Menu

30.4.15

O Menino dos Fantoches de Varsóvia - Eva Weaver


Mesmo diante de uma vida extremamente difícil, há esperança. E às vezes essa esperança vem na forma de um garotinho, armado com uma trupe de marionetes – um príncipe, uma menina, um bobo da corte, um crocodilo...
O avô de Mika morreu no gueto de Varsóvia, e o menino herdou não apenas o seu grande casaco, mas também um tesouro cheio de segredos. Em um bolso meio escondido, ele encontra uma cabeça de papel machê, um retalho... o príncipe. E um teatro de marionetes seria uma maneira incrível de alegrar o primo que acabou de perder o pai, o menininho que está doente, os vizinhos que moram em um quartinho apertado.
Logo o gueto inteiro só fala do mestre das marionetes – até chegar o dia em que Mika é parado por um oficial alemão e empurrado para uma vida obscura.
Esta é uma história sobre sobrevivência. Uma jornada épica, que atravessa continentes e gerações, de Varsóvia à Sibéria, e duas vidas que se entrelaçam em meio ao caos da guerra. Porque mesmo em tempo de guerra existe esperança.

Quando a Segunda Guerra Mundial chegou, a vida de Mika foi, aos poucos, deixando de ser dele. Primeiro lhe tiraram o direito de ir à escola, depois foi embora o direito de andar na calçada, então lhe foi imposto que nem nas ruas da cidade ele poderia mais andar: fizeram um gueto só pra eles - a partir dali, os judeus, a fome e a morte viveriam lado a lado.               
                                                                                                                                                
"O que aconteceu conosco, com nossa bela cidade? As pessoas definhavam bem diante de nossos olhos, cadáveres vivos encostados em paredes ou simplesmente jogados no chão enquanto os passantes tentavam ignorar aquela situação."
                                                                                                                                                
Foram dias difíceis naquele pequeno apartamento do gueto: o que jantaremos? será que sobreviveremos até o fim do dia? Com o apoio de sua mãe e de seu avô, Mika tentava não ceder à insanidade. Quando seu avô Tatus faleceu, Mika teve acesso ao pequeno tesouro que havia sido guardado a sete chaves até então: o casaco e seus inúmeros bolsos misteriosos. Dentro de cada bolso, uma surpresa; a cada duas surpresas, um fantoche.

A cada dia, Mika se isolava mais, passando horas e horas apenas na companhia dos fantoches, os únicos que pareciam entender sua tristeza e sua revolta. Como se o destino tentasse aplacar a solidão o assolava nessa época, chegaram novos moradores na casa: uma família de estranhos que pediu refúgio e Cara - tia de Mika -, juntamente com Ellie e Paul, seus dois filhos.

Mika conseguiu manter seus fantoches em segredo por pouco tempo; sua paixão por Ellie fez com que ele abrisse seu mundo e a convidasse para entrar. Aos poucos, todos do gueto foram conhecendo as belas histórias que Mika e Ellie produziam com seus fantoches: os moradores da casa, as criancinhas do orfanato, os vizinhos e, até mesmo, os soldados alemães. Num golpe de azar, Mika acabou sendo descoberto por Max, um soldado alemão, e, a partir deste dia, passou a fazer apresentações semanais aos "ratos", como ele os chamava.
                                                                                                                       
"Assim eram os dias de Mika, o menino dos fantoches do gueto, quando ninguém, a não ser Ellie, sabia sobre a minha vida dupla: Mika divertia as crianças e, ao mesmo tempo, alimentava o monstro que devoraria todas elas."

A rotina seguia assim, até que... começaram as deportações. Os judeus eram colocados em caminhões e levados a estação de trem; oNo fundo, todo sabiam qual destino os aguardava. Desde então, as pessoas dormiam e acordavam com medo. A cada dia, uma novidade pronta para exterminar os judeus de uma só vez. Mas Mika era resistência. Ellie era resistência. Eles iriam resistir, só não sabiam até quando. 

E assim continua o livro. Uma reviravolta atrás da outra (você não consegue nem ter ideia do que pode acontecer na página seguinte!), uma marcante luta de sobrevivência que nos mostra o que a humanidade pode fazer contra si mesma. Mas nem só de barbaridades é composta a trama. Durante a leitura, me deparei com inúmeros personagens altruístas que davam um exemplo de humanidade. E qual não foi minha surpresa ao descobrir que muitos desses personagens realmente existiram?! Um grande exemplo é Janusz, o diretor do orfanato que ganhou salvo conduto durante as deportações mas decidiu acompanhar suas crianças até o fim, mesmo sabendo que o fim era a morte.

Esse é o lado de Mika da história. Mas e Max? O que aconteceu com o soldado alemão que acompanhou Mika diariamente até a base militar, que contrabandeou remédios para as crianças do orfanato, que permeava Mika de desconfiança (afinal, ninguém sabia se Max era um homem ou um rato)? O livro também nos conta o que aconteceu com Max e como, anos depois, o destino volta a cruzar a história do homem/rato com a do menino.
                                                                                                                   
"Max parou diante de um pequeno altar cheio de velas acesas e tremeluzentes.  - As pessoas as acendem para os mortos, como você sabe - ele explicou ao príncipe. - Mas quantas velas nós precisaríamos acender?"

Os detalhes encontrados durante a leitura fizeram eu me perguntar várias vezes se aquilo era mesmo ficção; não é possível que alguém descreva tão bem um local ou uma situação sem ter estado lá de corpo e alma! A autora fez um belo trabalho transformando anos de estudo sobre a Segunda Grande Guerra em uma bela história de amor e sobrevivência.

A história não tem um clímax propriamente dito (adoro quando os autores fazem isso!). A cada momento, você se vê diante de uma nova situação em que o desfecho é totalmente inesperado. Fugas, revoltas, explosões, mortes, beijos, despedidas. Tudo isso torna esse livro um daqueles que você quer ler de uma vez só, sem parada para descansar. 

O Menino dos Fantoches de Varsóvia é o tipo de livro que vai deixar você com um aperto no peito depois de ler a última página.  Assim como os outros dois livros já lidos por mim que tem guerras como tema - A Menina que Roubava Livros e O Diário de Anne Frank -, esse virou um dos meus favoritos; espero que você goste tanto quanto eu. Boa leitura!

