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27.11.15

O Vilarejo – Raphael Montes

o vilarejo

Edição: 1
Editora: Suma de Letras
Ano: 2015
Páginas: 96
Autora: Raphael Montes

Sinopse: Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome.
As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.

***

Comecei a leitura sem expectativas. Não sabia o que exatamente encontrar nesse livro, já que eu não li seu trabalho anterior, o livro Dias Perfeitos.

O horror do livro não vem de nada que seja sobrenatural. Nós temos esse horror em nós e Raphael acaba por utilizar cada um deles de modo extraordinário. Mostra nossa parte da natureza mesquinha e cruel.

O Vilarejo é contado em sete contos. Em cada um, um pecado capital é abordado: gula, inveja, soberba, luxúria, preguiça, ganância e ira. Supostamente, o padre e demonologista, Peter Binsfeld, teria escrito cada conto, em 1589, relacionando cada pecado capital a cada um dos Setes Reis do Inferno, demônios. Eles eram responsáveis por invocar o seu pecado em cada ser humano, semeando a degradação e corrupção do ser. Todos os personagens vão se envolvendo com um deles e a partir daí a natureza egoísta toma conta.

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Os contos são curtos e rápidos. Porém isso não interfere em nada na compreensão de cada um. Os personagens são todos do mesmo vilarejo, então algum personagem de um conto pode aparecer em outro. Os contos não estão em ordem cronológica o que não interfere no seu entendimento e permite que possa ser lido em qualquer ordem. No entanto, recomendo que o primeiro e o sétimo contos sejam lidos na ordem estabelecida pelo autor. O impacto será maior...

As imagens foram feitas por Marcelo Damm. Cada traço trás vida a um acontecimentos do horror descrito. As imagens ficaram muito bem feitas. Elas nos trazem a sensação de ser um expectador de cada acontecimento.

Na primeira parte do livro temos o prefácio, ele nos relata como esses contos chegaram às mãos do autor. Foi ali que Raphael Montes me conquistou. Ele foi bastante persistente em identificar a língua no qual os contos foram escritos. A língua desconhecida seria o cimério, uma língua morta há anos. Persistiu até conseguir traduzir os contos. Raphael se apresenta apenas como um mero tradutor dos contos.

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O autor me conquistou e me enrolou. Fui lendo e acreditando de verdade que os contos relatados realmente aconteceram, ou no mínimo chegaram perto de ser reais. E eu me senti boba por ter sido enganada. Boba, mas satisfeita. A sensação de prazer foi intensa. Incrível como ele me levou a envolver na leitura e me fazer acreditar em cada palavra descrita.

Se eu recomendo? Claro que sim. Leia e se delicie. Ou choque-se.

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crislane

Crislane Barbosa

http://www.skoob.com.br/usuario/368409


25.11.15

Ardente ⁄ Em chamas - Sylvia Day

Ardente Em chamas
Capa comum: 216 páginas
Autora: Sylvia Day
Editora: Companhia das Letras (7 de abril de 2015)
Idioma: Português

Sinopse:


Nunca misture trabalho com prazer. Nunca fale de política dentro do quarto. De certa forma, no momento em que me tornei amante de Jackson Rutledge, fiz exatamente essas duas coisas. E não posso dizer que foi por falta de aviso. 
Dois anos depois, ele voltou. Mas eu não era mais a garotinha que ele havia conhecido, ao passo que ele não mudara nada. Ao contrário da última vez em que nos esbarramos, eu sabia exatamente com quem estava lidando… e quão viciante seu toque poderia ser. Só que desta vez eu conhecia as regras do jogo. No ambiente competitivo e impiedoso do mundo dos negócios, há uma regra que vale para todo mundo: mantenha seus inimigos por perto, e seus ex-amantes mais perto ainda…





Uma leitura rápida e fluída – era tudo que eu precisava para um fim de tarde e Ardente Em chamas foi com certeza uma excelente opção. A escrita da aclamada diva Sylvia Day é de fato contaminante, você tenta parar de ler, porém simplesmente não consegue, além de ser muito erótica e fascinante. Assim, mais uma vez a danada conseguiu me tornar cativa e apaixonada por mais um herói maravilhosamente sedutor, lindo e gostosamente imperfeito.

A devastadora paixão e fagulhas corporais da proeminente atração entre Jax e Gia correram soltas página a fora e sinceramente eu queria que o livro de fim de tarde tivesse umas páginas a mais.


A história além do forte apelo sexual mostra que todos merecemos uma segunda chance mesmo que o término seja doloroso e inevitável. Que é sempre importante pararmos para expor nossos sentimentos e reavaliar os verdadeiros motivos que ás vezes nos transportam para longe de nossas vontades e desejos. Nossos protagonistas tinham se afastado há quase dois anos atrás, mas quando se reencontraram tudo reacendeu de forma escaldante como a paixão, a luxúria e claro, velhos ressentimentos.


Gia foi uma heroína maravilhosa, gostei bastante da personagem criada pela Sylvia Day. Dona de uma personalidade forte era uma mulher independente, que lutava pelo que queria e para Gia, não era uma opção suportar novamente o mesmo sofrimento a que Jax lhe impusera há tempos atrás, não importando seus palpáveis sentimentos e o clamor do seu corpo toda vez que o via.


Jax mais uma vez foi o sonho de qualquer mulher: viril, sedutor, lindo de morrer e quente como o inferno. Apesar do fato dele ter destruído o pobre coração de Gia torci muito para que ele pudesse ter a chance de reconquistá-la.


