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20.2.16

Mil Pedaços de Você - Firebird #1



Título Original: A Thousand pieces of you
Autora: Claudia Gray
Editora: Agir Now
Ano: 2015
Sinopse: Marguerite Caine cresceu cercada por teorias científicas revolucionárias graças aos pais, dois físicos brilhantes. Mas nada chega aos pés da mais recente invenção de sua mãe — um aparelho chamado Firebird, que permite que as pessoas alcancem dimensões paralelas. 
Quando o pai de Marguerite é assassinado, todas as evidências apontam para a mesma pessoa: Paul, o brilhante e enigmático pupilo dos professores. Antes de ser preso, ele escapa para outra realidade, fechando o ciclo do que parece ser o crime perfeito. Paul, no entanto, não considerou um fator fundamental: Marguerite. A filha do renomado cientista Henry Caine não sabe se é capaz de matar, mas, para vingar a morte de seu pai, está disposta a descobrir.
Com a ajuda de outro estudante de física, a garota persegue o suspeito por várias dimensões. Em cada novo mundo, Marguerite encontra outra versão de Paul e, a cada novo encontro, suas certezas sobre a culpa dele diminuem. Será que as mesmas dúvidas entre eles estão destinadas a surgirem, de novo e de novo, em todas as vidas dos dois?
Em meio a tantas existências drasticamente diferentes — uma grã-duquesa na Rússia czarista, uma órfã baladeira numa Londres futurista, uma refugiada em uma estação no meio do oceano —, Marguerite se questiona: entre todas as infinitas possibilidades do universo, o amor pode ser aquilo que perdura?



Firebird

“[...] – Batizado em homenagem à lendária criatura russa que envia heróis para aventuras e buscas incríveis![...]”

Enquanto pensava na resenha, tentei imaginar um jeito de não dar spoilers. Porque, sério... Vocês precisam ler esse livro, é demais!

Você viaja, você imagina como que seria legal se o Firebird for realmente uma tecnologia possível! E são tantas teorias da conspiração que vão se formando na sua cabeça que você simplesmente para as vezes e respira fundo para realmente pensar sobre o que está lendo, é simplesmente maravilhoso!  

Então dá um play aí na música e vai curtindo a resenha (se você ler o livro, vai entender.):


Vamos primeiro a ideia de dimensões. Você acredita que possa existir, em algum lugar do universo – ou do multiverso - uma pessoa parecida com você? Uma você vivendo uma realidade completamente diferente, uma operadora de satélites, uma rainha... Uma assassina ou uma mafiosa. Uma capitã de um ônibus espacial! Se não acredita, pelo menos é legal de imaginar.

Sophia Kovalenka, mãe de Marguerite Caine, foi além da imaginação. Criou o Firebird, um dispositivo que é capaz de lançar a pessoa para o próximo universo. Porém, ainda não conhecem as implicações deste ato, nem como funciona de fato. E ela e seu marido, Henry Caine, não têm tempo de testar: Henry é assassinado antes de se aprofundarem na teoria e o suspeito é seu assistente número 1, Paul Markov.

“Cada dimensão representa um conjunto de possibilidades. Basicamente, tudo o que pode acontecer, de fato acontece. Há uma dimensão em que os nazistas ganharam a Segunda Guerra Mundial.”

Retirada do Tumblr
O segundo assistente do casal é Theo Beck. Um jovem egocêntrico, irônico, sarcástico, bonitão, flertador, bebum e gente boa. Ele encanta a todos ao seu redor e causava inveja em Paul por sua extroversão. Para Theo, Henry também era um pai, pois o casal costuma acolher estagiários em sua própria residência, tratando-os como seus próprios filhos. Uma casa cheia de mentes brilhantes... Exceto por Marguerite, que acabou escolhendo a arte. E é muito boa no que faz.

Desolado com a perda de Henry, ele e Marguerite saltam de uma dimensão à outra atrás de Paul, na intenção de matá-lo. Mas não é assim tão simples. Por exemplo, você só pode saltar para uma dimensão onde exista a possibilidade de seu código genético ser semelhante ao seu primordial. Se seus pais não se encontraram em uma dimensão, você não existe lá. Entenderam?

