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30.3.16

A Resistência



Autor: Julián Fuks
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2015
Sinopse: Meu irmão é adotado, mas não posso e não quero dizer que meu irmão é adotado”, anuncia, logo no início, o narrador deste romance. O leitor se descobre de partida imerso numa memória pessoal que se revela também social e política. Do drama de um país, a Argentina a partir do golpe de 1976, desenvolve-se a história de uma família, num retrato denso e emocionante. Adotado por um casal de intelectuais que logo iriam buscar o exílio no Brasil, o menino cresce, ganha irmãos, e as relações familiares se tornam complexas. Cabe então ao irmão mais novo o exame desse passado e, mais importante, a reescritura do próprio enredo familiar.
Um livro em que emoção e inteligência andam de mãos dadas, tocando o coração e a cabeça dos leitores.


"É preciso aprender a resistir, mas resistir nunca será se entregar a uma sorte já lançada, nunca será se curvar a um futuro inevitável. Quanto do aprender a resistir não será aprender a perguntar-se?"


A Resistência, de Julián Fuks (Companhia das Letras, 144 páginas), escritor brasileiro da nova geração, promete, nas primeiras linhas, falar sobre adoção: “Meu irmão é adotado, mas não posso e não quero dizer que meu irmão é adotado”. Mas a história toma rumos que fogem ao alcance do autor, ampliando o conceito de resistência. E o deleite do leitor está assegurado, porque o livro é curto, mas de poesia, intensidade e reflexão profundas.


"Talvez o desejo de ter um filho fosse naquele instante o que lhe restava de vida, fosse outra forma de luta, de recusa à aniquilação proposta pelo regime. Ter um filho há de ser, sempre, um ato de resistência."

O narrador é Sebastián, que tenta compreender a história de sua família a partir da adoção do irmão mais velho, pouco antes dos pais buscarem exílio no Brasil. Em São Paulo tiveram ainda um casal de filhos e nunca esconderam a adoção, mas as circunstâncias em que esta se deu não estão claras.


"Não posso fazer desse menino, do menino e do homem que ele é hoje, um personagem frágil. Não posso lhe atribuir uma dor qualquer, insensata, que o reduza a uma sensibilidade excessiva passível de piedade, que o submeta à comoção fácil."

Fuks passeia entre o pertencimento (a uma família, ao país de origem, ao país que acolhe) e a resistência, que aqui se revela tanto na persistência da luta como no embaraço da relutância, na dificuldade em lidar com o outro (e em mostrar-se). Na segunda metade do livro, o autor parece chegar à conclusão que está escrevendo para juntar os pedacinhos fraturados que existem em toda relação familiar. 


"A tempo meu pai me interrompe: Você acha que só seu irmão é diferente de nós, imprevisível, instável? Acha que algum filho se deixa moldar? Todo filho excede o que se concebe como filho. Nenhum de vocês jamais foi o que imaginávamos, nenhum cumpriu o que dele se esperava, e nisso sempre se escondeu a graça."


Enquanto puxa o fio da memória, percorre caminhos que os pais trilharam desde a ditadura argentina do final dos anos 70. O capítulo sobre as Avós da Praça de Maio é profundamente tocante, levantando mais uma suspeita sobre a origem de Emi, o irmão. Enquanto coloca sob exame minucioso o estranhamento que o irmão sempre pareceu sentir no ambiente familiar, projeta para longe de si uma inadequação que é sua, uma dor que necessita ser investigada, daí - também - o livro. 


"O que se ganha com uma descrição tão minuciosa de velhas cicatrizes, o que se ganha com esse escrutínio público dos nossos conflitos? (...) Entendo (...) que o livro é outra forma de terapia (...)."


E a resistência do título? Compreendemos então, ao mesmo tempo que o narrador, que a resistência está na recusa em deixar debaixo do tapete todas as dores que vivemos, familiares, sociais, políticas e emocionais. Está na militância política – e aqui veio a calhar a reflexão, pelo momento que o Brasil atravessa. Contar esta história íntima e a história do seu país é também resistir ao embotamento que o tempo pode trazer, não permitir a alienação de quem não viveu ‘na carne’ as dores da opressão e da falta de liberdade. E principalmente, resistir ao esquecimento e ao afastamento afetivo, estes cicatrizes profundas e irreversíveis. 


"Às vezes, no espaço de uma dor cabe apenas o silêncio. Não um silêncio feito da ausência das palavras: um silêncio que é a própria ausência."


Ficcional, mas com elementos autobiográficos, o livro encanta pela escrita poética, pelo contexto histórico que enseja lições, mas, especialmente, pela reflexão sobre as coisas não ditas, na urgência em que se podem manifestar.

Link do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/a-resistencia-527078ed535056.html
Classificação: 5 estrelas.

Booktrailer: 


28.3.16

Doce Perdão - Lori Nelson Spielman









Título: Doce Perdão
Autor: Lori Nelson Spielman
Editora: Verus
Ano: 2015 / Páginas: 322

Sinopse: Hannah Farr é uma personalidade de New Orleans. Apresentadora de TV, seu programa diário é adorado por milhares de fãs, e há dois anos ela namora o prefeito da cidade, Michael Payne. Mas sua vida, que parece tão certa, está prestes a ser abalada por duas pequenas pedras... As Pedras do Perdão viraram mania no país inteiro. O conceito é simples: envie duas pedras para alguém que você ofendeu ou maltratou. Se a pessoa lhe devolver uma delas, significa que você foi perdoado. Inofensivas no início, as Pedras do Perdão vão forçar Hannah a mergulhar de volta ao passado - o mesmo que ela cuidadosamente enterrou -, e todas as certezas de sua vida virão abaixo. Agora ela vai precisar ser forte para consertar os erros que cometeu, ou arriscar perder qualquer vislumbre de uma vida autêntica para sempre. Após o sucesso mundial de A lista de Brett, Lori Nelson Spielman retorna com este romance terno e esperto sobre nossas fraquezas tão humanas e a coragem necessária para perdoá-las - assim como para pedir perdão.

