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27.12.16

{Resenha} Juntando os pedaços


Título Original: Holding Up The Universe
Autora: Jennifer Niven
Editora: Seguinte
Sinopse: Jack tem prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer o rosto das pessoas. Quando ele olha para alguém, vê os olhos, o nariz, a boca… mas não consegue juntar todas as peças do quebra-cabeça para gravar na memória. Então ele usa marcas identificadoras, como o cabelo, a cor da pele, o jeito de andar e de se vestir, para tentar distinguir seus amigos e familiares. Mas ninguém sabe disso — até o dia em que ele encontra a Libby. Libby é nova na escola. Ela passou os últimos anos em casa, juntando os pedaços do seu coração depois da morte de sua mãe. A garota finalmente se sente pronta para voltar à vida normal, mas logo nos primeiros dias de aula é alvo de uma brincadeira cruel por causa de seu peso e vai parar na diretoria. Junto com Jack. Aos poucos essa dupla improvável se aproxima e, juntos, eles aprendem a enxergar um ao outro como ninguém antes tinha feito.

Pessoas, pode conter spoilers, ok?

Não deixe o título te enganar. 

Eu demorei a entender o real sentido da história, passei o dia todo matutando sobre o que havia lido tão avidamente nos dois últimos dias, sobre me sentir triste... E notei que é justamente o contrário! E só percebi isso depois de procurar as músicas que Libby ouve no decorrer de sua estória. Por eu ser uma pessoa melancólica, normalmente uso músicas nostálgicas e calmas, senão tristes, para escrever. Mas a Libby não é assim! Não é nenhum pouco! E só descobri isso ao prestar atenção na música, na primeira música dessa playlist.
“I'm bringing sexy back (yeah)
Eu vou trazer a sensualidade de volta (yeah)
Them motherfuckers don't know how to act (yeah)
Os filhos da puta não sabem como agir (yeah)
Come let me make up for the things you lack (yeah)
Venha cá compensar as coisas que lhe faltam (yeah)
Cause you're burning up I gotta get it fast (yeah)”
Pois você está queimando, eu vou fazer isso fácil (yeah)

Aí ouvi isso (Sexyback, tá na playlist obrigatória ali em cima!) e pronto! Caiu a minha ficha!!! Vamos resenhar e dançar, pois é isso que Libby Strout ama! 

Libby Strout está indo pela primeira vez a escola, em três anos. Está ansiosa, pois suas últimas experiências escolares foram traumatizantes: a menina sofria bullying por sua compleição física: não era magra o suficiente, mesmo não sendo gorda. E nenhum amigo se colocava ao seu lado, então seu pai havia decidido tirá-la da escola e ensiná-la em casa. A morte da mãe pesou incrivelmente em seus ombros juvenis e o medo da morte lhe assombrava. 
“(...) e sinto um vazio no peito que está lá desde que minha mãe morreu. A perda faz isso, nos atinge do nada. Podemos estar no carro ou na aula ou no cinema, rindo e nos divertindo, e de repente é como se alguém enfiasse o dedo na ferida e apertasse com toda a força.”
Para conseguir suportar tudo isso, começou a comer. Afinal, para aguentar o mundo, você precisa ser grande. E Libby ficou grande: precisou ser resgatada de dentro da própria casa seis meses depois, após um ataque de ansiedade e ficou conhecida como A Adolescente Mais Gorda do Mundo, com 226kg acima do peso.

Foi para uma clínica de reabilitação onde, para além de tratar-se fisicamente, precisou também de um grande fortalecimento mental e emocional. E aprendeu que mesmo pessoas que nunca lhe viram na vida, podem lhe odiar por simplesmente ser diferente do padrão. Recebia cartas de pessoas lhe ofendendo, agredindo seu pai, desejando-lhe a morte por ser gorda. Algumas pessoas podem ser simplesmente terríveis, nós sabemos disso.

Jack estava assistindo ao momento de seu resgate. Ninguém nem mesmo acreditava que haviam pessoas vivendo na casa de Libby e seu pai. Mas ele, ao contrário de todos, não riu quando a menina foi içada, não a ofendeu. Lhe desejou melhoras, com todo seu coração. E esse é Jack Masselin: um coração de ouro numa personalidade de merda (descrito por ele mesmo, ok?). Não se lembra desde quando tem prosopagnosia, mas a oculta de todos que conhece, assumindo algumas formas de sobrevivência quando se encontra em grupos de amigos e na escola, até mesmo em casa. 

