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22.5.15

Valores para viver: Inspirações para refletir

"Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."



Organização: Márcio Vassalo e Maria Isabel Borja

Editora: Guarda-Chuva

Ano: 2005
Descrição: Uma reflexão sobre valores em crise no mundo moderno, proposta por uma série de textos, entre contos, crônicas e poesias, e também através de relatos de experiências pessoais.


Em Valores para viver, livro de estréia da editora Guarda-Chuva, estão reunidos 40 textos de autores consagrados e de novos talentos da literatura. A esses textos unem-se 10 relatos de experiências de pessoas das mais diversas áreas, inspirando a reflexão sobre 10 valores universais em crise no mundo moderno: humildade, amor, fé, coragem, gratidão, amizade, honestidade, lealdade, delicadeza e perseverança.



Acho que não tem uma maneira melhor de estrear em um ramo. A Editora Guarda-Chuva mostrou uma sensibilidade imensa ao aceitar publicar essa maravilhosa seleção de contos, experiências, vivências, relatos, crônicas... Foi uma estréia estonteante e maravilhosa desde a introdução, que já te faz pegar esse livro e querer transformá-lo em seu melhor amigo.

Há muitos autores novos, muitos antigos... Admito que nunca li muito dos mais antigos, como Mario Quintana e coisas esparsas de Carlos Drummond. E o pouco que existe deles no livro muito te faz refletir.

Pelo título do livro, alguns podem até pensar que é autoajuda, mas não se deixem enganar. São palavras doces que qualquer um de nós precisamos parar e refletir às vezes, especialmente aqueles sobre a perseverança, gentileza... Fiquei com lágrimas nos olhos ao terminar um ou outro conto e quis fazer minha família ler também, porque coisa boa é para compartilhar. Todos precisamos de um toque de coragem, um pouco de humildade...

Esse é um livro que você deve sempre deixar em sua cabeceira, quando estiver precisando de uma palavra sobre alguma questão, pode consultá-lo: ele vai te aconselhar bem. Ele vai além do que são valores, ele passa pela ética e moral, em direção à construção de caráter. O escolhi para ler no intuito de usá-lo para meu trabalho, mas acabei usando-o para mim mesma e o levarei comigo para todo canto, uma vez que suas estórias (e histórias) servem para toda nossa vida.
10 pontos para os organizadores do livro!


20.5.15

Vermelho como o sangue - Salla Simukka

A maneira mais fácil de não ter problemas na vida é se intrometer o mínimo possível.


Título Original: As red as blood
Autora: Salla Simukka
Editora: Novo Conceito
Sinopse: No congelante inverno do Ártico, Lumikki Andersson encontra uma incrível quantidade de notas manchadas de vermelho, ainda úmidas, penduradas para secar no laboratório de fotografia da escola. Cédulas respingadas de sangue.
Aos 17 anos, Lumikki vive sozinha, longe de seus pais e do passado que deixou para trás. Em uma conceituada escola de arte, ela se concentra nos estudos, alheia aos flashes, à fofoca e às festinhas dominadas pelos garotos e garotas perfeitos.
Depois que se envolve sem querer no caso das cédulas sujas de sangue, Lumikki é arrastada por um turbilhão de eventos. Eventos que se mostram cada vez mais ameaçadores quando as provas apontam para policiais corruptos e para um traficante perigoso, conhecido pela brutalidade com que conduz os seus negócios.
Lumikki perde o controle sobre o mundo em que vive e descobre que esteve cega diante das forças que a puxavam para o fundo. Ela descobre também que o tempo está se esgotando. Quando o sangue mancha a neve, talvez seja tarde demais para salvar seus amigos. Ou a si mesma.

É um livro que se lê rápido e distrai. Sim, eu to começando assim mesmo porque tô tentando passar o que senti lendo esse livro. Sei que é adolescente, que está fazendo sucesso... Mas talvez seja apenas pela agitação constante e exagerada da história, que foi chamada de releitura do conto de Branca de Neve. Por isso me interessou, sou viciada nos contos de fadas, como já mencionei aqui então tento ler tudo o que é associado a eles.

Assumo que eu, Priscila, me decepcionei, pois não vi nada de Branca de Neve.

Lumikki Andersson é uma adolescente de 17 anos cujos pais deram a ela o nome de Branca de Neve (em finlândes fica isso aí, aparentemente) e que lhe deram a permissão de morar sozinha para cursar o ensino médio em outra cidade. A jovem é uma adolescente apática: sua kitnet não tem nenhuma decoração, não mostra nenhum estilo em particular a não ser a total ausência dele. É uma menina desconfiada: não usa nada que lhe dê algum cheiro, não usa roupas que chamam atenção. Não tem amizades nem inimizades, é alguém de presença indiferente na vida dos outros, assim como a presença dos outros lhe é indiferente (a não ser as moças que usam perfumes... essas ela não gosta nenhum pouco!). Analisa todas as situações pelas quais passa, sendo uma pessoa diferente em cada uma delas. No decorrer da história, eu decidi que a menina é uma camaleoa: expert em disfarces.