Edição: 1ª edição
Editora: Novo Conceito
Páginas: 396
ISBN: 978-85-8163-417-3

27.4.15

Uma história de amor e TOC - Corey Ann Haydu

Capa Comum: 320 páginas
Autora: Corey Ann Haydu
Editora: Galera Record
Idioma: Português

Sinopse:

Bea foi diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo. De uns tempos pra cá, desenvolveu algumas manias que podem se tornar bem graves quando se trata de... garotos! Ela jura que está melhorando, que está tudo sob controle. Até começar a se apaixonar por Beck, um menino que também tem TOC. Enquanto ele lava as mãos oito vezes depois de beijá-la, ela persegue outro cara nos intervalos dos encontros. Mas eles sabem que são a única esperança um do outro. Afinal, se existem tantos casais complicados por aí, por que as coisas não dariam certo para um casal obsessivo-compulsivo? No fundo, esta é só mais uma história de amor... e TOC.



A história inicia no momento em que Bea vai a uma festa em Smith Latin Boys Academy e repentinamente falta energia. No meio de todo o tumulto que se forma ela encontra um rapaz chamado Beck que está tendo um ataque de pânico. Ela tenta auxilia-lo e acaba o beijando fazendo com que ele saia correndo, talvez com mais medo dela do que do próprio escuro. No decorrer da história ela acaba por encontra-lo novamente na sua turma de terapia de grupo. Bea sente-se atraída por ele, um rapaz forte com músculos conseguidos por sua compulsão de passar horas a fio na academia. A única coisa que mancha sua bela aparência são as mãos rachadas por conta das lavagens constantes... Uma história de amor e TOC é uma encantadora história de amor. Bea e Beck um casal nada funcional acabam por se unir e trazem conforto e amparo um ao outro.

Corey Haydu mostra em seu romance de estreia como compulsões como as de Bea podem controlar seus pensamentos e como eles podem estabelecer a maneira como a pessoa enxerga as coisas ao seu redor. A autora nos transporta para dentro da mente de Bea, e você sofre com todos os conflitos internos, a profunda ansiedade, a obsessão excessiva, o constrangimento e a percepção meticulosa de tudo que realiza. A compulsão de Bea se torna incontestável desde o início da história quando ela mostra sua obsessão em um casal em crise que tem sessões de terapia antes dela, suas aflições quando ela não realiza o que suas compulsões a encorajam a fazer, o castigo imposto a sua coxa através dos inúmeros beliscões que ela efetua numa tentativa de se acalmar.


Uma história de amor e TOC é um romance original, íntimo e verdadeiro e absolutamente um livro complexo de ler. Embora haja manifestações compulsões ou níveis variáveis do Transtorno Obsessivo Compulsivo, e a autora não tenha explorado de forma profunda o tema, este romance encoraja a um maior entendimento e compreensão emocional por todos aqueles que convivem com doenças mentais.

Foi uma montanha russa emocional ler esse livro e recomendo a todos! A capa é belíssima, a diagramação simples e a fonte maravilhosa! 


23.4.15

Lançamento de Abril – Editora Arqueiro

 

10

Com tantos lançamentos é dificil se manter sempre atualizado, por isso, trazemos sempre os ultimos lançamentos do mês das editoras parcerias.

1

Jeremy Marsh é um jornalista cético que dedica a vida a investigar e desmentir fenômenos sobrenaturais. Ele está no auge do sucesso, prestes a ir trabalhar na TV, quando recebe uma carta curiosa. Nela, uma senhora relata a ocorrência de luzes estranhas e fantasmagóricas no cemitério da pequena cidade de Boone Creek. Farejando uma boa história, Jeremy sai de Nova York e vai passar uma semana lá.
Quando começa suas investigações, ele conhece a obstinada Lexie Darnell. Responsável pela biblioteca local, ela está determinada a proteger as pessoas e a cidade que tanto ama – e nem um pouco disposta a confiar no
forasteiro. Depois de sofrer pelo término de dois relacionamentos, ela tem duas certezas: a primeira é de que seu lugar é em Boone Creek, e a segunda é de que não se pode acreditar num homem tão sedutor quanto Jeremy. O que ela não imagina é que o jornalista também tem suas feridas. Ele nunca conseguiu superar completamente a dor de seu casamento desfeito e a frustração de saber que jamais poderá ser pai.
Enquanto tenta descobrir a verdade por trás das luzes do cemitério, Jeremy tem que desvendar também os próprios sentimentos e se vê diante de escolhas muito difíceis, entre elas a de voltar para a vida que conhece em Nova York ou fazer algo completamente novo: acreditar.
O milagre é um romance que explora os maiores mistérios de todos: os do coração.

2

3

A série O Mochileiro das Galáxias consagrou Douglas Adams por sua fina ironia e sua capacidade de elaborar histórias hilárias e inusitadas. Porém, essa não foi sua única obra-prima. Também na década de 1980, ele criou o personagem Dirk Gently, cujos elementos principais surgiram quando escrevia episódios para Doctor Who, outro ícone britânico da ficção científica.
Richard MacDuff é um engenheiro de computação perfeitamente normal que sempre se comportou muito bem, obrigado, até o dia em que deixa uma mensagem equivocada na secretária eletrônica de sua namorada, Susan Way. Arrependido, toma a decisão mais natural possível: escalar o prédio dela e invadir seu apartamento para
roubar a fita com a gravação.
Na vizinhança, Dirk Gently bisbilhota os arredores com seu binóculo quando presencia o ato tresloucado do antigo colega de faculdade e decide entrar em contato para lhe oferecer seus serviços investigativos. Depois de uma série de acontecimentos bizarros, o detetive percebe uma interconexão obscura entre a atitude estapafúrdia do amigo e
o assassinato de Gordon Way – irmão de Susan e chefe de Richard, que passa a ser suspeito do crime. Então, os dois veem-se envolvidos num caso incrivelmente estranho, com elementos díspares e desconexos que, no final, conseguem se encaixar de forma perfeita e construir uma trama típica de Douglas Adams.

