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22.9.16

{Resenha} Gigantes Adormecidos




Título Original: Sleeping Giants – Livro 1 dos Arquivos de Têmis
Autor: Sylvain Neuvel
Editora: Suma de Letras
Sinopse: Rose passeia de bicicleta pelo bosque perto de casa, quando de repente é engolida por uma cratera no chão. A cena intriga os bombeiros que chegam ao local para resgatá-la: uma menina de onze anos caída na palma de uma gigantesca mão de ferro. Dezessete anos depois, Rose é ph.D em física e a nova responsável por estudar o artefato que encontrou ainda criança. O objeto permanece um mistério, assim como os painéis que cercavam a câmara onde foi deixado. A datação por carbono desafia todas as convenções da ciência e da antropologia, e qualquer teoria razoável é rapidamente descartada. Quando outras partes do enorme corpo começam a surgir em diversos lugares do mundo, a dra. Rose Franklin reúne uma equipe para recuperá-las e montar o que parece ser um robô alienígena gigante quase tão antigo quanto a raça humana. Mas, uma vez montado o quebra-cabeças, ele se transformará em um instrumento para promover a paz ou causar destruição em massa? Parte ficção científica, parte thriller, Gigantes adormecidos é uma história viciante sobre a disputa pelo controle de um poder capaz de engolir todos nós.



Empolgante é o mínimo que eu posso começar a dizer de Gigantes Adormecidos.

“Essa coisa cospe na cara da física, da antropologia, da religião. Esses artefatos reescrevem a história e nos desafiam a questionar tudo o que sabemos sobre nós mesmos... sobre tudo.”

Sinceramente, acho que foi um dos melhores livros de Ficção Científica que li até hoje. A escrita é fluida e bem feita, prende a atenção de modo incrível, pois a trama é muito bem feita. Os capítulos são arquivos de entrevistas gravadas e diários dos personagens no decorrer das missões, mas são separados em partes que traduzem os próximos acontecimentos.

As entrevistas são realizadas por um homem que em momento algum é identificado. O cara é incrível, só para começar. Tem sempre uma carta na manga e sabe surpreender a todos com sua genialidade e manipulação. E ele quem dá início ao projeto e busca as pessoas perfeitas para trabalhar com o gigante que, no decorrer dos acontecimentos, vamos entendendo um pouco mais sobre o mistério que nos é apresentado.

O gigante está dividido em várias partes. Para consegui-las, o nosso homem contrata Ryan e Kara. Mas, quem primeiro encontra o gigante é Rose, uma menininha que ganhou sua primeira bicicleta de presente de aniversário e, em seu primeiro passeio, caiu em cima de uma mão absurdamente grande. Muitos tentaram investigar o objeto, mas não descobrem muita coisa e resolvem arquivar o caso depois de criar uma teoria absurda. Muitos anos depois, Rose torna-se responsável pelo projeto e precisa estudar e montar o gigante cuja mão ela caiu há anos atrás. 

Para auxiliá-la, nosso mistery guy contrata dois pilotos militares. 

“- Você espera que eu veja alguma ironia nisso, mas não. É um grupo de operações especiais, eles só aceitam mulheres no papel de coadjuvantes.
Quem são eles?
- O Exército dos Estados Unidos não permite que mulheres participem de operações especiais.
E o que você acha disso?
- O que eu acho? Do fato de mulheres não poderem participar de operações especiais? Eu já sabia disso quando entrei para o Exército. Ainda assim, a carreira militar oferece muitos trabalhos gratificantes para mulheres. Quer saber se estou chateada por não poder mais pilotar? Pode ter certeza que sim. Parece que me cortaram as pernas.”

O trecho acima é a conversa com Kara Resnik, 3ª subtenente do exército e a piloto de resgate do projeto. É o tipo de mulher que já teve sua dose de sofrimento na vida. Não quer confiar em ninguém, não se aproxima realmente de ninguém. Mas a vemos mudar com o passar das coisas. Ainda mais com a convivência com as outras pessoas escaladas para a equipe. As reflexões que ela faz acerca do projeto são sempre muito pontuais e mostram alguma humanidade, apesar de seu dever a ser cumprido.




“Não sei se eu estava nervoso ou muito cansado, mas o fato é que acabei ficando bêbado. Muito. Uma cerveja, um uísque, dois. Duvido que fosse escocês. Eu estava na segunda rodada quando destravei a língua.”

Ryan é o “capitão américa” da história: o soldado bonitão e fortão, salvador da pátria. É copiloto de helicóptero e foi convocado para o projeto junto com Kara para resgatar as peças do gigante.

Sim, você leu certo. O gigante está dividido em peças e a mão foi só o começo. Elas estão espalhadas por todo o globo terrestre, o que é um problema enorme... como você carrega uma peça de muitos metros através de um país que não é o seu, sem levantar suspeitas do governo local? Pois é. Complicado. 

E, para descobrir como ele funciona e descobrir/traduzir a língua em que as placas (descobertas juntas com as mãos) estão, Vincent Coulture, um linguista canadense se junta a equipe. Completamente contrário ao jeito de Ryan, Vincent é sarcástico, de humor ácido e extremamente inteligente. Tem um sério problema com frustrações, mas acaba se dando bem com todos.

E, por fim, Temos Alyssa Papantoniou. Ela é a geneticista encarregada de descobrir as funções internas do nosso robô. É insegura, maluca por poder e com atitudes que podem ser consideradas... Não consigo encontrar a palavra certa. Erronêas? Inconstantes? Questionáveis? Mas ela tem uma teoria interessante, pelo menos. Você verá.

A equipe funciona muito bem, cada um com sua personalidade e, depois de meses (talvez anos) trabalhando juntos horas a fio, vínculos vão sendo formados – até mesmo com o mistery guy.

A trama é bem mais profunda do que eles imaginavam, e no final, o que era um gigante, se torna um big robô da altura de um prédio de 20 andares... Que provavelmente não pertence a este planeta.

Vamos de conflitos entre nações a teorias interplanetárias. Nos faz pensar muito na razão de estarmos aqui, nas teorias que conhecemos e que, inevitavelmente, eu acabei comparando com as histórias egípcias (gigantes... sabe.). E ver que a única coisa que pode nos destruir somos nós mesmos... De certo modo. É... aterrorizante. 

Um brinquedo desses nas mãos humanas... As capacidades que este robô tem ainda vão muito além de nossa compreensão... Mas isso não impede a equipe de tentar. Acompanhá-los nessa descoberta, sofrer e comemorar com eles... Foi incrível.

Livro muito bom, trama excelente, ótimos personagens, acontecimentos inesperados.

Perfeito!!!

Ansiosa pelo livro 2: Wakings Gods, com previsão de lançamento (lá fora) no dia 4 de abril de 2017.

Para conhecer mais sobre a série, entre no site oficial (em inglês). O site é lindo!




1 comentários:

  1. que enredo atrativo e super diferenciado! cheio de bons elementos e olha que mesmo não sendo o tipo de leitura que me agrada de cara este me convenceu!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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