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16.4.16

Resenha: A bruxa [Filme]


Resenha: A BRUXA


Direção: Robert Eggers
Elenco: Anna Taylor-Joy, Ralph Ineson, Kate Dickie, Harvey Srcimshaw, Ellie Grainger, Lucas Dawson, Bathsheba Garnett

ATENÇÃO: Eu tentei escrever de forma a não revelar nada sobre o enredo do filme, mas uma ou outra referência sobre o enredo pode ter escapado. Portanto, cuidado! Mesmo que poucos, CONTÉM SPOILERS! Se você ainda não assistiu o filme, prossiga por sua conta e risco.

Sinopse

A trama se passa na Nova Inglaterra puritana do século XVII, onde uma família de camponeses é expulsa de uma comunidade sob acusações de heresia. Pouco tempo depois, a família se estabelece às margens de um bosque, onde recomeçam a vida. Desaparecimentos e outros eventos igualmente estranhos começam a atormentar os camponeses, levantando suspeitas de que a filha mais velha pudesse ser uma bruxa.

Resenha

Olá pessoal! Vamos falar sobre terror? O que significa terror pra vocês? Simplificando: O que é que te mete MEDO? O Sobrenatural ou o real? Aquele vulto parado no canto escuro do seu quarto ou aquela pessoa do trabalho que te olha de um jeito esquisito? Ou os dois? E de animais, você tem medo? Quais? E por que tantas perguntas Lucas, que saco! Hahahaha... Brincadeiras à parte, fiz esse monte de perguntas só pra ilustrar minha experiência ao assistir A Bruxa (Robert Eggers, 2016), uma vez que o resultado entregue pelo filme dependerá muito de cada pessoa, ou seja, dos medos mais secretos de cada um. Se é que vocês me dão licença de falar sobre a minha impressão acerca do filme, eu confesso: Não sentia tanto medo desde A Bruxa de Blair (1999,  Eduardo SánchezDaniel Myrick). “Ainnn, mas A Bruxa de Blair foi muito ruim meu, nem aparece bruxa nem nada mimimi...” Pois é exatamente isso que eu estou tentando adiantar! Tanto A Bruxa quanto A Bruxa de Blair são filmes para serem sentidos e/ou percebidos! Não simplesmente assistidos. Digo, a maioria das pessoas vai ao cinema QUERENDO ver o óbvio, ou seja, se é terror, TEM QUE TER SUSTO! Nem sempre. E não é esse o caso aqui.

Olha que fofinho! sqn...

Ambientação

Pra começar, a trama se desenvolve na Nova Inglaterra do século XVII, em pleno movimento puritanista, o que por si só já era o lugar, época e período da história errados pra um ser humano existir. Ainda mais se fosse mulher e manipuladora de ervas medicinais. Sem querer, acabei de resumir (grosseiramente) o que significava ser mulher naquela região e época. Era necessário quase nada pra que os puritanos (os homens, é claro) saíssem enforcando, afogando, queimando ou banindo mulheres sob acusação de bruxaria. Só a título de curiosidade (nada disso é mostrado no filme, só curiosidade mesmo), se você, uma humilde moradora do Estado de Massachussets, fosse acusada naquela época de ser uma bruxa e “ousasse” alegar inocência (admitindo a culpa era morte na fogueira direto!), os inquisidores te davam uma oportunidade super legal de provar sua inocência: Te amarravam numa espécie de gangorra e passavam dias te mergulhando numa tina de água, até você admitir a culpa. Caso resistisse, te jogavam na tal tina com pés e mãos amarradas. Se você permanecesse no fundo, eles admitiam sua inocência. Se você boiasse, era sinal claro de bruxaria e eles te matavam imediatamente. Bom, como vocês devem ter entendido, de qualquer jeito você morria. Legal, né? É nesse ambiente hostil que se passa nossa história. E saber que esse período da história não só existiu como havia todo um sistema de leis baseadas nesse tipo de fanatismo religioso pra mim já é suficientemente assustador.

Tem certeza de que está rezando o suficiente, mocinha?

Fotografia

Mas, voltando ao longa, as paisagens bucólicas, bem como a maneira como a fotografia do filme as retratou (tudo sempre meio cinza, lusco-fusco, aquela atmosfera de seis da tarde, sabe?) formam um cenário de pesadelo pra muita gente. Em outras palavras, tudo acontece sempre com pouquíssima luz, mesmo quando é dia. Se for noite então, sua imaginação tem que trabalhar bastante pra entender o que está acontecendo. E é exatamente isso que mete medo! Sabe aquela sensação de quando você lê o livro e imagina como seria esse ou aquele personagem? Então! As cenas que se passam na escuridão deixam a gente com aquela impressão de “gente! Será que eu vi isso mesmo? OMFG não pode ser!” rsrs...