Embora o livro soe clichê, fiquei com gostinho de quero mais. Não é um livro para aqueles críticos chatos que ficam de plantão só esperando para alfinetar meus queridos livros hots, mas um livro para descontrair, suspirar e torcer por um final feliz!




24.11.15

A Irmandade Perdida - Anne Fortier




Título Original: The Lost Sisterhood
Autora: Anne Fortier
Editora: Arqueiro
Sinopse: Diana Morgan é professora da renomada Universidade de Oxford. Especialista em mitologia grega, tem verdadeira obsessão pelo assunto desde a infância, quando sua excêntrica avó alegou ser uma amazona – e desapareceu sem deixar vestígios. 

No mundo acadêmico, a fixação de Diana pelas amazonas é motivo de piada, porém ela acaba recebendo uma oferta irrecusável de uma misteriosa instituição. Financiada pela Fundação Skolsky, a pesquisadora viaja para o norte da África, onde conhece Nick Barrán, um homem enigmático que a guia até um templo recém-encontrado, encoberto há 3 mil anos pela areia do deserto. 

Com a ajuda de um caderno deixado pela avó, Diana começa a decifrar as estranhas inscrições registradas no templo e logo encontra o nome de Mirina, a primeira rainha amazona. Na Idade do Bronze, ela atravessou o Mediterrâneo em uma tentativa heroica de libertar suas irmãs, sequestradas por piratas gregos. 

Seguindo os rastros dessas guerreiras, Diana e Nick se lançam em uma jornada em busca da verdade por trás do mito – algo capaz de mudar suas vidas, mas também de despertar a ganância de colecionadores de arte dispostos a tudo para pôr as mãos no lendário Tesouro das Amazonas. 

Entrelaçando passado e presente e percorrendo Inglaterra, Argélia, Grécia e as ruínas de Troia, A irmandade perdida é uma aventura apaixonante sobre duas mulheres separadas por milênios, mas com uma luta em comum: manter vivas as amazonas e preservar seu legado para a humanidade.



Capa Original
"Quem controla o presente controla o passado." - George Orwell

Gente, essa Anne Fortier escreve bem demais da conta, sô!

A Irmandade Perdida foi bem além de todas as minhas expectativas. Se eu já gostava da escritora por “Julieta”, nesse livro eu me apaixonei de fato. Não há história melhor no mundo que uma investigação sobre um tema tão polêmico: amazonas!

Admito que sou aficionada por elas, estudei (amadoramente, é claro) sobre o mito. Também sou apaixonada por mitologias, em especial a grega. Então, para mim, esse livro foi um prato cheio de chocolate com avelã!

Anne consegue trazer a vida personagens antigas como Pentesilea, Hipólita, Hércules, Páris e tantos outros de uma forma completamente nova e inusitada, uma vez que ela reconta seus mitos à sua própria maneira, conforme as mulheres do antigo Templo da Deusa da Lua vão seguindo seu Destino em busca e vingança. 

"A morte é um teste. Ela nos força a lembrar que somos humanos, não animais."

Ao mesmo tempo, ela relata a história de Diana Morgan, e seu próprio caminho. Acadêmica de Oxford, doutora em filologia (estuda linguagens em fontes históricas) (obs: eu não sabia que essa palavra existia! =x), é alvo de chacota no meio acadêmico (de um professor machista em especial) por sua obsessão nas históricas amazonas. Estava num dia particularmente ruim quando um homem misterioso surge em nome de uma fundação desconhecida e lhe informa que descobriram um templo dedicado as amazonas e precisam dela para desvendar a linguagem encontrada. 

Entre um cargo nada seguro na faculdade e a descoberta de sua vida, uma pessoa de seu passado a quem ela espera reencontrar, ela acaba se colocando num fogo cruzado que nada tinha a ver com sua vida até então. Organizações obscuras e perigosas acabam indo em seu encalço durante sua busca por respostas e novas descobertas. 

É incrível como a autora consegue casar sempre tão bem o passado e o futuro (também foi assim em 
Anne Fortier
“Julieta”), deixando o leitor ansioso a cada novo capítulo. O livro foi dividido em 4 partes: Crepúsculo, Aurora, Sol, Zênite, Eclipse e Equinócio, de acordo com seu conteúdo. A escrita é muito bem elaborada e te prende como um rato numa ratoeira. 

É sempre bem ver a valorização do Girl Power em uma história, que tentam se desenvolver por conta própria. Mas infelizmente teve aquela coisa de uma personagem não querer mais saber de homem, aí surge um cara rude, sujo e babaca e ela cai de amores por ele. Embora Diana seja independente e forte, querer resolver tudo sozinha... Acaba caindo no papo mole dos machos. Mas tudo bem, tudo bem. Há muitas outras mulheres fortes e independentes, até mesmo as mais fragilizadas como a avó de Diana e a irmã mais nova de Mirina.

"[...] Às vezes só notamos a existência de nossa amazona interior quando a vida nos desfere um golpe atordoante... mas tenho certeza de que ela está lá, esperando para nos emprestar a sua força."

Todas as mulheres da história fazem contribuições a seu curso, misturando a versão de Anne Fortier com a versão que já conhecemos de modo bastante congruente.

E, como não poderia ser diferente, há tanto mistério e reviravoltas na história contada por ela que te deixa aflita! Sério, você não pode confiar em ninguém! Me delicio quando sou pega de surpresa e esse livro é uma caixa repleta delas.

Para além disso, creio que a mensagem que fica é:

Nunca desista.

Não deixem de acessar seu site (em inglês): annefortier.com

Resenha de: