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30.4.15

O Menino dos Fantoches de Varsóvia - Eva Weaver


Mesmo diante de uma vida extremamente difícil, há esperança. E às vezes essa esperança vem na forma de um garotinho, armado com uma trupe de marionetes – um príncipe, uma menina, um bobo da corte, um crocodilo...
O avô de Mika morreu no gueto de Varsóvia, e o menino herdou não apenas o seu grande casaco, mas também um tesouro cheio de segredos. Em um bolso meio escondido, ele encontra uma cabeça de papel machê, um retalho... o príncipe. E um teatro de marionetes seria uma maneira incrível de alegrar o primo que acabou de perder o pai, o menininho que está doente, os vizinhos que moram em um quartinho apertado.
Logo o gueto inteiro só fala do mestre das marionetes – até chegar o dia em que Mika é parado por um oficial alemão e empurrado para uma vida obscura.
Esta é uma história sobre sobrevivência. Uma jornada épica, que atravessa continentes e gerações, de Varsóvia à Sibéria, e duas vidas que se entrelaçam em meio ao caos da guerra. Porque mesmo em tempo de guerra existe esperança.

Quando a Segunda Guerra Mundial chegou, a vida de Mika foi, aos poucos, deixando de ser dele. Primeiro lhe tiraram o direito de ir à escola, depois foi embora o direito de andar na calçada, então lhe foi imposto que nem nas ruas da cidade ele poderia mais andar: fizeram um gueto só pra eles - a partir dali, os judeus, a fome e a morte viveriam lado a lado.               
                                                                                                                                                
"O que aconteceu conosco, com nossa bela cidade? As pessoas definhavam bem diante de nossos olhos, cadáveres vivos encostados em paredes ou simplesmente jogados no chão enquanto os passantes tentavam ignorar aquela situação."
                                                                                                                                                
Foram dias difíceis naquele pequeno apartamento do gueto: o que jantaremos? será que sobreviveremos até o fim do dia? Com o apoio de sua mãe e de seu avô, Mika tentava não ceder à insanidade. Quando seu avô Tatus faleceu, Mika teve acesso ao pequeno tesouro que havia sido guardado a sete chaves até então: o casaco e seus inúmeros bolsos misteriosos. Dentro de cada bolso, uma surpresa; a cada duas surpresas, um fantoche.

A cada dia, Mika se isolava mais, passando horas e horas apenas na companhia dos fantoches, os únicos que pareciam entender sua tristeza e sua revolta. Como se o destino tentasse aplacar a solidão o assolava nessa época, chegaram novos moradores na casa: uma família de estranhos que pediu refúgio e Cara - tia de Mika -, juntamente com Ellie e Paul, seus dois filhos.

Mika conseguiu manter seus fantoches em segredo por pouco tempo; sua paixão por Ellie fez com que ele abrisse seu mundo e a convidasse para entrar. Aos poucos, todos do gueto foram conhecendo as belas histórias que Mika e Ellie produziam com seus fantoches: os moradores da casa, as criancinhas do orfanato, os vizinhos e, até mesmo, os soldados alemães. Num golpe de azar, Mika acabou sendo descoberto por Max, um soldado alemão, e, a partir deste dia, passou a fazer apresentações semanais aos "ratos", como ele os chamava.
                                                                                                                       
"Assim eram os dias de Mika, o menino dos fantoches do gueto, quando ninguém, a não ser Ellie, sabia sobre a minha vida dupla: Mika divertia as crianças e, ao mesmo tempo, alimentava o monstro que devoraria todas elas."

A rotina seguia assim, até que... começaram as deportações. Os judeus eram colocados em caminhões e levados a estação de trem; oNo fundo, todo sabiam qual destino os aguardava. Desde então, as pessoas dormiam e acordavam com medo. A cada dia, uma novidade pronta para exterminar os judeus de uma só vez. Mas Mika era resistência. Ellie era resistência. Eles iriam resistir, só não sabiam até quando. 

E assim continua o livro. Uma reviravolta atrás da outra (você não consegue nem ter ideia do que pode acontecer na página seguinte!), uma marcante luta de sobrevivência que nos mostra o que a humanidade pode fazer contra si mesma. Mas nem só de barbaridades é composta a trama. Durante a leitura, me deparei com inúmeros personagens altruístas que davam um exemplo de humanidade. E qual não foi minha surpresa ao descobrir que muitos desses personagens realmente existiram?! Um grande exemplo é Janusz, o diretor do orfanato que ganhou salvo conduto durante as deportações mas decidiu acompanhar suas crianças até o fim, mesmo sabendo que o fim era a morte.