Aí tem uma segunda complicação para os dois heróis: nada diz que você irá cair no mesmo país. Você pode acabar indo parar na China, por exemplo. Tal fato coloca mais dificuldade na missão de encontrar Paul e muitas vezes Marguerite vê-se sozinha com ele.

Enquanto “moravam” sob o mesmo teto, a relação dos dois era indefinida. Paul é o oposto extremo de Theo: quieto, distante, observador, introvertido... Mas percebia tudo ao seu redor. E ele percebia Marguerite e ela o via também.

Aí temos a próxima teoria, criada por Paul: destino. Aqueles que se encontram em uma realidade, tem maior probabilidade de se encontrar em todas as outras. As coisas acontecem de forma diferente, mas acontece.

E é assim que Paul e Marguerite acabam se encontrando. Mesmo que não sejam no momento o da mesma dimensão. Você acaba conhecendo todas as partes de uma pessoa. Todos os mil pedaços dela.
É interessante ver como a vida da jovem se desenvolveu em diferentes lugares e os impactos que causam. É praticamente uma evolução que acontece em pouco tempo. Os vínculos afetivos formados, as saudades, as descobertas. Eu achei realmente interessante ler esses detalhes, fizeram a diferença. Causam uma maré de emoções diferentes no leitor, que te faz criar as próprias teorias e torcer para que elas se tornem verdade na história!

A arte do livro é absolutamente linda, o “topo” de cada capítulo tem o reflexo das dimensões, fora a capa que não preciso nem comentar. Amei o livro, do começo ao fim e estou ansiosa para ler o próximo, chamado de Tem Thousand skies above you e tem uma capa igualmente linda, lançada lá fora no dia 3 de novembro de 2015. O que me entristece é que ainda não tem uma data prevista para o Brasil. :(



Agora ligue sua playlist de Florence and the Machine e saia em busca deste livro para ler!








19.2.16

Recomendação Literária - O segredo por detrás do sorriso


O segredo por detrás do sorriso

Autor: Raphael Feres
Editora: Autor Independente



A Recomendação de hoje é bem irreverente, uma proposta de literatura com a qual eu ainda não havia me deparado. É dividido em três livros que, embora os personagens e acontecimentos sejam similares, são histórias diferentes, narradas pelo ponto de vista de cada protagonista participante. Acredito que a ideia seja ligeiramente inovadora, do ponto de vista que só temos isso depois que toda uma série ou saga é lançada.

Apresentação da obra:

O diferencial da obra está todo no formato!
Nunca entendi livros escritos em terceira pessoa, afinal, quem conta a história? No meu entender a forma mais natural de se narrar um fato é quando alguém que participa dos eventos nos descreve o que aconteceu sob sua perspectiva, interpretações e julgamentos.
Só achei que não seria suficiente ter apenas uma versão dos acontecimentos. Decidi, então, que seria justo que houvesse mais pontos de vista, cada um descrevendo - sob olhar das personagens - as experiências vividas durante os poucos dias e algumas cidades em que se desenrola a história de fundo. E como existem três protagonistas, há, então, três histórias correndo em paralelo, lado a lado, linha a linha e capítulo a capítulo. Formando, ao final, três livros distintos, completos e independentes.
Os livros são narrados por Julie Blanc, uma elegante francesa, Moreno da Silva, um jovem brasileiro, e o professor John Black, um intelectual americano, enquanto seguem os passos do sorridente chinês Sr. Lee Dun, que carrega sua mala de misterioso conteúdo em uma grande aventura viajando por Rio, Nova York e Paris.
Os três livros podem tratar dos mesmos eventos, mas são histórias completamente diferentes, pois não necessariamente o que pensa ou vê um protagonista é o que pensam ou vêem os outros, ou é o que aconteceu de verdade. E afinal, o que é um fato além das versões que existem sobre ele? Assim espera-se que ao se ler o segundo ou terceiro livro, na ordem que convier, não se tenha a sensação de estar relendo algo, mas o prazer e a surpresa de estar descobrindo fatos novos e muitas vezes contraditórios da mesma história.
Quanto ao final, ou o clímax, alguém pode perguntar como manter o mistério após o leitor terminar o primeiro ou o segundo livro? Bom, isso será preciso ler para descobrir...