***

Antes da resenha, vale lembrar que Lori é autora de A Lista de Brett. Muita gente fala muito bem sobre ele. Não o li ainda e estou muito curiosa!!!



Quando seu coração está quebrado, o que você faz? Quando pessoas próximas te ferem e magoam, o que você faria?

Hannah Farr tem uma vida perfeita. Tem seu próprio programa de televisão em New Orleans, onde é apresentadora, tem muitos fãs que a adoram e namora o prefeito da cidade, Michael Payne, há dois anos. Toda essa perfeição está em risco quando duas pequenas pedras entram em sua vida.
Hannah está com o coração cheio de mágoa e rancor, mas para seguir em frente ela deve enfrentar o passado de uma vez por todas. A chance aparece quando as Pedras do Perdão são enviadas para ela por Fiona Knowles, uma colega de escola que a maltratou na adolescência.

“Está enfiada lá no fundo, no mesmo lugar onde a escondi dois anos atrás. Uma carta de desculpas de Fiona Knowles. E um saquinho de veludo contendo um par de Pedras do Perdão.” Página 18

O objetivo é passar duas pedras para alguém que você magoou como um pedido de perdão. Se uma das pedras voltar é porque a pessoa foi perdoada. E assim o ciclo se forma. Parece um pouco sem nexo? Até que sim, mas as pedras são apenas o símbolo de sentimentos negativos, elas servem ao propósito de liberar tudo que está magoando alguém. Adorei o conceito que a autora criou aqui!

Depois de receber as pedras, velhos sentimentos ressurgem como uma avalanche. O livro está recheado de lembranças de Hannah desde o momento em que a mãe decidiu separar-se do pai há 21 anos. A última vez que Hannah e a mãe se viram foi em sua formatura há 16 anos. Hannah, agora com 34 anos, guarda um forte ressentimento por ela ter abandonado a família para ficar com Bob. Por não ter ficado do seu lado em um momento difícil. Mas será mesmo que foi isso que aconteceu?


A cada momento vivido por Hannah, as lembranças vão sendo mostradas e dando uma nova perspectiva sobre suas atitudes e conceitos sobre tudo. Será que ela não acabou fazendo coisas que só a afastaram da mãe e não o contrário? Algumas lembranças foram de alguma maneira distorcida por conta de seu ressentimento? Agora Hannah vai ter que enfrentar seu passado para poder finalmente encontrar seu futuro.

“Porque agora começo a questionar todas as crenças que mantive com tanta firmeza nestes últimos vinte e um anos. E a própria missão deste dia, oferecer perdão para a minha mãe, de repente parece toda errada.” Página 111

Uma personagem me chamou atenção desde o primeiro momento que apareceu: Dorothy. Uma senhora de idade muito fofa e sábia. A cada página virada, eu ficava esperando ela aparecer e poder ver seus conselhos. Não tinha como não se apaixonar por ela. E também sofrer junto com ela em um momento de revelação, me doeu muito o coração.

“Eu sempre imaginei a vida como um quarto escuro cheio de velas. Quando nascemos, metade delas está acesa. A cada boa ação que fazemos, mais uma se acende, criando um pouco mais de luz. Mas, ao longo do caminho, algumas chamas são extintas por egoísmo e crueldade. Então, veja bem, nós acendemos algumas velas e apagamos outras. No fim, só podemos desejar ter criado mais luz que escuridão neste mundo.” Página 46 e 47

“Não é a mentira. Nunca é a mentira. É encobrir que nos arruína.” Página 149

Vamos a um ponto que deve ter deixado um tanto indignado alguns leitores: a reviravolta do segredo. O modo como a autora decidiu finalizar isso deixa dúvidas ou até certezas em aberto. Mas entendo a perspectiva da autora de deixar isso em aberto, por que é real. Não são todas as pessoas que decidem enfrentar esse tipo de problema. Hannah já tinha conseguido sua paz interior e reviver tudo outra vez não faria mais diferença.

Encerro Doce Perdão com um questionamento para os leitores: será mesmo que alguns segredos devem ser enterrados?








26.3.16

Lançamentos da Editora Petit


Há alguns dias anunciamos nossa nova parceria com a Editora Petit, e hoje estamos aqui para divulgar seus lançamentos... Bora dar aquela conferida??

Porque ler vai mais além...




MORREU E NÃO SABIA
A história de um jovem desencarnado
José Manuel Fernández

Quando João descobre que seu melhor amigo está namorando Elisa, o grande amor de sua vida, fica transtornado. Sem que o casal perceba, começa a segui-los por todos os lugares: na escola, no bairro, nas ruas. Numa dessas obsessivas perseguições, às escondidas, João se distrai e, ao atravessar uma rua, acaba atropelado. Desencarnado, ele não percebe sua nova condição. Um militar, também desencarnado, vai ajudá-lo a descobrir o que aconteceu, mas o jovem só tem um sentimento: vingança. Sempre fiéis às mensagens espíritas, a exemplo deste livro surpreendente.








JESUS E A ARTE DE VENCER DESAFIOS

William Sanches

O que Jesus nos ensina sobre superação de desafios? Quais lições Ele nos deixou com as dificuldades que enfrentou? Como aplicar os ensinamentos deixados pelo Mestre em nosso desenvolvimento pessoal e profissional?
William Sanches nos convida a seguir os passos de Jesus na Terra e a entender como a passagem divina e humana do Mestre entre nós pode nos servir de exemplo para vencer adversidades e descobrir a espiritualidade nos acontecimentos mais simples da vida.
Por meio de citações bíblicas, o autor nos incentiva a lutar pelos nossos sonhos, tendo Jesus como modelo e guia inspirador.
Jesus e a arte de vencer desafios é essencial para quem deseja enfrentar as dificuldades do cotidiano de coração e mente abertos.





