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18.9.15

O Farol do Porto da Paz - Kelly Cortez


[...] Eu nunca pensei muito em como vou morrer, é uma coisa da qual procuro me esquivar, sempre achando que será tão mais tarde, que não vale a pena ficar queimando neurônios ou purificando a alma com isso. Pensei nisso nas poucas vezes em que subi aos morros cariocas, onde as balas perdidas fazem vítimas inocentes a cada tiroteio. Mas nem mesmo no meu humilde pesadelo seria em um banco sujo de um carro velho, do outro lado do mundo [...]
Edição Comum: 464
Autora: Kelly Cortez
Editora: Novos Talentos da Literatura Brasileira

Resenha:

Toninho e sua família moram diante de um belo cenário litorâneo brasileiro: o Farol de Touros, no Rio Grande do Norte. Diante dele, a família Paiva vive momentos angustiantes e marcantes inesquecíveis para o menino doce e sonhador. Mesmo contra as aspirações do pai, que pertencia à Marinha e desejava o mesmo futuro para o filho Toninho parte do litoral nordestino para ser um grande correspondente internacional.
Já formado, Tonny Paiva cobre os primeiros ataques no Iraque como um reconhecido profissional. Ao se deparar com inúmeros acontecimentos em meio à guerra, o audacioso jornalista revê seus conceitos e relembra de sua infância, o que impactará em suas atuais decisões.


Olá galera! Hoje teremos resenha de um livro que realmente despertou emoções profundas e me arrancou muitas lágrimas. A obra O Farol do Porto da Paz da nossa parceira do blog Kelly Cortez foi feito para mostrar que devemos rever muitos conceitos que acreditamos ser verdadeiros, nunca parar no tempo e sempre estarmos atentos, pois nem sempre as coisas podem ser precisamente o que você vê ou imagina.

O Farol do Porto da Paz nos apresenta uma história envolvente além de surpreendentemente bem arquitetada.  Nela conhecemos Antônio Luiz, autodenominado Tonny Paiva, que logo na primeira parte do livro nos transporta para sua infância gozada no Rio Grande do Norte. Sua mãe chamava-se Mônica Paiva e era uma terna mulher, devotada esposa e uma mãe abnegada. Seus quatro filhos, eram o centro de sua vida.

A infância de Toninho se deu em um lugar magnífico. Morava na praia, onde o lindo mar e o Farol de Touros são cartões postais de tão paradisíaco local. A autora descreveu o cenário de forma tão apaixonante que mesmo a pessoa não conhecendo tão lindo local consegue sentir o cheiro da maresia, a onda tocando os pés ou simplesmente admirando o maior Farol do Brasil, extremamente saudosista, diga-se de passagem.

Toninho teve uma infância muito modesta e carente, onde a família contava os centavos, mas alimentava em seu interior sonhos viscerais, onde almejava e deseja grandes mudanças.  Apesar da vontade ferrenha de seu pai, um homem de atitudes grossas e que infelizmente educava os filhos com mãos de ferro, para que seu filho entrasse para a Marinha, Toninho contrariou todas as vontades do mesmo e acabou por se tornar um jornalista indo morar em Londres, longe da família e de uma infância marcada de sofrimento.

Na segunda parte do livro, agora Toninho é Tonny Paiva, e nos leva em sua bagagem para a guerra do Iraque, que deu início em 20 de março de 2003, com os EUA contando com o apoio de tropas britânicas, italianas, espanholas e australianas, iniciou uma guerra sem precedentes e Tonny nos revela em primeira mão o terror que só uma guerra pode trazer a uma nação. Ele nos mostra uma verdade crua do horror, no medo, da desolação, de uma guerra tão incompreensível e revoltante que sai da compreensão de uma mente humana.
[...] As emoções afloradas se confundiam. Angústia, coragem, apreensão, entusiasmo por fazermos parte da história que estava prestes a desenrolar, felicidade pelas portas que se abririam depois e medo, mas muito medo pelo que estava prestes a cair sobre nossas cabeças: uma infinidade de bombas de alta tecnologia e alvo certo, mas de enorme poder de destruição [...]
O enredo foi realmente arrebatador. Sofri junto com Tonny e sinceramente tive vontade de fechar o livro em diversos momentos por puro egoísmo, por medo e por não desejar ter uma visão tão realista do que acontece em uma guerra, onde crianças, jovens, velhos e pessoas inocentes são cativos á dor e a morte.
[...] Não havia mais vida pelas ruas. Cada pessoal se escondia e se abrigava para fugir de um perigo que caia tão mortal e repentino quanto um raio em uma noite de tempestade [...]
Kelly Cortez criou uma obra difícil de ser esquecida. Devo um agradecimento mais do que especial a autora pela oportunidade de ter um livro desses em mãos. Um livro verossímil, que nos ajuda a repensar conceitos e, acima de tudo abandonar o medo e a descobrir nossa força interior. Livro mais do que recomendado. Ele tem uma capa linda, diagramação gostosa, fonte aprazível e folhas amareladas, enfim nada que tire um milímetro sequer do mérito de escrita da Kelly.
[...] – Deve estar enganada, eles recrutam homens sadios e fortes, capazes de fazer frente às forças de coalizão. Esses pequenos nem conseguem segurar uma metralhadora, são apenas crianças... Não servem para ser soldados.- Não para ser soldados... – Jade respirou fundo como se o ar lhe fugisse do peito, mordendo os lábios ressecados. Ela revelou uma crueldade assombrosa, mesmo no meio de uma guerra, não estava preparado para ouvir aquilo, nunca estaria, ninguém pode estar – Para servir de homem-bomba.-Isso... Isso não pode ser real...- Para os talibãs, uma pessoa com deficiência não tem serventia. É um peso, um estorvo, sua única condição de encontrar dignidade  de Allah é morrer por uma causa santa, com mártires, e homens-bombas são considerados mártires, vão direto para o paraíso, no sétimo céu, destinado aos profetas e homens-santos [...]



6 comentários:

  1. eu acho que o livro ja me conquistou só pela mensagem subliminar que deixa ao tratar dos conflitos armados do Iraque, o mais próximo que ja vi de uma guerra
    felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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    1. Thaila esse livro me marcou demais! Recomendo muito a leitura!

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  2. Nadya!
    Gosto muito dos livros ambientados nas guerras justamente por podermos agradecer não tê-las vivido na pele, com todo seu sofrimento, etc.
    O livro me parece intenso e visceral e gostaria muito de ler.
    Adorei sua resenha emocionada.
    “O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso.”(Mario Quintana)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participem do nosso Top Comentarista, serão 3 ganhadores!

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    1. Rudynalva foi muito emocionante entrar no mundo do livro O Farol do Porto da Paz. Leitura mais do que recomendada!

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  3. Não conhecia o livro e fiquei muito interessada. Achei interessante a lição que a autora passa sobre rever nossos conceitos. Gosto muito de livros que mostram realidades que não sabemos, nem presenciamos, pois nos faz ter noção de como é realmente difícil a vida em outros lugares, já que estamos sempre reclamando de nossa vida. Com certeza vou ler!

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    1. Maisanara esse livro virou meu xodozinho. Ele é completo! Recomendo demais a leitura!

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