O livro está disponível de forma gratuita na Internet.
Basta clicar num dos seguintes perfis no Facebook e baixar o arquivo:

Até mesmo o seu "Sobre o autor" é diferente!!!

Rapha Feres sob o olhar de Moreno da Silva:

Caminho com o Rapha pela praia enquanto vemos as ondas quebrarem na areia branca. Poderia fazer isso por horas a fio. Em seguida me agacho de frente para o mar, sentindo o sol bater nas costas e a brisa do vento me
refrescar o rosto, trazendo algumas gotas de água salgada. Mas ele não consegue ficar muito tempo calado e insiste em puxar conversa sobre algum assunto que lhe vem à cabeça naquele momento. Será que apenas ver as ondas indo e vindo não é suficiente para acalmar seu espírito? Qual a grande dificuldade de ficar quieto por alguns minutos?
Não sei dizer. Mas, tirando esse pequeno incômodo, sua presença é agradável, afinal posso contar com ele para me conseguir uma ou outra água de coco. Se bem que não é nada fácil fazer com que ele abra a carteira. Ao final da tarde, o Rapha me acompanha até uma roda de capoeira. Percebo que ele gosta do que vê, bate palmas e se diverte. E se a música o inspira – e como não inspiraria? – ele pode mesmo querer arriscar alguns passos junto conosco. Acho sua coragem tão nobre quanto vergonhosa. Afinal, se na minha idade talvez tivesse algum molejo que fosse, e mesmo se o tempo não lhe foi assim tão cruel, agora suas articulações jogam mais contra que a favor. Tudo bem, faço um esforço para lhe agradar, jogando lentos os golpes para não lhe acertar o queixo e
me abaixando bastante, quase entrando chão adentro, para fugir dos seus. Quando o sol se põe ele vai embora feliz, e sei que, se pudesse, voltaria aqui na manhã seguinte para viver comigo as mesmas experiências... dia
após dia.


Rapha Feres sob o olhar de Julie Blanc:

Já tentei algumas vezes transformar o Rapha em um homem refinado, mas, infelizmente, os resultados foram aquém do esperado. Talvez Marie, que é mais paciente do que eu, tivesse mais sucesso nessa árdua tarefa.
Bom, mas se ele está feliz com seu jeito, como poderia definir? Simples, quem sou eu para julgar? Ao menos, antes que para sua tristeza caminhemos entre vitrines e araras de roupas, conseguimos ter ótimas conversas sentados à mesa de algum bistrô, tomando uma taça de champanhe, pensando na vida e comentando sobre as pessoas que caminham e desfilam pela rua. Descontraidamente conseguimos debater e criar grandes análises sociológicas tão rasas e efêmeras quanto as borbulhas que passeiam pelo líquido em nossas taças.
Apesar de sermos de locais tão distantes e distintos, temos referências semelhantes, afinal temos quase a mesma idade, apesar de eu estar mais conservada e parecer muito mais jovem do que ele. De qualquer forma,
somos pessoas do mundo, e nos interessamos mais pelas diferenças entre as pessoas do que pelo que elas têm em comum. E, como a diversidade nos une em vez de nos separar, podemos, ao final, nos integrar em qualquer ambiente.
Lembro-me que uma vez o cumprimentei do balcão do hotel em que me hospedava enquanto ele passeava pela rua. Percebi que ele gostaria de ao menos uma vez na vida ter o prazer de apreciar a vista que eu tinha todos os dias ao acordar. Acho sempre importante se ter sonhos, mas, sinceramente, creio que esse luxo não é para ele...

