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7.11.16

{Resenha} Atlas de Nuvens



Título Original: Cloud Atlas
Autor: David Mitchell
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Neste que é um dos romances mais importantes da atualidade, David Mitchell combina o gosto pela aventura, o amor pelo quebra-cabeça nabokoviano e o talento para a especulação filosófica e científica na linha de Umberto Eco, Haruki Murakami e Philip K. Dick.
Conduzindo o leitor por seis histórias que se conectam no tempo e no espaço - do século XIX no Pacífico ao futuro pós-apocalíptico e tribal no Havaí -, Mitchell criou um jogo de bonecas russas que explora com maestria questões fundamentais de realidade e identidade.




Pode ter spoilers, mas estou evitando isso ao máximo, ok?


“Os fracos são comida e os fortes irão comer.”


Se quer um livro que te dá muito o que pensar, esse é um dos que podem estar na lista.

No começo, achei meio confuso. 

O relato é de Adam Ewing e seu encontro com indígenas em uma viagem ao Pacífico. Ele, um tabelião dos Estados Unidos que foi a Austrália em uma missão. Depara-se com a estranheza daquele povo e também com sua... Magnitude. Aprende um pouco sobre a cultura local, como a civilização branca os atingiu. Além de serem escravos dos brancos, são inferiores a outra tribo indígena e os brancos sentem que está tudo bem. Melhor para eles se todos desaparecerem. Desde que, é claro, ainda restem escravos para lavar suas roupas, fazer sua comida e cuidar de todo o trabalho que não querem fazer.

Vemos em Adam o inconformado com a situação, mas que não consegue fazer nada para mudá-la. Não só com os escravos, mas também com os brancos. O capitão do navio e o sub são canalhas completos e se aproveitam de toda e qualquer situação. 

Então, estamos acompanhando Ewing... E acaba. 

“Um livro lido pela metade é como um caso de amor não consumado”

Robert Frobisher é o próximo. Um músico excelente e falido, não tem nenhum crédito em Londres. Busca de outros modos uma maneira de se sustentar e acaba partindo para a Bélgica, para tentar trabalhar para outro músico famoso. 

Conhecemos a história dele através de cartas que ele envia para seu amigo, relatando como está e o que anda acontecendo com ele, se seus planos estão indo bem ou não e coisas assim. 

Mas, de novo, temos nosso coração arrasado.

“É na mídia – e não apenas no Washington Post – que as democracias encenas suas guerras civis."

Luisa Rey é uma jovem jornalista com um legado atrás de si. Quer fazer a diferença, mas está muito longe de seu objetivo. Até que um furo cai em seu colo e sua vida muda completamente. Vê-se envolvida numa situação que vai além de tudo o que imaginamos e no clímax de seu conto... Fim.

Coração Partido.

“Poder ilimitado nas mãos de gente limitada sempre dá em crueldade”

Timothy Cavendish é um cara de 60 anos, dono de uma editora de livros. Não tem muita sorte em suas publicações, é extremamente irônico e um tanto debochado. Por obra do destino, acaba tendo um golpe de sorte... Mas quando algo acontece... 

Sim, é isso. Pulamos de novo.

“Nós somos apenas aquilo que sabemos.”

Somni~451 é... Incrível. Essa é a única palavra que posso dizer, ok? E que ela está anos à frente do Sr. Cavendish. Leiam por si mesmos a história e me digam o que acham dela. Só digo que ela é corajosa. 

“A verdade verdadosa é que num saber o pior é mais pior que saber.”

Zachry é o último que conhecemos. É cronologicamente depois de Somni e vive num mundo... Pós-apocalíptico. Vive numa tribo mais ou menos civilizada, mas... ainda existem selvagens. Ele é o tipo de pessoa que nos identificamos, para mim o mais próximo de um “humano” é ele. É meio roceiro e ele quem narra a sua própria história.

E é isso.

“Nuvem é um conjunto visível de partículas minúsculas de água líquida ou de gelo, ou de ambas ao mesmo tempo, em suspensão na atmosfera.” (fonte

Atlas de Nuvens é uma reunião de histórias dessas 6 pessoas nesta magnífica obra. Sendo que na história (mesmo na nossa, como humanos) somos apenas pequenas partículas que vivem numa pequena partícula do universo. Nossos atos podem desencadear várias sequências de fatos.

É muito intrigante ver como o autor utiliza esse pequeno detalhe para montar seu livro, e nos deixa uma surpresa em cada relato ao nos depararmos pequenas combinações fantásticas entre si e acabamos sem saber o que é de fato e o que não é. Resta apenas ao leitor decidir se aquilo é uma “verdade verdadosa” ou apenas nossa imaginação querendo ligar tais coisas. 

Todas as histórias acontecem em épocas diferentes, desde Ewing próximo a corrida do ouro nos EUA até Zachry e sua história incrível. Ele dá vida a cada personagem como se fossem livros diferentes, mas ainda assim interligados. Eu vibrava e apontava que nem boba as coisas que ia encontrando.

Todas as histórias no começo terminam sem fim, como puderam notar. E depois são retomadas em ordem inversa até chegarmos em seu personagem principal.

Somni~451, Zachry e Luisa foram minhas partes prediletas, pois os outros senti meio parado e me levou a demorar um pouco com a leitura, mas tudo valeu a pena, no fim.



Há também um filme de mesmo nome (no Brasil ficou como A Viagem), lançado em 2012 e dirigido por Lilly e Lana Wachowski e Tom Tykwer. É um dos filmes independentes mais caros de todos os tempos.




O filme muda um pouco as coisas, como é comum a adaptações para o cinema. Mas nada que mude o sentido da história... Senti falta de algumas explicações, pois o filme deixa tudo ainda mais confuso: se você não leu o livro antes de assistí-lo, vai ficar perdido. Assisti com meu marido e ele ficava perguntando as coisas toda hora porque não entendia direito o que estava acontecendo. Porém isso não tira a qualidade do filme!

Recomendados!

1 comentários:

  1. oi flor, eu adorei a capa, amo capas em que vários elementos se combinam e a proposta esta super diferenciada
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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