4

5

“Personagens carismáticos e a alta tensão sexual entre Rannulf e Judith fazem de Ligeiramente maliciosos uma leitura verdadeiramente deliciosa.” – Publishers Weekly
Após sofrer um acidente com a diligência em que viajava, Judith Law fica presa à beira da estrada no que parece ser o pior dia de sua vida. No entanto, sua sorte muda quando é resgatada por Ralf Bedard, um atraente cavaleiro de sorriso zombeteiro que se prontifica a levá-la até a estalagem mais próxima.
Filha de um rigoroso pastor, Judith vê no convite do Sr. Bedard a chance de experimentar uma aventura e se apresenta como Claire Campbell, uma atriz independente e confiante. A atração entre o casal é instantânea e, num jogo de sedução e mentiras, a jovem dama se entrega a uma tórrida e inesquecível noite de amor.
Judith só não desconfia de que não é a única a usar uma identidade falsa. Ralf Bedard é ninguém menos do que lorde Rannulf Bedwyn, irmão do duque de Bewcastle, que partia para Grandmaison Park a fim de cortejar sua futura noiva: a Srta. Julianne Effingham, prima de Judith. Quando os dois se reencontram e as máscaras caem, eles precisam tomar uma decisão: seguir com seus papéis de acordo com o que todos consideram socialmente aceitável ou se entregar a uma paixão avassaladora?

6

7

“Este documento, querida amiga, vai abalar a Igreja.”
Ao ler essas palavras em uma carta encontrada em um arquivo empoeirado, Thomas Kelly fica cético. O documento citado na correspondência está desaparecido, mas Thomas, padre da ordem dos jesuítas, duvida que exista algo com tal poder – até ser convocado ao Vaticano para iniciar uma busca desesperada por ele.
Enquanto isso, diante de um conselho formado por seus superiores, Livia Pietro recebe instruções claras: encontrar um padre jesuíta recém-chegado a Roma e juntar-se a ele na procura da Concordata, um tratado que contém um
segredo tão chocante que poderá destruir para sempre todo o povo de Livia.
Enquanto pistas cifradas do passado lançam os dois em um universo traiçoeiro repleto de obras de arte, maquinações religiosas e conspirações, eles são caçados por pessoas capazes de tudo para achar o documento primeiro. Thomas e Livia, então, precisam correr para montar o quebra-cabeça capaz de redefinir os rumos da história e evitar o caos e a destruição que a revelação da Concordata poderá causar. Livia, porém, tem um segredo: ela e seu povo são vampiros.

8


22.4.15

A Cabeça do Santo – Socorro Acioli

 

13611_g

Pouco antes de morrer, a mãe de Samuel lhe faz um último pedido: que ele vá encontrar a avó e o pai que nunca conheceu. Mesmo contrariado, o rapaz cumpre a promessa e faz a pé o caminho de Juazeiro do Norte até a pequena cidade de Candeia, sofrendo todas as agruras do sol impiedoso do sertão do Ceará.
Ao chegar àquela cidade quase fantasma, ele encontra abrigo num lugar curioso: a cabeça oca e gigantesca de uma estátua inacabada de santo Antônio, que jazia separada do resto do corpo. Mas as estranhezas não param aí: Samuel começa a escutar uma confusão de vozes femininas apenas quando está dentro da cabeça. Assustado, se dá conta de que aquilo são as preces que as mulheres fazem ao santo falando de amor.
Seu primeiro contato na cidade será com Francisco, um rapaz de quem logo fica amigo e que resolve ajudá-lo a explorar comercialmente o seu dom da escuta, promovendo casamentos e outras artimanhas amorosas. Antes parada no tempo, a cidade aos poucos volta à vida, à medida que vai sendo tomada por fiéis de todos os cantos, atraídos pelo poder inaudito de Samuel. Em meio a esse tumulto, ele ainda irá se apaixonar por uma voz misteriosa que se destaca entre as tantas outras que ecoam na cabeça do santo.

Samuel vive em Juazeiro do Norte com sua mãe, Mariinha. Antes de morrer, ela lhe faz dois últimos pedidos: acender uma vela nos pés das estátuas de Padre Cícero, Santo Antônio e São Francisco, seus santos de devoção, e ir para Candeia atrás de sua avó e de seu pai, que ele nunca conheceu. Sob o sol torturante do sertão do Ceará, Samuel parte para sua jornada.

Chegando em Candeia, a recepção de Niceia, sua avó, é um pouco desapontadora. Com a chuva chegando, Samuel acaba se abrigando em uma gruta, que na verdade é a cabeça da estátua de Santo Antônio, que nunca foi colocada no lugar por problemas técnicos, o que acabou desgraçando a cidade. Lá algumas coisas estranhas começam a acontecer. Samuel é capaz de ouvir a reza das mulheres desesperadas que imploram matrimônio ao santo casamenteiro.

Em parceria com Francisco, novo amigo e filho do coveiro, Samuel se torna um mensageiro de Santo Antônio, quase profeta, começando a ganhar dinheiro e revivendo a abandonada e amaldiçoada Candeia.

Com um misto de fantasia e realismo, a história se desenvolve de forma envolvente e sem deixar nenhuma ponta solta, o que eu achava bem difícil de acontecer, sendo um livro de apenas 166 páginas. A leitura é leve e rápida, mas não menos surpreendente.

“ – Eu moro na cabeça e escuto os pensamentos do santo, doutor.

– Ele tá tentando ajudar a cidade – Francisco interveio.

– Você escuta vozes desde quando?

– Desde que cheguei aqui.

– Tem doente mental na sua família?

– O senhor tá achando que eu tô doido? Eu sou normal, doutor! ”

Leitura recomendada!

Trecho em PDF: http://www.companhiadasletras.com.br/trechos/13611.pdf

1618618_868483459858236_1874829721077052912_n

                                                                                                            

Esta resenha foi escrita por Raiana Alves, colaboradora do blog.