Rapha Feres sob o olhar de John Black:
Ele sempre me propõe algum desafio lógico, que tolo! Afinal, a diferença intelectual entre o Rapha e eu é gritante, visto que seu percurso acadêmico e no âmbito da pesquisa não se aproxima dos marcantes e reconhecidos resultados que obtive ao longo dos anos. Naturalmente, tenho várias primaveras a mais de vida, assim, ele ainda tem algumas temporadas para se desenvolver caso queira dominar tantos ramos da ciência assim como eu.
De qualquer forma, aprecio nossas conversas filosóficas, onde posso lhe passar um pouco do meu vasto conhecimento sobre um grande número de matérias. Tenho a impressão, porém, de que no decorrer das minhas
palestras seus olhos se perdem, e sutis variações em sua pupila indicam que ele já não tem mais a atenção necessária para um real aprendizado.
Não tem problema, conheço bem seu déficit de atenção. E, além do mais, infelizmente, a falta de concentração diante de meus discursos não é uma exclusividade sua. Quanto ao grande número de teorias que ele desenvolve sobre os mais diversos temas, apesar de até poderem soar razoáveis, tenho a impressão de que, em muitos casos, lhe falte embasamento teórico para lastrear a certeza com que faz postulações. De qualquer forma, percebo que isso parece não o constranger.
Apesar dos convites, ainda não tive o prazer de sua companhia na realização de trabalhos científicos de campo, viajando para cantos longínquos e exóticos do planeta. Sei, porém, que no futuro, a coragem lhe chegará e ele me seguirá em alguma pesquisa para que juntos possamos desvendar os segredos do mundo...

Logo, logo teremos as primeiras impressões desse(s) livro!





18.2.16

Mundo Novo - Chris Weitz








Edição:  1
Editora: Seguinte
Ano: 2014
Páginas: 328
Autor: Chris Weitz

Sinopse: 
Neste mundo novo, só restaram os adolescentes e a sobrevivência da humanidade está em suas mãos.
Imagine uma Nova York em que animais selvagens vivem soltos no Central Park, a Grand Central Station virou um enorme mercado e há gangues inimigas por toda a parte. É nesse cenário que vivem Jeff e Donna, dois jovens sobreviventes da propagação de um vírus que dizimou toda a humanidade, menos os adolescentes. Forçados a deixar para trás a segurança de sua tribo para encontrar pistas que possam trazer respostas sobre o que aconteceu, Jeff, Donna e mais três amigos terão de desbravar um mundo totalmente novo. Enquanto isso, Jeff tenta criar coragem para se declarar para Donna, e a garota luta para entender seus próprios sentimentos - afinal, conforme os dias passam, a adolescência vai ficando para trás e a Doença está cada vez mais próxima.



***

Li Mundo Novo em 2014 e gostei bastante. O livro fala sobre uma doença que desolou o mundo. Algum tipo de arma biológica que saiu do controle e acabou por matar bilhões de pessoas. E de modo misterioso a doença não afetou os adolescentes. Agora no pós-apocalipse, eles são os únicos sobreviventes. Muitos se juntam e formam Tribos, pois ficar sozinho não é uma boa opção, você acaba sendo alvo fácil para os outros.

É assim a vida após o Ocorrido. Sobreviver é a única coisa que resta. Nossos protagonistas, Jefferson e Donna são da Tribo da Washington Square. Apesar de toda a organização que eles conseguiram fazer com o lugar, eles precisam de alimento, água e armas. E ainda assim eles querem saber o que aconteceu. Se existe alguma cura, já que depois de completar 18 anos os adolescentes acabam por morrer.



Com poucos recursos para que toda a Tribo venha a sobreviver eles decidem partir em uma busca pela verdade. Crânio acredita que existe uma revista científica sobre armas biológicas e que nela pode conter as informações para a cura.

Nessa aventura Jefferson, Donna, Crânio, Peter e Minifu partem em busca de respostas, porém não será fácil. As ruas de Nova York estão repletas de perigos. Não se pode confiar em outras Tribos.
O livro se alterna na visão de Jefferson e Donna. O que deixa tudo mais interessante. Enquanto Jefferson parece um rapaz mais sensato, Donna é bem direta e um tanto desbocada em seus capítulos. A diferença entre os dois é grande e isso não impede que eles possam se gostar.

