Menu

22.7.15

O Demonologista - Andrew Pyper


"Mas a verdade é que todo mundo perde alguém sem o qual eles acham impossível viver. Todos nós temos um momento como este, quando acreditamos que nossa prece dirigida aos céus, nosso melancólico sortilégio, vai produzir um milagre."

Título Original: The Demonologist
Autor: Andrew Pyper
Editora: DarkSide
Ano: 2013
Tradução: 2015
Sinopse: “A maior astúcia do Diabo é nos convencer de que ele não existe”, escreveu o poeta francês Charles Baudelaire. Já a grande astúcia de Andrew Pyper, autor de O DEMONOLOGISTA (DarkSide® Books, 2015), é fazer até o mais cético dos leitores duvidar de suas certezas. E, se possível, evitar caminhos mal-iluminados.
O personagem que dá título ao best-seller internacional é David Ullman, renomado professor da Universidade de Columbia, especializado na figura literária do Diabo – principalmente na obra-prima de John Milton, Paraíso Perdido. Para David, o Anjo Caído é apenas um ser mitológico.
Ao aceitar um convite para testemunhar um suposto fenômeno sobrenatural em Veneza, David começa a ter motivos pessoais para mudar de opinião. O que seria apenas um boa desculpa para tirar férias na Itália com sua filha de 12 anos se transforma em uma jornada assustadora aos recantos mais sombrios da alma.
Enquanto corre contra o tempo, David precisa decifrar pistas escondidas no clássico Paraíso Perdido, e usar tudo o que aprendeu para enfrentar O Inominável e salvar sua filha do Inferno.


Sinceramente, uma obra prima de erguer os cabelos de quem fica até altas horas da madrugada lendo. Se for até após as 3 horas da manhã então... Não se levante nem para ir ao banheiro.
David Ullman, nosso personagem principal que te faz gostar dele já nas primeiras páginas, uma vez que a narrativa do livro é em sua perspectiva o tempo todo. David é um professor de Literatura Inglesa em uma faculdade renomada da Ivy League, especializado em textos religiosos- embora seja ateu - com obsessão por John Milton, um escritor que eu não conhecia até então mas agora curto pakas.

A vida de nosso professor está indo por água abaixo: sua esposa Diane tem um caso com um professor da mesma faculdade em que ele trabalha e sua melhor amiga, Elaine, seu único apoio, está com câncer terminal nos ossos. Sem chance de curas. Ela também é professora na mesma faculdade que David, uma psicóloga. E, após uma discussão acalorada com o amante de sua esposa, uma mulher magra, com cheiro de algo que vem debaixo da terra, está esperando-o em seu escritório com uma proposta que é imediatamente recusada, embora seja aparentemente fácil de cumprir por uma soma proveitosa de dinheiro. Uma viagem a Veneza e uma reunião que o aguarda, apenas. E ainda poderia levar sua família! E, algo ainda o faz negar.

Porém, após chegar em sua casa e sua esposa dizer que está indo embora, David pega a filha Tess e parte para Veneza.

Tess é uma menina de onze anos, solitária como o pai. Ambos se dão muito bem juntos, ao contrário de Diane que não compreende a própria criança e a classifica como igual ao pai (como toda mulher que se separa do marido, acho que isso é frequente. Segundo a minha mãe, sou igual ao meu pai, seja lá o que isso signifique) e prefere que ela fique com David. É uma menina esperta que, pelo pouco que ela aparece (embora sempre esteja presente) era mais perceptiva e inteligente que o pai, já sacando a obra do Inominável antes mesmo que o próprio David perceba.

Meu conhecimento limitado me diz que essas são as Fúrias!
Como professor, ateu e cientista, é muito interessante ver que ele acredita no Satã... Mas não acredita em Deus. "Preciso contestar o que ele diz. Porque o que acontecer depois vai decidir tudo. De alguma maneira eu sei disso. É crucial não deixá-lo perceber que eu penso que pode não ser uma doença mental. Isso não é real. A fórmula para tranquilizar uma criança que lê uma história de bruxas ou gigantes. Isso não existe. Não se pode permitir que o impossível leve vantagem sobre o possível. Você resiste ao medo negando-o" E é incrível que, conforme você vai lendo sua negação, embora todas as provas estejam diante dele, você também está nesta mesma luta enquanto caminha no escuro dizendo a si mesma que não há nada ali, embora todo o seu corpo, todos os seus instintos digam o contrário. Você sabe que tem algo ali. Mas seu cérebro nega, pois seu medo te faz negar. É enervante.
Tess desaparece de forma trágica, embora todos digam que ela se suicidou. E David sabe que não. David acredita que ela está em algum lugar, esperando ser salva. A ligação existente entre ambos vai além da compreensão do Diabo, e o livro começa a se parecer com a história de João e Maria seguindo as migalhas de pão e você acredita que serão capturados como os dois irmãos foram. Só não sabe se terminará bem.