Facebook: https://www.facebook.com/raiana.alves.m


20.4.15

Uma Longa Jornada - Nicholas Sparks


Capa comum: 368 páginas
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Arqueiro
Idioma: Português
Sinopse:
Aos 91 anos, com problemas de saúde e sozinho no mundo, Ira Levinson sofre um terrível acidente de carro. Enquanto luta para se manter consciente, a imagem de Ruth, sua amada esposa que morreu há nove anos, surge diante dele. Mesmo sabendo que é impossível que ela esteja ali, Ira se agarra a isso e relembra diversos momentos de sua longa vida em comum: o dia em que se conheceram, o casamento, o amor dela pela arte, os dias sombrios da Segunda Guerra Mundial e seus efeitos sobre eles e suas famílias.Perto dali, Sophia Danko, uma jovem estudante de história da arte, acompanha a melhor amiga a um rodeio. Lá, é assediada pelo ex-namorado e acaba sendo salva por Luke Collins, o caubói que acabou de vencer a competição.Ele e Sophia começam a conversar e logo percebem como é fácil estarem juntos. Luke é completamente diferente dos rapazes privilegiados da faculdade. Ele não mede esforços para ajudar a mãe e salvar a fazenda da família. Aos poucos, Sophia começa a descobrir um novo mundo e percebe que Luke talvez tenha o poder de reescrever o futuro que ela havia planejado. Isso se o terrível segredo que ele guarda não puser tudo a perder.Ira e Ruth. Luke e Sophia. Dois casais de gerações diferentes que o destino cuidará de unir, mostrando que, para além do desespero, da dificuldade e da morte, a força do amor sempre nos guia nesta longa jornada que é a vida.

Jamais desfrutei de qualquer leitura do autor Nicholas Sparks e Uma Longa Jornada foi o meu début. Quando iniciei a leitura tive apenas uma reflexão, a escrita do Nicholas era de fato demasiadamente absorvente.

Duas histórias concomitantes vão sendo concebidas com tudo que unicamente um excelente romance pode presentear. O livro tem sua dose de drama e de sobrenatural tornando a leitura bastante agradável. Uma Longa Jornada é relato cativante. Os capítulos são intercalados com a perspectiva dos três protagonistas, o que abrilhanta ainda mais a narrativa, nos ligando a história de vida de cada um deles.

Ira Levinson, um senhor de 91 anos de idade, acabara de sofrer um grave acidente de carro. Ele está ferido e muito debilitado e praticamente se vê sem expectativa de quem alguém o consiga achar vivo no barranco no qual seu carro ficou preso. Sua adorada esposa, Ruth, que morreu há mais de nove anos começa a surgir ficando do seu lado. Pensei que Ira estava ficando louco, mas percebi que o mundo espiritual estava se fazendo presente na história. Pra mim um fato novo, mas a “aparição” de sua amada Ruth lhe renovava as forças e esperanças de Ira. Senti-me privilegiada de estar junto com Ruth e Ira conhecendo particularidades da vida de ambos. Foi marcante acompanhar as lembranças dos dois, desde o momento que se conheceram até o último dia em que estiveram lado a lado, me vi sorrindo várias vezes das brincadeiras espirituosas que ambos tinham e emocionada com as dificuldades que eles enfrentaram.

[...] Gostaria de ter talento para pintar o que sinto por você, porque minhas palavras sempre parecem inadequadas. Imagino usar vermelho para sua paixão e azul-claro para sua bondade; verde-floresta para refletir a profundidade da nossa empatia e amarelo-vivo para nosso persistente otimismo. E ainda me pergunto: a paleta de um artista pode captar tudo que você significou para mim? [...]

Vamos conhecendo também a história de Sophia Danko e Luke Collins. Sophia cursa História da Arte e está em seu último ano de faculdade. Como toda universitária pensa em se formar e arrumar um emprego. Sophia é moça de cidade grande e Luke um lindo fazendeiro que monta touros em rodeios e sem sombra de dúvidas eles não tem nada em comum, mas estão fadados a se conhecerem e se apaixonarem a despeito de suas disparidades. Pude ler com muita expectativa o amor, respeito e cumplicidade surgirem entre os dois, como também os conflitos, medos, inseguranças e por fim um grande segredo que estava por findar o relacionamento de ambos. Luke era compelido mesmo que isso lhe custasse sua vida de auxiliar a sua mãe em salvar a fazenda da família, já que ele se considera o individuo responsável pela mesma está hipotecada.

[...] Quando seus lábios se tocaram, teve uma sensação de descoberta, como a de um explorador que enfim chega a praias distantes que apenas imaginara ou das quais só ouvira falar. Beijou-a de novo e de novo. Quando finalmente se afastou, encostou a testa na dela. Respirou fundo, tentando controlar as emoções, sabendo que não a amava apenas aqui e agora, mas que nunca deixaria de amá-la. [...]

A despeito de Luke e Sophia terem todo o perfil necessário para levar o romance de Nicholas Sparks ao topo dos mais vendidos me vi perdidamente tomada por Ira Levinson... (me julguem, mas ele era simplesmente adorável).

[...] Entendo que o amor e a tragédia andam de mãos dadas, porque não podem existir sozinhos, mas ainda assim me pergunto se a troca é justa. [...]

Não quero escrever mais nada, pois está faltando pouco para eu falar o final da história, só posso adiantar a vocês que é um final até previsível, mas não deixa de ser marcante e infinitamente lindo.

A capa definitivamente não me agradou, sei que é a capa do filme e tal, mas a mulher em nada se parece com a Sophia, enfim... Não me parece em nada fiel a história. Quanto à diagramação achei ótima e a fonte agradável de ler. Recomendo a leitura a todos e estou ansiosa de ler novos títulos desse tão aclamado autor.



19.4.15

Diário de Um Adolescente Apaixonado - Rafael Moreira



Capa Comum: 128 páginas
Autor: Rafael Moreira
Editora: Novo Conceito
Selo: Novas Páginas
Idioma: Português

Sinopse:

Ele suou frio quando deu o primeiro beijo. Já sofreu bullying na escola. Já gostou de quem não gostava dele. Sente muita falta de quem foi embora. Já brigou com a namorada por Whatsapp e depois pediu desculpas. Ele não troca os amigos por ninguém. Se bem que amigo, AMIGO mesmo, pra ele, é a família. Em 24 crônicas bem-humoradas (claro), o Rafa conversa com a gente como se estivesse bem pertinho. Acostumado a mostrar o rosto na internet, ele criou coragem e começou a escrever sobre as situações da sua infância, sua relação com a família, com as meninas, com os amigos. De cada história, ele tirava uma reflexão sobre as mudanças que já aconteceram na sua vida e o que ele aprendeu com elas. O resultado está aqui, neste livro que você vai ler e depois abraçar bem apertado.


