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14.5.16

2 Coelhos


2 COELHOS


Direção e Roteiro: Afonso Poyart, 2012.
Elenco:  Fernando Alves Pinto, Alessandra Negrini, Caco Ciocler, Marat Descartes, Roberto Marchese, Thaíde, Thogun, Neco Vila Lobos, Robson Nunes, Norival Rizzo, Aldine Müller e Yoram Blaschkauer

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS! Se você ainda não assistiu ao filme, prossiga por sua conta e risco.
Sinopse

Após um grave acidente de carro, no qual uma mulher e seu filho são mortos, Edgar (Fernando Alves Pinto) é indiciado, mas consegue escapar da prisão graças à influência de um deputado estadual. Logo em seguida ele parte para uma temporada em MiamiFlórida, nos Estados Unidos. Dois anos depois, Edgar retorna para a cidade de São Paulo com um elaborado plano, com o qual pretende atingir tanto o deputado que o livrou da cadeia, quanto o bando do Maicon, uma quadrilha que vem conseguindo escapar da justiça graças ao suborno oferecido a este mesmo deputado. Instigado, Edgar resolve colocar seu plano em prática e se aventura em busca de redenção, colocando criminosos e políticos corruptos em rota de colisão.

Resenha

Oi gente! Já assistiram 2 COELHOS? Trata-se de uma grande produção do cinema brasileiro, embora não muito conhecida (sabe-se lá a razão) pelo grande público. Não sei se houve falha na divulgação quando de seu lançamento, em 2012, pois, falando por mim, só fiquei sabendo da existência desse filme em 2014 e quase todo mundo que eu pergunto NUNCA ouviu falar dele, ao contrário do que acontece com TROPA DE ELITE 1 e 2, estes tidos por muitos como a melhor sequência de ação do cinema nacional. Nunca concordei 100% com isso e, depois de 2 COELHOS, as aventuras do Capitão Nascimento pra mim ficaram em segundo plano. Duvidam? Pois vamos lá!

Um filme “diferentão”

Pra começar, 2 COELHOS é um longa que inovou em todos os sentidos, misturando elementos áudio-visuais que eram novidade no cinema tupiniquim na época. Falo de recursos que vão de efeitos especiais geradores daquelas grandes explosões e tiroteios em slow motion (tipo Matrix), cortes repentinos para animações que variam entre esquemas num quadro branco, passando pelas sensacionais ilustrações de Felipe Dias, até sofisticadas inserções dos personagens no interior de animes e games e, claro, a trilha sonora, que surpreende por trazer nada mais nada menos que uma das seleções mais fodas que o cinema de ação (não só nacional) já viu, indo de 30 Seconds to Mars a Radiohead passando por Titãs e Matanza! Ouso dizer, inclusive, que 2 COELHOS tem um “jeitão” de filme americano, ao menos na forma como a narrativa é construída. Há até notícias de que uma produtora de Hollywood teria comprado os direitos do filme pra fazer um remake, que ainda não saiu. Mas o flerte com o Tio Sam para por aí, uma vez que o roteiro traz uma história tipicamente brasileira, que envolve toneladas de corrupção, bandidagem, romance e muita comédia (apesar da violência).



Trama, personagens principais e ambientação:


Nossa história gira em torno de Edgar (Fernando Alves Pinto), típico playboyzinho da cidade de São Paulo: Parece não saber o que quer da vida, extremamente inteligente e talentoso, mas sem motivação, princípios morais aparentes ou perspectivas de vida. Bom, pelo menos é o que ele aparenta ser, porque na verdade o Edgar tem um segredo, ou melhor, um “plano”. Um plano não muito bom, daqueles que têm tudo pra dar errado e que, além de tudo, ainda não está totalmente claro em sua cabeça. Conforme já explicitado na sinopse, nosso anti-herói se envolve num acidente automobilístico que termina por ceifar a vida de uma mulher e uma criança. Não dá pra contar aqui a importância que essas vítimas terão pra o desenrolar da trama, mas já sabemos que Edgar conseguiu se safar de uma condenação graças à influência de um deputado estadual, Jader Kerteis (Roberto Marchese), que não precisamos dizer que é corrupto até o último fio de cabelo do carpete. Mas Edgar não é o único “protegido” do nosso deputado. Ele também presta seus favores à quadrilha do Maicon (Marat Descartes), que está envolvida em diversos tipos de atividades, incluindo sequestro e assassinato. Maicon e seu bando também recebem ajuda de Júlia (Alessandra Negrini), Promotora, e Henrique (Neco Villa Lobos), advogado da quadrilha. No meio dessa bagunça encontramos Walter (Caco Ciocler), um ex-professor universitário atormentado por uma tragédia pessoal. Entenderam? Não importa. O fato é que nosso protagonista, Edgar, após uma temporada em Miami pra esfriar a cabeça e esperar a poeira baixar depois do acidente em que se envolveu no Brasil, volta com um plano (como já disse mais acima) espetacular pra colocar todos esses personagens num mesmo balaio, de uma forma meio estranha “se vingando” de todos ao mesmo tempo, em busca apenas de redenção.
Tudo isso acontece na cidade de São Paulo, retratada aqui de forma bastante realista, mostrando aquela Sampa que só quem vive ou já viveu lá conhece: trânsito engarrafado, adrenalina, bandidagem e aquela arquitetura de tirar o fôlego.  

Ah, os sensacionais coadjuvantes!

Gente, não dá pra resenhar 2 COELHOS sem uma menção honrosa aos seus personagens secundários, que vão tentar atrapalhar e/ou ajudar Edgar na concretização de seu plano. Estou falando dos capangas do Maicon, destacando seu braço direito, Bolinha (Thogun), que apesar de meter medo pela sua violência, traz na composição de seu personagem toda aquela sacanagem do malandro carioca. Ele é hilário!
Em outro contexto, estão Cleiton (Robson Nunes) e Velhinha (Thaíde), dois típicos “vida loka” paulistanos atrás de dinheiro fácil, sem muito stress...
E por que esses coadjuvantes são tão importantes? Por que quase toda a leveza cômica do filme está alicerçada na presença dessas figuras que, apesar de toda a violência imbuída a seus personagens, agem o tempo todo de maneira atrapalhada, esculhambada, sem o menor planejamento, tornando tudo uma mistura de bang-bang e torta na cara... Enfim, simplesmente sensacionais!


Por que eu recomendo 2 COELHOS?

Pela Surpresa. Simples assim. Digo, não sei quanto a vocês, mas eu sou do tipo que dificilmente se surpreende com um filme. E nesse ponto, lembrei-me de um detalhe super importante: A narrativa do filme não é linear. Ou seja, começa pelo meio, volta pro começo, antes do fim ainda passeia pelo meio... Enfim, quem (como eu) gosta ou pelo menos conhece os filmes de Quentin Tarantino sabe do que eu estou falando. E, sinceramente, o filme salta tanto daqui pra ali, dali pra acolá que quando tudo se encaixa bate até uma certa emoção. Falo daquele momento quando entendemos o porquê de tudo. E pela primeira vez em muito tempo me peguei boquiaberto diante dos créditos... Queria muito que vocês assistissem, pra experimentar a sensação. Mas já aviso: são tantas as pontas soltas que assistir uma vez só não vai ser suficiente. Eu assisti duas vezes, pra juntar as pontas. As outras 6 eu assisti só porque o filme é sensacional mesmo hahaha...

Até a próxima!

Quem é que se importa
Com o que os outros vão dizer?
Quem é que se importa
Com os que os outros vão pensar?
Será que é disso que eu necessito?

(Titãs)



2 comentários:

  1. não conhecia o filme, o achei uma mescla interessante e diferenciada
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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