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13.9.16

{Resenha}O Chamado de Cthulhu e Outros Contos







Autor: H. P. Lovecraft
Organização: Guilherme da Silva Braga
Editora: Hedra
Sinopse: O chamado de Cthulhu reúne desde as primeiras produções de Lovecraft, como Dagon até obras escritas logo antes de sua morte, como O assombro das trevas. Traz ainda o clássico O chamado de Cthulhu e A música de Erich Zann. O volume é um passeio pelo universo de um dos mestres do horror.







“Chtulhu fhtagn”

Sou apaixonada pelo horror e suspense. Vi muito de Stephen King, por exemplo. Li ainda mais. Poe, também. Tá, minha experiência resume-se mais a esses autores.
Este pequeno livro foi meu primeiro contato com Lovecraft assim, a fundo. Cheguei a começar a jogar um RPG narrado por um amigo baseado nos contos do autor, mas não completamos, foi aí que li um pouco mais sobre ele. E, quando a Hedra nos deus a oportunidade de ler os diversos contos publicados, eu fiquei muito contente e me esbaldei.

Aí... Bem, acho bom falar um pouco de Lovecraft, pois não são muitos que o conhecem ou a sua obra. E nisso o livro já começou acertando, pois Guilherme acerta uma bolona ao apresentar o autor ao leitor incauto. Ligue sua playlist mais sombria e venha adentrar neste universo conosco!



Howard Phillip Lovecraft nasceu na cidade de Providence, nos EUA em 1980. Quando o menino tinha 3 anos de idade, seu pai sofreu um colapso nervoso enquanto trabalhava em Chicago e foi levado para Butler Hospital, onde permaneceu por cinco anos até seu falecimento, ocorrido por provavelmente por ser portados d eum tipo de neurossífilis (quando a sífilis atinge o sistema nervoso central).

Sua criação ficou por conta de sua mãe, tias e avô (um industrialista da época). Criança precoce, já recitava poesia aos dois anos e aos três já lia. Entre os seis ou sete anos, já conseguia escrever. Após ler, aos cinco anos de idade, As mil e uma noites, ficou fascinado pelos assuntos árabes – foi com esse entusiasmo que, futuramente, ele criou “Necronomicon” (fãs do terror conhecem – A noite dos mortos vivos, alguém?!), sob o pseudônimo de Abdul Alhazred (eu achava que isso era verdade até descobrir que era só mais uma estória...). Porém, tudo isso foi eclipsado pela mitologia grega, nas leituras da Íliada e A Odisséia. Seu avô foi uma influência muito grande, pois o entretinha com com histórias improvisadas, góticas.

Cresceu um solitário, mas por razões de saúde – mental - em grande parte. Não frequentou a escola durante muito tempo, sendo ensinado em casa por seu avô. Teve interesse por ciências – química – e astronomia, chegando a publicar periodicamente artigos em revistas do ramo.

O falecimento do avô e a má administração dos bens familiares levou a família em sérias dificuldades financeiras e precisaram abandonar o lar vitoriano e ir para uma residência. Lovecraft ficou arrasado com ambas as perdas, talvez até pensado em suicídio; apoiou-se nos estudos para banir tais ideias. Mas em 1908 sofreu um colapso nervoso e não pode terminar a escola, pouco antes de se formar e, com isso, não pôde entrar na universidade. Apesar disso, foi um dos autodidatas mais formidáveis de seu tempo.

Mãe, Howard e Pai
Entre 1908 e 1913 viveu como um eremita, tendo um relacionamento de amor e ódio com sua mãe. Saiu de seu tempo recluso após ficar irritado com algumas estórias de amor publicadas em um magazine “pulp” de sua época. Escreveu uma carta em versos criticando o trabalho do autor e se meteu num debate acalorado na coluna de cartas da revista e foi notado pelo Presidente da Imprensa Amadora.

E foi assim que Lovecraft recomeçou a escrever ficção, numa rápida sucessão lançando vários contos (como The Beast In The Cave e Dagon, sendo que o segundo aparece no livro lançado pela Hedra).

Sua mãe faleceu em 1921, após uma cirurgia mal-sucedida no Buttler Hospital, onde estava internada desde 1919 após sofrer um colapso nervoso, deixando-o arrasado. Porém, recuperou-se em poucas semanas e foi numa convenção de jornalismo amador, onde conheceu Sonia Haft Green (uma judia russa sete anos mais velha que ele), aquela se tornaria sua esposa.

