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7.8.15

Eu sou Malala: A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã


“Algumas pessoas dizem que não porei mais os pés em meu país, mas acredito firmemente que retornarei. Ser arrancada de uma nação que se ama é algo que não se deseja a ninguém.”

Autoras: Malala Yousafzai com Christina Lamb
Título Original: I am Malala: The Girl Who Stood  Up for Education and Was Shot by the Taliban
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2013
Sinopse: Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida. 
Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria.
Mas a recuperação milagrosa de Malala a levou em uma viagem extraordinária de um vale remoto no norte do Paquistão para as salas das Nações Unidas em Nova York. Aos dezesseis anos, ela se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz.
Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que valoriza filhos homens. 
O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto e as trevas da vida sob o Talibã.
Escrito em parceria com a jornalista britânica Christina Lamb, este livro é uma janela para a singularidade poderosa de uma menina cheia de brio e talento, mas também para um universo religioso e cultural cheio de interdições e particularidades, muitas vezes incompreendido pelo Ocidente. 
“Sentar numa cadeira, ler meus livros rodeada pelos meus amigos é um direito meu”, ela diz numa das últimas passagens do livro. A história de Malala renova a crença na capacidade de uma pessoa de inspirar e modificar o mundo.



A todas as garotas que enfrentam a justiça e foram silenciadas.
Juntas seremos ouvidas.


A história de Malala começa a ser contada no dia em que ela nasceu. Por ser uma menina, todos tiveram pena de sua mãe, uma vez que ter uma menina é sinal de vergonha em seu país. Talvez medo... Quem quer ser mulher em um mundo onde menininhas de treze anos são estupradas e presas por adultério, por não ter nenhum homem que testemunhe a seu favor? Em que simplesmente o dia do nascimento de uma menina é sombrio? Não é seguro ser uma mulher em uma cultura assim. Mas seu pai, Ziauddin, é à frente de seu tempo pelo que ela nos conta o livro todo. Batizou a filha baseando-se em uma heroína do Afeganistão. Aí você pensa... Como um país com uma heroína assim destrata e mata tanto suas mulheres? Homens ruins, simplesmente. Falta de uma educação competente e para tornar um ser humano crítico, que questione qualquer coisa que vá contra a moral e a ética. Os ditadores precisam de pessoas ignorantes e não de questionadores.

O livro é dividido em Prólogo, Antes do Talibã, O Vale da Morte, Três Meninas, Três Balas, Entre a Vida e a Morte e Uma Segunda Vida.  Antes do Talibã conta um pouco sobre a cultura e história paquistanesa através da rotina de Malala, uma criança que cresce em uma escola. Seu pai e seu tio são professores e proprietários de uma escola mista (mas não tem aulas mistas) e envolvidos politicamente, lutando pelo direito a educação.  Seu avô também era uma pessoa extremamente culta, um professor de faculdade. Em uma família assim, não importa se você é rico ou pobre... Você já sabe que seu destino será brilhante com exemplos tão bons.  Se você é uma menina que segue exemplo de grandes homens... Você se torna um risco para a sociedade assim.



Sua família, por sua narração, é cercada pela honra, onde cada um aprende com seus erros. Sua mãe é alguém que não tem nenhuma educação, mas preza pela educação de cada pessoa, pedindo a seu marido que dê vagas em sua escola para meninas que não têm condição de pagar. E ainda tentaram fechar sua escola, chamando-a de harém por permitir que meninas frequentassem as aulas.

Vemos no livro a transformação de um país de extrema beleza e cultura, transformado em um campo de guerra e dominação com a chegada dos Talibãs vindos do Afeganistão. Aqueles que se erguiam contra o governo, eram torturados e mortos. O pai de Malala se preocupava com sua família, que também corria risco quando ele, como figura política, se pronunciava contra a dominação (alguém se familiariza com essa realidade, povo que tá falando de volta de ditadura no Brasil?) da ignorância, uma vez que queriam impor os estudos do Islã como queriam (com aquelas regras absurdas e burca, limite de roupas pra homens e tudo mais) e não como o corão realmente é.




Quando decidiram tirar as meninas da escola, para Malala foi como se tirasse o melhor dela. Era dedicada em seus estudos, se destacava em tudo. Era ótima em oratória... E sem isso, o que restava de Malala? Sua luta começou quando um jornalista amigo de seu pai pediu que escolhesse uma aluna para relatar como era o dia a dia de uma garota do Paquistão em um diário na internet. É claro que seria segredo... E Malala se ofereceu. Foi assim que começou sua luta pelo direito de estudar. Ia para a escola escondida com outras alunas, sem um uniforme que as identificasse como estudantes.
Foi através de sua luta pelos direitos ao estudo ao lado de seu pai que Malala se tornou um alvo.

Eu, enquanto lia, sempre me pegava pensando: e como eu nunca soube dessas coisas? Como eu seguia minha vida aqui normalmente e lá pessoas morriam assim? Me senti em uma outra dimensão... Vi na tv o enterro de Benazir Bhutto na época e para mim não significou nada. Mas para eles, era uma chance de mudança que foi perdida.

É incrível ler esse livro e ver o quão longe uma luta pode chegar. Dá vontade de agarrar uma bandeira pelos direitos e ir até o fim. Ver uma menina tão jovem estar em um lugar de conquistas é maravilhoso.  Recomendo a leitura para livrar-se de preconceitos e também para educar-se, afinal, é por isso que essa jovem luta. Estude, eduque-se... Cresça. E lute pelo seu direito, pelo direito de todos.

Não há como falar mais da história contada por este livro... É preciso lê-lo para saber a importância da bravura que Malala retrata... Um livro.

Abaixo, segue o discurso de Malala na Onu:



 E um vídeo no qual meninas do mundo todo reproduziram-no:



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2 comentários:

  1. oi flor, Malala nunca quis se tornar o ícone que se tornou, apenas queria garantir para si e para as demais os direitos básicos de qualquer pessoa, lutou com empenho e se tornou uma inspiração!
    felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. OI Pri!!
    A história dela é realmente de se emocionar, fiquei me fazendo a mesma pergunta: Eu estou aqui, vivendo confortavelmente bem e não consigo imaginar que neste exato momento tem pessoas sofrendo pelo mundo todo.
    É realmente muito triste!! :(
    Beijos!
    umlugarparaleresonhar.blogspot.com

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