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25.4.16

Uma História Incomum Sobre Livros e Magia


"Tudo é mágico - disse. - O céu, as estrelas, o mundo inteiro. É um milagre, se a gente pensar bem."

Título Original: A Tale of Higly Unusual Magic
Autora: Lisa Papademetriou
Editora: Arqueiro
Ano: 2016
Sinopse: Duas meninas encontram um livro mágico e cada uma se vê envolvida numa história que parece ser contada sozinha. 
Kai chega ao Texas para visitar sua tia-avó Lavinia – uma senhora extravagante, durona e fã de hip-hop. Do outro lado do mundo, no Paquistão, Leila deseja ser tratada como uma princesa pela família de seu pai e viver fortes emoções. 
Elas só não fazem ideia de que seus mundos completamente diferentes estão prestes a se chocar graças a um enigmático livro em branco. 
Quando Kai escreve no livro, suas palavras magicamente aparecem no exemplar de Leila. As meninas então percebem que O cadáver excêntrico reage a cada frase acrescentada – não importa se foi inspirada pelo ataque de um chihuahua ou por um mal-entendido com uma cabra – com um trecho da história de amor vivida por Ralph Flabbergast e Edwina Pickle mais de cinquenta anos antes. 
Uma história incomum sobre livros e magia entrelaça essas três perspectivas – de Kai, Leila e Ralph – de uma forma divertida e emocionante. É uma narrativa mágica sobre o destino e os laços invisíveis que nos ligam uns aos outros.


"Ralph também acreditava em magia e ansiava por ela, embora sentisse medo. Era por isso que aprendera truques e nunca tirava o frasco do bolso - queria se aproximar o máximo possível da magia, mas sem tocá-la de fato."

Se me perguntarem: “Pri, qual foi o melhor livro que você leu esse ano, até agora?”

Eu responderia: “Uma história incomum sobre livros e magia”.

Por quê?

Sabe o que todo autor sente quando está preso a um livro? Aquela sensação gostosa de estar em uma realidade diferente ou na companhia de alguém que sabe mesmo contar uma história, de modo que seus olhos nem piscam enquanto você ouve e ainda diz: “Uau!”? É o que Lisa Papademetriou lhe oferece neste livro.

As personagens são apaixonantes, delicadas... Cuidadosamente pensadas para se parecer com qualquer um de nós, leitores. Primeiro somos apresentados a Lavínia – uma velha senhora, tia avó distante de Kai – e já digo: quando chegar aos meus 87 anos, quero ser como ela: calçando All Star, falando tudo o que me vier à mente sem me preocupar muito com o que os outros vão achar, com uma casa legal e que todos vão achar esquisita. É uma alma doce que tenta ao máximo fazer o bem sem olhar a quem. Realmente me vejo como ela nessa idade... Adoraria. Porém ainda me vejo como uma velha resmungona (admito que resmungo muito, infelizmente).

Kai é uma adolescente meio dramática que perdeu algo importante e se sente muito culpada por isso. Toca violino e é insegura quanto a se apresentar para as pessoas, embora aparentemente seja boa. Foi para a casa de Lavínia para passar um tempo longe da mãe e das coisas ruins que estavam acontecendo. No quarto que lhe é destinado, encontra-se um livro belo, de capa dura e escrita rebuscada, parecendo ter anos de existência. Ao abrí-lo, está apenas um nome escrito: Ralph Flabbergast.

Leila é uma jovem de ascendência paquistanesa que vive nos EUA. É a sombra de sua irmã mais nova que é brilhante, Nadia. No que sua irmã viaja para o Quênia como intercâmbio escolar, Leila vai para a casa dos tios como “consolação”. Ela não ia para o Paquistão desde que era criança e sua avó a via como uma princesa, então estar numa casa em que as pessoas, embora sejam educadas, não fazem muita questão de sua presença ou suas vontades, lhe incomodou bastante. É leitora viciada em uma série chamada “Irmãs Amada”, aparentemente histórias de suspense investigativo infanto-juvenil e a jovem compara tudo o que faz ao que as duas irmãs fariam. Como gosta de ler, a biblioteca da casa a deixou fascinada e ela também encontrou um livro belo, de capa dura e escrita rebuscada...

O Cadáver Excêntrico.

Quais as chances de duas jovens em lugares tão distantes do mundo, lerem o mesmo livro, em momentos especiais de suas vidas? Garanto que são muitas né? Mas e um livro que, quando você escreve... A história se molda para acoplar suas frases?  Um livro... Mágico?

Kai conhece Doodle, uma jovem lepidopterologista. Eu também não sabia o que era: uma estudiosa

em borboletas. Constroem uma amizade sólida na busca de um único tipo de borboleta, a mariposa celeste. Ela é azul e está sumida na sua cidade e quer encontrar uma para a feira de ciência do município.

Leila se vê numa estranha amizade com Samir, seu primo pouco tempo mais velho que ela e também um leitor assíduo que lhe ajuda a sair de problemas que acaba criando. Mamoo também é uma personalidade importante, de início uma pessoa estranha, mas você acaba se apegando a ele também.
Conforme as duas vão escrevendo pequenas frases no livro em branco, a história vai se desenrolando e mostrando uma ligação inimaginável, sem deixar o leitor saber se é verdade ou não.

A autora conversa com o leitor, contando pequenos segredos dos personagens, o que achei o máximo. Me senti falando com uma amiga enquanto juntas vemos um filme o qual a cada nova cena nos pega de surpresa. Senti amor e carinho em cada palavra escrita, tanto que no final eu abracei o livro como se ele fosse um amigo muito querido. E me foi, começando com um segredo que a autora nos conta em suas palavras iniciais.

"'Temos que fazer uma escolha todos os dias', sua mãe sempre dizia. 'Ser melhor ou ser pior. Qual é a sua?'"

O Cadáver Excêntrico é uma brincadeira: um jogador começa uma história em um papel, deixa apenas a última linha visível para o próximo jogador, que continua a história. Por isso que se diz que Leila e Kai escrevem e respondem uma à outra... Um jogo que teve origem com Ralph Flabbergast e Edwina Pickle, jovens que também possuem vez na história de Lisa.

A capa é uma obra de arte, mesclando as duas cidades nos desenhos e foi o que mais me atraiu. A borboleta azul me intimidou, mas só porque tenho fobia a borboletas. Para vocês verem, mesmo com todo o meu medo desse bichinho inocente, eu ainda abracei o livro!!! Quer recomendação maior?

Não percam a leitura desse livro, se tiverem a chance. Deixem-se levar pela magia que acontece com O Cadáver Excêntrico!



1 comentários:

  1. que lindo o trabalho de diagramação! amo livros cheios de detalhes e de trabalhos nas páginas, acho um charme a parte
    eu não tinha me ligado tanto na história por ter tido alguns prejulgamentos, mas com a sua resenha percebo elementos que me atraem bastante! com certeza será uma leitura que farei em breve
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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