Casaram-se em 1924 e H. P. Lovecraft só avisou suas tias depois que o casamento ocorreu e por carta. As coisas no começo foram bem para o casal: Sonia tinha uma loja de chapéus bem sucedida na Quinta Avenida em NY e Lovecraft angariou para si a posição como escritor chefe na revista Weird Tales.

Como podemos ver, nada de bom durou muito para ele. Então não pode ser diferente... Seu casamento ruiu junto com a loja de Sonia e após ele negar um cargo de editor em uma revista vinculada à WT, porque teria que mudar-se para Chicago. A saúde de sua mulher também se esvaiu e ela foi internada durante um tempo num sanatório em New Jersey. As coisas foram ficando cada vez mais difíceis, pois ninguém queria empregar um “velho” de trinta e quatro anos e, em 1925, Sonia mudou-se para Cleveland e Howard, para um apartamento de solteiro num setor decadente do Brooklyn.

Apesar de ter amigos, estava cada vez mais depressivo por conta do isolamento em que colocou a si mesmo, escreveu contos que demostrou bem como estava seu ânimo durante esta fase de sua vida (The Shunned House ou The Horror in Red Hook). Em 1926 retornou para Providence sozinho, pois suas tias não admitiam que a esposa comerciante na casa e na vida do sobrinho. O divórcio veio em 1929.

Ao contrário de afundar-se em sua depressão como havia acontecido em todos os acontecimentos negros de sua vida, tornou esse tempo o mais produtivo de todos (seriam esses seus dez últimos anos de vida): escreveu sua melhor ficção: O Chamado de Cthulhu, em 1926, Nas Montanhas da Loucura, em 1931 e A Sombra dos Tempos, de 1934 a 1935, além de viajar para diversos lugares do mundo; estimulou jovens autores, voltou-se para questões políticas e econômicas e se tornou um socialista moderado.

Nos últimos três anos de sua vida, a coisa voltou a apertar: uma de suas tias morreram e precisou se mudar novamente, levando a outra consigo para um apartamento. Como seus contos foram ficando cada vez maiores, ficaram menos vendáveis e ele precisou ganhar seu sustento às custas de muita revisão ou como “ghost-writer” de histórias, poesias  eobras não ficcionais.

Em 15 de março de 1937 faleceu devido ao câncer no estômago, sendo sepultado no dia 18 no jazigo de sua família.

Enquanto era vivo, suas obras não viraram livros, se não contarmos os contos publicados junto às magazines e tal. Mas como trocou muitas cartas e fez amizades assim, dois amigos August Derleth e Donald Wandrei foram obstinados em amnter as obras de Lovecraft vivas e criaram o selo Arkham House.

Hoje suas obras são conhecidas mundialmente, assim como as cartas trocadas com seus correspondentes. Se você gosta do gênero suspense/thriller, vai gostar muito dele.

Mas, como eu disse, o livro lançado pela Hedra foi meu primeiro contato direto. Sempre gostei de Cthulhu e finalmente poder lê-lo no papel foi uma experiência maravilhosa.

Temos acesso à sete contos: uns me agradaram mais que outros, mas talvez seja por conta da escrita rebuscada, da excelente descrição... E em alguns ia muito para o lado científico (uma das paixões de Lovecraft) e aí eu me entediava um pouquinho...

O horror dele é aquele que... De certo modo, parece plausível. Deuses gigantes obscuros que estão só esperando algo importante acontecer para retornar. Vindos de mundos distantes... Ou demônios que vem de seus buracos. A insanidade humana quando se depara com aquilo que desconhece... A descrição das criaturas é perfeita para te dar pesadelos à noite, de tão precisa que são. Até seus cheiros você consegue imaginar...



O conto que mais gostei de fato foi o Chamado de Cthulhu e A música de Erich Zann (um horror fantasmagórico). Vou colocar alguns trechos de alguns contos que gostei, assim podem sentir mais a atmosfera criada pelo autor.

“É um erro achar que o horror está necessariamente associado à escuridão, ao silêncio, à solidão.” – Ar Frio

“Seria inútil tentar descrever o modo como Erich Zann tocou naquela noite pavorosa. Foi mais terrível do que qualquer coisa que eu jamais tivesse ouvido, porque dessa vez eu podia ver a expressão no rosto dele e ter certeza de que sua motivação era o medo em estado bruto.” – A música de Erich Zann


“A coisa mais misericordiosa do mundo é, segundo penso, a incapacidade da mente humana em correlacionar tudo o que sabe.” – O Chamado de Cthulhu

1 comentários:

  1. não conhecia o livro e apesar do autor ser tão renomado também não o conhecia, fiquei curiosa
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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