Ninguém sabe... Exceto Libby, pois ao tomar uma atitude terrível com a justificativa de que seria pior se outra pessoa fizesse, explicou tudo sobre ele, para ela. Apesar de ficar com muita raiva, ela tenta entender as razões do menino.
“As pessoas fazem merdas por vários motivos. Às vezes, são simplesmente pessoas escrotas. Às vezes, outras pessoas fizeram merda com elas e, apesar de não perceberem, tratam os outros como foram tratadas. Às vezes fazem merda porque estão com medo. Às vezes escolhem fazer merda com os outros antes que façam merda com elas. É uma autodefesa de merda. – Isso eu conheço bem. – Quem fez merda com você?”
Apesar de ter perdido muito do peso, Libby é gorda. E continua sendo a garota mais gorda, pelo menos da escola, então escolhe tomar decisões antes que façam coisas com ela e é simplesmente incrível o banho de autoestima e brilho que essa garota dá. Tem todo o motivo para se abalar novamente, mas ela escolhe brilhar, ela escolhe dançar e girar, sambando na cara daqueles que querem lhe colocar para baixo apenas para se sentirem bem consigo mesmos. Que deixam cartas em seu armário com frases como “Ninguém gosta de você.”, ou postam em sua foto comentário como: “Emagreça sua puta gorda” ou “Se eu fosse gorda assim, ia querer me matar.”

O castigo que ambos recebem da diretora acaba permitindo a eles uma convivência maior, que não seria permitida se Jack estivesse em um grupo grande, já que possui a dificuldade de reconhecer as pessoas. O professor Levine, responsável pela Roda de Conversa é uma criatura maravilhosa e sensível o suficiente para permitir que todos os alunos ali mostrem o seu melhor para si mesmos.

Jack, para além de seu problema neurológico, também está com problemas familiares: seus pais já não se comportam muito como um casal e seu irmão mais novo amante de Jackson 5, Dusty, é excêntrico e está sofrendo merdas na escola também, então dá grandes lições para o leitor – e para seu irmão mais velho, especialmente. Jack se tornou bom em enxergar as peças para formar um todo, então é um excelente construtor. Sua família é dona de uma fábrica de brinquedos, então ama inventar coisas novas e lidar com os negócios da família.
“Se eu quiser usar bolsa, vou usar. Não vou deixar de fazer isso porque os outros podem não gostar.”
Eu me senti triste ao terminar o livro, mas mais porque muitas vezes eu não consigo ter a força que Libby tem para lidar com todas as merdas que jogam em cima dela. Sua coragem e sua força em suas batalhas são inspiradoras, mesmo que ela só esteja fazendo para si mesma, uma vez que “A gente não pode lutar as batalhas das outras pessoas, por mais que dê vontade.”. Apesar de toda a ansiedade, o medo, ela consegue ficar diante de todos e não se importar com as coisas ruins, afinal depois de tudo o que ela passou, as pessoas da escola são insignificantes. Basta agir antes que eles ajam e não saberão mais como reagir e só restará a reflexão sobre seus atos.

Juntos, Libby e Jack vão descobrindo como lidar com todas as merdas que causam ou a que são submetidos. Que sozinhos não vão conseguir, mas junto daqueles que os amam podem enfrentar qualquer multidão. Que o que nos torna perfeitos são os pequenos pedaços de nós mesmos que juntamos em nosso dia a dia. 

Todos os personagens são explorados ao máximo, nos trazendo pequenas reflexões sobre vários julgamentos que fazemos às pessoas ao nosso redor. Aquela líder de torcida pode ser terrível por ter algo dentro dela que ela não aceita e reflete no outro sua raiva por si mesma, por exemplo. Seu amigo engraçado pode ser engraçado para tentar não deixar a raiva, ou tristeza ou angústia lhe corroer. Nem tudo o que vemos é verdadeiramente aquilo.

Amei ler este livro, amei que este fosse o primeiro livro da Jennifer que li. Os capítulos são divididos em dias ou horas, sob a perspectiva de Libby e Jack, como sentiram cada coisa que passaram, juntos ou separados. Ver o romance se formando me fez vibrar a cada página, e foi estranho eu me dar conta de que às vezes me peguei pensando de forma negativa, como quando há um bilhete que pode fazer com Libby odeie Jack se caísse nas mãos dela. Eu pensava: “Alá, quer ver que ela vai achar e vão brigar e aí acabou-se tudo. Fim.” Me fez refletir meu lado negativo, especialmente agora refletindo sobre a história toda e analisando meus sentimentos em relação à ela. 

Aprendi que eu sou eu mesma. E me amo por isto, a ponto de rir de mim mesma e me sentir bem, pois eu sei quem eu sou e não sou o que as pessoas querem que eu seja. Esta são a Libby e o Jack. 

E vou deixar aqui a música que representa isso perfeitamente!


Espero que amem esta história tanto quanto eu amei!



Nota no Skoob: 5 estrelas.

2 comentários:

  1. ainda não li nada dessa autora, mas só leio comentários tops a respeito de seus livros e isso muito me instiga
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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    1. Foi essa a razão que me levou a desejar esse livro, Thaila!

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