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20.7.15

Dias Perfeitos - Raphael Montes



Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2014
Sinopse:


Téo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura psicológica e sordidez.


A narrativa toda em terceira pessoa nos apresenta Téo, um estudante de medicina de classe média cujo pai falecera e ele precisou ficar tomando conta de sua mãe Patrícia que ficou paraplégica no mesmo acidente que tirou a vida do seu pai.

A história já começa de forma intimidadora, Téo está dialogando com sua única e melhor amiga, uma senhora que atende por Gertrudes. Até seria capaz de ser uma amizade admirável, se Gertrudes não fosse um cadáver de uma indigente que ele está dissecando na aula de anatomia, ou seja, normalidade zero para o nosso protagonista.

Téo é muito taciturno, não te amigos, não tem namorada, não gosta das pessoas e atura sua mãe, que para ele não passa de um peso morto a ser tolerado, mas para manter a aparência de bom moço posa de filho amoroso.  

A vida medíocre de Téo muda vertiginosamente, quando se vê forçado a comparecer num churrasco com sua mãe. Nesse local ele conhece uma garota chamada Clarice, uma menina franzina, completamente diferente do temperamento dele, de espirito livre e aventureiro. Ele se encanta com a personalidade dela e tenta manter uma conversa. Nesse papo Clarice revela a ele que está escrevendo um roteiro para um filme chamado Dias Perfeitos.

Já no fim da festa, completamente aficionado pela moça ele com uma desculpa que precisa pedir um taxi para voltar pra casa, solicita o telefone celular emprestado da moça e liga para si mesmo, conseguindo assim o número dela. Começa nesse momento uma perseguição doentia, onde ele acompanha no anonimato todos os passos dela com a intenção de conquistar uma abertura e se infiltrar na vida dela.

[...] Ela o havia beijado naquele churrasco. Por que parar? Do beijo, furtado e furtivo, ele havia se tornado refém. Não era o invasor, mas o invadido; não queria só desvendar, mas ser desvendado. Ele amava Clarice, admitiu. Precisava ser amado [...]

Em um dado momento Clarice já ciente da perseguição e disposta a dar um fim no interesse platônico de Téo, ela dá um fora nele e as coisas acabam saindo do controle e ele acaba por sequestra-la. Em sua desordem mental Téo acredita que ela aprenderá a gostar dele e nada como “um tempo juntos” para ela perceber o quão perfeitamente maravilhoso poderá vir a ser a vida dos dois. Como ela discorda totalmente dessa teoria e quer sua liberdade, ela vai sofrer deverás em suas mãos, onde agressões físicas serão uma constante e algemas, mordaças e sedativos serão uma realidade em sua vida... Realmente ele sabe como conquistar uma garota!

[...] Quem nunca se apaixonou sem ser correspondido? Quem não gostaria de mostrar que poderia ser diferente, que a história de amor poderia dar certo? Ele apenas fazia o que todos já tinham desejado fazer. Havia criado para si a chance de estar próximo de Clarice, de deixar que ela o conhecesse melhor antes do “não” definitivo”. Era ousado e corajoso [...]

Para o Téo nada do que ele faz ou pratica com ela é equivocado ou imoral, por nenhum momento ele acha suas atitudes indignas, pelo contrário, tudo que ele faz a ela é para o seu próprio bem e quanto mais rápido ela enxergar isso mais rápido eles podem viver felizes. Ele era obcecado por ela e confesso que essa fixação era como uma mão invisível em minha garganta, me sufocando e me deixando apreensiva em boa parte da trama.

[...] Ele tinha repulsa dessas ideias moldadas em núcleos de novelas das oito. A adaptação seria difícil. A realidade não costuma fazer concessões. Então, quando já se julgava tão seguro de si, Clarice viera trazer algum sentido àquilo tudo – ou romper o sentido que ele mesmo havia criado. Ela o havia realocado no mundo. Téo continuava a desprezar a raça humana, mas ao menos agora era um desprezo desinteressado, quase piedoso. Finalmente, sentia amor [...]

O autor Raphael Montes não usou em nenhum momento o termo psicopata, mas não vejo uma definição mais assertiva para Téo. Ele não tem empatia por ninguém, não se importa com os sentimentos das outras pessoas, e tudo o que realmente interessa é o que ele quer e acredita ser verdade em sua mente doentia, fazendo com que ele cometa atos monstruosos nessa busca extenuante e sufocante pelo amor de Clarice.

[...] Não queria parecer doente ou maníaco. Com o tempo, ele ia provar a Clarice que ela estava errada. Jamais seria capaz de cometer abusos: faltava-lhe o instinto animal que os homens ganham ao nascer. Essa era apenas uma de suas qualidades. Se houvesse mais gente como ele, o mundo seria melhor [...]

O livro tem um padrão vertiginoso e a cada pagina virada a história ficava mais tensa. As violências físicas e sexuais são problemas pequenos... A tortura psicológica imposta a Clarice num ritmo crescente me consumiram por toda a narrativa. É meramente impraticável você se manter afastada da trama. Não aconselho a leitura para pessoas que não possuam estômago forte ou que não curtam terror psicológico.

Enfim, o livro te prende, se agarra aos seus medos e a única coisa que não concordei foi com o fechamento da história. Infelizmente não posso revelar mais nada, mas minha opinião é que foi um final bem cretino e por assim dizer surreal. Não que o livro não seja bom, na verdade é excelente. O livro é bem escrito e o autor me surpreendeu e tenho certeza que virei adepta de suas histórias, mesmo que daqui pra frente ele venha a escrever somente bula de remédio. Mas ficaram pontas soltas e passagens a serem explicadas e solucionadas. Eu teria feito uso de mais umas folhas tornando o desfecho mais palpável e coerente.


6 comentários:

  1. Estou com o livro aqui pra ler e espero gostar já que li muitas resenhas positivas sobre ele. é o tipo de livro que me prende, por isso espero que a leitura seja fluída.
    Gostei da resenhe, já sei meio o que esperar do personagem e pelo visto acho que vou gostar.
    Beijos.

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    1. Dany completamente tomada pela história. O livro te prende demais! Vai valer muito a pena! Beijos!

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  2. sempre que leio resenha dele só vejo comentários positivos! o pessoal ama!
    felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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    1. Tb não fiquei atrás. Curti muito e espero ler outros livros do Raphael Montes. Beijos

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  3. Esse livro é sensacional!!! O autor consegue fazer com que a gente, de certa forma, tome empatia pelo vilão! Quando terminei o livro, eu fiquei....WTF????
    Virei fã desse autor e pretendo ler mais livros dele.

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  4. Natalia Eiras tb aguardando! E vem novidades por aí!

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