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8.9.16

{Resenha} Pureza




Autor: Jonathan Franzen
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2016
Sinopse: A jovem Pip Tyler não sabe quem é. Ela sabe que seu verdadeiro nome é Purity, que está atolada em dívidas universitárias, que divide um apartamento com anarquistas de Oakland e que sua relação com a mãe – a única família que tem – vai de mal a pior. Mas há coisas que ela não sabe: quem é seu pai, por que a mãe a força a uma vida de reclusão, por que seu nome é inventado e o que precisa fazer para levar uma vida normal. Uma típica jovem norte-americana, se algo pudesse ser chamado de típico num romance de Jonathan Franzen.
Até que tudo muda. Um breve encontro com um ativista alemão leva Pip à América do Sul, mais precisamente a um estágio no Projeto Luz do Sol, uma organização que contrabandeia segredos do mundo inteiro – inclusive sobre a misteriosa origem de Pip, ou pelo menos é o que ela espera. O gênio por trás do projeto é Andreas Wolf, um líder carismático que se tornou célebre após a queda do Muro de Berlim e com um passado tão obscuro e perigoso quanto sua própria organização. Foragido na Bolívia, Andreas se aproxima cada vez mais de Pip por razões misteriosas, e a intensidade desse encontro vai subverter as ideias de certo e errado que ela carrega sobre o mundo.
Imaginar uma galeria de tipos tão reais quanto originais é um prato cheio para o autor de As correções e Liberdade. Da California à Alemanha Oriental, este livro traz pais relapsos e mães dedicadas, ciberativistas e jornalistas ambiciosos, além de tantas figuras deste e de outros tempos e cujos caminhos irão se cruzar em terrenos tão contemporâneos quanto a onipresente internet, e tão antigos quanto a guerra dos sexos. Pureza é uma história sobre idealismo juvenil, lealdade extrema e assassinato, e o mais ousado e profundo trabalho de um dos grandes romancistas de nosso tempo.

Resenha:

Preciso começar falando dessa capa!! Que delicadeza, que lindeza, que sensação de paz que ela transmite!! Junto com esse título, só podemos imaginar uma história bela e leve, o que não condiz com o real conteúdo desse livro.

Voltando à minha constante crítica quanto às sinopses não serem impressas na contracapa, e sim, nas orelhas dos livros... Caraa!! A passagem do livro escolhida para a contracapa não poderia ter menos importância... De verdade, a editora fez um trabalho maravilhoso com a capa desse livro, que me chamou a atenção logo que vi, o céu azul, as nuvens, a luz do sol... Mas além de não ter a sinopse na contracapa, ainda colocaram uma passagem tão rasa comparada à profundidade do livro, que me decepcionou (mais do que nunca).

A história acontece simultaneamente em três lugares (Alemanha, Estados Unidos e Bolívia) e em várias épocas diferentes, conforme os personagens nos são apresentados. Os capítulos muito longos algumas vezes dificultam o acompanhamento da linha do tempo, que não é cronológica (para não dizer que é totalmente confusa).

Na verdade eu não gosto de capítulos muito longos, pelo simples fato que gosto de parar minha leitura ao final de um capítulo, por uma questão de organização das memórias. Em capítulos longos, nunca sei onde parar, onde acaba o assunto, e muitas vezes quando pego o livro de novo tenho que voltar na última página para entender do que estão falando.

A escrita de Franzen é extremamente sensível, detalhada. Descreve a vida, o passado e as características de cada personagem importante, o que garante a profundidade da trama e toda a sua costura.

Purity Tyler, mais conhecida como Pip, é uma garota que sonha conhecer o pai, segredo que sua mãe guarda a sete chaves, junto com seus próprios nomes verdadeiros. Com uma dívida estudantil que tira seu sono, Pip aproveita a oportunidade que lhe foi dada de trabalhar em um projeto na Bolívia do famoso Andreas Wolf, que fundou o Projeto Luz do Sol com o intuito de vazar informações, no estilo Wikileaks.