PELOS CAMINHOS DA VIDA
Cristina Censon
Espirito: Daniel


Na França, em pleno século XIV, vive Adele, uma jovem de apenas 13 anos. Apesar de tão pouca idade, ela se vê obrigada a enfrentar uma intensa jornada pessoal quando seu pai descobre que é sensitiva, capaz de ver e conversar com espíritos. Ao lado de sua aia Justine, Adele foge da ira paterna e vai ao encontro de Elise, única pessoa que poderia ajudá-la a lidar com seus dons. E é a figura emblemática de Elise que unirá Adele a Aimée, jovem de igual sensibilidade e dons. O pai de Adele, no entanto, não desiste da perseguição à filha, e sua vingança acaba resultando numa tragédia de grandes proporções. 




E aí, quem já leu algum livro da Petit? O que acharam dos lançamentos? Não vejo a hora de começar a ler os livros da editora... Aguardem as resenhas... :)



24.3.16

Arrabal e a Noiva do Capitão



Autora: Marisa Ferrari
Editora: Novas Páginas
Ano: 2014
Sinopse: Giordano e Giuseppe são idênticos na aparência, mas suas almas não poderiam ser mais diferentes. O bravo Giordano é o capitão-chefe da Guarda Real. Giuseppe é um ator de coração puro e alegria contagiante que viaja com sua trupe para se apresentar nas praças e castelos da região. De caráter inflexível, Giordano tem como sua maior missão proteger o Rei. Por sua vez, o sonhador Giuseppe deseja escrever uma peça de teatro com diálogos, o que seria uma inovação para a época. Embora não sejam propriamente amigos, os dois irmãos vivem uma espécie de acordo de cavalheiros, respeitando o espaço um do outro e lidando com o delicado estado de saúde de sua mãe. Até que a formosa Luigia acaba com a paz da família Romanelli...
Arrabal e a Noiva do Capitão nos transporta para a incrível Nápoles do século 18, magistralmente reconstruída por Marisa Ferrari. Uma história que resgata a magia do teatro e nos convida a compreender a beleza que existe nas contradições.



Quando escolhi esse livro, admito que o escolhi pela capa. Estava a fim de ler um romance, o vi na livraria... Vi que nosso antigo parceiro o havia disponibilizado então pensei: por que não?

O livro começa meio devagar, contando a história dos dois irmãos desde a infância; desde como a mãe, Gioconda, conheceu o pai, Carlo. Nos guia por uma estrada de amor que acontece em Nápoles, no sul da Itália, com início em 1707.

Casaram-se lógico por interesse político de seus pais, mas já nutriam um interesse mútuo. Gioconda era dada as habilidades artísticas (como a muitas mulheres na época, era de bom tom ser culta), talvez uma veia passada por seu pai que era dado como louco, pois fazia marionetes e com elas contava histórias para as crianças. Claro, a família era abastada e dona de um palacete, de ambos era, na verdade. Então possuíam tempo para dedicar-se à seus hobbies.

Gioconda pareceu ser uma jovem incrível em sua juventude, pelo menos até o momento do nascimento de seus filhos.  É nessa noite marcante para qualquer mulher que o livro se inicia. Com seu sofrimento durante o parto, suas dúvidas quanto a ser mãe. O quão sozinha se sentia, mesmo tendo sua criada pessoal ao seu lado. Ninguém poderia nunca partilhar a dor que invadiu seu corpo – e sua alma.

Acredito que acometida pela psicose pós-parto (doença que acomete aproximadamente  uma ou duas mulheres a cada 1000 nos dias atuais), seus “nervos” ficaram enfraquecidos. Podia estar cuidando dos meninos gentilmente e no instante seguinte ter uma crise.

E seus dois filhos foram crianças felizes. Ganharam do avô seus preciosos marionetes, com os quais passavam horas criando histórias. Havia, como sempre, rivalidade entre ambos: Giordano era um pequeno soldado, mais altivo e possessivo que Giuseppe, dado às artes, a dança e a música, o que era uma vergonha para seu pai.

Por conta disso, ao crescer, Giuseppe rompeu com sua família e seguiu seu sonho de ser livre e poeta. Criou uma companhia de teatro e deu vida ao personagem Arrabal, um poeta Arlecchino possuidor de um carisma magnético: todos que o conhecem são atraídos por ele e sua causa. Um poeta guiado em seus sonhos por Molière (pesquisei e descobri que foi um escritor de peças de teatro francês, que misturava a Commedia dell’arte italiana uma versão mais refinada da comedia francesa), que o incentivava a escrever uma peça de teatro diferente a qual sua trupe estava acostumada (paródias da vida comum, com personagens representados através de máscaras cômicas).

Sua trupe é composta por pessoas tão com passados tão trágicos que pareceram ter saído do teatro grego:

- Mamma é a pessoa que o próprio apelido já diz o que ela significa: é a senhorinha já de idade ligeiramente avançada que cuida de todos como seus próprios filhos. Faz a comida, lava suas roupas, prepara chás milagrosos quando estão doentes... Sente orgulho de suas crias.
- Dottore: bem... é o médico misterioso que se nega a exercer sua profissão: só o faz quando Mamma o obriga, uma vez que ele possui uma “quedinha” por ela. É quieto, não fala muito sobre si... Bem enigmático.
- Vincé: é o rival de Dottore. Alguém mais simplista e irritado, é aquele típico italiano que grita, fala forte, gesticula o tempo todo.
- Francesca: Uma jovem resgatada das ruas por Arrabal. É sonhadora, impetuosa e muito apaixonada. Morre de cíumes de seu salvador. Ainda adolescente, é a mais nova da trupe.
- Gigi: um jovem ex-seminarista que cometeu o pecado de gostar de ópera!!! Saiu fugido do mosteiro, depois de claro, ser incitado por Arrabal a seguir seus sonhos. Sua escolha ainda lhe dá pesadelos, mas ele ama o que faz.