Vamos lá para uma mini resenha e o livro adotado de hoje foi Diário de um Adolescente Apaixonado do Rafael Moreira, que está segmentado em 24 crônicas, aonde ele vêm abordando de maneira bem descontraída de seu relacionamento com amigos, família, escola e de situações que acontecerem em sua vida que por sinal sua maioria são beeem divertidas, e ao final de cada crônica ele sempre coloca uma frase se efeito, bem inspiradora para a moçada. Achei a abordagem simples, bem jovial e o que mais curti é o paralelo que ele traça dos acontecimentos e fatos que marcaram infância e juventude e como esses fatos contribuíram em sua forma de pensar e agir. Se você é um rapazinho o livro traz dicas valiosas de como lidar com sua namorada, TPM e como ser um cara legal.

O livro é bem curtinho, tem apenas 126 páginas, têm ilustrações bem fofinhas, folhas amareladas e a fonte eu achei bem diferente e agradável. Enfim uma leitura jovem, rápida, relaxante que traz muitas reflexões e parece mais um bate papo entre amigos tornando assim a leitura bastante fluída!


17.4.15

Assassin's Creed: Renascença - Oliver Bowden

Sabe, Girolamo, acho perturbador que você tenha tanta relutância em creditar às pessoas seus próprios méritos. Acho que, se pudesse, para você todas as pessoas do mundo seriam vítimas.




Título Original: Renaissance
Autor: Oliver Bowden
Editora: Galera Record
Sinopse: Traído pelas famílias que governam as cidades-estado italianas, um jovem embarca em uma jornada épica em busca de vingança. Para erradicar a corrupção e restaurar a honra de sua família, ele irá aprender a Arte dos Assassinos. Ao longo do caminho, Ezio terá de contar com a sabedoria de grandes mentores, como Leonardo da Vinci e Nicolau Maquiavel, sabendo que sua sobrevivência depende inteiramente de sua perícia e habilidade. Assim começa uma épica história de poder, vingança e conspiração.


Assassin's Creed realmente me surpreendeu. Tanto pela escrita, quanto pela linha que o livro segue. É o primeiro livro que segue a fama dos jogos para videogames em diversos consoles,  com mesmo nome (Assassin's Creed) e, pelo que investiguei, o primeiro livro não é relativo ao primeiro jogo! Nunca joguei nenhum deles (algo que pretendo mudar em breve, parecem ser muitos legais!) então não me prolongarei muito nisso, me atendo ao livro.

Renascença é o primeiro livro da saga, que já conta com um total de 7 livros lançados (que pode aumentar pois ainda nesse ano talvez tenha um novo game da saga a ser lançado):

- Renascença
- Irmandade
- A Cruzada Secreta
- Revelações
- Renegado
- Bandeira Negra
- Unity

A saga também conta com um mangá: Black Flag: Kakusei.

Se passa durante a Renascença durante o ano de 1476, em Florença, narrado pela perspectiva de Ezio Auditore: o filho do "meio" de uma família banqueira em ascenção na cidade, um novo rico e, por isso, com vários inimigos se espalhando no local. O que jovens florenses de 17 anos faziam nas tardes e noites tediosas em Florença? Armavam gangues e brigavam uns com os outros, é claro! Porém, Ezio se vê em uma briga muito maior que a sua, muito mais antiga que a sua, que remete aos Cavaleiros Templários.

Sua família foi cruelmente desmembrada, o pai e os irmãos assassinados acusados falsamente por traição. Sem saber a razão de tudo isso, ele descobre que a vida de seu pai ia muito mais além da vida de um banqueiro comum da Renascença: ele era um membro integrantes e participante de uma organização chamada de Assassins, pessoas especializadas, assassinos engajados na causa de acabar com a praga Templária do mundo, que se esconde - quem sabe ainda não se esconda? Hein, hein? *conspiracionista de plantão*- por trás de grandes figuras.

Me encantei com a quase total precisão histórica do livro! Sou apaixonada pela história dos Bórgias, por causa do seriado The Borgias, lançado em 2011 pelo canal Showtime nos EUA. A série me levou a estudar mais sobre Rodrigo Bórgia e Lucrécia Bórgia, sua filha (e minha idola, assumo) e me foi delícia demais ler o livro sabendo onde historicamente ele estava! Fora a participação de Rodrigo Bórgia, contamos também com ninguém mais, ninguém menos que... Leonardo Da Vinci! Ele auxilia Ezio em suas descobertas, criando para ele mais aparatos da Ordem dos Assassinos. Aparecem mais nomes famosos, especialmente artistas e filósofos da época.

Uma coisa que me deixou bem intrigada comigo mesma foi que na série os Bórgias, eu não gostava de Cateria Sforza... O livro, no entanto, me deixou animadíssima com as participações dela! E ainda não gosto do cardeal Savonarola...

Para um livro baseado em game, não esperava tanta qualidade. Há ainda certas características típicas, como por exemplo a questão das missões: Ezio chega numa cidade, resolve os problemas de lá e parte para a cidade próxima onde seu objetivo o leva. Isso se repete bastante, mas não torna o livro massante. É bem dinâmico, com cenas precisas e sem cenas desnecessárias e chatas que tornam o livro loooooongo demais.

Gostei muito, me surpreendi bastante e estou ansiosa para passar para o próximo livro!

"...Mas temos em nosso coração o poder da escolha, de escolher o que consideramos ser a verdade, e é o exercício desse poder que nos torna humanos."

Novidades da Cultura - Abril 2015

 

1

Oi gente, tudo bem? Atualmente o blog faz parte do Projeto da Livraria Cultura que reúne mensamente alguns blogs para divulgar as novidades do mês. Em abril temos muitos lançamentos e eventos que movimentaram esse encontro.

Como somos apaixonados por livros, trouxe para vocês os lançamentos quentíssimos do mês!

         36

         27

          45

          28

                                             10

EVENTOS – FORTALEZA/CE.

Para ser direcionado para a página do evento no facebook, é só clicar na imagem abaixo.

14

18

A partir do dia 19/04 até 26/04 acontece a semana ‘'Vire o Disco”, é uma semana voltada totalmente para a música, os apaixonados não podem perder.