Os personagens secundários são cativantes demais. Crânio, Peter e Minifu são os melhores. Crânio com sua genialidade, Peter com seu humor sem igual e Minifu com seu kung fu.



Confesso que me interessei primeiro pela capa do livro, que é muito chamativa, e depois pela sinopse. No mesmo ano já tinha lido um outro livro no mesmo estilo. Apenas adolescente sobreviveram após uma doença, mas a diferença era que nesse livro continham zumbis. Fui ler Mundo Novo com o pensamento no outro e percebi que ele continha muito mais ação. Além das histórias seguiram rumos distintos. A cada página nossos heróis se metiam em muita confusão. Sangue, tiros, explosões e muito mais.

Se você gosta de um bando de adolescentes tentando salvar o mundo, leia esse livro. Recomendadíssimo. Em breve tem resenha de Nova Ordem, o segundo livro da trilogia. ;)






17.2.16

Recomendação Literária - O Espelho dos Deuses - #1



Bem, bem, sabem que costumamos falar sobre autores nacionais aqui no blog, né?

Então, estou retomando isso! Se você é um autor nacional que precisa de uma ajudinha propagandária (eu sei que essa palavra não existe, mas não consegui pensar em nenhuma outra, sorry gente!), mande um e-mail para asmeninasqueleemlivros@gmail.com com infos sobre seu livro e sobre você.

Falaremos gratuitamente sobre você e sua obra, ok? Se quiser nos enviar uma cópia do seu livro, só dizer também no e-mail que o resenharemos com muito prazer! Pode ser físico ou e-book, como achar melhor!

E o livro de hoje é:

Autor: L. S. Moreira
Editora: Giostri Editora
Ano: 2015
Sinopse: O encontro entre a jovem publicitária Renata e Thymos, bastardo de um deus esquecido, inicia uma série de eventos capazes de alterar drasticamente o rumo de um conflito que já dura séculos e reaver os fragmentos de uma guerra há muito perdida no coração de Alexandria, cujas consequências podem determinar a sobrevivência da humanidade… ou o seu fim.

Sou meio suspeita para falar da qualidade da leitura, ou do autor, porque ele narrou RPG pra mim. Como narrador, ele é excelente. Então creio que o livro manterá (ou será ainda melhor) que o jogo narrador.

Pedi a ele algumas palavras sobre ele e, como era de esperar, ele não me decepcionou:


Meu nome é Lennon Santos Moreira, tenho 29 anos, moro em Manaus/AM desde que nasci e sou apelidado como Non na maior parte dos lugares que frequento, inclusive em ambientes online.

Não sabem o custo que foi conseguir essa foto...
Há uma curiosidade sobre ter optado por ter o último sobrenome como núcleo do nome de autor (L. S. Moreira) e se deve a uma narrativa oriental que conheci uma vez. Moreira se refere às amoreiras, os pés de amora, e segundo o que se sabe todos esses sobrenomes derivados de árvores se espalharam com o advento com os judeus em Portugal incorporados como cristãos-novos, mas o que me fisgou no sobrenome é o fato de que amoreiras são a alimentação exclusiva dos bichos-da-seda, em cuja lenda de origem consta que um homem havia sido raptado e, após um ano sem notícias suas, sua esposa prometeu a filha em matrimônio àquele que o encontrasse e o trouxesse. Ocorreu que o cavalo da fazenda ouviu essa promessa e, após escapar do estábulo, encontrou e trouxe seu dono na garupa. Claro que o homem não casaria sua filha com o cavalo e mandou matar e esfolar o animal, cuja pele fora posta para secar, porém quando a moça em determinado dia passou perto da pele, esta se soltou, envolveu-a e levou-a para longe (eu não imagino exatamente a cena). Dias depois os dois foram achados pendurados em um galho de amoreira, transformados em um animal que teria a cabeça similar à de um cavalo e a pula similar à de uma boneca, feminina, envolta em um casulo. A divindade suprema da mitologia chinesa teria levado a moça para o céu para ser uma de suas esposas e assim havia criado o bicho-da-seda. Como existe uma relação muito forte entre o ato de tecer e o de escrever, traçar e conectar histórias, achei o máximo manter Moreira como nome principal. Até mesmo o nome chinês para a amoreira, sang, tem a característica interessante de ter o mesmo som também em outro ideograma, com o significado "lamúria", ou "lamento".