Essa era a trupe original, que se caracterizava de personagens já bem conhecidos por nós: A Colombina, Polichinelo, Pantaleão... Cada integrante é de suma importância para Arrabal seguir seu sonho de mudar a visão que todos tem do teatro. A estes, se somam no decorrer da história Caterina, uma costureira cega e Vittoria, uma marquesa que escapa das garras do marido e foge com a trupe para seguir seus sonhos.

É inegável a transformação que Arrabal causa na vida de todos que os cercam. Dá um toque de magia a suas vidas com sua máxima “Algo deve acontecer para nos ajudar!”. Então dava sempre um toque de destino às situações, por pior que pudessem parecer. Só precisavam dar seu melhor para contornar os problemas, e confiar que a vida lhes proveria o que precisassem.

Giordano, por sua vez, é uma inspiração para a cidade, seu herói. Tornou-se capitão da guarda real, é amado pelo pai e pela mãe... E por todas as mulheres que Arrabal não conseguiu colocar seus olhos.
Ao mesmo tempo que é motivo de orgulho para sua cidade por sua honradez e dedicação ao reino, ele deseja algo diferente. Deseja mudanças na vida, na ordem de como as coisas acontecem: pobres pagando a vida que as pessoas da corte tão orgulhosamente carregam.

Existe rivalidade entre os dois irmãos, talvez por invejarem o que um e outro possuem: enquanto Giordano carrega o amor do pai e sua casa, Arrabal carrega a liberdade desejada pelo outro.
A mulher, Luigia, só aparece para intensificar a rivalidade entre os dois, tornando-se indecisa na escolha: com qual irmão devo ficar? Não é uma figura muito marcante, até mesmo meio antipática na trama. Vittoria é muito mais interessante que ela, na minha opinião.

A história é muito envolvente, com personagens completamente carismáticos, você torce para que sempre acabe tudo bem. E tem uma reviravolta imensa que eu realmente não esperava!!! Me surpreendeu direitinho, você simplesmente não espera, criando suas próprias teorias e não é nada comparado ao que acaba acontecendo.

Recomendo demais a leitura, pois é uma viagem à Itália. Desde às praças, a Tarantella, a alegria e o macaronni, tudo nos traz Nápolis em seu mais puro ser: seu povo.

A Rede globo de Televisão comprou os direitos autorais do livro e pretende lançar uma minissérie

Ah, recomendo também ter um dicionário de italiano, algumas vezes fica confuso entender e não tem a tradução do que foi falado sempre! <o>




23.3.16

Lançamentos da Butterfly Editora!


É com prazer que faço o primeiro post no blog sobre as novidades da nossa nova parceira, a Butterfly Editora!

Herdeiro de Sevenwaters - Juliet Marilier

O 4º livro da aclamada e premiada autora Juliet Marillier


Sinopse: Quando Lady Aisling dá à luz um novo herdeiro de Sevenwaters, cabe à sua filha Clodagh a responsabilidade pela casa e pelo irmão. Porém, ele é raptado, e em seu lugar é deixado um ser que pouco lembra um bebê humano. Para recuperá-lo, Clodagh tem que se aventurar no Outro Mundo, acompanhada por um misterioso guerreiro, e enfrentar o poderoso príncipe que agora reina.

Já tivemos um livro dessa autora aqui (resenha aqui), que é o primeiro livro dessa coleção!!!







Cara de um, focinho de outro - Marcos Fernandes

Sinopse: Quem nunca teve um animal de estimação e compartilhou com ele os momentos mais incríveis de sua vida? Um segredo, uma alegria... E até uma dor? 

Pois é sobre essa relação amorosa entre os tutores e seus animais de estimação que trata este livro. Uma relação antiga, mas que em momento algum da história da humanidade foi tão intensa. 

Muitos dizem que o animal é o espelho de seu tutor. Mas o que faz com que essa relação seja tão forte? Existe alguma energia que os une? O que a ciência fala sobre essa união? 

“A fidelidade que os animais dispensam a seus tutores humanos é indescritível, pois resgatam a pessoa das regiões mais sombrias de seus problemas e angústias, motivando a vida a seguir seu curso novamente”, explica o autor, que também é veterinário e psicanalista. 

Descubra mais sobre essa relação de amor e fidelidade que ultrapassa o tempo e a razão. Você vai se surpreender.



Despertando vidas - Dr. Fábio Gabas


Sinopse: Um novo conceito para uma vida mais saudável!
Despertando vidas apresenta exercícios e técnicas para melhorar significativamente sua saúde física e emocional, disposição e energia. Você poderá modificar seus estados emocionais, valores, crenças e níveis de consciência que determinam sua percepção de mundo e, consequentemente, ganhar qualidade de vida. 
Por meio de um modelo de alimentação e de condicionamento físico elaborado a partir dos princípios que regem uma função celular ideal, descubra como desfrutar de mais bem-estar com menos esforço.










Mototerapia: vencendo o estresse sobre duas rodas - Dinno Benzatti 



Um livro para levar na garupa da moto.

Apresentador programa Momento Moto, Dinno Benzatti, registra em livro dicas de segurança e roteiros de viagens

Apaixonado por motos, Dinno Benzatti pilota desde a década de 1970. Jornalista especializado em motos, palestrante e apresentador do programa Momento Moto, de vivência integralmente motociclística da TV aberta brasileira, o também blogueiro do portal R7, já escreveu para diversos jornais e revistas do país.