A história é policial: ela, em sua fuga do meio das pessoas, vai meditar na sala de fotografia da escola antes da aula e descobre penduradas um bom montante de euros pendurados para secar... E sai, pensando no que fazer. Denunciar pro diretor, chamar a polícia... Fica viajando olhando pela janela a neve lá fora... Quando decide dar mais uma olhadinha e vê um colega desabalado vindo da direção da sala de fotografia com uma mochila que não é o estilo dele. Ela junta um mais um e o segue... Esse é o início de sua aventura.

Ela tem... Lemas que ela segue, como aquele que coloquei lá em cima. Lemas para lhe manterem longe de problemas e ela quebra todos, se enfiando de cabeça nessa história do dinheiro e sua origem. É uma jovem durona, admito... Pelo que foi explicado, ela tem esse comportamento por Bullying sofrido durante todo o ensino fundamental, até que ela encarou suas agressoras de frente.

Lumikki segue traficantes, policiais, vai a uma festa black tie de pessoas poderosas do crime... E sempre, sempre passa despercebida. É uma mestre dos magos, minha gente! O estilo da história me lembrou um pouco - tá, muito - a saga Milleniumm e sua protagonista Lisbeth Salander. Mas achei bem exagerado todas as qualidades investigativas de Lumikki em uma adolescente que nunca teve nenhum aprendizado em especial a não ser o que aprendera para se esquivar do Bullying.

É um livro rápido, de escrita simples... Pode agradar a várias pessoas por ser policial investigativo. Não tem muitas reviravoltas, mas distrai um pouco. O li em 24 horas por querer saber como terminava - e também para terminar logo, admito.

O livro vem com um marca páginas legal, cujo verso é espelhado e um folheto falando dos outros livros de Salla Simukka.
O livro foi traduzido para diversos outros países. Na Finlândia, a capa do livro é a mesma que do Brasil.

18.5.15

Pequena Abelha - Chris Cleave

Título Original: The Other Hand ou Little Bee
Autor: Chris Cleave
Editora: Intrínseca
Sinopse: Essa é a história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico. Então, uma delas precisa tomar uma decisão terrível, daquelas que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa… Depois de ler esse livro, você vai querer comentá-lo com seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como essa narrativa se desenrola.
Pequena Abelha foi um livro difícil para mim, ler. Isso é raro, muito raro... Porque, vejam, eu sou viciada em leitura, lia para a minha vó quando em minha infância dividíamos o mesmo quarto, quando tudo o que eu lia eram apenas gibis da Turma da Mônica. Comecei a ler livros, meu primeiro livro sem figuras, aos 9 anos de idade, Corda Bamba. E foi um livro triste. Não me lembro de como terminou a história, mas nenhuma menina devia ver seus pais morrerem. Mas eu o li. Assim como li Pequena Abelha.

Deixe-me explicar... É uma leitura maravilhosa. É uma viagem a mundo que sabemos que existe, mas não é problema nosso. Assim como não é problema nosso o que acontece nas favelas do Rio de Janeiro, se não moramos lá. Não é nosso problemas os mortos do Paquistão, se não moramos lá. Não é nosso problema se um navio com 450 refugiados afundou no oceano essa semana (a de 20 de abril de 2015) e mais um há não muitos dias atrás.

É uma viagem a prioridades, a como uma vida comum nossa é diferente de uma vida comum de qualquer outra pessoa que não viva nas mesmas condições que nós, que encontra ainda razões para sorrir e ainda sorri, pois acredita que se não o fizer, estará com um problema ainda maior. Como duas pessoas tão destruídas podem se unir em torno de uma única situação... De uma única pessoa. Duas pessoas tão improváveis de fazerem parte uma da vida da outra que você tem certeza que, se um dia se reunissem, algo incrível brotaria dali.

Eu sofri lendo este livro, me fragilizou enormemente e não tinha onde me agarrar para me salvar. Quis chorar, foi emocionalmente pesado para mim. Não esperava ter a história que li, ter motivos pra sorrir... Quando começa o livro, já na primeira página, você se apaixona pela Pequena Abelha. Você mergulha nos pensamentos da jovem, vê que muitas de suas colocações estão corretas... E concorda com ela, mesmo sabendo que isso vai lhe fazer chorar. Tenho medo de transcrever passagens do livro e estragar tudo o que você possa aprender com ele, então vou ser egoísta e guardar tudo para mim. E deixar que você descubra nas páginas de Pequena Abelha grandes histórias que você poderá contar... A um diário, ou coisa assim, pois não estrague a surpresa do livro para outra pessoa.
Lembre-se apenas de não julgar nada do que ler no começo. Nada do que pensar irá te preparar para o que vem em seguida, nada mesmo. Abandone seus conceitos e julgamentos, prometa a si mesma(o) isso. Vai te fazer aproveitar o livro como uma criança que está aprendendo a ler o mundo em poucas palavras.

Chris Cleave é brilhante, brinca com suas emoções a cada página... É autor tambpem de Menina de Ouro. Li que há a intenção de adaptar o livro para o cinema, mas não foi levado adiante até os dias atuais, desde 2011.

Pequena Abelha é um livro que, ao terminar de ler, você quer contar sobre ele a todos que conhecem... Mas acredita que isso quebraria o maior segredo, então guarda apenas para si, remoendo em suas memória cada pequena coisinha que aprendeu.