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30.9.15

Esperança - Mary Jordan e Kevin Sullivan



Capa comum: 368 páginas
Autor: Mary Jordan e Kevin Sullivan
Editora: Paralela
Idioma: Português

Sinopse:
Ariel Castro, um motorista de ônibus escolar, enganou Amanda Berry, Gina DeJesus e Michelle Knight para que entrassem em sua casa, onde as manteve acorrentadas por anos. Ao longo da década seguinte, as garotas sofreram abusos sexuais e psicológicos e foram ameaçadas de morte. Em Esperança, Amanda Berry e Gina DeJesus descrevem uma história de tormenta inimaginável com base em suas memórias e no diário mantido por Amanda. Com a ajuda dos premiados repórteres Mary Jordan e Kevin Sullivan, elas narram a história completa por trás das manchetes - incluindo detalhes nunca antes revelados sobre a vida e motivações de Castro -; um relato assombroso, mas inspirador, de duas mulheres cuja coragem, inocência e fé permitiram que sobrevivessem e voltassem para suas famílias.

Ariel Castro era um homem de meia idade, porto-riquenho e motorista de ônibus escolar. Pai de três filhos era separado de sua ex-esposa. Para os vizinhos ele era apenas um homem amigável que passava horas agradáveis consertando seu carro e cuidando do jardim.
Ariel e Castro e a casa que serviu de cativeiro em Cleveland
Castro atraiu três vítimas em sua Van com a oferta de uma carona. Em dois casos, as vítimas o conheciam porque ele era o pai de um dos seus colegas. Uma vez que as vítimas estavam em seu veículo, Castro as conduzia até sua casa e lá as acorrentava, amordaçava e as violentava repetidamente de três a cinco vezes por dia. Castro batia continuamente nas mulheres, comportamento que se repetiu em todo o cativeiro. Ele sentia prazer mórbido em feri-las e as mantinham prisioneiras nos quartos do andar superior de sua casa.
Corrente e cadeados utilizados para prender as mulheres no cativeiro
Todas as três vítimas eram adolescentes e infelizmente não conseguiram reagir às atrocidades que Castro as impunha. Ele ocultava a presença das três mulheres do restante da vizinhança com músicas em tom alto, o que disfarçava a presença delas e numa marcação cerrada não permitia a presença de ninguém no segundo andar de sua residência onde as mantinham prisioneiras.

As três mulheres pouco tinham conhecimento uma da outra, ocasionada pelo próprio isolamento imposto a elas por seu raptor e a total incapacidade de locomoção uma vez que elas eram mantidas acorrentadas. As janelas da residência foram lacradas e as portas só abriam por fora e não possuiam trincos.
Um dos quartos da casa de Ariel Castro

Para elas eram negadas necessidades básicas como uso de banheiro, elas usavam latas de lixo como latrinas em seus próprios quartos. Além da flagelação física e psicológica, a alimentação precária restrita a uma vez ao dia e a base de fast food a debilitaram rapidamente e sofriam de calor e frio.

Michelle Knight, a primeira raptada engravidou no cativeiro seis vezes, mas abortou em todas as gestações pelos recorrentes casos de espancamentos. Já sua segunda vítima Amanda Berry lhe foi concedida o nascimento da criança. Ela deu à luz a uma menina chamada Jocelyn. A terceira vítima foi Gina DeJesus.

A maior parte deste livro vem de diários de Amanda Berry, raptada em 21 de Abril de 2013 com apenas 16 anos, e ela surge como uma grande guerreira, a mais forte das três que conseguiu manter-se sã pelos 10 anos de cativeiro. Sempre guiada pela fé e amor que tinha pela família, foi capaz de seguir em frente sem nunca ter perdido a esperança. Instruia sua filha no cativeiro e tentava oferecer um “lar” normal a Jocelyn. Amanda foi quem conseguiu fugir em seis de maio de 2013 e com a ajuda do vizinho chamou a polícia.

Gina DeJesus tinha apenas 14 anos quando foi sequestrada, e no cativeiro padecia emocionalmente quando começou a se mutilar para aliviar tanta tristeza. Já perto de sua libertação, ela tinha grandes dificuldades em sair da cama tamanha sua depressão e desespero.

Gina DeJesus
Michelle Knight é pouco mencionada no livro tendo em vista que resolveu escrever sua própria biografia além de ser motivada pelo próprio Castro que semeava a discórdia entre elas, Michelle não se dava bem com Amanda. Uma tática de uma mente doentia que as afastava para que elas não pudessem se rebelar contra ele.

Michelle Knight
A narrativa do livro é dramática e mesmo ele estando morto é notável a presença do medo em boa parte dos relatos como se de alguma maneira ele ainda pudesse fazer algum mal a elas, embora eu acredite que o mal já tenha sido feito ao longo dos anos.

Castro foi um psicopata que usou o pretexto do abuso sexual e físico na infância para se fazer de vítima. Para mim não são atos que possam ser simplificados, dignos de arrependimento ou redenção. Como pode uma pessoa perversamente planejar, sequestar, violentar física e emocionalmente três pessoas e depois querer pousar de bom moço? Em nenhum momento consegui sentir empatia, compaixão ou pena. Meus sentimentos se resumiam a revolta cega e uma grande vontade de vingança.

Só consegui respirar de forma controlada quando a fuga do cativeiro aconteceu de maneira heróica por parte da Amanda que aproveitando-se da saída de Castro e do descuido por não deixá-la algemada, ela passou a gritar e esmurrar a porta pedindo socorro, sendo resgatada por vizinhos e solicitando a vinda da polícia. É um relato muito forte e ainda martela na minha cabeça. Se eu recomendo a leitura? Forte e revoltante, o livro é para quem tem estômago de aço, mas acredito que falar sobre as experiências traumáticas pelas quais passamos é um processo importante para suportar o que ocorreu e também para superar.
Amanda Berry, sua irmã e sua filha Jocelyn Berry


Amanda Berry, Gina DeJesus e Michelle Knight

Ariel Castro foi condenado à prisão perpétua, sem direito a liberdade condicional, no dia 1º de agosto. Ele foi condenado pelos crimes de sequestro das três mulheres, estupro e também por homicídio agravado - por ter forçado uma delas a abortar.

Um relatório do Departamento de Reabilitação e Correção de Ohio de outubro do ano passado sugere que Castro pode ter morrido de auto - asfixia erótica - quando a pessoa alcança satisfação sexual por meio de asfixia até a perda de consciência. Castro estava na prisão havia poucas semanas. As calças e a cueca do sequestrador estavam abaixadas quando ele foi encontrado morto, em 3 de setembro de 2013, em sua cela. Ele tinha um lençol enrolado em seu pescoço e preso na dobradiça da janela, segundo investigadores.



4 comentários:

  1. é um livro forte, né Nayda? é crueldade o que este homem fez com estas mulheres, além de todas as maquinações para ocultar tal fato, pensar que alguém pode ser capaz de algo assim me arrepia
    felicidadeemlivros.blogspot.com.br

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  2. Thaila foi um dos livros mais difíceis de ler. Muita crueldade e a revolta passa pelas páginas!

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  3. Não conhecia o livro nem esse caso de sequestro. Tenho certeza de que esse livro ´bem forte, talvez leia. com certeza vou ficar revoltada e querendo matar esse homem também.

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  4. Nádia!
    Gosto de livros que falam de histórias reais e essa é dramática.
    Gostaria de ler.
    “A vida só pode ser compreendida, olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para frente.”(Soren Kierkegaard)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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