As experiências viajando pelo mundo em sua moto ganharam agora espaço na literatura. Publicado pela editora Butterfly, Mototerapia – vencendo o estresse sobre duas rodas convida os leitores a montar na garupa de Benzatti e viajar com ele ao longo das curvas sinuosas da Serra do Rio do Rastro, das retas da Rota 66, nos Estados Unidos, das paisagens da Croácia, do trânsito caótico de São Paulo, do inexplorado Estado do Espírito Santo e até das terras da rainha, na Inglaterra e na Escócia, onde homens usam saia.

Outra grande novidade neste livro é a crossmedia, interatividade do conteúdo em vídeos. O leitor poderá acessar, por meio de smartphones ou tablets, dicas e matérias especiais para a TV escaneando os QR Codes impressos ao longo da obra.

Veja exemplo abaixo de uma das matérias:

E aí, o que acharam dos lançamentos da nossa parceira?



22.3.16

Meu Barco e Eu




Autor: John Grogan
Editora: Ediouro

Sinopse: Em Meu barco & eu, o autor do bestseller Marley & Eu, John Grogan, retorna escrevendo crônicas de forma magnífica, tendo como inspiração os mais diferentes aspectos do dia a dia. Todos os hábitos e manias humanas estão presentes em seus textos. Da fragilidade da vida quase perdida em um cruzamento no trânsito, aos obstáculos enfrentados pelos adolescentes e à volta da guerra do Iraque, suas crônicas estão repletas da sensibilidade e do bom-humor que transformaram o autor em um dos mais vendidos do século.

Estava em uma viagem à Campinas quando encontrei esse livro, fiquei surpresa ao vê-lo, não tinha ideia de que John Grogan havia lançado outro livro.

Há alguns anos atrás, comprei outro livro dele, “Cães Encrenqueiros se Divertem Mais”, confesso que, iludida pelo seu grande e emocionante best-seller “Marley e Eu”, resolvi comprar o livro. Este era uma junção de histórias de cães que mudaram a vida de seus donos e os mesmos enviaram suas aventuras ao autor.

Mas voltando ao livro em questão, “Meu Barco e Eu”, depois de muito considerar, o comprei. No entanto, ficou parado na minha estante por anos, até que finalmente decidi pegá-lo para ler. Logo na primeira página, a editora diz não ser oficialmente um livro de John Grogan, o jornal no qual ele trabalha juntou todas suas melhores crônicas e as publicou em um livro. Grogan não recebe nenhum direito autoral por ele.

A escrita é ótima e confortável para leitura. Suas  histórias são surpreendentes.

A primeira crônica que me chamou atenção, é sobre uma viagem do autor, que minutos depois de ter passado por uma rodovia, acontece um terrível  acidente.

“A coisa mais corriqueira pode se transformar, em apenas um segundo, na mais espantosa. Sua vida pode mudar para sempre.” (Página 24)

Temas de morte é muito frequente, a qualquer momento a morte pode chegar para nós, como disse Raul Seixas, “ a morte surda caminha ao meu lado, e eu não sei em qual esquina ela vai me beijar.” É algo presente e real, que esta sempre acontecendo, mas só notamos quando acontece próximo de nós mesmos.

“Faz parte da natureza humana negar esse tipo de coisa, mas a morte pode chegar a qualquer hora e em qualquer lugar [...] A vida é curta. Extremamente bela. Terrivelmente imprevisível. Devemos viver intensamente cada momento de cada dia.” (Página 25).

Vemos também a história de um casal com problemas para terem filhos, a mulher então, decide tomar pílulas de fertilidade. Na primeira tentativa, ganhou gêmeas, na segunda, sêxtuplos. Sem condições para cuidar de todos os filhos, exigia ajuda do estado, porém, ninguém esteve do lado o casal, sabiam dos riscos das pílulas. A mulher, inflexível, não aceitava outras opções.

“Podemos resumir assim: todos nós, algum dia, talvez quando menos esperarmos, enfrentaremos um momento que vai nos definir pelo restante da vida. Esse momento colocará nossa humanidade em xeque [...] Quando esse momento chegar, precisaremos nos perguntar: que caminho vou seguir?” (Página 48).

Depois de muito opinar sobre a história da mulher com 8 filhos, relembra muitos outros acontecimentos de mulheres que decidiram não pedir ajuda. Todas acabaram mal. Uma delas tinha uma filha de seis meses com Síndrome de Down, quando se rendeu as vozes de sua cabeça,  cortou a garganta da filha e se matou depois na prisão.

“Às vezes a vida parece uma galeria de vida ao alvo. Somos os alvos; os tiros chegam aleatoriamente, acertando alguns, poupando outros, sem qualquer padrão ou previsibilidade. E, certamente, sem justiça. A vida é muitas coisas. Justa não é uma delas.” (Página 51)

E assim,  “Meu Barco e Eu” reúne histórias de uma realidade aleatória à nossa. Estamos sempre muito ocupados  com nossa própria vida e, só nos damos conta de algo, quando acontece perto de nós mesmos.

Recomendo bastante esse livro, leiam e tirem suas próprias conclusões =3. 




20.3.16

Adele - Chas Newkey-Burden





Autor: Chas Newkey-Burden
Editora: Leya
Ano: 2011
Sinopse: A voz emocionante, os hits cativantes e a personalidade sensível de Adele já lhe renderam prêmios e grande popularidade. Ela quebrou um recorde de 21 anos quando seu segundo álbum, 21, permaneceu no primeiro lugar das paradas britânicas por 15 semanas consecutivas. Um sucesso enorme, Adele tem dominado as paradas em 18 países.

