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24.3.16

Arrabal e a Noiva do Capitão



Autora: Marisa Ferrari
Editora: Novas Páginas
Ano: 2014
Sinopse: Giordano e Giuseppe são idênticos na aparência, mas suas almas não poderiam ser mais diferentes. O bravo Giordano é o capitão-chefe da Guarda Real. Giuseppe é um ator de coração puro e alegria contagiante que viaja com sua trupe para se apresentar nas praças e castelos da região. De caráter inflexível, Giordano tem como sua maior missão proteger o Rei. Por sua vez, o sonhador Giuseppe deseja escrever uma peça de teatro com diálogos, o que seria uma inovação para a época. Embora não sejam propriamente amigos, os dois irmãos vivem uma espécie de acordo de cavalheiros, respeitando o espaço um do outro e lidando com o delicado estado de saúde de sua mãe. Até que a formosa Luigia acaba com a paz da família Romanelli...
Arrabal e a Noiva do Capitão nos transporta para a incrível Nápoles do século 18, magistralmente reconstruída por Marisa Ferrari. Uma história que resgata a magia do teatro e nos convida a compreender a beleza que existe nas contradições.



Quando escolhi esse livro, admito que o escolhi pela capa. Estava a fim de ler um romance, o vi na livraria... Vi que nosso antigo parceiro o havia disponibilizado então pensei: por que não?

O livro começa meio devagar, contando a história dos dois irmãos desde a infância; desde como a mãe, Gioconda, conheceu o pai, Carlo. Nos guia por uma estrada de amor que acontece em Nápoles, no sul da Itália, com início em 1707.

Casaram-se lógico por interesse político de seus pais, mas já nutriam um interesse mútuo. Gioconda era dada as habilidades artísticas (como a muitas mulheres na época, era de bom tom ser culta), talvez uma veia passada por seu pai que era dado como louco, pois fazia marionetes e com elas contava histórias para as crianças. Claro, a família era abastada e dona de um palacete, de ambos era, na verdade. Então possuíam tempo para dedicar-se à seus hobbies.

Gioconda pareceu ser uma jovem incrível em sua juventude, pelo menos até o momento do nascimento de seus filhos.  É nessa noite marcante para qualquer mulher que o livro se inicia. Com seu sofrimento durante o parto, suas dúvidas quanto a ser mãe. O quão sozinha se sentia, mesmo tendo sua criada pessoal ao seu lado. Ninguém poderia nunca partilhar a dor que invadiu seu corpo – e sua alma.

Acredito que acometida pela psicose pós-parto (doença que acomete aproximadamente  uma ou duas mulheres a cada 1000 nos dias atuais), seus “nervos” ficaram enfraquecidos. Podia estar cuidando dos meninos gentilmente e no instante seguinte ter uma crise.

E seus dois filhos foram crianças felizes. Ganharam do avô seus preciosos marionetes, com os quais passavam horas criando histórias. Havia, como sempre, rivalidade entre ambos: Giordano era um pequeno soldado, mais altivo e possessivo que Giuseppe, dado às artes, a dança e a música, o que era uma vergonha para seu pai.

Por conta disso, ao crescer, Giuseppe rompeu com sua família e seguiu seu sonho de ser livre e poeta. Criou uma companhia de teatro e deu vida ao personagem Arrabal, um poeta Arlecchino possuidor de um carisma magnético: todos que o conhecem são atraídos por ele e sua causa. Um poeta guiado em seus sonhos por Molière (pesquisei e descobri que foi um escritor de peças de teatro francês, que misturava a Commedia dell’arte italiana uma versão mais refinada da comedia francesa), que o incentivava a escrever uma peça de teatro diferente a qual sua trupe estava acostumada (paródias da vida comum, com personagens representados através de máscaras cômicas).

Sua trupe é composta por pessoas tão com passados tão trágicos que pareceram ter saído do teatro grego:

- Mamma é a pessoa que o próprio apelido já diz o que ela significa: é a senhorinha já de idade ligeiramente avançada que cuida de todos como seus próprios filhos. Faz a comida, lava suas roupas, prepara chás milagrosos quando estão doentes... Sente orgulho de suas crias.
- Dottore: bem... é o médico misterioso que se nega a exercer sua profissão: só o faz quando Mamma o obriga, uma vez que ele possui uma “quedinha” por ela. É quieto, não fala muito sobre si... Bem enigmático.
- Vincé: é o rival de Dottore. Alguém mais simplista e irritado, é aquele típico italiano que grita, fala forte, gesticula o tempo todo.
- Francesca: Uma jovem resgatada das ruas por Arrabal. É sonhadora, impetuosa e muito apaixonada. Morre de cíumes de seu salvador. Ainda adolescente, é a mais nova da trupe.
- Gigi: um jovem ex-seminarista que cometeu o pecado de gostar de ópera!!! Saiu fugido do mosteiro, depois de claro, ser incitado por Arrabal a seguir seus sonhos. Sua escolha ainda lhe dá pesadelos, mas ele ama o que faz.

Essa era a trupe original, que se caracterizava de personagens já bem conhecidos por nós: A Colombina, Polichinelo, Pantaleão... Cada integrante é de suma importância para Arrabal seguir seu sonho de mudar a visão que todos tem do teatro. A estes, se somam no decorrer da história Caterina, uma costureira cega e Vittoria, uma marquesa que escapa das garras do marido e foge com a trupe para seguir seus sonhos.

É inegável a transformação que Arrabal causa na vida de todos que os cercam. Dá um toque de magia a suas vidas com sua máxima “Algo deve acontecer para nos ajudar!”. Então dava sempre um toque de destino às situações, por pior que pudessem parecer. Só precisavam dar seu melhor para contornar os problemas, e confiar que a vida lhes proveria o que precisassem.

Giordano, por sua vez, é uma inspiração para a cidade, seu herói. Tornou-se capitão da guarda real, é amado pelo pai e pela mãe... E por todas as mulheres que Arrabal não conseguiu colocar seus olhos.
Ao mesmo tempo que é motivo de orgulho para sua cidade por sua honradez e dedicação ao reino, ele deseja algo diferente. Deseja mudanças na vida, na ordem de como as coisas acontecem: pobres pagando a vida que as pessoas da corte tão orgulhosamente carregam.

Existe rivalidade entre os dois irmãos, talvez por invejarem o que um e outro possuem: enquanto Giordano carrega o amor do pai e sua casa, Arrabal carrega a liberdade desejada pelo outro.
A mulher, Luigia, só aparece para intensificar a rivalidade entre os dois, tornando-se indecisa na escolha: com qual irmão devo ficar? Não é uma figura muito marcante, até mesmo meio antipática na trama. Vittoria é muito mais interessante que ela, na minha opinião.

A história é muito envolvente, com personagens completamente carismáticos, você torce para que sempre acabe tudo bem. E tem uma reviravolta imensa que eu realmente não esperava!!! Me surpreendeu direitinho, você simplesmente não espera, criando suas próprias teorias e não é nada comparado ao que acaba acontecendo.

Recomendo demais a leitura, pois é uma viagem à Itália. Desde às praças, a Tarantella, a alegria e o macaronni, tudo nos traz Nápolis em seu mais puro ser: seu povo.

A Rede globo de Televisão comprou os direitos autorais do livro e pretende lançar uma minissérie

Ah, recomendo também ter um dicionário de italiano, algumas vezes fica confuso entender e não tem a tradução do que foi falado sempre! <o>




1 comentários:

  1. esse é mais um dos livros encalhados da minha estante, eu o quis tanto na época de lançamento que agora que o tenho o esqueço rsrsrs
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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