Estudei Letras durante um tempo, Língua Portuguesa mesmo, e depois tive a ideia desvairada de não me limitar a uma área só e deixar de ser o zero à esquerda em Exatas, o que me levou a ser técnico em Químico e até exercer por dois anos a profissão, quando passei em Direito na UFAM - o que atualmente curso - e entrei de vez no universo dos textões e das mazelas sociais.

Como hobbies normalmente jogo, escrevo ou gasto tempo em alguma crise existencial das quais sempre tento tirar alguma coisa útil. Pena que nem sempre funciona.
Não gosto de multidões e sou introspectivo demais para apreciar grupos como deveria, embora ninguém queira me ver já habituado a um ambiente ou pessoa, porque então desembesto a falar sobre tudo como todo geminiano sem cabresto. É terrível.

Escrever, para mim, é uma montanha russa. Comecei, por exemplo, escrevendo apenas verso. Tive um trauma terrível quando participei de um concurso de poemas e cheguei lá com minha narrativa em verso com quase uma centena de decassílabos bem organizados e perdi para um poema livre cujo foco era a comédia e o tema era fumar baseado. Desde esse dia prometi a mim mesmo nunca mais escrever poema, juro (e um dia descumprirei isso também), foi quando comecei a me aventurar em prosa, atividade que varia em experiências muito exteriores e soltas, caso de Espelho dos Deuses e suas sequências em produção, as quais sempre me exigem bastante empenho em pesquisa e organização; mas também em momentos muito íntimos como os de meu projeto atual de romances mais curtos e mais próximos do cotidiano, com uma dose de fatalismo e quase relacionados a personalidades e experiências que indiretamente tive. Pretendo que seja algo muito bonito e pessoal, e o trabalho para acertar o tom tem sido bem edificante.

Creio que me prolonguei, mas esse é L. S. Moreira, às vezes um pouco mais ou um pouco menos.

Em breve, teremos resenha de seu livro aqui no blog, não percam! Conhecendo o Non, esse livro promete! ;)



16.2.16

Young Editorial - Novo Parceiro!



Somos parceiros da Young Editorial!

Yaaaay, todos comemoram!



A Young Editorial é  jovem e entrou no mercado editorial para revolucionar o mercado. Sem dúvida atingiram esse objetivo, pois as obras publicadas pela editora possuem uma arte maravilhosa e única, de grande beleza e atrativos ímpares. Reflete com presteza o potencial que os autores possuem em suas obras.

Revelam em suas publicações talentos nacionais através de um trabalho moderno e inovador, oferecendo um excelente trabalho com um custo acessível para os autores que tem o sonho de verem suas obras lindamente publicadas.


Algumas das obras lançadas:






 

Em breve teremos muitas resenhas dessas pessoas lindas! <3



Em Queda Livre - Ally Carter

Aos dezesseis anos, a protagonista Grace Blakely vê sua vida virar de cabeça para baixo ao se mudar para a casa de seu avô materno, o embaixador americano na capital do país fictício de Adria. Incapaz de aceitar as circunstâncias misteriosas que cercaram a morte de sua mãe três anos antes, ela tentará descobrir os segredos do seu passado e encontrar respostas para as dúvidas que a assombram. Contando somente com a ajuda de seus novos amigos, filhos dos embaixadores das outras nações, ela se lança na busca por um assassino que ninguém mais acredita ser real, ao mesmo tempo em que se esforça para seguir os rígidos protocolos que regem a vida diplomática. Não será fácil para Grace se adaptar a esse novo mundo, especialmente quando ela começa a se apaixonar pelo único garoto proibido para ela: o melhor amigo de seu irmão mais velho. Grace fará de tudo para ser a boa menina que todos esperam que ela seja, mas os problemas parecem sempre encontrá-la, e qualquer deslize cometido na Ala das Embaixadas poderá deflagrar uma crise internacional, colocando sua vida e o destino das nações mais poderosas do mundo em risco.

