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24.1.16

Bom dia, Sr. Mandela - Zelda la Grange




“A secretária pessoal do líder humanitário em um relato emocionante”

Autora: Zelda la Grange
Editora: Novo Conceito
Ano: 2015
Sinopse: Bom Dia, Sr. Mandela conta a extraordinária história de uma jovem que teve suas crenças, preconceitos e tudo em que sempre acreditou transformados pelo maior homem de seu tempo. A incrível trajetória de uma datilógrafa que, escolhida para se tornar a mais leal e devotada assessora de Nelson Mandela, passou a maior parte de sua vida trabalhando ao lado do homem que ela passaria a chamar de “Khulu”, ou avô.

Resenha:

“Se não for bom, deixe morrer.”

Zelda nasceu e cresceu na África do Sul nos anos 70, durante o sistema do apartheid, que designava a política da segregação racial. Assim como o restante da população branca dessa época, a família de Zelda era extremamente racista, e ela cresceu aprendendo com a família esse tipo de preconceito.


“Ninguém nasce racista. Você se torna racista pela influência ao seu redor. E por volta dos treze anos de idade eu me tornei racista. Por esse cálculo, eu jamais poderia ter sido a mais duradoura das assessoras de Nelson Mandela. Mas foi o que aconteceu.”

Quando Zelda tinha doze anos, sua mãe (que sofria de depressão) tentou se matar trancando-se no carro ligado, enchendo a garagem de gás. Zelda a encontrou, mas não consegue lembrar-se bem do restante dos acontecimentos. Apenas relata que foi a última vez que sentiu algum cheiro na vida (o do gás), pois teve uma reação psicossomática ao trauma, que bloqueou sua capacidade de sentir cheiros.
Com esse acontecimento, Zelda desenvolveu um medo terrível de ser abandonada, e por isso, fazia de tudo para agradar as pessoas. Nelson Mandela precisava de alguém dedicado, que estivesse sempre lá. E assim ela justifica essa relação de codependência que surgiu entre os dois.

O livro tenta ter certa ordem cronológica, mas em vários momentos ela vai e volta, misturando sua própria história com o relacionamento posterior com Mandela.
Zelda trabalhou para Mandela durante seus anos na presidência da África do Sul e também após sua “aposentadoria”, período em que ele focou em angariar fundos para a Fundação Nelson Mandela, com o objetivo de desenvolver projetos de construção de escolas e postos de saúde, além da luta contra a epidemia de AIDS.

“Mesmo com nossa vida sendo tão diferente, compreendi que havia uma chance de que ele não me abandonasse. Nelson Mandela não me deixou para trás. Levou-me com ele. Foi uma das maiores, se não a maior honra da minha vida, ser escolhida por Madiba para servi-lo depois de sua aposentadoria.”

Zelda o conhecia tão bem, que foi escolhida para ajudar Morgan Freeman a compor a interpretação de Mandela para o filme Invictus, que retratou a Copa do Mundo de Rugby de 1995, na África do Sul. (Filme recomendadíssimo por sinal, tanto pela história quanto pela interpretação impecável de Morgan Freeman). O ator era amigo pessoal de Mandela, mas ainda assim aprendeu com Zelda os pequenos trejeitos e maneirismos cotidianos,  tornando-se o “Madiba perfeito”.

A assessora dedicou sua vida a cuidar dos interesses de Mandela, e ganhou (além da experiência) a oportunidade de conhecer sua história, sua luta, seus ensinamentos. Esteve ao seu lado nos melhores e piores momentos. Foi julgada e odiada por muitos, inclusive pela família de Mandela, que não permitiu que ela acompanhasse seu velório. Sofreu com a dor da perda como se fosse um parente próximo, da sua família branca, que aprendeu com ela a amar e respeitar o homem que ele foi.


“Mas o que faremos agora? Ele está em casa, e os heróis nunca morrem. Ele estará presente naquelas lindas montanhas para sempre, e agora eu sabia que ele seria até mais poderoso na morte do que foi em vida.”


É uma história muito interessante, contada do ponto de vista de alguém que conviveu quase 20 anos com essa figura importantíssima da história da África do Sul e do mundo. Várias passagens divertidas, que nos ajudam a conhecer melhor quem era Nelson Mandela no seu dia a dia. Confesso que a dificuldade na ordem cronológica e os capítulos muito longos às vezes cansam, mas valeu à pena conhecer essa história, com toda a cumplicidade, confiança e amor que existia entre os dois.





2 comentários:

  1. quando o livro foi lançado não me animei muito porque obras mais descritivas e biografias não me atraem tanto, mas a proposta esta tão bacana e ter a oportunidade de conhecer mais a fundo uma pessoa que inspirou tantas outras a querem ser melhores é muito interessante e cativante
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/2016/01/resenha-destinado.html

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  2. Olha Thaila, sou suspeita porque gosto muito de biografias... Mas é super interessante mesmo!! ;)

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