Mas quem é ela? Existe, de fato, a suposta vida turbulenta que tanto inspira suas músicas tristes? Como ela superou os desafios que ameaçaram acabar com a sua carreira? Este emocionante livro narra a história da cantora, desde a sua infância em Londres, onde começou a cantar aos quatro anos de idade, até os nossos dias, em que Adele tornou-se ícone da música mundial. Desvende os segredos dessa talentosa cantora e – embora seja quase impossível – a admire ainda mais.

Resenha:

Não dá pra negar que Adele é um fenômeno da música internacional nos últimos anos. Ainda assim, sou suspeita pra falar, porque sou super fã e acho que ela é uma cantora completa, pois além de linda e com uma voz que faz todos arrepiarem, ela parece ser uma pessoa simples, que agrada a todos com sua simpatia e carisma. Além disso, quem não se identifica com suas letras né? Acho que todo mundo já passou por alguma decepção do “nível Adele” na vida.

Adele Laurie Blue Adkins nasceu em 05 de maio de 1988, em Londres. Sua mãe, Penny Adkins, tinha 18 anos quando deu à luz. Ela e o pai de Adele, Mark Evans, se separaram quando a filha tinha apenas três anos, o que os afastou e não permitiu que tivessem um relacionamento muito próximo. Cresceu com o novo parceiro de Penny e um meio-irmão chamado Cameron, alguém com quem tem uma identificação muito forte.

Quando tinha apenas 3 anos, Penny levou a filha para seu primeiro show, do The Cure. Futuramente, em seu segundo disco, Adele gravaria um cover de “Lovesong”, da banda.

“Eu me lembro de ter percebido que a música unia as pessoas, e eu adorava essa sensação e encontrava muito conforto nisso. Um sentimento de euforia.”

Na adolescência, Adele era fã de Spice Girls, Pussycat Dolls e Britney Spears. (E qual garota nascida no final dos anos 80 não era né?) Além de ouvir essas cantoras, Adele tentava imitá-las. (Mas diferente de nós, simples mortais, ela cantava de verdade.)
Adele abriu a mente quanto aos gostos musicais, que passaram a englobar R&B e bandas de rock, como Aerosmith. (Será que só eu viajei ao ler essa parte do livro, imaginando um cover do Aerosmith, ou uma parceria com Steven Tyler? *resenha da biografia dele em breve por aqui*).

“Eu tinha 13 ou 14 e tentava ser bacana, mas eu não era muito bacana na época, pois fingia gostar de Slipknot, Korn e Papa Roach. Então, lá estava eu, com minha coleira de cachorro e calça larga, e vi um CD na sessão de ofertas. Comprei o CD porque queria mostrar o cabelo da foto para a minha cabeleireira, para que ela fizesse a mesma coisa em mim.”

O CD mencionado era um com os maiores sucessos de Etta James, e Adele relata que quando ouviu a música “Fool That I Am” pela primeira vez, tudo mudou para ela, e a partir de então quis ser cantora.

Adele então foi estudar na BRIT School, um ambiente que alimentava seu talento criativo todos os dias. Por essa escola também passaram outros artistas famosos, como Leona Lewis e Amy Winehouse, entre outros.

Ainda enquanto estudava lá, Adele gravou duas demos e as divulgou na internet, em um site equivalente ao MySpace do Reino Unido. Depois disso, Adele começou a ser procurada pelas gravadoras, e foi contratada aos 18 anos pela XL Recordings, após divulgar a música Hometown Glory no MySpace, escrita quando ela tinha apenas 16 anos.


Seus dois primeiros discos falam sobre rompimentos dolorosos. Adele pensava ser a única pessoa a viver situações deste tipo, até que descobriu através de sua música, que milhões de pessoas se identificavam com suas letras e compartilhavam dos mesmos sentimentos.
Adele recebeu várias críticas positivas e negativas em seus dois álbuns, porém é quase unânime a opinião sobre o amadurecimento da cantora entre os dois. Ela acredita que o relacionamento com um homem mais velho (aquele das músicas do disco 21, sobre quem eu até queria mais detalhes, mas que ela evita expor muito) tenha feito ela amadurecer bastante, mesmo sendo tão jovem. Enquanto nas letras de 19 ela sofre como uma adolescente, nas letras de 21 ela oscila entre dúvidas quanto a desistir ou dar uma segunda chance ao cara, ou seguir em frente e desejar o melhor a ele.

Outra coisa revelada no livro é que Adele não gosta de fazer turnês. Primeiro, porque não gosta de ficar muito tempo longe da família, dos amigos e de sua casa. Segundo, porque tem muitos ataques de ansiedade (quê???). Talvez isso explique o porquê da diva nunca ter dado as caras por aqui né?

Em 2011, Adele teve uma laringite que a impediu de cantar ou até mesmo falar por algum tempo. Ela teve medo de perder a voz para sempre. Mas após o tratamento, ela pôde voltar a fazer o que mais gosta sem maiores problemas.

Adele já vendeu milhões de discos no mundo todo, já ganhou muitos prêmios, mesmo tendo uma carreira relativamente curta na indústria da música. Apesar de suas letras frequentemente apresentarem decepções amorosas, a cantora aparenta estar sempre feliz e de bom humor, sendo conhecida por sua risada alta e marcante. (Já assistiram ao vídeo dela no programa The Late Late Show's Carpool Karaoke, com o James Corden?? Divertidíssimo!! Vejam aqui!!).

O que achei interessante é que, conforme fui lendo o livro e o autor falava sobre cada música, dava uma vontade enorme de ouvi-las e tive um sentimento completamente diferente após saber qual a história por trás delas. Grande parte do livro eu li com a trilha sonora da Adele ao fundo.