"Esse é o príncipio da loucura. A culpa tão insuportável que entorta a mente. Ter esses pensamentos equivale a renunciar o mundo e, acreditando neles, ainda que em parte, nunca retornar."

Se você analisar clinicamente, perceberá que muitos esquizofrêncicos tem suas crises e surtos na religião. A linha acaba sendo muito tênue, se você acreditar que existe céu e inferno. Sempre digo: não tem problema falar com deus ou com o diabo. O problema surge se eles te responderem de volta.
E o que dizer de um cara que acabou de perder a filha de maneira traumática, estudante religioso, que nunca acreditou em nada e agora tem um Perseguidor que ele acredita ser da igreja atrás dele... E sua única chance de reaver a filha é jogar com o demônio? É complexo! E Elaine em alguns momentos acredita que seu amigo tenha passado a tênue linha da sanidade. E, no outro, ela manda tudo as favas e está com ele nessa jornada, simplesmente porque uma voz disse a ela para fazê-lo. O demonologista brinca com sua sanidade o tempo todo!

"Às vezes, os monstros são reais. Mesmo se eles não se parecem com monstros."

O livro fala muito também de Melancolia e Depressão. Que são os meios do diabo entrar em seu corpo e tirar todo seu espírito, até não restar mais nenhuma sombra do que você era. Há muitas citações a autores/cientistas da religião, o que me fez me interessar bastante pelo assunto (sim, gosto de aprender sobre demônios e religião também, embora não tenha nenhuma em particular). 



Recomendo as mesmas leituras depois, assim entrará ainda mais no universo de David Ullman.
A escrita é uma obra de arte em si, me senti lendo aqueles livros antigos, tão velhos quanto a própria escrita. A arte de capa, a arte existente dentro do próprio livro... Conforme você vai lendo, vai entendendo a razão da escolha das figuras e símbolos utilizados. 

Se deseja quebrar paradigmas e sentir um bocado de medo, recomendo demais essa leitura. É frenética e você não quer parar enquanto não terminá-lo. Fora que é muito massa você ler algo assim enquanto espera um ônibus. As velhinhas se arrepiam!

Resenha por:



7 comentários:

  1. Curti esse livro...parece bem interessante e a capa, apesar de simples é bem bonita e condizente. Vou colocar na minha lista de compras da Bienal deste ano.

    ResponderExcluir
  2. Estava lendo a resenha e adorando até a parte em que recebi um meio spoiler de que a filha do David some misteriosamente =( Dai isso não gostei, mas até aí estava bem bacana. Acho que o livro deve ser ótimo!

    ResponderExcluir
  3. XD a sinopse diz isso também Anne! Não se preocupe =3 só repeti o spoiler da editora!
    E coloque sim Natalia! é muito bom mesmo!

    ResponderExcluir
  4. não curto muito esses enredos, acho que não leria por não ser compativel
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  5. Aguardei ansiosa por esse livro mas infelizmente ele não me convenceu nem como livro de terror, nem como de aventura.
    Achei os personagens rasos e a escrita bem medíocre... Uma mistura de "O exorcista" (mas sem a maestria de William Peter Blatty) e "O código Da vince" (mas sem as reviravoltas exitantes de Dan Brown).
    Sem falar q as conclusões q o personagem tira ao longo do livro baseado nas "pistas" q ele recebe são muitooooo forçadas e eu diria ate estapafúrdias.
    Ate o momento as opiniões q eu tenho visto sobre esse livro estão sendo bastante polarizadas... ou o pessoal ama ou detesta. hehehe
    Gosto de ver livros q tem esse poder sobre as pessoas, esse mérito ele tem com certeza.
    Achei um erro a darkside tentar vender esse livro como literatura de terror ou como sendo "o novo exorcista"... Pq nos dois quesitos ele falha miseravelmente.
    Em todo caso, o livro continua aqui na minha estante... Uma coisa eu tenho de admitir: O livro é lindo de morrer! Não tive coragem de me desfazer dele, mesmo tendo detestado.
    Mas como mamãe sempre diz: "Por fora bela viola, por dentro pão bolorento".

    ResponderExcluir
  6. Final lixo, a capa > livro. Parece ser um baita livro, tem potencial mas deixa a desejar.

    ResponderExcluir
  7. É enriquecedor ler livros com citações de outras obras no enredo! Já coloquei O Paraíso Perdido na minha lista de leitura! Achei O Demonologista bem interessante, mesmo com esse final horroroso...

    ResponderExcluir

É um imenso prazer receber seu comentário. Seja sempre bem-vindo aqui.