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25.10.16

{Resenha} Essa luz tão brilhante - Será que a melhor coisa pode acontecer no pior momento?



Título Original: This Raging Light
Autora: Estelle Laure
Editora: Arqueiro
Ano: 2015/2016
Sinopse: O pai dela surtou e foi internado. A mãe disse que ia viajar por uns dias e nunca mais voltou. Wren, sua irmãzinha, parece bem, mas já está tendo problemas na escola. Lucille tem só 17 anos, e todos os problemas do mundo. Se não conseguir arrumar um emprego para pagar as contas e fingir para os vizinhos que está tudo em ordem, pode perder a guarda da irmã. Sorte a dela ter Eden, uma amiga tão incrível que se dispõe a matar aulas para ajudá-la. Azar o dela se apaixonar perdidamente justo agora, e justo por Digby, o irmão gêmeo de Eden, que é lindo, ruivo... mas comprometido.
Essa luz tão brilhante é a história de uma garota que descobre uma grande força dentro de si enquanto aprende que a vida e o amor podem ser imprevisíveis, assustadores e maravilhosos – tudo junto e misturado.



“A mamãe é que fazia todas essas coisas sem que ninguém se desse conta. Agora eu me dou conta. Reparo que ela não está. Reparo que ela não faz.”

Ausência.

É basicamente, para mim, o sentimento e palavra que resumem este livro.

Lucille Bennet é a irmã mais velha de 17 anos de Wrenny Bennet, sua irmã de 9 anos. E elas estão sozinhas em casa, uma casa que é o reflexo da família das duas meninas: uma casa sem reparos, uma casa solitária caindo aos pedaços, com ninguém se importando como ela está ou como se mantém em pé. Ela sabia que sua família não era comum, mas ainda era uma família.

Quando seu pai surtou e foi internado, ela estava presente. Acredito que foi naquele pequeno momento que Lucille descobriu sua verdadeira força, sua luz inesgotável. Apesar de ter 17 anos, carrega muitas reponsabilidades. Não é correto, é claro, uma vez que muita coisa fica a cargo dela como irmã mais velha. Mas sempre os pais acabam delegando muitas coisas ao irmão mais velho, sem se lembrar que ele ainda pode ser uma criança.

Acordar um dia e saber que seus pais foram embora e não saber se vão voltar, é traumático para qualquer criança. Vemos na casa Bennet que a solidão e o medo de ficar sozinha é muito grande... Mesmo que elas estejam juntas, Lucille sabe que não é a mãe, que não será o suficiente para Wrenny. A maneira como uma se agarra à outra para continuarem vivendo é linda e, ao mesmo tempo, de cortar o coração.

“Algumas coisas não podem ser desditas, desfeitas.”

A mãe, depois do surto de seu marido, resolve tirar férias de tudo – inclusive das filhas. Precisava espairecer e por isso abandonou Wren e Lucille por duas semanas. Ainda havia alguma comida... Mas as coisas não andam nada bem quando tudo o que ela tem são 100 doláres e nenhuma notícia da mulher. Então é isso. Uma mãe se cansa e resolve ir descansar longe de suas responsabilidade, sem nem pensar que as filhas também precisam espairecer depois de tudo o que andam passando.

“- Eden, estou fazendo um jantar para minha família, o que é uma alegria para mim. – ela soltou um suspiro bem alto. – Eu não devia precisar explicar isso. E não é nenhum crime deixar os dois jogarem de vez em quando.
- Sim, mas quando é que a gente vai jogar, mãe? Esta é a minha pergunta.”

É claro que toda cidade sabe que o pai está internado... Mas não sabem que a mãe está desaparecida a mais tempo do que ela disse que ficaria longe. Então sua amiga Eden, a melhor bailarina da cidade e gêmea de outra mãe, resolve ajuda-la no que puder. E o mais interesse também de Eden é sua própria força. O que mais me deixou feliz com este livro é a força de todas as personagens, você consegue ver claramente o que os movimenta, o que os faz continuar vivos. Se Lucille é uma tigresa, Eden é uma leoa. E Wrenny é um unicórnio feliz.

“(...) fico pensando que, às vezes algo lento acontece rápido e você não consegue apreender bem o momento, independentemente de ter sido importante, de ter de fato acontecido ou de você ter inventado.(...)”

A jovem precisa trabalhar para manter a casa, então Eden se compromete a cuidar de Wren, mas quando as coisas apertam é Digby quem assume, o irmão gêmeo de Eden e amor platônico de Lu. Ele é um cara gentil, que gosta de socorrer as pessoas em perigo mas aparentemente só pensa em Lucille como uma amiga da irmã *risinhos abafados*

As demais personagens que vão surgindo na trama são incríveis também. As meninas que trabalham no Fredy’s e o próprio Fred... E o cara é o máximo! Tá que ele usa meninas de shortinhos em seu bar e tal... Mas ele é demais. É o nerd dos anos 70 que conseguiu algum sucesso e depende apenas de si mesmo, mas que tem o coração no lugar certo.

Os anjos das irmãs também são maravilhosos. Claro, aparecem pouco, mas o suficiente para nos conquistar e querermos saber cada vez mais sobre eles.
O pai é uma figura misteriosa, desapareceu depois de deixar a família e não queria que ninguém se aproximasse. Pelo que Eden diz, era um pai “cool”. Não um pai que se pudesse depender dele ou contar com ele.

“- Segredos não são nada bons. Acho que todo mundo tem um. Ou tem coisas que não quer revelar sobre si mesmo, por não estar pronto. Algumas coisas continuam especiais por mais tempo quando ficam guardadas com a gente, mas outras apodrecem quando a gente não pode falar. (...)“

A escrita de Laure é linda, fluida e te faz não querer parar. Suas personagens são apaixonantes e você quer chegar ao fim do livro para saber como as coisas ficam, mas não quer que o livro acabe. Espero sinceramente que haja uma continuação, porque as coisas não podem terminar com um piscar de olhos!!! É emocionante demais, especialmente por ser narrado em primeira pessoa e descobrir com Lucille cada pequeno novo movimento em sua vida. Alguns angustiantes, outros emocionantes.



Este é um livro com várias lições. Amo livros com personagens femininas fortes e marcantes!

E vocês?


“(...) Sou um monstro que solta fogo pelas ventas e não vou vacilar.(...)



1 comentários:

  1. gostei da trama, Luce é uma guerreira linda e que tem uma história de fé em si mesma e aprende a ter nos outros
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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