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13.2.16

Recomendação Literária - Deixe-me Entrar



Título: Deixe-me Entrar
Autora: Letícia Godoy
Editora: Arwen

Um pouco da autora:

Letícia nasceu em fevereiro de 1994 em Curitiba, porém, cresceu em Siqueira dos Campos, onde descobriu seu gosto por leitura. Aprendeu a ler e escrever aos 4 anos de idade, tendo como primeira professora sua a mãe. Aos 8 anos começou a escrever seus primeiros contos em restos de cadernos escolares e desde então nunca mais parou. Ingressou na faculdade de Letras e aos 18 anos publicou três contos na analogia intitulada Pontos da Vida, sua primeira aventura. Atualmente dedica-se a romances e a revisões textuais e pesquisas no ramo da linguística. (Fonte)
A autora.
Opinião:  Lendo as primeiras páginas do livro, logo fiquei presa a trama, o assunto abordado é algo a qual sempre me interessei e, admito, tenho diversos livros e uma história não terminada sobre.

 Com temática de fantasia e um amor impossível, Deixe-me Entrar se revelou ser uma série que ainda tem muito para contar.

 Inicia-se no tempo de caça às bruxas se estendendo até os dias atuais, cada página da um gostinho de ”quero mais”, tornando o livro interessante.

 No prólogo nos é apresentado provavelmente o casal principal do livro, Gerard, o vampiro e Jeanne, a bruxa, ambos destinados a se separarem após passarem por longa caminhada juntos. Jeanne fadada ao destino de todas as bruxas da época, abandona a Gerard, deixando com ele suas memórias, afinal, humanos não poderiam saber dos segredos que bruxas escondem.

 A partir do primeiro capítulo seguimos a história de Julianne, que viveu toda sua vida em um internato, longe dos pais e irmãos, entretanto, a notícia de que seu pai irá leva-la para casa abala seu pequeno mundo e transforma sua vida.
Deixe-me Entrar promete ser uma série envolvente e repleta de mistérios que irão prender a qualquer um. 

Já está em pré-venda aqui!





12.2.16

Enquanto Bela Dormia - Elizabeth Blackwell


“Você acredita em contos de fadas?”

Autor: Elizabeth Blackwell
Editora: Arqueiro
Ano: 2016
Sinopse: Nos salões de um castelo, uma confidente leal guardou por muitos anos os segredos de uma rainha linda e melancólica, uma princesa que só queria ser livre e uma mulher que sonhava com a coroa. Esta é sua história.


Resenha:

Posso começar falando sobre a capa? Linda, delicada, daquelas que chamam a atenção em qualquer prateleira de livrarias.

A escrita de Elizabeth Blackwell é extremamente suave, nos enche de ansiedade em alguns momentos, nos faz suspirar em outros, e nos surpreende com cada reviravolta em sua história. Já comecei a ler pensando que seria um livro mais infantilizado, por se tratar de um conto de fadas, mas percebi que ela escreveu justamente uma história de amor para adultos, fazendo com que essa releitura de uma história tão clássica se tornasse deliciosa de ler e relembrar.

O livro é narrado em primeira pessoa por Elise, que revela a seus bisnetos a “verdadeira história” que deu origem à lenda da Bela Adormecida, que essas crianças adoravam ouvir.

Elise perdeu quase toda a sua família quando tinha 14 anos, devido a uma epidemia de varíola. Ela também contraiu a doença, mas sobreviveu. Ela tinha um sonho de trabalhar na corte, um sonho distante da sua família camponesa, que sua mãe evitava encorajar. Porém, quando sua mãe percebeu que não iria sobreviver à doença, ela orientou a filha a procurar por sua irmã Agna na cidade, já que não poderia mais cuidar dela.

Tia Agna ofereceu ajuda para preparar Elise adequadamente para conseguir uma vaga no castelo, dando roupas e sapatos novos para ela. Quando foram à loja de Hannolt, foi a primeira vez que Elise viu Marcus, filho e aprendiz do sapateiro, que desempenharia um papel essencial em sua vida nos próximos anos. E assim, Elise estava pronta para encontrar a Sra. Tewkes, antiga amiga de sua mãe, que conseguiu para ela um trabalho de camareira no castelo.