Esse é o lado de Mika da história. Mas e Max? O que aconteceu com o soldado alemão que acompanhou Mika diariamente até a base militar, que contrabandeou remédios para as crianças do orfanato, que permeava Mika de desconfiança (afinal, ninguém sabia se Max era um homem ou um rato)? O livro também nos conta o que aconteceu com Max e como, anos depois, o destino volta a cruzar a história do homem/rato com a do menino.
                                                                                                                   
"Max parou diante de um pequeno altar cheio de velas acesas e tremeluzentes.  - As pessoas as acendem para os mortos, como você sabe - ele explicou ao príncipe. - Mas quantas velas nós precisaríamos acender?"

Os detalhes encontrados durante a leitura fizeram eu me perguntar várias vezes se aquilo era mesmo ficção; não é possível que alguém descreva tão bem um local ou uma situação sem ter estado lá de corpo e alma! A autora fez um belo trabalho transformando anos de estudo sobre a Segunda Grande Guerra em uma bela história de amor e sobrevivência.

A história não tem um clímax propriamente dito (adoro quando os autores fazem isso!). A cada momento, você se vê diante de uma nova situação em que o desfecho é totalmente inesperado. Fugas, revoltas, explosões, mortes, beijos, despedidas. Tudo isso torna esse livro um daqueles que você quer ler de uma vez só, sem parada para descansar. 

O Menino dos Fantoches de Varsóvia é o tipo de livro que vai deixar você com um aperto no peito depois de ler a última página.  Assim como os outros dois livros já lidos por mim que tem guerras como tema - A Menina que Roubava Livros e O Diário de Anne Frank -, esse virou um dos meus favoritos; espero que você goste tanto quanto eu. Boa leitura!

Edição: 1ª edição
Editora: Novo Conceito
Páginas: 396
ISBN: 978-85-8163-417-3

27.4.15

Uma história de amor e TOC - Corey Ann Haydu

Capa Comum: 320 páginas
Autora: Corey Ann Haydu
Editora: Galera Record
Idioma: Português

Sinopse:

Bea foi diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo. De uns tempos pra cá, desenvolveu algumas manias que podem se tornar bem graves quando se trata de... garotos! Ela jura que está melhorando, que está tudo sob controle. Até começar a se apaixonar por Beck, um menino que também tem TOC. Enquanto ele lava as mãos oito vezes depois de beijá-la, ela persegue outro cara nos intervalos dos encontros. Mas eles sabem que são a única esperança um do outro. Afinal, se existem tantos casais complicados por aí, por que as coisas não dariam certo para um casal obsessivo-compulsivo? No fundo, esta é só mais uma história de amor... e TOC.



A história inicia no momento em que Bea vai a uma festa em Smith Latin Boys Academy e repentinamente falta energia. No meio de todo o tumulto que se forma ela encontra um rapaz chamado Beck que está tendo um ataque de pânico. Ela tenta auxilia-lo e acaba o beijando fazendo com que ele saia correndo, talvez com mais medo dela do que do próprio escuro. No decorrer da história ela acaba por encontra-lo novamente na sua turma de terapia de grupo. Bea sente-se atraída por ele, um rapaz forte com músculos conseguidos por sua compulsão de passar horas a fio na academia. A única coisa que mancha sua bela aparência são as mãos rachadas por conta das lavagens constantes... Uma história de amor e TOC é uma encantadora história de amor. Bea e Beck um casal nada funcional acabam por se unir e trazem conforto e amparo um ao outro.

Corey Haydu mostra em seu romance de estreia como compulsões como as de Bea podem controlar seus pensamentos e como eles podem estabelecer a maneira como a pessoa enxerga as coisas ao seu redor. A autora nos transporta para dentro da mente de Bea, e você sofre com todos os conflitos internos, a profunda ansiedade, a obsessão excessiva, o constrangimento e a percepção meticulosa de tudo que realiza. A compulsão de Bea se torna incontestável desde o início da história quando ela mostra sua obsessão em um casal em crise que tem sessões de terapia antes dela, suas aflições quando ela não realiza o que suas compulsões a encorajam a fazer, o castigo imposto a sua coxa através dos inúmeros beliscões que ela efetua numa tentativa de se acalmar.


Uma história de amor e TOC é um romance original, íntimo e verdadeiro e absolutamente um livro complexo de ler. Embora haja manifestações compulsões ou níveis variáveis do Transtorno Obsessivo Compulsivo, e a autora não tenha explorado de forma profunda o tema, este romance encoraja a um maior entendimento e compreensão emocional por todos aqueles que convivem com doenças mentais.

Foi uma montanha russa emocional ler esse livro e recomendo a todos! A capa é belíssima, a diagramação simples e a fonte maravilhosa!