Menu

10.7.15

Eu Estive Aqui - Gayle Forman


..." E vê que todas aquelas coisas que achava tão importante que fossem ditas, na verdade, não eram. Simplesmente não valia a pena dizê-las."

Título Original: I Was Here
Autora: Gayle Forman
Editora: Arqueiro
Ano: 2015
Sinopse: Quando sua melhor amiga, Meg, toma um frasco de veneno sozinha num quarto de motel, Cody fica chocada e arrasada. Ela e Meg compartilhavam tudo... Como podia não ter previsto aquilo, como não percebera nenhum sinal?

A pedido dos pais de Meg, Cody viaja a Tacoma, onde a amiga fazia faculdade, para reunir seus pertences. Lá, acaba descobrindo muitas coisas que Meg não havia lhe contado. Conhece seus colegas de quarto, o tipo de pessoa com quem Cody nunca teria esbarrado em sua cidadezinha no fim do mundo. E conhece Ben McCallister, o guitarrista zombeteiro que se envolveu com Meg e tem os próprios segredos. 

Porém, sua maior descoberta ocorre quando recebe dos pais de Meg o notebook da melhor amiga. Vasculhando o computador, Cody dá de cara com um arquivo criptografado, impossível de abrir. Até que um colega nerd consegue desbloqueá-lo... e de repente tudo o que ela pensou que sabia sobre a morte de Meg é posto em dúvida. 

Eu estive aqui é Gayle Forman em sua melhor forma, uma história tensa, comovente e redentora que mostra que é possível seguir em frente mesmo diante de uma perda indescritível.


" - Essa era Meg - concluo. - Ela era capaz de fazer qualquer coisa. De ajudar qualquer pessoa.
Alice fica em silêncio, digerindo o que acabou de ouvir.
- Menos a si mesma."



Sempre quis ler os livros de Gayle Forman e sempre perdi as oportunidades de tê-los. Esse eu não poderia deixar passar. Apenas vi a adaptação cinematográfica de Se eu ficar e gostei bastante, então quis arriscar a leitura deste livro.

E não me arrependi nenhum pouco de escolhê-lo para ser o primeiro que li desta autora. Sinceramente, com as tramas que são colocadas diante de Cody após a morte de sua melhor amiga, Meg, alguém que ela classificou como "Sua Melhor Parte".

"Tudo o que mata a esperança é um pecado"
Cody é uma jovem de 18 anos, que não foi para a faculdade como planejado por não ter dinheiro e sua mãe, Tricia (que não aceita ser chamada de mãe) não querer mais dívidas nas suas costas, uma mãe emocionalmente ausente. Seu pai nunca foi presente, talvez sequer saiba de sua existência. Após terminar a escola, Cody se vira fazendo faxinas, porque sua mãe não quer mais sustentá-la.

Já Meg, vinha de uma família tradicional. Pais presentes, carinhosos e que faziam das tripas coração pelos filhos e por Meg, inseriram Cody em sua família. Férias, jantares, acampamentos... Tudo. E ela parte para a faculdade, como as duas haviam planejado desde o começo, a mesma cidade, a mesma faculdade. Mas Meg vai embora sem levar sua amiga. Cody e Meg eram conhecidas e chamadas de Unha e Carne, por serem inseparáveis. Pelo que podemos ver, Meg era sempre a rainha da festa, aquela que movimentava qualquer lugar que fosse e conseguia qualquer coisa que queria. Já Cody era apenas a sua fiel seguidora, aquela que ficava em segundo lugar na dupla, sentindo-se apenas feliz em poder participar daquele brilho.

E, aparentemente por escolha, ela morre.

"Você tinha uma pilha de pedras, as limpou até ficarem bonitas
e fez um colar. Meg tinha jóias e se enforcou com elas."
Para Cody, é como se o próprio sol se apagasse. O sentimento de Cody a corrói por dentro afinal, Meg era sua melhor amiga e ela não sabia o que estava se passando com a amiga. Que tipo de pessoa deixa isso acontecer?

Os fatos são que as duas já não estavam mais unidas, por ciúmes e raiva da protagonista do livro. Meg sempre tinha o que queria e Cody não, o que a fez se afastar ressentida da amiga e só soube dela quando a mesma já estava morta.

Havia planejado a própria morte e ninguém sabia a razão.

Programou o computador para mandar mensagens de adeus após sua morte e, por essa mensagem,
Scottie (irmão mais novo de Meg) levanta suspeitas de que não poderia ser simplesmente um suicidio. Cody, com isso em mente e munida do computador de sua falecida amiga e um amigo Hacker de Seattle, ela descobre que existe uma rede de apoio aos suicidas, o tipo que estimula que a pessoa se mate.

Cody entra nesse mundo, em busca daquilo que estimulou sua amiga a escolher esse caminho, descobrindo muitas coisas sobre ela e mais de si mesma. Afinal, quando perdemos uma parte nossa, precisamos seguir em frente...

É um livro que pode servir tanto para jovens quanto para adultos, pois é uma viagem ao mundo da depressão e a devastação que ela causa da vida de cada um: pais, irmãos, amigos... Foi baseado na história de Suzy Gonzales, uma adolescente que também tirou a própria vida. Gayle Forman oferece muitos dados sobre essa doença em seu livro e criou Cody pensando: e se as pessoas que se matam pensassem no impacto que sua morte causaria naqueles que mais ama?

"Você vai passar por isso. Eu sei que pode parecer que nao, mas
você vai."
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) a depressão afeta cerca de 340 milhões de pessoas e causa 850 mil suicídios por ano em todo o mundo. No Brasil, são cerca de 13 milhões de depressivos (fonte). E, para além disso, o Brasil é o oitavo país do mundo com maior número de suicidios e esta é a maior causa de morte entre os jovens, atrás de acidentes e violência (fonte). É algo grave e silencioso, pois há o medo do descrédito naquilo que sentem. Por isso, evitam contar o que sentem para os outros.

Há dias ruins para todo mundo... E você não pode deixá-lo dominar seus pensamentos, nem sua vida. Conte sempre para alguém, há alguém que irá lhe ouvir e lhe ajudar. Se você conhece alguém que apresenta alguns sintomas da depressão (tristeza e choro repentino, ansiedade, fadiga, insônia, falta de motivação, falta de apetite, sentimento de culpa e alguns outros) não exite, não diminua sua dor... Converse com ela e a ajude, ela precisa de sua força para conseguir retomar a própria.

Aqui estão alguns sites que consegui encontrar de Grupos de Apoio para suicidas e depressivos:


Um vídeo bonitinho sobre depressão:
Eu tinha um cachorro preto, seu nome era Depressão


Resenha por:

2 comentários:

  1. achei a história intensa, verdadeira, cruel, visceral, Gayle mais uma vez soube tocar em feridas com palavras,deixando no ar questionamentos bem interssantes
    felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Sim, ela aborda muito bem a questão do suicidio e de quem fica para trás.

    ResponderExcluir

É um imenso prazer receber seu comentário. Seja sempre bem-vindo aqui.