“O poder é a verdadeira moeda da corte. Os que o possuem brandem-no sem piedade, sejam criados, sejam cavaleiros.”

E assim começa a vida de Elise na corte, sendo uma funcionária exemplar e subindo rapidamente de cargo até se tornar uma dama de companhia da rainha Lenore, que sofria e chorava todos os dias por não conseguir dar um herdeiro ao rei. Caso a rainha não conseguisse ter um filho, o próximo rei seria seu cunhado, Príncipe Bowen, que não era muito “querido” por ninguém. Fica a dúvida sobre qual o papel de Millicent, tia idosa do rei Ranolf, tanto no progresso de Elise quanto na notícia da gravidez da rainha.

Após o nascimento da princesa Rosa, Millicent foi banida do reino pelo sobrinho, mesmo ela tendo convencido a rainha a convidá-la para ser madrinha da criança. Aí vem aquela cena dramática, do último presente oferecido na hora do batizado, as ameaças de Millicent contra a vida de Rosa, para que seus pais passem o resto da vida com medo e mandem queimar todas as rocas do castelo e etc. (Não, ela não dorme um sono profundo após furar o dedo em uma roca, apesar de a autora nos fazer pensar que isso vai acontecer).

O livro é repleto de histórias de amor que acabam por não serem vividas devido a obrigações, casamentos arranjados, e as pessoas estão o tempo todo buscando a felicidade e o amor verdadeiro. Assim como na história da Bela Adormecida, uma tragédia abala o castelo, mas também mostra superações e lições a serem aprendidas sempre através do amor. Gostei muito da forma como a autora reescreveu essa história, usando Elise como protagonista ao invés de Rosa, e como ela transformou um conto de fadas em uma história “real”.


“Consola-me pensar que a história da Bela Adormecida continuará viva depois de todos nós, uma história de maldade derrotada e amor triunfal que ressoará por séculos. E é assim que deve ser. Porque a verdade não é nenhum conto de fadas.”




10.2.16

Filha da Ilusão - Herdeiros da Magia #1



Título Original: Born of Illusion
Série: Herdeiros da Magia #1
Autora: Teri Brown
Editora: Valentina
Ano: 2014
Sinopse: Anna Van Housen Tem Um Segredo.
Ilusionista talentosa, Anna é assistente de sua mãe, a famosa médium Marguerite Van Housen, em seus shows e sessões espíritas, transitando livremente pelo mundo clandestino dos mágicos e mentalistas da Nova York dos anos 1920.
Como filha ilegítima de Harry Houdini – ou, pelo menos, é o que Marguerite alega –, os passes de mágica não representam um grande desafio para a garota de 16 anos: o truque mais difícil é esconder seus verdadeiros dons da mãe oportunista. Afinal, enquanto os poderes de Marguerite não passam de uma fraude, Anna consegue realmente se comunicar com os mortos, captar os sentimentos das pessoas e prever o futuro.
Porém, à medida que os poderes de Anna vão se intensificando, ela começa a experimentar visões apavorantes que a levam a explorar as habilidades por tanto tempo escondidas. E, quando um jovem enigmático chamado Cole se muda para o apartamento do andar de baixo, apresentando Anna a uma sociedade secreta que estuda pessoas com dons semelhantes aos seus, ela começa a se perguntar se há coisas mais importantes na vida do que guardar segredos. Mas em quem ela pode, de fato, confiar?
Teri Brown cria, neste fantástico romance histórico, um mundo onde pulsam a magia, a paixão e as tentações da Nova York da Era do Jazz – e as aventuras de uma jovem prestes a se tornar senhora do seu destino.



“Algumas pessoas são assim – um caos de impressões indecifráveis.”

Se você gosta de assistir a shows de mágica, esse deve ser o primeiro livro de sua lista.

Um dos clubs que Anna visita
Retratando fielmente a New York dos anos 1920, esse livro encanta não só pela proximidade com a época, como também os acontecimentos do mundo e como eles se encaixam graciosamente com a história que nos é trazida magnificamente por Teri Brown.


Há o encanto das pessoas pelo desconhecido, pela busca no que há de além da vida, além da morte. O misticismo que até hoje é a obsessão de muita gente, o pezinho no ocultismo que qualquer pessoa tem ao começar a encarar coisas que não consegue explicar cientificamente. Alguns entram em religiões... Outros buscam seus próprios meios de desvendar o que há de oculto na vida.