O “Elemento Floresta”

Florestas são em geral muito assustadoras. Não falo daquele horto florestal onde você vai passear no fim de semana, ou daquela floresta que tem uma trilha super legal pra ir com os amigos para um trecking. Não. Falo daquelas florestas remotas, escuras, cercadas por antigas histórias, onde ninguém vai, ou pelo menos ninguém sabe direito o que tem lá. E, creiam, a floresta desse filme é daí pra pior. Se tem um momento do filme que você tem a sensação de que rolou uma forçada no enredo é quando a família resolve estabelecer residência logo ali, na margem do bosque. Porque quem, pelo amor de Deus, resolve morar num lugar desses? Mas mesmo a floresta tendo esse ar de porta do inferno, acreditem: Nem de longe ela é o elemento mais aterrador do filme.


EU, A PATROA E AS CRIANÇAS - Uma breve análise dos personagens

Se tem uma coisa que me mete medo em filmes é ver crianças em situações estranhas. A Bruxa tem. De montão. A começar pelo bebê, Samuel, o caçulinha que nasceu um tempo depois de a família resolver se instalar naquele local. Ele simplesmente desaparece, literalmente num piscar de olhos de sua irmã mais velha (não há spoiler aqui, essa cena está presente no trailer).


E tem os gêmeos! Um casal de gêmeos de meter medo no Chuck Norris gente! Quer dizer, gêmeos são bonitinhos na vida real e tal. Mas sempre dão um jeito de pintar os pequeninos com algo de demoníaco no cinema. No nosso caso aqui, o pequeno Jonas (Lucas Dawson) até que nem tanto... Mas a sua irmãzinha gêmea Mercy (Ellie Grainger)... Gente, pensem numa criança “atentada”, como dizia minha avó. Ah, e o animalzinho de estimação dos pimpolhos é nada menos do que um enorme BODE PRETO, de olhos amarelos e chifres descomunais, que os anjinhos chamam carinhosamente de Black Philip. Eu hein...


Depois temos os irmãos mais velhos, a doce e cuidadosa Thomasin (Anna Taylor-Joy) e Caleb (Harvey Scrimshaw). A relação dos dois aparentemente é de amizade e cumplicidade. Aparentemente porque, embora nada fique explícito, você percebe em dado momento que, pasme, Caleb sente atração sexual por Thomasin. É isso mesmo que você leu. Daí você se pergunta “ei, espere aí... esse filme não é sobre uma bruxa? O que faz essa relação incestuosa perdida no roteiro?” Mas aí é que está a magia dA Bruxa (trocadilho besta, outra vez rsrs)! A intenção não é te chocar com coisas óbvias, tipo senhoras narigudas voando em vassouras e raptando crianças, como fazem os filmes “comuns”. Não! O objetivo é criar essa atmosfera perturbadora, do tipo que faz os mais sensíveis ficarem realmente com medo (ou pelo menos com aquele mal estar). Quem gosta e está acostumado com o óbvio provavelmente vai querer o dinheiro de volta pra correr e assistir a próxima sessão de “Os Mercenários” (que me desculpem os fãs desse tipo de filme que você viu um, viu todos rsrsrs).


Deixei os pais por último, uma vez que os mesmos são um tanto quanto coadjuvantes na história. Willian (Ralph Ineson) é um dedicado pai de família tão religiosamente bitolado quanto os caras que expulsaram sua família da comunidade agrícola. Parece estar o tempo todo na iminência de dar um cascudo nos filhos por algo besta tipo não estar rezando corretamente. Katherine (Kate Dickie), a mãe, é emocionalmente perturbada pelo desaparecimento do pequeno Samuel, logo no início da trama.


PRA FINALIZAR, MAS E A BRUXA?

Vocês devem ter percebido que eu não falei da tal bruxa. Foi de propósito, pois não dá pra falar dela sem contar como a história se desenrola e, consequentemente, termina. Portanto, vou deixar que vocês assistam pra saber como tudo acaba.

Vou repetir aqui, A Bruxa é um filme de suspense/terror EXTREMAMENTE subjetivo. Não vá assistir o filme esperando levar aqueles sustões previsíveis, porque você vai se decepcionar. Pior: Vai botar a culpa em mim, que disse pra você assistir rsrsrs...

O que me incumbia dizer é que A Bruxa é um filme tenso e intenso, pra mexer com os sentidos, questionar valores e demonstrar como a crueldade e a podridão não são características exclusivas dos monstros. Nós, por vezes, tornamo-nos monstros sem perceber.



Desafio você a assistir. Tem coragem?


“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” (Friedrich Nietzsche)




2 comentários:

  1. apesar da sua indicação não é um filme que eu veria, não me leve a mal, mas esse tipo de filme e enredo não me atrai
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Oi Thaila! Entendo você! Geralmente tb não me interesso por filmes assim... Mas vi tanta gente falando mal que pensei que devia assistir pra formar uma opinião... E o resultado foi esse! Obrigado por participar! Abração ;-)

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