Relendo a sinopse, comecei a pensar que conhecer melhor a história de Adele me fez admirá-la ainda mais, pela humildade, pelo carisma e por nunca deixar de ser quem ela é ou deixar-se levar pela fama e pelo dinheiro.
Fica a dica também do novo álbum dela, que saiu em 2015, e se chama 25. A música “Hello” já estourou por aí... 



18.3.16

Mentiras que Confortam


Título Original: The comfort of lies
Autora: Randy Susan Meyers
Editora: Novo Conceito
Ano: 2015
Sinopse: Cinco anos atrás...
Tia apaixonou-se obsessivamente por um homem por quem nunca deveria ter se apaixonado. Quando engravidou, Nathan desapareceu, e ela entregou seu bebê para a adoção.

Caroline adotou um bebê para agradar o marido. Agora ela questiona se está preparada para o papel de esposa e mãe.

Juliette considerava sua vida perfeita: tinha um casamento sólido, dois lindos filhos e um negócio próspero. E então ela descobre o caso de Nathan. Ele prometeu que nunca a trairia novamente, e ela confiou nele.

Hoje...
Tia ainda não superou o fim do seu caso com Nathan. Todos os anos ela recebe fotos de sua garotinha, e desta vez, em um impulso, decide enviar algumas delas para a casa do ex-amante. É Juliette quem abre o envelope. Ela nunca soube da existência da criança, e agora precisa desesperadamente descobrir quantas outras mentiras sustentaram o seu casamento até hoje.



Sinceramente, esse livro meio que me pegou de surpresa. Sabe o livro que você acaba escolhendo mais pela capa e não sabe muito o que esperar, pois não muito o tipo de leitura ao qual está acostumada? Então. Fui pega de surpresa quando me vi refletindo demais sobre o livro, marcando muitas coisas para ler e uma ansiedade enorme de começar a resenha para não perder as linhas de raciocínio que iam me atropelando enquanto eu lia.

Os capítulos do livro são divididos entre as personagens principais: Tia, Julliete, Caroline e Nathan (seus capítulos ficam mais pra o final). Cada uma delas tem seus demônios pessoais lhes dominando, corroendo todo seu comportamento. Por demônios, eu quero dizer cultura.

Cultura no sentido de ditador de comportamentos. Aquele que lhe diz como você deve se sentir, como você deve responder, como você deve se portar, etc. e que quando você age contra isso, é julgada... E seu pior algoz é você mesmo.

"- Você vai cuidar disso, não é?
Tia afundou na poltrona frente ao sofá.
- Cuidar disso?
- Claro, cuidar disso. - Ele fechou os olhos por um momento. Quando abriu, endireitou o corpo. - O que mais nós podemos fazer? O que mais faz sentido?" 


Tia enfrenta uma situação complicada: ama um homem casado. Relaciona-se com ele sem se

importar com a família que ele já tem, afinal para ela eles ainda não existem, não fazem parte do que ela conhece realmente, só como uma história a qual ela nem quer saber, interessada apenas em ter sua própria família com Nathan. Mas ao mesmo tempo que deseja isso, sente vergonha do que faz, sabe que sua mãe religiosa a recriminaria se soubesse que ela está se envolvendo com um homem comprometido. Não só ela, como muitas outras pessoas da sociedade.

Ela não era tão jovem quando o conheceu, nem inocente. Era dona de seu dinheiro e de suas atitudes, mas ainda assim escolheu rumar por aquele caminho, arriscando-se pelo amor que sentia. Quando se viu grávida, viu ali a chance de ter Nathan com ela para sempre...

Mas, quebrando seu coração e seus sonhos, o homem amado a rechaça ao encarar a possibilidade de ter que abandonar a mulher com a qual é casada e os filhos que tem com ela.

Acreditando que não terá condições de cuidar da criança, Tia decide dá-la para adoção mesmo com os protestos de sua mãe, dizendo que ela se arrependerá amargamente disso no futuro. Mas como ela poderia viver o resto de sua vida olhando e cuidando de alguém que sempre lhe lembraria do amor tão dolorosamente perdido?

Escolhe um casal que acredita serem os melhores pais para sua criança, esconde a gravidez de todas as pessoas que conhece e só volta para os amigos e o trabalho depois de “recuperada”. Sua vida prossegue assim por cinco anos, lutando para esquecer o homem que lhe abandonou, desejando encontra-lo em cada esquina e bar que vai.

Durante cinco anos, ela vive uma semi-vida, sentindo-se incompleta. Como uma pessoa emocionalmente doente iria conseguir ter uma vida normal sem apresentar alguns momentos de insanidade e impulsividade?


"Ela se sentia como se sua vida tivesse se tornado uma série de compromissos que sempre tendiam para o lado da escala moral de Nathan Soros."

Julliete é a esposa de Nathan, a mulher traída que é a mãe e esposa perfeita. Teve uma criação exemplar, embora sua mãe tenha lhe criado para isso, ela não quer ser como sua mãe, ou que ela e Nathan sejam como seus pais: acredita que a casa estilo inglês deles é mais importante que a própria filha. Quando criança, era a extensão de beleza de sua mãe.

Ama o marido mais que a si mesma, ama seus filhos e sua família, mas sente-se culpada por não ter mais muito tempo em casa desde que começou uma empresa. Sua vida caiu em uma rotina corrida, mas isso não significa que os ame menos.

Ao descobrir-se traída, tenta entender a razão. O que Nathan não tinha, que precisou buscar em outra mulher? Quem era ela, como ela era, quantos anos... Quis saber de tudo, tomou dele uma promessa de que aquilo nunca mais aconteceria e lutou para manter seu casamento. Mesmo remoendo-se por dentro. O que havia feito de errado para Nathan ter um caso? Por quê?

Quando descobre que há uma criança envolvida, toda a desconfiança volta e, mais uma vez, a culpa de seu relacionamento não dar certo cai em cima dela.