“A verdade é que não é a dor dos clientes de minha mãe que me dilacera – é a sua esperança.”

E é nesse meio em que nasce Anna Van Housen. Filha de uma (agora) aclamada médium, passou por maus bocados enquanto sua mãe, Marguerite Van Housen, a arrastava para suas sessões espíritas numa época em que era proibido usar o sofrimento alheio para ganhar dinheiro. Muitas foram as vezes que uma Anna criança precisou burlar a lei para resgatar sua mãe das mãos da polícia e fugir na calada da noite para não serem presas e afastadas uma da outra.




Porém, os shows em teatros com o intuito de entreter as pessoas não era proibido e por essa razão as duas se mudam param a Big Apple. Um empresário lhes oferece um local para morar em troca de agenciá-las. Em pouco tempo, ficariam conhecidas na cidade toda pelo espetáculo que oferecem.
É claro... Em parte, graças a Anna, a jovem encantadora ilusionista que ama o que faz.

Harry Houdini
Ela sente as coisas mudando ao encontrar um jovem bonitão que se mudou para o apartamento debaixo e após saber da notícia que Harry Houdini está na cidade. Ela soube desde criança que o grande escapista era seu pai, mas nunca se aproximou dele, nem mesmo ficaram na mesma cidade. E agora, a proximidade lhe dá um grande arco de possibilidades.

“Não, o que você viu nem sempre foi bonito. Às vezes foi feio e difícil. Mas a vida é tão bonita quanto feia.”

Exceto pelo fato de que se aproximar de seu pai coloca em risco sua mãe, afinal Houdini tem como tarefa desmascarar médiuns charlatães que querem ganhar dinheiro com o sofrimento dos outros, daqueles que perderam entes queridos e pagariam qualquer quantia para saberem que seus mortos encontraram conforto após terem partido.

Mas isso não impede Marguerite de espalhar para o mundo que Anna é filha ilegítima dele e com isso começar a montar sua fama.

Assistimos a uma guerra de egos, em que mãe e filha brigam pela presença do palco. Marguerite quer a atenção somente para si, ela é a estrela do show e Anna, apenas a ilusionista que coloca o público em banho-maria enquanto os “espíritos” se aproximam.

Foto de uma sessão espírita em 1920
Acreditando que a mãe faria uso de seus dons secretos se os descobrir, Anna mantém a mãe afastada dessa parte de sua vida buscando por si só respostas para eles. Lê muitos livros sobre ocultismo, mágicas, escapismos e... Sobre seu pai.

Diante disto, o misterioso Cole lhe apresenta a um mundo novo, de descobertas sobre sociedades secretas, pessoas que são como ela e até mesmo a treinar suas habilidades. Porém, ela pende entre a confiança e desconfiança, pois não encontra no jovem as soluções para seus problemas, apenas uma fuga interminável.

Apesar de ligeiramente previsível, a história tem muitas reviravoltas que prendem a atenção do leitor. Fora a viagem a qual somos levados aos deliciosos clubes, as magníficas melindrosas. A mágica e a tragédia de viver em uma época em que a máfia reinava, em que a polícia era claramente corrupta e as mulheres nada mais eram que um brinquedo nas mãos de homens ricos e poderosos.

Narrado pela perspectiva de Anna, sua sensibilidade nos atinge em cheio, pois a jovem é uma linda confusão carismática que nos faz torcer para tudo se resolver bem no final.


Leitura recomendadíssima!



8.2.16

O que há de estranho em mim



Título Original: Sisters in sanity
Autora: Gayle Forman
Editora: Arqueiro
Ano: 2007/2016 Ed. Brasileira
Sinopse: Ao internar a filha numa clínica, o pai de Brit acredita que está ajudando a menina, mas a verdade é que o lugar só lhe faz mal. Aos 16 anos, ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar as infrações alheias para ganhar a liberdade. 

Sem saber em quem confiar e determinada a não cooperar com os conselheiros, Brit se isola. Mas não fica sozinha por muito tempo. Logo outras garotas se unem a ela na resistência àquele modo de vida hostil. V, Bebe, Martha e Cassie se tornam seu oásis em meio ao deserto de opressão. 

