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26.9.16

{Resenha} Uma Canção Para Uma Libélula #2


Autora: Juliana Daglio
Editora: Arwen
Sinopse: Era uma comum primavera numa fazenda qualquer, mas um encontro inusitado aconteceu: a Menina e a Libélula se viram pela primeira vez. Assombrada por um medo irracional da Morte, a Menina é marcada por esse encontro para o resto de sua vida. Compõe então uma canção em seu piano, homenageando a misteriosa libélula. Os anos se passaram, Vanessa vivia em Londres e tinha a vida cercada por seu iminente sucesso como pianista, porém, algo aconteceu, mudando seu destino: Uma doença, uma viagem e um reencontro. Vanessa precisará encarar fantasmas que sequer lembrava um dia terem assombrado sua vida, tendo de relembrar a morte do irmão e reviver seu conflito com a mãe. E mais importante e mortal, conhecer a grande antagonista de sua vida, a quem chama de Vilã Cinzenta. De Londres a São Paulo, dos Palcos aos Lagos. Uma canção para a Libélula é a história de uma alma perdida e de sua busca por quebrar o casulo de sua existência, para só então compreender o sentido da própria vida. Este livro é um profundo mergulho em uma mente nebulosa, permeada por lagos obscuros e pela inusitada morte; não havendo sequer esperanças.



Brochei, gente. E agora?

E nem foi por culpa do livro, apenas criei expectativas demais.

Nesta segunda parte, a história de Vanessa continua no exato ponto em que o primeiro livro passou. Temos participação de pontos de vista de outros personagens chave da trama, a escrita continua excelente.

Mas... Não achei que o modo com o qual foi escrito combina. É primeira pessoa, grande parte – 98% - no ponto de vista da Vanessa, e a personagem descreve com perfeição o sentimento e pensamento dos personagens com os quais ela interage. Não sei, não gostei por causa disso, acredito.

Se for pela parte da depressão, o livro é muito bem escrito, de maneira envolvente. A moça sabe escrever e deixa isso bem claro – há muitos autores que apresentam ter alguns problemas com descrições de sentimentos, cenas e coisas afins. Isso não acontece com a Juliana Daglio. Apresenta perfeitamente como a doença toma conta da mente da pessoa – pudera, nossa autora é psicanalista, então entende do assunto – e tira dela aos poucos cada fiapo de esperança.

E daqui pra frente pode ter spoiler do livro I, então continue por sua conta e risco, entendido?

Depois do trágico fim e a desesperança tomar conta de nossa protagonista, Nathan surge como um personagem chave, e não apenas uma sombra secundária de Vítor. O londrino torna-se uma presença constante e de extrema importância para Vanessa, mostrando a ela que a doença pode ser vencida.

A tristeza e a mágoa são muito grandes. Cada passo dado pela protagonista é uma grande vitória e todos estão ao seu lado e ela percebe isso... Para além, ela valoriza. E não apenas porque acredita que já causou sofrimento demais, mas sim porque ela ama todos ao seu redor e deseja a felicidade dos mesmos.

Mas... Chegamos a outro ponto que também não me agradou, mas acredito que é só porque tomei um pouco de antipatia pela situação: Vanessa só muda porque vê que um cara a ama. Tenta nos provar que não, mas só por um ou dois parágrafos... Depois é só pra agradar o cara, e não por ela mesma, como ela tenta mostrar. Sei lá... A doença é difícil. E somos ensinados a nos amar a medida que as pessoas nos amam. E não é assim que deve ser: preciso me amar para depois saber ser amada. Eu acredito nisso, pelo menos. É nisso que minha autoestima tem sido construída.

Enfim, voltando: muitas respostas são dadas na parte 2: sobre Felipe, sobre a realidade de Valéria, sobre Nathan... Foi bom ver tudo desvendado, mas de novo: a quantidade de eventos trágicos me deixou um pouco decepcionada, porque com isso a depressão parece um pouco forçada. Sabemos que é uma doença que não precisa exatamente de eventos trágicos e mágoas e sofrimento existente para existir. Os acontecimentos no geral vêm como consequência (fatores psicológicos e sociais, por exemplo) e não como causas da depressão. Uma criança introvertida não necessariamente será um adulto depressivo. Acredito que isso deve ficar bem claro.

Desde a infância podemos ver que Vanessa era triste por conta de tudo que sua mãe significava para ela. Mudou-se para Londres, a tristeza diminuiu e o que sobrou foi a introversão. Claro, não digo que não possa acontecer... Mas na história a tristeza profunda de Vanessa foi convergida apenas para a existência da depressão. Acho que isso foi o fator que me fez desgostar da personagem e talz...

Nossa protagonista supera toda a guerra que a vida lhe impôs, não deixando que o futuro lhe engula. Encontra seu caminho entre tais espinhos para encarar face a face sua Libélula novamente. Nos diz que mesmo que tudo nos diga que não vamos sobreviver a essa vida... Nós vamos.

A diagramação do livro é excelente, uma obra-prima da Arwen. Libélulas brilhantes dominam todas as páginas e a edição ficou realmente muito bem feita, não encontrei erros. Parabéns para a Arwen com esse ótimo livro!

Aproveitando para dizer a vocês que dia 10 de setembro é o dia mundial de Prevenção ao Suício! Use uma fitinha amarela neste dia se você apoia: pode ser uma blusa, um lacinho de cabelo, uma peça de roupa amarela qualquer...

Duas brasileiras, Thaís Weller e Amora Bettany desenvolveram um jogo para mostrar como é a rotina de alguém com ansiedade e depressão. As imagens são lindas, o jogo é maravilhoso, confira no link: https://thaisa.itch.io/rainy-day



3 comentários:

  1. uma pena quando isso acontece, às vezes a gente espera tanto que acaba acontecendo essa brochada mesmo!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Poxa, sinto muito que não tenha gostado desse parte da história.
    Mas agradeço muito a oportunidade de lê-la, e por ter seguido com a Vanessa até o final.
    Abraços.

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