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30.8.16

{Resenha} Na Estrada Jellicoe



Título Original: On The Jellicoe Road
Autora: Melina Marchetta
Editora: Seguinte
Ano: 2016
Sinopse: A pequena cidade de Jellicoe, na Austrália, vive uma guerra territorial travada entre três grupos: os estudantes do internato, os adolescentes da cidade e os alunos de uma escola militar que acampa na região uma vez por ano. Taylor é líder de um dos dormitórios do internato e foi escolhida para representar seus colegas nessa disputa.

Mas a garota não precisa apenas liderar negociações: ela vai ter que enfrentar seu passado misterioso e criar coragem para finalmente tentar compreender por que foi abandonada pela mãe na estrada Jellicoe quando era criança. Hannah, a única adulta em quem Taylor confia e que poderia ajudar, desaparece repentinamente e a pista sobre seu paradeiro é um manuscrito que narra a história de cinco crianças que viveram em Jellicoe dezoito anos atrás




“Quando você vê seus pais enfiados em sacos pretos na estrada Jellicoe como se fossem lixo... Sabe o que acontece?

A curiosidade morre.”
Foi muito confuso. Sério. Um dos livros mais confusos que já li

Esse pequeno trecho acima já mostra mais ou menos o clima da história, que começa com um acidente de carro onde só as crianças sobrevivem: Narnie, Tate e Webb, que foram socorridos por um menino zé-ninguém de nome Fitz. O menino passeava com uma bicicleta na estrada mais bonita da cidade: A Estrada Jellicoe.


“...percebi que nunca tinham rezado por mim antes. Então deixei para lá.”


Alguns muitos anos depois conhecemos Taylor Markham, uma jovem que estuda no internato de Jellicoe. Líder de uma das casas da escola, possui opiniões fortes e uma solidão profunda. É o tipo de personagem que você quer obrigar a aceitar um abraço forte, pois ela precisa muito e não admite. Não quer ser líder, mas assume o papel naturalmente... Embora esteja meio perdida, uma vez que só conhece a dureza da vida. Mas por alguma razão, é ela quem liderará a escola na guerra.

Pois é. Existe uma guerra entre os cadetes, os estudantes e os citadinos, uma guerra a qual não se tem certeza da origem. Apenas seguem na conquista de território e construções. Entre elas, existe uma árvore que imaginei toda branca e gigante... Chamam de Árvore da Oração. Em seu tronco existem muitos registros de pessoas que passaram por lá com o andar dos anos e me pareceu o melhor lugar de todos. É o lugar que você deseja que exista de verdade em algum lugar do mundo.


“Eu ganho uma expressão cheia de tristeza, raiva, mágoa e algum outro sentimento que não consigo decifrar.”


Taylor e Hannah, apesar da menina aparentemente confiar na mulher, possuem uma relação turbulenta. Por Hannah ser a adulta responsável pela casa a qual Taylor é líder, as duas se relacionam muito, mas sempre é a solavancos. Somente quando a mulher desaparece sem deixar nenhum sinal do local para onde foi é que a jovem Markham percebe que ela era seu ponto de segurança. Vemos a menina pirar a cada dia, sem saber o que fazer... Enquanto a guerra acontece. Nenhum outro adulto lhe mantém a par dos acontecimentos, do paradeiro de Hannah, embora pareçam saber onde ela está. É quase como uma conspiração para deixá-la no escuro. 

E, mesmo com toda essa bola emocional maligna, a guerra entre as três facções continua. Cada uma possui seus territórios (como eu disse antes) e deseja ampliar seu terreno, reconquistar terrenos perdidos... Porém, ela só acontece uma vez por ano, quando o exército de cadetes marcha para Jellicoe. Há anos atrás, um jovem cadete de nome Jude viu algumas crianças plantando papoulas na beira da estrada. E a solidão que viu nos olhos de uma das meninas foi tão impactante que ele nunca mais saiu de seu lado. O sorriso da jovem era tão raro e precioso que ele mergulhou no grupo para proteger aquela estranha menina.

Sim, o livro é confuso assim. Misturando histórias e sonhos e realidades o tempo todo. Tem até um pouco de misticismo, se você quiser acreditar. 

Enfim, essa guerra existe há anos e os adultos a ignoram, os estudantes a escondem. Os líderes do exército são: Taylor pelos estudantes do internato, Santangelo pelos citadinos e o terrível Griggs pelos cadetes. Santangelo é filho do chefe de polícia da cidade e um bullie gigante. Griggs é ainda mais bullie e arrogante, sequestra pessoas sem mais nem menos. Realizam deliberações, negociações, brigam e ameaçam uns aos outros. 


“O fato de alguém querer algo com uma pessoa que não dá absolutamente nada em troca me espanta.”


Mas todos eles estão ligados de alguma forma. A história vai além dessas pessoas citadas, é mais profunda que essa simples guerra. É... Extremamente humano ver como as relações se dão e o modo o qual Taylor vai em busca de sua mãe, de seu passado e de Hannah.

A união formada para montar o quebra-cabeças que é a vida da jovem Markham e as pequenas peças que ela vai encontrando e o quão... sofrido isso é. É até errado uma pessoa ter que carregar tanta dor em suas costas, sozinha e sem saber do que é verdade ou não. Todos os personagens estão interligados, afinal é uma cidade pequena, apesar da invasão dos cadetes todos os anos. Imagine saber que todos sabem mais sobre você do que você mesma sabe. 

São tantas histórias contadas, mas no final todas são interligadas. Você tenta criar suas próprias teorias, mas acaba frustrada o tempo todo pois os personagens são muito profundos, habilmente criados para tocar o leitor. 

No final, a confusão é explicada e te deixa apaixonada pela escrita da Melina Marchetta. Não esperava tanto, então recomendo a leitura. A confusão vale a pena!



1 comentários:

  1. promete ser bem eletrizante, né? distopia sempre é e quando tem uma cheia de elogios assim é de ficar ligadinho
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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