Juntas, as cinco amigas vão em busca de uma forma de desafiar o sistema, mostrar ao mundo que não têm nada de desajustadas e dar fim ao suplício de viver numa instituição que as enlouquece.




“(...) Só então me dei conta de que devemos valorizar quem se preocupa com a gente.Isso é algo muito especial, que de uma hora para outra pode sumir.”

O que há de estranho em mim é o segundo livro lançado por Gayle Forman, e o segundo livro dela que eu tive a chance de ler. A escrita é bem leve e rápida, o li em poucas horas, avidamente. A leitura simplesmente flui.

Também acredito ser uma escrita diferente do outro livro que li (resenha aqui). Acredito que Forman tenha a capacidade de escrever conforme a personagem retrata no livro (uma vez que é narrado em primeira pessoa): Brit Hemphil, uma adolescente de dezesseis anos que vive em Portland. É vocalista e guitarrista da banda The Clod, tem pintas de rebelde – mas apenas por ser sincera e sonhadora – e acabou sendo conhecida por Cinderela.

Como uma adolescente de dezesseis anos, ainda está encontrando um caminho a seguir. O que complica é a situação atual de sua vida: seu pai casou-se com uma Monstra. Infelizmente, o pobre homem é uma esponja que absorve a opinião dos outros e molda sua personalidade de acordo com as pessoas que estão ao seu redor.  Par além disso, também é extremamente influenciado pelo medo da história se repetir.

“- Antes fossem apenas duas ou três notas baixar. E não é só isso. Brit, tenho sentido que você não faz mais parte da nossa família. Você não é mais você, entende? Então achei que devia buscar algum tipo de ajuda, antes que... – Ele não terminou a frase.”

No início do melhor momento da adolescência de Brit, ela se vê traída pelo pai que a engana e a


deixa num local que acredita ser uma escola e que será para o bem dela. Quantos pais agem assim? Machucam acreditando que é para o bem de seus filhos? Dão a eles oportunidades que os jovens não querem, mas pelos pais não a terem tido, acreditam que o filho seja obrigado a aceitar.
Acredito que os pais não saibam que uma família doente produz crianças doentes. E quem foge da doença que a família criou, é um desviante ao invés de um sobrevivente.

“- Seus pais devem ter relaxado com você. É isso que costuma estar por trás de tanta rebeldia... Isso ou a necessidade de atenção. (...) Vamos questionar suas atitudes. Vamos substituir o mau comportamento por hábitos mais produtivos. Em outras palavras: vamos dar um jeito em você. Pode não parecer, mas o que temos a oferecer aqui não passa de amor.”

As meninas da Red Rock são linha dura. Incitadas pela direção, elas insultam umas às outras, são orientadas a não fazerem amizades, a dedurar aquelas que não seguem o programa ou que quebram as regras. Chamam de Terapia aquilo que as faz chorar e que destrói seus espíritos. Matam qualquer chance de evolução, se a pessoa não tiver firme em si a pessoa que é.

Há no livro meninas como Missy e Tiffany, que tiveram sua alma tão violada que não conseguem ver o quão errada são as coisas que estão sendo feitas ali. Apenas querem viver o melhor possível naquela situação, sendo utilizadas até como garotas propaganda da escola.

Há outras, como as amigas que Brit encontra em meio à tormenta, que não aceitam as coisas como são e tentam aliviar a barra umas das outras parar sobreviver. Cada uma delas tem atrás de si uma família com relações doentias e preconceitos claros.

“Engula o seu orgulho e acabe logo com isto. Jogue um pouco de carne para a cachorrada antes que ela venha atrás de você.”

V é a primeira que se arrisca a conversar com Brit, dando à ela conselhos poderosos para sobreviver a Red Rock. É a jovem que está lá há mais tempo e há um mistério acerca disso. Ela lhe ensina que se sua família não é rica, fica ali por conta do governo durante três meses e é curada milagrosamente, sendo mandada para casa. Mas se sua família é rica... Você pode acabar lá até seus dezoito anos de idade.