Antes de qualquer declaração sobre o livro, mais algumas informações que me instigaram a iniciar a leitura do mesmo:
Esse é o primeiro livro da trilogia Segredos Diplomáticos, a nova série de Ally Carter, autora best seller do NYT e sucesso absoluto no segmento YA (Young Adults). Com mais de dois milhões de exemplares vendidos, e direitos comercializados para mais de vinte países, a americana tornou-se um fenômeno literário. Segundo a Publisher Weekly, o título irá agradar não só aos fãs de thrillers psicológicos, mas também aqueles que buscam um pouco de glamour, aventura e suspense, com direito a um romance proibido e intrigas políticas de primeiro escalão.

Toda vez que vejo um livro considerado best seller, eu o desafio: vamos ver se você é mesmo tudo isso que dizem, querido. A última ocasião foi com o A Extraordinária Viagem do Faquir que Ficou Preso em um Armário Ikea, onde descobri que o título de "best seller na França" não deve ser levado muito a sério, infelizmente. Mas vamos nos ater ao caso em questão; que venha a avaliação de Em Queda Livre!



Poucos dias após terminar a leitura deste livro, minha cunhada o viu e me perguntou o que achei dele (informação necessária antes de pedir um livro emprestado, ela sabe disso). Bem... a resposta não foi fácil. "A história é bacana! Mas é meio estranho, não entendo nada que a autora descreve sobre os cenários... Mas o final é legal! Só que dá vontade de parar no meio do caminho, é cansativa a leitura... Você quer mesmo pegar emprestado? Não que o livro seja ruim, mas é... mais ou menos." Acho que deu pra entender que não consegui formar uma opinião concreta sobre esse livro - o episódio acima ocorreu há 2 meses e se ela me perguntasse isso de novo, a resposta seria a mesma.

Em Queda Livre narra a história de Grace, uma garota de 16 anos que, devido uma viagem do pai a trabalho para o Exército, vai morar na embaixada americana em Adria, um país fictício na Europa. Dividindo o mesmo teto que seu avô, o embaixador americano, Grace tem problemas para adaptar-se a casa onde um dia sua mãe morou. Ainda presa às lembranças de 3 anos atrás, quando sua mãe estava viva, Grace tem que se convencer de que a morte dela foi um acidente, como todos dizem - e não um assassinato, como ela pensa.

Como se não bastasse ter que passar todos os dias repetindo a si mesma que não é louca, que sua mãe não morreu em um acidente e que ela não está imaginando coisas, Grace precisa submeter-se a uma rotina cheia de regras, limites, formalidades e diplomacia. Nossa protagonista tenta alinhar-se ao estilo de vida imposto pelo seu avô mas tudo muda quando ela acredita ter encontrado o assassino de sua mãe e, com ajuda de aliados que ela faz ao longo da história, inicia uma jornada para chegar até ele e fazer com que todos descubram a verdade.

Entre uma intriga diplomática e outra, a trama se desenvolve. Não há muita ação no livro, as descrições sobre cenário e sobre os personagens muitas vezes são enfadonhas e confusas, as falas são muito formais e cultas, incompatíveis com a idade dos personagens (adolescentes de 16, 17 anos); tudo isso torna a leitura bastante lenta e bem menos instigante do que ela deveria ser. A história é maravilhosa mas ler o livro não foi tão prazeroso porque, pra mim, ele não foi tão bem escrito quanto merecia.


Apesar dos pesares, fiquei bastante curiosa sobre o desenrolar da história e ansiosa pelos outros volumes da série. As últimas páginas garantem toda a ação que não ocorreu nas páginas anteriores e me prenderam a atenção totalmente - as últimas páginas, por assim dizer, salvaram o restante do livro.

Acho que agora, após ter escrito esta resenha e refletido melhor sobre o livro, consigo entender a resposta confusa que dei à minha cunhada; é simples: a história é boa, mas a leitura... nem tanto. Mesmo assim, o livro tem minhas boas recomendações - não é à toa que até hoje ele está emprestado. Boa leitura para vocês e que venha o próximo volume!