Andreas Wolf, alemão, mulherengo, algumas questões mal resolvidas com a mãe (um Complexo de Édipo talvez), esconde um segredo terrível que ainda o atormenta nos dias de hoje. O contexto político apresentado em sua história antes e depois da queda do Muro de Berlim e mais alguns outros fatores, tentam justificar suas atitudes. Porém, ao final do livro, penso que o peso carregado por ele todos esses anos acabou se tornando sua ruína.

Tom Aberrant era o dono do Denver Independent, jornal onde Pip foi trabalhar após voltar da Bolívia. Patrão e namorado de Leila ao mesmo tempo, Tom também tem seus segredos, como, por exemplo, sua relação com Andreas Wolf, sobre a qual ele não gosta de comentar.

Anabel, a ex-companheira de Tom, era filha de um milionário que rejeitava os negócios do pai, rejeitava sua herança, porém apresentava um comportamento extremamente infantil, como uma criança mimada. Sinceramente, tive muita dificuldade em passar desse capítulo, pois as discussões entre o casal eram insuportáveis.

Leila Heilou, uma jornalista investigativa que leva uma vida dupla, ao cuidar do marido paraplégico Charles parte dos dias da semana, e dormir na casa do namorado Tom nos outros. Após o tempo que passou na Bolívia, Pip conseguiu um estágio para trabalhar ao lado de Leila, e ganhou o coração da colega, inclusive indo morar com ela e Tom em determinado momento.

Passei o livro inteiro curiosa, tentando descobrir quem é o pai de Pip, por que sua mãe age de forma tão estranha, e que cargas d’água a história de um personagem tem a ver com a do outro. Tudo parece tão distante... É uma leitura densa, por vezes cansativa, mas que ainda assim consegue nos prender para seguirmos até o final.

A princípio, não consegui entender o porquê do autor detalhar tanto o passado de cada um, até compreender que eram peças de um quebra-cabeça e que tudo se encaixaria no final, para formar uma história de mágoas, crimes, segredos, mas que acima de tudo, é também, uma história de amor.

Ahh!! E parece que em breve poderemos acompanhar essa história na TV também... O canal Showtime será o responsável pela adaptação, que terá Daniel Craig (sim, o 007) como Andreas Wolf (além de ser o produtor executivo da série). O contrato inicial é de 20 episódios para dois anos de produção (prevista para começar em 2017), mas acredito que essa história dá muito mais pano para manga. Ainda sem data para lançamento, aguardo ansiosa por essa adaptação!!!




4 comentários:

  1. eu ainda não conhecia o livro, mas a trama tem um potencial que me atrai
    fiquei curiosa para conhecer mais da jornada de Pip/Purity para se compreender


    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Amanda querida, Franzen é um autor que eu gostaria muito de conhecer. Já tenho um Livro dele, Liberdade, mas é um calhamaço e eu adio a leitura por causa disso e também por saber que seus livros são difíceis, exigentes. Acho que vc trouxe na resenha tudo o que precisamos saber, fiquei com vontade de ler. Até fiquei tentada a solicitar o livro, mas amarelei pq sei que não é uma leitura simples. Agora me conte: quer ler outra livros dele?
    Parabéns!
    Bjs

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  3. Thaila, é um livro denso, mas vale à pena!

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  4. Manuh!! Confesso que esse foi mais um dos livros que imaginei você resenhando rsrs. Como disse para a Thaila, é um livro denso, pesado, muitas vezes até chato de certa forma, como citei na resenha os diálogos intermináveis e insuportáveis entre Anabel e Tom... Mas não dá para desistir de ir até o final... Você quer saber como a história termina e no final compreende como cada detalhe realmente fez a diferença... Espero ler outros livros dele sim!!! E espero que as histórias sejam tão inteligentes e bem costuradas como essa... Um beijoo!

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