Vamos analisar primeiro essas duas pessoas. Mulheres. Envolvidas com o mesmo homem. E a culpa é somente de quem, o tempo todo? Delas. Tem ciúme uma da outra, desejam o que a outra tem: a família, a juventude, o corpo bonito e bem cuidado. Tem raiva uma da outra. São inimigas. Por causa de um homem. E, se uma se deixou encantar pelo homem casado, a culpa dela. Se a esposa não conseguiu dar tudo o que o marido precisa a ponto de ir buscar em outro lugar, a culpa é dela.

Alguma ligação com o que se tem discutido hoje em dia? Feminismo. Culpabilidade da vítima.
Não estou defendendo a Tia em, mesmo sabendo que Nathan era comprometido, decidiu que iria toma-lo para si. Mas é o que minha mãe sempre diz: quando um não quer, dois não fazem. Nathan sabia de sua responsabilidade e ainda assim deixou-se levar pelo caso a ponto de dizer que amava Tia apenas para continuar com o sexo. Quando precisou provar que o amor era verdadeiro, deu o fora e deixou-a cuidar sozinha das consequências dos atos de ambos.

Aqui podemos fazer outro parênteses: se existe mãe solteira é porque muitas vezes os homens não assumem o seu papel de pai. Tanto que se a mulher engravidar, fudeu, né?

Okay, vamos continuar.

..."A vida doméstica era obscura, e aquilo ameaçava carregá-la para baixo permanentemente. Todas as manhãs, ela acordava para desempenhar um papel mal resolvido até que chegasse ao hospital."

Caroline é a mulher atual: a independente que tem uma carreira de sucesso, um marido que lhe ama com uma carreira também de sucesso, são financeiramente estáveis. E não podem ter filhos. Peter, o marido, cresceu em uma família grande e pobre, mas não lhe faltava nada em casa. É o orgulho de sua mãe.

Caroline é rica, teve uma infância aparentemente isolada por ser antissocial. E não deseja ser mãe.

Qual é o crime?

Seu marido quer uma família grande.

Então encontram uma criança para chamarem de sua.


Caroline não consegue ser mãe. Acredita que não nasceu para ser mãe. Que não tem dom para isso,
ama sua carreira. E ter que voltar para casa, deixar o trabalho que ama para cuidar de uma criança é um sacrifício.

E como uma mulher não quer ter filho!? Ela tem que ter pelo menos um! E se por um acaso ficar sozinha, quem vai cuidar dela?! Ela tem que experimentar a magia de ser mãe, a magia do parto. É um absurdo, pois as mulheres nascem para ser mãe! Podem ser médicas, aeromoças, pedreiras, engenheiras, químicas... Mas tem que ser mãe também!

E tudo piora quando por alguma razão fisiobiológica elas não conseguem ter filhos. É uma mulher falha. É culpa sua o casal não poder ter um filho. Então vem a questão da adoção: não é um filho que foi gerado por você, e sabe-se o quão importante isso é para desenvolver o papel de uma mãe. Assim, a criança só vira seu filho a partir do desejo. Do amor que você vai sentindo conforme sua barriga cresce, é assim que você vai tomando a realidade e a dimensão de que está tendo um filho. 
E quando ele não foi gerado por você? Existe o desejo, mas não essa fase. Como se pode amar plenamente uma criatura que você não viu crescer dentro de si? A culpa que tais pensamentos geram é um fator enorme de estresse para mães adotivas, pois escutam o tempo todo: é igual a um filho criado dentro de você, isso passa, dê tempo ao tempo. Se você comenta suas dúvidas com alguém, é dada como fria e desalmada. O emocional da mãe adotiva pode não aguentar tais julgamentos...

..."Não que a culpasse por isso. Mas seu pai continuou sendo o centro do mundo para sua mãe, mesmo depois de ela ter aberto espaço no pedestal para Nathan, e ele achava que seu casamento seria assim."

Nathan... Bem, ele é a chave que uniu as três mulheres sem o conhecimento da mesma. Um professor de faculdade que precisa da admiração de seus alunos para que seu ego continue firme, sólido.

Ama sua esposa, mas sua autoestima precisa de mais. É aí que surge Tia, uma jovem recém formada faminta por tudo o que ele tem a oferecer: seu corpo, suas palavras seu conhecimento. Ela não fica entediada com suas explicações e sempre está disponível para ele. Até que a presença dela em sua vida coloca em risco a família amada já construída dele.

Enquanto ela passa cinco anos o procurando com o canto dos olhos por todos os locais, ele praticamente esquece de sua existência.

A maior reflexão surgiu dele. Das mentiras confortáveis que contou para si mesmo durante tantos anos, apenas para continuar vivendo tranquilamente, livrando-se das preocupações que seu ato podem ter causado.

Mas ele esquece que uma mentira nunca anda sozinha, sempre tem uma consequência. Especialmente quando ela é descoberta. Acho que o pior não é saber que foi uma mentira, mas sim saber que a pessoa não confia em você o suficiente para saber a verdade. Que você desejou enganá-la. Não há nunca uma boa intenção por trás de uma mentira.

E essa é toda a questão do livro, como as mentiras que nos contamos influenciam não só nossas vidas, mas também as pessoas que nos cercam. Tudo porque às vezes não conseguimos encarar a nós mesmos e nossos atos, a pessoa a qual estamos nos tornando. Vendamos nossos próprios olhos somente para não termos que nos preocupar com isso; idealizamos as pessoas e tentamos fazer delas aquilo que queremos que sejam.

Esse livro é um banho de reflexão. Muito bem escrito, com personagens interessantes que podem ser representações de muitas pessoas que conhecemos. É uma leitura extremamente válida, se você quer algo para te ajudar a rever alguns conceitos.