E aí? O que mais agradou vocês? Que lançamento  e/ou evento é o favorito de vocês?

Até a próxima!


15.4.15

Dois Garotos se Beijando - David Levithan

 

DOIS_GAROTOS_SE_BEIJANDO_1423523721435340SK1423523721B

Ano: 2015 / Páginas: 224
Idioma: português
Editora: Galera Record

Dois Garotos se Beijando - Baseado em fatos reais e em parte narrado por uma geração que morreu em decorrência da Aids, o livro segue os passos de Harry e Craig, dois jovens de 17 anos que estão prestes a participar de um desafio: 32 horas se beijando para figurar no Livro dos Recordes. Enquanto tentam cumprir sua meta — e quebrar alguns tabus —, os dois chamam a atenção de outros jovens que também precisam lidar com questões universais como amor, identidade e a sensação de pertencer.

 

 

 

É engraçado como alguns livros são capazes de nos surpreender. Eu tinha absoluta certeza que este livro não traria nada de novo, felizmente, não poderia estar mais enganada. Já nas primeiras páginas a magia contida na escrita do David Levithan me prendeu, envolveu e encantou. Esse é o segundo livro que leio desse autor e reforçou a certeza que seus livros precisam ser lidos.

Dois garotos se beijando transporta o leitor para dentro de vidas reais, personagens que são repletos de sentimentos fortes que nos obriga a sentir tudo na mesma proporção. Eu me emocionei em tantos momentos diferentes que terminei a leitura destruída emocionalmente, mas imensamente grata por ter conhecido cada um deles.

Craig e Harry  decidem tentar quebrar o record de beijo mais longo do guinness book, tarefa imensamente complicada, ainda mais quando precisam enfrentar o preconceito por ambos serem garotos. De cara eu pensei que o livro seria sobre dois garotos se beijando e pronto, não achei que iria me deparar com a quantidade de pequenos detalhes e porquês que permeiam as atitudes desse dois rapazes.

Peter e Neil são namorados, suas familias lidam de forma diferentes com a relação do dois e aos poucos temos noção do que essas diferenças significam nos sentimentos de ambos.

Avery e Ryan acabam de se conhecer, é tudo novo e excitante para eles e também para o leitor, acompanhar os sentimentos que surgem e as dificuldades por trás disso. Avery precisa lidar com as mudanças que está passando atualmente, será que Ryan vai entender e aceitar?

Cooper é complicado. De todos os personagens incriveis que conheci, ele foi aquele que mais precisava de ajuda, amor e compreensão. Eu desejei muito poder consolar e ajudar Cooper, grandde parte das lágrimas que derramei foram por ele. ´

Esses são os personagens principais, mas existem muitos outros tão presentes que suas vozes ecoam em cada página. David Levithan conseguiu incluir aqueles que lutaram por igualdade, que morreram por ela, vitimas da ignorância e do preconceito de estranhos e familiares. Pessoas que se ergueram contra tudo isso e possibilitraram um pouco mais de liberdade. Durante a leitura me peguei pensando sobre isso, sobre as pessoas que sofrem com o preconceito, seja ele qual for. Nunca me senti vítima, então só posso imaginar o peso que essas pessoas carregam e o quanto são corajosas em enfrentar o mundo de frente.

Leiam! Leiam! Leiam! Esse é aquele livro que irá lhe marcar durante a vida inteira, você sempre irá lembrar com carinho e emoção. Terá vontade de falar dele para todos e presentear os amigos com ele.  Por isso eu grito a vocês LEIAM, LEIAM, LEIAM…

Livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/livro/435340ED493271


13.4.15

O Pintassilgo - Donna Tartt

119872640_1GG

Um livro premiado com o Pulitzer, aplausos da crítica e recomendação de Stephen King já seria mais do que curioso para conduzir o leitor à obra. Mas o que mais me chamou para a leitura de O Pintassilgo (Companhia das Letras, 721 páginas) foi o saboroso convite da sinopse: “uma hipnotizante história de perda, obsessão e sobrevivência”.

Ainda estou assimilando o mundo de informações e divagações que a autora trouxe com a história de Theo Decker. Demorei mais de um mês para finalizar a leitura e não me senti desafiada a devorar rapidamente o livro, que foi escrito pacientemente (e à mão) durante dez anos por Donna Tartt. Seus dois livros anteriores também foram publicados (com bastante sucesso) com um intervalo de dez anos. Segui a autora. Acho que a narrativa pede uma leitura cuidadosa, sem pressa, mastigada. O drama da vida de Theo o torna ainda mais cativante e talvez nos aproximemos dele com um olhar um tanto piedoso.

O livro tem início eletrizante, Theo (adulto) está apavorado e escondido em um hotel em Amsterdã, tentando decifrar nos jornais holandeses alguma menção à enrascada em que se metera. A partir desse ponto de tensão, começa a narrar sua vida desde a mudança mais cruel e profunda, que desencadeou todo o resto: a perda precoce da mãe, quando tinha 13 anos, em um atentado ao Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque.

“Esta é a primeira pintura que eu realmente amei”, minha mãe estava dizendo. “Você não vai acreditar, mas estava num livro que eu costumava pegar emprestado da biblioteca quando era criança. Sentava no chão do meu quarto e ficava olhando para ela por horas, completamente fascinada. (...) Comecei me apaixonando pelo pássaro, do jeito que se ama um animal de estimação ou algo do tipo, e terminei me apaixonando pela forma como foi pintado.”

No momento seguinte, o Theo menino sobrevive à explosão no museu. Há muitas vítimas sob os escombros e ele consegue sair levando a tela ‘O Pintassilgo’, obra de 1654 do pintor holandês Carel Fabritius. Órfão de mãe e rejeitado pelo pai irresponsável, Theo vai viver na fria e rica casa de um amigo. Um dia o pai aparece e o leva para Las Vegas, outra mudança decisiva na vida do garoto. Ele se agarra à pintura como um elo que o liga à mãe, que era fã da obra. O quando mostra um pássaro acorrentado, tal como Theo se prende ao passado, impedido ao voo pela culpa: não fosse a reunião na escola (por um ato de indisciplina), não estariam no museu e ela não teria morrido.

