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20.9.15

Belleville - Felipe Colbert


Não entendo por qual crise de consciência eu estava passando mas, no momento em que vi este livro, achei a capa magnífica! Simples, fofa, misteriosa, simples de novo! E foi assim que, como sempre, escolhi o livro pela capa. Dispensei sinopse, resenha, resumo, spoiler. Confiei no meu instinto predador para leitura (isso soou ridículo, eu sei) que até hoje não me abandonou. Até hoje.

Tudo começa com Lucius, um jovem rapaz que vai iniciar a faculdade em Campos do Jordão e aluga uma casa antiga, nos arredores da cidade, a fim de passar os 5 anos do curso.


Pausa: achei isso bem bacana! Um escritor brasileiro que fala sobre o Brasil, WOW! Leio poucas obras de autores brasileiros, confesso, mas raramente encontro um que não queira ter ares estrangeiros; achei a postura do autor super bacana. Mas, voltando à trama..


Logo nos primeiros dias na casa, Lucius nota uma pequena construção de madeira que, posteriormente, ele descobre tratar-se de uma montanha-russa. Além disso, numa pequena "busca" pelo casarão, Lucius encontra (1) uma foto dentro de um livro (o primeiro livro que ele pega na biblioteca, diga-se de passagem). Na foto, temos uma jovem e bela garota com uma caixa que (2) ele deduz que estava sendo enterrada e, com um instinto de caçador, (3) Lucius encontra a bendita caixa.


Observação da resenhista: temos aqui as 3 primeiras das inúmeras coincidências inverossímeis do livro. Tudo tem limite, gente.


Dentro da tal caixa, havia uma carta escrita 50 anos antes e endereçada para o futuro morador. A carta, assinada por Annabelle, conta a história de Belleville, a montanha-russa nos fundos da casa que seu pai tentou construir como presente para ela, mas faleceu antes de realizar o sonho. Então, em tom de súplica, Annabelle pede para que o futuro morador realize o sonho que nem ela nem o pai conseguiram realizar: finalizar a construção de Belleville. Lucius, tocado pela história mas, por questões financeiras, impossibilitado de atender o pedido, decide colocar uma nova carta na caixa reforçando o pedido de Annabelle e justificando porque ele mesmo não finalizaria a montanha-russa.


E essa carta escrita por Lucius vai parar onde? Geograficamente falando, a carta continua no mesmo lugar. Mas, historicamente falando, a carta vai acabar nas mãos de Annabelle, 50 anos antes! WOW! Inicialmente, Annabelle acha que se trata de uma brincadeira de mau gosto e escreve uma carta em resposta ao atrevido que zombou do sonho de seu pai. É aí em que a jovem garota e Lucius começam a se corresponder através do tempo. A troca de cartas, que começa com hostilidade, evolui para uma troca de confidências e de consolos.


Com essa troca de cartas, um amor singelo surge (fofo de verdade, gente! <3). Mas, como o livro precisa de um clímax, em um belo dia, aparece na porta da casa de Annabelle, sem avisar, Lino, um tio com quem ela não tinha contato há anos. Alegando ter o direito e dever legal de cuidar de Annabelle e de toda a herança que seu pai havia deixado, Tio Lino instala-se na casa. Em poucos dias, a natureza de Lino se revela e a jovem sobrinha sofre com isso. Trancada no próprio quarto, com medo dos horrores que a aguardavam no momento em que o tio chegasse em casa, Annabelle teme sobre seu futuro.


A narração alterna entre o ponto de vista de Annabelle e o de Lucius, mas não há um padrão. Em ritmo lento, a trama se desenrola e confesso que muitas vezes me peguei olhando se estava perto de acabar o livro. As últimas páginas têm um ritmo mais agradável mas, mesmo assim, não me prenderam por completo, já que é possível prever o fim da história nas primeiras 60 páginas.


Em resumo, é um livro que carece de profundidade em inúmeros aspectos. Os personagens são lineares e, consequentemente, previsíveis, enfadonhos e sem nenhum conflito de personalidade - essa história de personagem 100% bonzinho ou 100% do mal eu só aceito em filme da Barbie. Além do mais, inúmeros personagens são estereotipados: o que dizer do professor de física com seus óculos fundo de garrafa sendo definido como nerd e estranho? Ainda temos Brandon e os "cones" da faculdade que mais parecem aqueles adolescentes de filme colegial onde apurrinhar calouros é super comum. Não vou nem comentar a maldade injustificada de Tio Lino; dizer que ele voltou transtornado da Guerra não é suficiente. Pareceu-me que ele era ruim só por hobby, ao estilo de rainha má de conto infantil.


Além dos personagens surreais, vindos diretamente de uma música de Sandy e Júnior (uma história de amoooor, de aventura e de magia... <3), a trama em si é bem... estranha. Acho que a intenção foi ser bem bolada e inédita, mas ficou só estranha mesmo. Para mim, essa mistura de viagem no tempo + montanha-russa + amo- à-quinta-carta não poderia dar certo.


O autor parece ter se inspirado na história de A Casa do Lago mas, infelizmente, essas viagens no tempo não "colaram". Fica difícil fazer esse comentário sem (1) ficar confuso ou (2) sem dar spoiler, mas fico com a segunda opção (spoiler não, mamãe!). No fim do livro, o autor diz que, embora "inúmeras" viagens no tempo tenham sido realizadas, isso em nada alterou o presente. E, céusssss, todos nós sabemos que isso é impossível! O princípio básico de qualquer trama com viagens no tempo é de que: qualquer alteração no passado repercute no presente e/ou no futuro! Não vou dizer a que alteração me refiro mas, quem ler/leu vai entender.Sei que é chato criticar o trabalho de alguém assim, sei mesmo; afinal, esse é o único livro do Felipe Colbert que eu leio e toda a carreira dele não pode ser resumida a apenas uma obra. Mas o espaço está aqui para isso, para tecermos críticas, sejam elas positivas ou negativas - mas sempre construtivas. Vi outras opiniões acerca do livro e a grande maioria das pessoas teve uma impressão muito boa do livro. Não há opiniões certas nem opiniões erradas, há apenas pontos de vista diferentes. Logo, não posso dizer aqui "não leia esse livro! é horrível!"; posso apenas dizer que EU não recomendo, mas há quem recomende. Então, leia outras resenhas e veja se o estilo de leitura lhe agrada.

Edição: 1
Editora: Novo conceito
Ano: 2014
Páginas: 304
ISBN: 9788581634111

3 comentários:

  1. ainda não o li, apesar de estar na minha lista de desejados e de futuras compras, mas confesso que coloco muitas expectativas
    felicidadeemlivros.blogspot.com.br/2015/09/para-refletir-61.html

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  2. Aryana!
    Bem, tive oportunidade de ler esse livro e fiquei encantada com o romance entre personagens diferentes.
    Adoro o tema viagem no tempo e adorei a leitura, mesmo sabendo que algumas coisas são difíceis de aceitar, mas é ficção e nela tudo pode.
    Na minha opinião, principalmente se for relacionado a viagem no tempo, pois nada se tem de comprovado em relação a elas...
    “A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita.”(Mahatma Gandhi)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participem do nosso Top Comentarista, serão 3 ganhadores!

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  3. Não conhecia o livro e, pelo que você disse, realmente parece ser um livro sem sentido algum e bem confuso. É bem provável que não leia, talvez leia para tirar minhas próprias conclusões.

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