexões sobre a vida e merecia uma resenha perfeita que descreveu tão bem essa tocante história. Parabéns e obrigada Manu. bjs

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  12. Manu
    Eu só vi o filme e é um dos meus prediletos também, mas com aqueles dois atores acho difícil alguém não gostar! Penso como você, acho que não é uma história de traição mas sim de um encontro de almas e de como um amor tão adimensional pode em somente quatro dias preencher o vazio de uma vida inteira. Linda Resenha.
    Abraços,

    Gisela
    @lerparadivertir
    Ler para Divertir

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  13. É estranho como as mulheres cultuam o adultério feminino e satanizam o masculino.
    O filme é trágico, em apenas 4 dias um homem é traídoo, nunca teve a oportunidade de saber o que aconteceu enquanto estava viajando e morreu enganado. Acreditava que a esposinha amava ele, mas foi dissimulação pra encobrir uma traição. No fim até os filhos ficaram comovidos com a traição da mãe (Quando na realidade aconteceria uma coisa dessas?)

    Se no filme o traidor fosse o homem, seria um festival de comentários: "Homem não presta".

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