ISBN: 9788599537404
Ano: 2015
Páginas: 352
Editora: Guarda-Chuva



14.2.16

[Resenha] Esperando por Doggo - Mark B. Mills

Esperando por Doggo

Autor: Mark B. Mills
Capa comum: 224 páginas
Editora: Novo Conceito (20 de novembro de 2015)
Idioma: Português
ISBN-10: 8581638090
ISBN-13: 978-8581638096
Classificação:






Livro cedido pela Editora Novo Conceito

Sinopse:

Dan achava que tinha uma vida feliz com Clara, mas, de uma hora para outra, ela desaparece inesperadamente de sua vida, deixando para trás apenas uma carta de despedida e um cachorro. A pequena criatura é incomum e sequer tem um nome definitivo, ele é simplesmente chamado de Doggo. Agora, Dan tem a missão de devolver Doggo, e, ao mesmo tempo, encontrar um novo emprego. A primeira missão parece ser fácil, a segunda, nem tanto. Com o passar dos dias, Dan começa a desfrutar da companhia de Doggo e não tem coragem de abandoná-lo. De forma singela, mas significativa, a presença do pequeno cão ajuda àqueles que estão ao seu redor. Doggo acaba tornando-se muito mais que um amigo de quatro patas, transforma-se em uma verdadeira fonte de inspiração para o trabalho e para a vida de Dan. Esperando Doggo não é só um livro sobre um cachorro. É um livro sobre o poder de uma verdadeira e sincera amizade.

Resenha:

Na ocasião que Clara a namorada de Dan some inesperadamente de sua vida ela leva com ela todos os seus pertences deixando pra trás apenas um cão cuja existência nunca foi tida como coisa de grande valor.  O pequeno ser é tão desencaixado de sua vida que nem mesmo nome ele tinha, era tratado simplesmente por Doggo.

Ao ir embora ela deixou uma carta e uma grande missão para seu ex-namorado Dan – devolver o animal para o abrigo para ser levado para adoção. Dan fica então com duas incumbências, devolver o pobre cão e arranjar um novo emprego. Ele leva Doggo ao abrigo, mas quando a moça vêm, falando em “cortar fora as bolas” do cãozinho ele desiste e leva o quase capado Doggo para casa. Com o tempo, Dan se afeiçoa ao animal e começa a desfrutar de sua companhia, tornando assim a presença do animal importante em sua vida.
Esperando por Doggo é um romance curtinho, mas que compensa integralmente com sua tocante história. Caí irremediavelmente de amores por Doggo e Dan que foram feitos realmente para desfrutarem da companhia um do outro. Dois protagonistas que seduzem a alma e o coração daqueles que param para ler essa narrativa enternecedora.

O cachorrinho Doggo é absolutamente apaixonante e apesar de não se comunicar com palavras, sua notável presença gradativamente vai ganhando vivacidade e espaço por toda a narrativa. Doggo definitivamente não era nenhum galã de novela, era descrito como um cão feio de doer, mas sua presença benéfica trouxe estímulo novo para a vida de Dan e de todos aqueles que o conheceu ao longo do caminho.
[...] Você jamais poderia descrever Doggo como "esguio". Ele é um vira-lata baixinho, gordinho, comum, honesto e passado de mão em mão. Mesmo assim, ele parece não ter a menor ideia de que é assim. Notei isso no escritório na última semana. Ele se porta como se fizesse parte da realeza, como se todo mundo estivesse de olho nele[...]
O autor Mark B. Mills, criou um livro alegre, recheado de amizade e lealdade, além de nos mostrar que as pequenas coisas da vida são as que geralmente nos tiram do lugar comum e nos remetem a felicidade.

Leitura mais do que recomendada a todos os apreciadores de animais. A Editora Novo Conceito está de parabéns por ter lançado uma história tão fascinante e inspiradora. Curti bastante a capa, fonte, diagramação e as folhas amareladas e bem grossinhas, que torna a leitura bem mais agradável. Só falta agora você se apaixonar por Doggo também!