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20.8.16

{Resenha} O livro de memórias



Título Original: The Memory Book
Autora: Lara Avery
Editora: Seguinte
Sinopse: Sammie sempre teve um plano: se formar no ensino médio como a melhor aluna da classe e sair da cidade pequena onde mora o mais rápido possível. E nada vai ficar em seu caminho — nem mesmo uma rara doença genética que aos poucos vai apagar sua memória e acabar com sua saúde física. Ela só precisa de um novo plano. É assim que Sammie começa a escrever o livro de memórias: anotações para ela mesma poder ler no futuro e jamais esquecer. Ali, a garota registra cada detalhe de seu primeiro encontro perfeito com Stuart, um jovem escritor por quem sempre foi apaixonada, e admite o quanto sente falta de Cooper, seu melhor amigo de infância de quem acabou se afastando. Porém, mesmo com esse registro diário, manter suas lembranças e conquistar seus sonhos pode ser mais difícil do que ela esperava.


“Era uma vez você com catorze anos, Sam do futuro. Você não era nada popular (continua sendo) e se sentia alienada, como se não houvesse lugar para você no colégio. Seus pais não te compravam roupas legais, você era a primeira a perder nos jogos de queimada, não sabia que era preciso se desculpar depois de arrotar e tinha se transformado em uma enciclopédia humana de criaturas míticas e veículos espaciais cientificamente impossíveis. Simplificando: você se importava mais com o destino da Terra Média do que com o da terra de verdade.”

Sammantha McCoy é uma jovem que está em seu último ano do ensino médio: extremamente inteligente, faz parte do clube de debates por ter uma memória incrível. E mais: ela adora argumentar. É a coisa mais emocionante que ela pode fazer, então se entrar numa discussão com ela, prepare-se para perder.
Por ser meio esnobe, não tem muitos amigos. Apenas Maddie, sua parceira no clube de debates, mas acha que não são muito boas amigas por terem se conhecido só recentemente e não terem realmente um relacionamento fora da escola. Mas Maddie é tão forte e inteligente quanto Sammie e as duas tornarem-se amigas é realmente inevitável. Uma depende para a outra para seus objetivos serem atingidos, ou seja: ganharem o concurso de debates no nível nacional.

“Tem uma parte de mim que quer ser extraordinária. Como se eu quisesse acreditar que, com empenho e boas ideias, cada um pudesse ser o que quisesse.”

Como na vida de todo jovem nesta época, Sammie também tem grandes planos para si mesma – e ela realmente planeja cada passo de sua vida. Será oradora dos formandos na graduação, já passou na Universidade de New York e tudo o que precisa é chegar ao fim do ensino médio.

Quase não tem tempo para mais nada, deixando muita coisa de sua vida em segundo plano: família, amigos, namorados, experiências de vida. Quando criança, era muito amiga de Cooper Lind, seu vizinho do outro lado da montanha. E tenho que dizer, o cara é uma figura! É o típico adolescente gostosão: tem meninas penduradas nos braços, corpo forte, esportista. E amigo. Só que Sammie não sabe mais disso, porque aconteceu com eles o que acontece com a maior parte dos amigos de infância: eles se afastaram e seus interesses em comum já não eram mais comuns.

A família de Sammie é... Completamente insana e deliciosa de se observar: seu pai é o cara que tenta ser durão, mas ama ficção científica e gostaria de ser guitarrista de uma banda punk! Sua mãe é uma mulher doce, trabalha como recepcionista no hospital universitário e responde a situações de estresse com algo parecido com meditação. É aquela mãe que você pode se abrir com seus assuntos juvenis e sabe que pode contar com ela para dobrar seu pai no que se refere a garotos. Há três irmãos: Harrison é o próximo em idade, viciado em jogos e meio distante. Bette é a menina que se considera um alien e foi “trazida do hospital”. E diz que consegue conversar com pássaros! E a filha mais nova é Davy, a bebê viciada em Disney.

Namorados... Ela nunca teve nenhum. Mas teve um crush de quatro anos, o aluno mais velho e escritor da escola, Stuart Shah. Um jovem indiano de família rica em cultura (e também em dinheiro) que representa tudo o que nossa protagonista deseja para si mesma: sucesso e talento.

Acompanhamos Sammie nos últimos dias do ensino médio antes de ir para a faculdade: as últimas provas – e as recentes artes da cola – a primeira festa, o debate, o consumo excessivo de leite com achocolatado... E pouco a pouco vamos a conhecendo e questionando algumas de suas atitudes, como todo bom espectador. Ela comete erros e acertos, típicos da sua idade... A achei uma personagem extremamente carismática e reflexo de jovens que são estimulados a sempre acreditarem que podem conquistar o mundo, e não do jeito que... Geralmente as garotas cheerleaders dos filmes fazem. Conquista mesmo com seu carisma e seu jeito esquisito, embora ainda tenha aquele “quê” de: sou uma menina feia e desengonçada, mas os caras me curtem.

E ela não liga muito para o que as pessoas dizem, o que as outras pessoas acreditam que ela fará ou não. Ela fará, e nada ficará em seu caminho.

Exceto a doença.

Eu não quis falar dela antes, simplesmente porque achei uma parte ao mesmo tempo tão insignificante quanto... Uma parte importante a ser levada em conta.
Como a sinopse nos diz, ela se descobre com uma doença degenerativa, que a fará se esquecer das coisas e destruir seu corpo.

Temos então a estória narrada pela própria Sammie, que decidiu escrever para a Sammie do futuro tudo tudo o que acontece desde o momento da descoberta da doença, em sua vida, para que ela não se esqueça de nada.

Os títulos geralmente são comentários da própria protagonista, que conta pequenos pedacinhos de seu dia-a-dia. Eu notei alguns erros de digitação desde o começo do livro, pensei ser por que a Seguinte nos mandou a cópia ainda não finalizada da obra... Mas eu pensei, depois de ter terminado a leitura, que até que combina pois sabemos que a doença é degenerativa e isso fica bem claro também no modo como ela escreve nesse Livro de Memórias.

“Muitas coisas não são prováveis. Tudo é possível.”

Eu chorei como uma criança no final, é extremamente emotivo como as relações dela vão ficando com todos ao seu redor e como ela lida com tudo o que acontece. A esperança é tocável em cada página, é incrível...

Estava lendo ao mesmo tempo uma outra obra cuja protagonista não tem nem a metade da força da Sammie e, sinceramente, as coisas da nossa mocinha aqui são muito mais... Sei lá, não diminuindo a dor e tal, mas... Acho que a Sammie tinha muito mais razões de desejar afundar-se do que esta outra personagem do outro livro.

Eu estava certa de querer ler esse livro... Ele é maravilhoso de muitas maneiras, um daqueles livros que mexe de verdade com você. Mexeu comigo, pelo menos. A força dessa jovem é intensa e me fez pensar muito...

“Lembro vagamente uma citação de um dos meus teóricos preferidos, Noam Chomsky – algo sobre otimismo como uma estratégia e não apenas um sentimento. Se você não acreditar que o futuro não vai ser melhor, então não vai agir para melhorá-lo."

Se você tiver a chance de lê-lo, por favor o faça... Vai rir muito com o Coop e com os irmãos da Sammie e da própria Sammie e vai se apaixonar pela família dela.

E, claro... o Francis é dos McCoy.





1 comentários:

  1. não sabia que a história era tão bonita assim, confesso que a capa não é das que mais me agrada e isso influenciou um pouco na maneira de ver a trama, entretanto, agora que ja sei o que esperar do enredo, bora adicionar!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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