"Como alguém podia sentir tanta saudade de uma pessoa como eu sentia da minha mãe? Sentia tanto a falta dela que queria morrer: um anseio forte e físico, como uma falta de ar debaixo d'água. (...) há apenas três dias ela estava viva, há quatro dias, há uma semana. Na minha mente, ficava repassando todas as refeições que tínhamos feito nos dias que antecederam sua morte (...)."

Para melhor compreensão do leitor, separo a narrativa em dois tempos marcantes: a atribulada adolescência de Theo e sua vida adulta, no momento atual em que nos conta a história, aos 27 anos. O Theo homem, na segunda parte do livro, trabalha como antiquário em NY e acaba por se envolver numa confusão sem tamanho por conta da tela e de algumas falsificações, fato que poderá prejudicar alguém muito querido: o velho e simpático Hobie.

Os personagens secundários são muito importantes e contribuem de forma definitiva tanto para o caos como para a ‘salvação’ de Theo: a breve passagem da mãe carinhosa e amante das artes; o pai alcoólatra e ausente; Hobie, o verdadeiro amigo, referência masculina (e paternal) importantíssima, que ensina a Theo a arte da restauração; Boris, o amigo que é o anti-herói da trama: malicioso e vítima da desestruturação familiar como Theo, com ele divide as dificuldades da adolescência em meio a pequenos furtos, vodka e drogas. E Pippa, a eterna paixão, também sobrevivente da explosão no museu, que se torna uma grande amiga.

"Por anos Pippa tinha sido a primeira coisa que eu lembrava ao acordar, a última coisa que atravessava a minha mente quando ia dormir, e durante o dia ela me vinha de forma intrusiva, obsessiva, sempre com um choque doloroso (...)"

Theo é o herói trágico, que por definição sabe que a derrocada é conseqüência de um erro seu, não tem outra saída a não ser confrontar seus medos, mas também sofre impiedosamente. A culpa que Theo carrega é a fonte maior do sofrimento. Nas palavras de Aristóteles: “uma pessoa nem perfeita em virtude e justiça, nem que caiu em desgraça devido ao vício e a depravação, mas que sucumbiu por força de algum erro de cálculo”. Ele convive, como nós, o tempo todo, com as escolhas e suas irremediáveis consequências.

"Continuava sendo um choque toda vez que eu lembrava que ela se fora, um novo tapa na cara. Cada novo evento - tudo o que fizesse pelo resto da minha vida - ia apenas nos separar mais e mais: dias dos quais ela não fizera parte, uma distância cada vez maior entre nós. A cada novo dia, pelo resto da minha vida, minha mãe ficaria mais longe."

Seguindo a vida empurrado pelas tormentas que encontra pelo caminho, Theo é um cara passivo, só reagindo aos estímulos, quase nunca sujeito das mudanças. Eu disse quase nunca porque Theo cresce, mas permanece agarrado à imaturidade. Apesar do enorme carinho que senti pelo personagem (acho que meu lado maternal foi decisivo aqui), não o vejo amadurecido, parece justificar suas desarmonias com o comportamento autodestrutivo. A morte da mãe e a saudade pungente é uma lembrança recorrente ao longo da obra.

"(...) a primavera em Nova York sempre foi uma época envenenada para mim, um eco sazonal da morte da minha mãe soprando com os narcisos, árvores floridas e salpicos de sangue (...)"

Há momentos onde a coisa fica morna e quando menos esperamos um clímax salva a situação. Mas o fato é que alguns pedaços da vida de Theo, especialmente em Las Vegas na companhia de Boris, em que as repetições do ciclo ‘garotos chapados - garotos de ressaca – garotos comendo sobras de jantar’ desanimam o leitor. Esse entorpecimento é uma fuga para o desamparo de ambos, a saída para tanta desesperança e solidão. É um longo pedaço da trama que se distancia do impacto inicial e da agilidade que virá a seguir.

As últimas páginas antes do desfecho (sem querer soltar spoilers) fecham o momento que abre o livro, aí sim, explicando por que Theo está em Amsterdam, alucinado e febril. A sequência no estacionamento é digna de um policial de primeira, tensão à flor da pele, perdi o ar! Ao final, a bela reflexão de Theo sobre sua vida até ali, num tom confessional onde apreendemos a fragilidade – já conhecida - do personagem, por sua própria voz. Achei uma boa sacada da autora, deu a Theo uma espécie de autoperdão e ao leitor a possibilidade de ser indulgente com a vida-louca-vida do rapaz.

Numa narrativa tão extensa, que mostra o crescimento do protagonista e seus infortúnios, é claro que fiquei me perguntando como seria a vida de Theo se não tivesse ficado órfão. Era excelente aluno, tinha o carinho e a presença estimulante da mãe quando se viu perdido, extremamente só. Depois, ainda que abrigado na casa dos Barbour, permaneceu desamparado, salvo somente pelo maravilhoso encontro com Hobie. Perdeu-se mais uma vez na amizade com Boris, outro abandonado pelo pai. Conheceu o declínio dia após dia, as drogas, a fuga dos problemas e as encrencas pela falta de uma mão para guiá-lo, de um olhar responsável. Há momentos assim, deprimentes, mas há também reviravoltas e picos de tensão alimentados pela tela famosa escondida, procurada pela polícia. O medo tira o sono do nosso protagonista. E há Pippa, que inquieta Theo e o faz suspirar e sonhar:

"Mesa minúscula. Meu joelho contra o dela. Será que Pippa estava ciente disso? (...) Tudo resplandecia, tudo era doce. (...) E ali estava ela! Ela! (...) E, uau, havia anos ela não me via tão bem, tinha sentido saudade de mim, muita saudade, que noite incrível. (...) Eu me sentia uma pessoa diferente na companhia dela, uma pessoa melhor, (...) e era um prazer supremo estar com ela, eu a amei durante cada minuto de cada dia, coração, mente, alma e tudo o mais, e estava ficando tarde e eu queria que o lugar não fechasse nunca, nunca."

A escrita de Tartt é muito elegante, o texto é polido, o tempo todo ela nos lança um desafio: continuarmos firmes, ainda que a narrativa se estenda pela quantidade de descrições e detalhes, para logo em seguida sacudir o final de um capítulo com um gancho instigante para o próximo.