Colocando um adendo aqui, vou falar um pouco de uma realidade com a qual eu lido. Sou psicóloga num serviço voltado para pessoas em situação de rua, em que uma maioria esmagadora é alcoólatra. Quando desejam, buscam tratamentos em clínicas para tratarem sua dependência e posso confirmar que o que acontece na Red Rock, uma clínica fictícia, acontece em muitas clínicas e comunidades terapêuticas aqui no Brasil. Por alguns poucos meses (ou quarenta e cinco dias em muitos casos) o governo mantém a pessoa ali. Depois disso o que ele paga para a clínica é diminuído e o usuário muitas vezes é mandando embora para casa “curado”. Sem nenhuma capacidade e estrutura de se manter longe do vício ainda, uma grande porcentagem das pessoas recai. Mas se a família está bancando, ele pode cumprir o programa ou ficar até mais tempo internado. Mas enfim, voltemos à resenha, sorry!

V é durona, entende o sistema da escola e o ensina para as outras. Tem a ideia de criarem uma irmandade ali dentro, para manterem a sanidade. Fora dos encontros entre amigas, tentavam parecer as inimigas que a escola queria que fossem.

“Eram um bando de malucas descontando na pobre coitada as próprias questões de autoimagem.”

Martha é a garota gorda que a mãe não aceitava sua silhueta. É a que mais é judiada, pois para gordos o mundo é bem ruim, imagina num local então em que as pessoas podem relamente te chamar de baleia e não serem punidos por bullying? Ela é uma jovem doce e meiga, com o espírito já bem fraco. Sua única alegria são as Irmãs.


Como sou gorda, me identifiquei bastante com a Martha em sua adolescência. Acredito que meu pai não teria problemas em fazer o que fizeram com a Martha, se tivessem a chance. Só que achei que o livro também pregou um pouco de gordofobia através das próprias Irmãs, pois em um momento disseram que tiveram um vislumbre da linda menina que Martha havia sido um dia, referindo-se aos dias em que ela não era gorda. Senti como se pensassem que por ser gorda, ela era feia. Não achei isso legal.

Bebe (creio que o original é BB) é filha de uma atriz famosa que nunca tem tempo para a filha e sempre a cobre de pequenos presentes, como se isso fosse suprir a ausência da mãe. Foi mandada para lá por ter uma sexualidade exacerbada. Afinal, uma mulher não pode ficar querendo transar, né? Não pode.

Cassie é uma jovem que ainda não tem uma sexualidade definida, então se chama de bi. Como sua mãe é extremamente religiosa, a escola prometeu a ela a “cura gay”. Cassie é a que tem mais chance de sair, segundo os passos do próprio reformatório.

“(...)Ele tinha aprendido a respeitar e admirar o espírito livre da mamãe, por isso não se via no direito de cortar as asas dela.”

O livro segue a linha de doenças mentais e traz para reflexão a esquizofrenia e as internações psiquiátricas. O maior dilema de uma família é saber quando é necessário encaminhar o doente para uma ajuda mais especializada. Como lidar com o sentimento de, lentamente, ir perdendo a pessoa que ama para algo desconhecido?

Felizmente, Brit tinha suas amigas para se manter. E quem não tem a mesma chance. Gayle Forman relata no final do livro sua experiência com reformatórios, como lá os direitos humanos não chegam. As pessoas podem realmente precisar de ajuda, mas não conseguem o tratamento necessário ali e só pioram.

No Brasil, tivemos um episódio conhecido como Holocausto Brasileiro, relatado por um livro-documentário escrito por Daniela Arbex. É um documentário que relata a vida no maior manicômio do Brasil (Hospital Colônia), situado em Barbacena. Lá, 60 mil pessoas morreram pelo descaso, abandono e desumanidade, entre mulheres, homens, adolescentes, crianças... Hoje temos a Reforma Psiquiátrica justamente para evitar isso. Mas, infelizmente, sabemos que casos como relatados no “O que há de estranho em mim” ainda acontece em diversos locais do mundo.



Este não é um livro tão sentimental quanto os outros, creio que Forman o escreveu apenas para mostrar como lugares como o Red Rock podem ser danosos para as pessoas.

Para quem quiser saber da realidade do Brasil neste aspecto, deixo o documentário sobre o Hospital Colônia e algumas filmagens de 1979. Algumas cenas podem ser fortes, ok?