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16.11.16

{Resenha} As Virgens Suicidas



Título Original: The Virgin Suicides
Autor: Jeffrey Eugenides

Editora: Companhia das Letras

Sinopse: Num típico subúrbio dos Estados Unidos nos anos 1970, cinco irmãs adolescentes se matam em sequência e sem motivo plausível. A tragédia, ocorrida no seio de uma família que, em oposição aos efeitos já perceptíveis da revolução sexual, vive sob severas restrições morais e religiosas, é narrada pela voz coletiva e fascinada de um grupo de garotos da vizinhança. O coro lírico que então se forma ajuda a dar um tom sui generis a esta fábula da inocência perdida.
Adaptado ao cinema por Sofia Coppola, publicado em 34 idiomas e agora em nova tradução, o livro de estreia de Jeffrey Eugenides logo se tornou um cult da literatura
norte-americana contemporânea. Não por acaso: essa obra de beleza estranha e arrebatadora, definida pela crítica Michiko Kakutani como “pequena e poderosa ópera no formato inesperado de romance”, revela-se ainda hoje em toda a sua atualidade.
Sempre ouvi falar deste livro (e do filme), então decidi matar a minha curiosidade e descobrir quem foram as virgens suicidas.

Pela sinopse, não seria um livro que eu escolheria. Impessoal, investigativo... Mas fiquei feliz em descobrir que meu “julgar pela capa” falhou: a história é simplesmente incrível.

Narrada por um dos vizinhos da família Lisbon, vemos tudo acontecer através de seus olhos e seus pensamentos, suas memórias de anos atrás, ainda sem saber a razão a qual levou as meninas ao suicídio, as cinco garotas mais fascinantes do bairro.
“’- O que você está fazendo aqui, meu bem? Você não tem nem idade para saber o quanto a vida pode se tornar ruim.’E foi então que Cecília forneceu oralmente aquilo que seria sua única forma de bilhete de suicídio, e ainda por cima um bilhete inútil, pois ela sobreviveria: ‘É óbvio, doutor,’ ela disse, ‘você nunca foi uma menina de treze anos.’”
As meninas Lisbon do filme
Cecília tinha 13 anos, Lux – 14, Bonnie 15, Mary 16 e Therese 17 e viveram em meados dos anos 70. Residiam com seus pais e frequentavam uma escola particular, a mesma na qual seu pai era professor de matemática. E todos os alunos, professores, vizinhos as observavam. Eram cercadas de uma “aura mística”, magnética que atraía os olhares de todos. Embora fossem cinco meninas diferentes, eram muitas vezes confundidas, misturadas umas às outras. Eram... Como borboletas de uma mesma espécie: diferentes... Mas iguais. Inalcançáveis. Efêmeras.

Ninguém se atrevia a falar com elas, a se aproximar, a tocá-las... Provavelmente pelo medo de que suas fantasias a respeito das garotas Lisbon se desfizessem.
“...Cecília havia vertido sangue na banheira porque era isso que faziam os antigos romanos quando a vida se tornava intolerável.”
A família era religiosa – provavelmente a mãe é que era a fervorosa – e extremamente conservadora, o que só servia para aguçar o imaginário daqueles que as observavam da janela de suas casas. A mãe, em especial, se mostrava extremamente protetora e rígida. Tais traços não correspondem a época em que viviam, em que o mundo começou a se abrir para uma nova era, a qual nem todos estavam prontos para aderir. Os pais parecem querer manter as filhas o mais longe possível do mundo... E acredito que aqui tenha sido o erro de tudo.

Adolescentes com o desejo de viver à flor da pele... E tiveram todos eles sufocados, presos em revistas e mantido atrás de suas janelas.

Os meninos tinham plena ciência da existência das meninas Lisbon e elas, deles. Foi incrível notar, no agrupamento de memórias que eles repartem, o quanto haviam se dedicado à elas. E, em análise posterior, o que havia dado errado. Ou não, pois no meio de tudo, há pesquisas de médicos dizendo que o que aconteceu não poderia ter sido diferente, dadas às circunstâncias.

O livro é um relato da vida de muitos adolescentes: a lente de encanto que possui por trás dos olhos, o desejo por mais do que se tem, a cegueira da projeção – projetar no outro o nosso desejo, que bloqueia a realidade daquela pessoa, o imediatismo, o mistério do sexo, a explosão de hormônios... O adoecimento psíquico e emocional que pode acontecer...

Este livro para mim foi uma viagem aos meus tempos de adolescente, de certo modo, pois retrata também a estranheza dos pais em relação aos filhos: estranhos com os quais você é obrigado a morar com. Acho que isso vale para ambas as pontas desta relação.
“(A velha louca que encontramos dia após dia no elevador se revela perfeitamente lúcida quando enfim conversamos com ela.)”
A vida, como mostrada através da história de Eugenides, é extremamente mutável. A mudança é uma realidade e nem todos sabem como lidar com ela ou como aguentá-la. Se não se conseguir isso, corre-se o risco sério de enlouquecer. Ou ser apenas uma foto: para sempre parada, eternizada num único momento, apenas observada. É difícil e sofrido... Mas às vezes a vida dá seus pulos para nos fazer acompanha-la... Pelo bem ou pelo mal.

A edição da Companhia das Letras atrai muito a atenção, com uma jovem de pés no ar, estirados. Temos duas impressões imediatas: uma jovem pulando... Ou uma jovem pendurada.


O filme é muito fiel ao livro. As obras da Sofia Coppola são sempre muito artísticas e de cores pastéis. Acredito que a escolha das atrizes e dos atores foi muito acertada, pois há grandes nomes ali. As meninas são: Therese (Leslie Hayman), Mary (A.J. Cook), Bonnie (Chelsea Swain), Lux (Kirsten Dunst) e Cecilia (Hanna Hall). O foco ficou mais em Lux e Cecília, mas isso não diminuiu o impacto do filme.





Gostei dele tanto quanto do livro!

5 comentários:

  1. Oi,

    adorei a resenha, sempre tive vontade de ler, mas li alguns comentários que a narrativa era arrastada então desisti, mas agora (após sua resenha) o desejo de ler foi despertado.

    xoxo
    Mila F.
    www.delivroemlivro.com.br

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    Respostas
    1. Eu sinceramente não achei arrastada, me envolveu bastante! Fico feliz que você tenha repensado sobre lê-lo!!!
      bjos!

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  2. Olá minha linda.
    Gostei bastante da sua resenha. Quero muito ler esse livro.
    Beijocas.

    meumundosecreto

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    Respostas
    1. Muito obrigada Vanessa! Fico feliz em saber que você gostou <3<3<3
      Bjos!!!

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  3. ja li ótimos comentários a respeito! estou realmente curiosa e esse jogo da imagem na capa é realmente intrigante
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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