O cerne do livro é o amadurecimento de Theo e o encadeamento de erros e acertos de um personagem em luto permanente, metido numa enrascada sem tamanho por conta da posse ilegal d’O Pintassilgo. A jornada do protagonista justifica o calhamaço de mais de 700 páginas, com os altos e baixos da vida tal qual a realidade. Para isso, a autora usa da imprevisibilidade do enredo, piruetas emocionantes entremeando os momentos de torpor do rapaz. Não temos como definir o gênero do livro, que tem muito de drama psicológico, mas também é extremamente rico em informações sobre o mercado e o tráfico de artes, tem ingredientes de um bom suspense e cenas policiais de tirar o fôlego.

Acredito que seja um livro para leitores que apreciem um romance de formação de desenrolar lento, com exploração da banalidade cotidiana, mas que sabe sacudir o ritmo de repente, imprimindo uma velocidade angustiante característica dos thrillers, em cenas alucinantes. Sobretudo para quem gosta de desfrutar da companhia de um personagem psicologicamente abalado, mas que quer se redimir e cicatrizar as feridas.

Curiosidade: um acidente também marcou a trajetória do pintor d’O Pintassilgo (sim, a obra existe): Carel Fabritius morreu aos 32 anos após a explosão de um armazém de pólvora, que queimou várias de suas obras, restando poucas – dentre elas, o quadro do livro. Ele pode ser visto no museu Mauritshuis, em Haia (Holanda), tem sido bem procurado pelos fãs do livro e ganhou lugar de destaque graças ao sucesso de Donna Tartt.

Carel_Fabritius_002

Na lista de best-sellers do New York Times, o livro vendeu mais de 1,5 milhão de exemplares, foi publicado em várias línguas e vai estrear na telona – mal posso esperar!

Classificação: 5 estrelas

Link do livro no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/394765ED446833

Link do Museu com a tela O Pintassilgo: https://www.mauritshuis.nl/nl-nl/verdiep/de-collectie/zoeken-in-de-collectie//?query=fabritius&category=collectie

10431528_457140047755038_7827353751796892210_n_thumb[4]_thumb[1]

 

Resenha escrita por Manuh Hitz, colabora do blog.

Meu link do Skoob: http://www.skoob.com.br/usuario/596865


10.4.15

Por lugares Incríveis - Jennifer Niven

 

2

Edição: 1
Editora: Seguinte
Ano: 2015
Páginas: 336
Autora: Jennifer Niven

***

Imagine encontrar alguém que será fazer parte de sua vida, alguém importante, em um parapeito de um sino no colégio? No mínimo inusitado.

“Bem devagar, ela vira a cabeça na minha direção, e eu percebo que a conheço, que já a vi pelos corredores. Não resisto e pergunto:

- Vem sempre aqui? Porque esse lugar é como se fosse a minha casa, e não me lembro de ter visto você aqui.” Página 13

É assim que Violet e Fich se encontram. A popular e o esquisito. Uma combinação nada aceitável por aqueles que só pensam em status. Depois desse encontro inesperado, os dois acabam por fazer dupla para um trabalho de geografia: andar por Indiana, conhecer os lugares de seu estado.

image

O livro se alterna na visão de Violet e Fich. A gente acaba por conhecer as nuanças de cada um. Do por quê eles estavam no parapeito e que segredos cada um esconde. Violet é típica garota boa moça que todos adoram, que nunca faz nada de errado. Até que um dia uma tragédia a atinge. Ela se vê perdida em dor e angústia, e nada pode ajudá-la a tirar os sentimentos que tanto a afligem.

Fich é uma incógnita. Um belo ponto de interrogação bem grande. Em muitos momentos, mesmo lendo a própria versão dele, eu me sentia perdida. Ele sempre precisava estar inserido em um personagem, a cada momento ele precisava ter a segurança de quê não seria rotulado. Para ele as pessoas não precisavam ser resumidas a um único fator determinante. Fich é um rapaz complicado, realmente estranho. Até que você entende de onde tudo isso vem. Eu fiquei muito apaixonada por esse personagem, não de forma romântica, mas de forma maternal. Um personagem que merecia colo e carinho constante. Por vezes me peguei sorrindo. Fich é realmente um personagem incomum. Cheio de sacadas filosóficas. Ele sabe tudo e muito mais. Poesia faz parte da vida dele.  Alguns encontrados no livro:

“O amor é o grande manifesto; a urgência de ser, de ter alguma importância, e se a morte vier, morrer com valentia – em suma, permanecer na memória.” Poeta italiano Cesare Pavese.

“Meu amado barco

espatifou-se nas pedras da rotina.

Acertei as contas com a vida

e é inútil continuar contando

dores sofridas em mãos alheias.

As desgraças

e os insultos.

Sorte aos que ficam.”

Poeta da Revolução Russa Vladimir Maiakóvski.

Fich ficará em um lugar especial em meu coração, um dos meus personagens favoritos com toda certeza.

Notaram que não tem sinopse do livro aqui no post? Não quis colocar. Para você que não leu a sinopse, recomendo que não leia. Eu, particularmente, não li a sinopse por inteira do skoob, então eu apenas sabia que o livro se tratava de perda e sofrimento. O livro foi uma grata surpresa para mim.

A história é intensa e sensível. O final irá despedaçar seu coração, assim como o meu foi despedaçado. Se você curte livros que falem da vida, da morte, do modo como às pessoas são e não como os outros querem que elas sejam, então esse livro é para você. Livro mais que recomendado.

[...] o mundo quebra a cada um deles e eles ficam mais fortes nos lugares quebrados. - Ernest Hemingway

***

Filme a caminho!!! :D

Já é certo que terá adaptação para o cinema. O livro nem tinha sido lançado e os direitos para o filme já tinham sido comprados. Já temos a atriz escolhida para interpretar Violet: Elle Fanning. Jennifer comentou que enquanto escrevia o livro, ela já imaginava Elle como Violet.

image

Agora falta escolher um Fich a altura. Eu acredito que o ator Keegan Allen possa fazer muito bem o personagem.

image

Espero gostar e me emocionar com filme. Que seja o filme mais próximo possível ao livro, que não tire sua essência. ;)

0

Crislane Barbosa

http://www.skoob.com.br/usuario/368409