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18.8.16

{Resenha} Uma Canção Para a Libélula #1



Autor: Juliana Daglio
Edição:
Ano: 2016
Paginas: 180
ISBN: 978-85-68255-23-0
Gênero: Romance / Ficção
Sinopse: Era uma comum primavera numa fazenda qualquer, mas um encontro inusitado aconteceu: a Menina e a Libélula se viram pela primeira vez. Assombrada por um medo irracional da Morte, a Menina é marcada por esse encontro para o resto de sua vida. Compõe então uma canção em seu piano, homenageando a misteriosa libélula. Os anos se passaram, Vanessa vivia em Londres e tinha a vida cercada por seu iminente sucesso como pianista, porém, algo aconteceu, mudando seu destino: Uma doença, uma viagem e um reencontro. Vanessa precisará encarar fantasmas que sequer lembrava um dia terem assombrado sua vida, tendo de relembrar a morte do irmão e reviver seu conflito com a mãe. E mais importante e mortal, conhecer a grande antagonista de sua vida, a quem chama de Vilã Cinzenta. De Londres a São Paulo, dos Palcos aos Lagos. ?Uma canção para a Libélula? é a história de uma alma perdida e de sua busca por quebrar o casulo de sua existência, para só então compreender o sentido da própria vida. Este livro é um profundo mergulho em uma mente nebulosa, permeada por lagos obscuros e pela inusitada morte; não havendo sequer esperanças.



Primeiro livro da autora Juliana Daglio que leio (e também da Editora Arwen) e foi uma ótima escolha!

É claro que terminei de coração partido, não pude acreditar no final, mas o livro é incrivelmente bem escrito e tão preciso no que se trata de Depressão que acredito que todos que possuem um parente com esse transtorno deveriam ler para saber que não é só uma coisa da sua cabeça e que não passa tão fácil quanto as pessoas dizem.

“A mensagem que quis passar com minha história não é de morte, e sim de vida. Mas o que seria da vida se não fosse a morte? Como a valorizaríamos se soubéssemos que ela é infinita? E quando essa vida de torna um fardo? É preciso falar da morte para falar da vida, embora nenhum de nós possamos desvendar nenhuma delas.”

A tristeza parece estar presente em todos os cantos da estória. Não sei, parece que o livro todo é cercado por essa aura cinzenta que domina Vanessa Santos, a protagonista. Ela é uma jovem de 20 e poucos anos que foi morar em Londres após algo terrível acontecer em sua vida.

Mesmo quando damos um passeio em seu passado, no primeiro encontro com a amada Libélula, já notamos que a vida da jovem sempre foi cinza. Sem amor, nem carinho. Familiares ausentes, nunca souberam como amá-la e ela não soube como amá-los.

Porém, soube amar o mundo com sua música. Era uma criança prodígio no que diz respeito ao piano e usou a música para se expressar... Mas ninguém lhe ouvia de fato.

Foi viver com sua tia Lorena, tio Ted e a prima Becca e teve uma infância relativamente normal. Como uma pianista nata, em Londres ela pode se aperfeiçoar e se tornar profissional. Está em um ponto crucial de sua carreira, trabalha em uma orquestra e é um sucesso. Possui um empresário – Foster – e tudo o mais.

“Na verdade, eu odiava os olhares. Eles me sufocavam.”

Namora Jude, um jovem também promissor, que tem o desejo de casar-se com ela. Mas será que ela deseja se casar? É uma mudança muito grande para quem tem tanta coisa ainda por vir. E o pedido acaba desencadeando coisa demais de seu passado, que ela preferia manter enterrado lá.

Muitas coisas acontecem ao mesmo tempo em sua vida e ela não parece ter as ferramentas necessárias para lidar com isso. Descobre que não está pronta para lidar com o passado em uma viagem ao Brasil, onde precisa encarar seu maior demônio: Valéria, sua mãe.

“Eu estava carregada de culpa do meu passado, não sabia amar, nem era feliz. Senti uma miséria invadir meu peito e levei a mão à garganta.”

Uma vez em território brasileiro, ela se depara com todos aqueles sentimentos que guardou bem longe de sua consciência, memórias que haviam lhe mantido escondida atrás de um muro em preto e branco.

Mesmo conhecendo mais pessoas que se tornam talvez importantes, ela não consegue ver o que há além da névoa cinzenta que domina seu ânimo. E muitas delas apenas contribuem para seu estado emocional.

Parece que todo mundo entende mais de depressão do que a pessoa que a está vivendo. Tentam dar ordens para que possa sair desse estado, como se fosse fácil para uma pessoa que não consegue encontrar razões para continuar. E muitas vezes só pioram a situação para ela.

Acredito ser um livro para quem tem um bom emocional, pois mexe com você. Mesmo a autora dizendo que é um livro sobre a vida, para mim foi bem triste. Me senti... em crise existencial por alguns momentos.

Não quis falar muito sobre os acontecimentos do livro, senão estraga e vira um monte de spoiler. 

Se quer ler um livro cheio de sentimentos, esse é uma indicação. Você ficará atordoada [o] com a descrição emocional de Vanessa e a precisão da Depressão e a devastação que ela causa em uma pessoa e em sua família também.

Há uma parte II, em breve também irei resenhá-la. Só preciso me preparar emocionalmente para isso! <o>

— Talvez eu pareça muito ingênua, mas de qualquer forma digo uma coisa para a senhorita: passado é passado, e é lá que deve ficar.
— E quando a gente não esquece?
— Não é para esquecer, é para não deixar ele atrapalhar o hoje.



2 comentários:

  1. ja ouvi falar um pouco desse livro, mas nunca com essa carga dramática e reflexiva que você aponta, não sei, sinceramente se seria uma leitura para esse momento
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Pri! Muito bom acordar e ler essa resenha. Fico feliz que tenha gostado do livro é muito grata por o ter escolhido para resenhar. Espero que na parte dois você tenha também grandes emoções, e posso adiantar que provavelmente elas serão diferentes <3 <3

    Um beijo no coração! ��

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