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2.4.16

Batman Vs Superman - A Origem da Justiça




Olá! É com grande prazer que aceitei o convite para colaborar com este blog com algumas resenhas de filmes. E, embora eu não seja uma menina, mas um "menino que lê livros" e adora filmes, me comprometo a entregar postagens com análises pessoais e bem humoradas (na medida do possível e se o dia não estiver muito chuvoso, pois isso me irrita rsrsrs) não só de lançamentos, mas de filmes de todas as épocas, clássicos ou nem tanto... Enfim, o que vier na telha! 

                   Eu achava, até bem pouco tempo atrás, que menina NENHUMA se interessasse por filmes de super herói. Mas minha prima, Amanda, que também é resenhista aqui no blog, me mostrou que eu estava errado, pois ela tem sido minha fiel companheira no cinema e este ano já assistimos ao Deadpool (sensacional!) e ao controverso Batman Vs Superman, sobre o qual eu vou escrever agora. Espero que gostem! 

BATMAN vs SUPERMAN: A Origem da Justiça (Dawn of Justice)



Direção: Zack Snyder
Elenco: Henry Cavill, Ben Affleck, Gal Gadot, Jesse Eisenberg, Jeremy Irons, Amy Adams, Holly Hunter, Diane Lane, Laurence Fishbourne.

ATENÇÃO: Contém spoilers (revelações sobre o enredo) referentes ao filme em questão, bem como de Man Of Steel e da saga O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. Se você ainda não assistiu/leu as obras mencionadas, prossiga por sua conta e risco.

Sinopse:

A trama é uma continuação dos eventos retratados no filme MAN OF STEEL  (Zack Snyder – 2013) quando, durante um combate épico entre os kryptonianos (Superman, General Zod e seus seguidores), a cidade de Metropolis termina destruída quase que por completo, destruição que incluiu uma torre pertencente ao milionário e bem feitor de Gotham City Bruce Wayne, matando centenas de seus colaboradores e ferindo outros tantos. Este fato chama a atenção de Wayne (que tem como alter ego o perturbado vigilante mascarado conhecido como Batman) para o perigo que Superman representa para a humanidade devido ao seu tremendo poder. Somem-se a isto as ações do também milionário e cientista Alexander “Lex” Luthor, que há anos vem trabalhando com um mineral Kryptoniano, a Kryptonita, com objetivo de destruir Superman. Fechando o enredo, conta-se com a presença de uma misteriosa mulher, que mais tarde se revela como sendo a guerreira amazona Diana, ou Mulher Maravilha, como seria conhecida no continente.

Resenha:



Brigas entre o morcego de Gotham e o filho de Krypton não são nenhuma novidade. Quem acompanha os heróis nas HQ’s, animações e outras mídias sabe que os dois nunca se bicaram muito e, por vezes, andaram se esbarrando. O “esbarrão” mais famoso foi o que serviu como um dos pilares para a construção do enredo deste blockbuster, qual seja, a saga dO Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. Naquela narrativa, temos um Bruce Wayne mais velho, meio que aposentado, mas não menos perturbado pelo seu passado. Quando o aumento da criminalidade volta a assolar sua cidade, o velho milionário veste outra vez o traje do homem morcego. Acontece que desta vez ele está visivelmente mais violento do que o usual, acabando, inclusive, por matar o seu velho arquinimigo, o Coringa. Tais atitudes levam o governo norte americano a enviar ninguém menos que o Superman para tentar deter as ações de Batman, que por sua vez espera o Homem de Aço com uma super armadura e muita, mas muita Kryptonita. Quem conhece o Batman sabe que ele não é muito bom em receber ordens de quem quer que seja. Enfim, não vou contar aqui o final da confusão. Você pode conferir na HQ O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight Returns), escrita e desenhada por Frank Miller, ou na animação homônima, disponível no YouTube.

Voltando ao filme, a primeira coisa que chama a atenção é a solenidade e a grandiosidade que permeiam a assinatura do diretor Zack Snyder, que tem em seu curríclo épicos como 300 e Watchmen, este último que pra mim é simplesmente a melhor adaptação de quadrinhos para o cinema. Tomadas lentas, cheias relâmpagos, dão ao filme toda grandeza que ele merece e, o mais importante, vence o desafio de inaugurar a fase da DC no cinema após os sucessos da Marvel. Aliás, por falar em Marvel, não vá assistir Bat VS Super esperando piadinhas típicas do Tony Stark. O filme é tenso, sério e sombrio do começo ao fim. Percebi um único alívio cômico, muito bem colocado por sinal! Ah, e tem a trilha sonora vibrante - por vezes quase exagerada – de Hans Zimmer (que produz a trilha sonora da trilogia do Batman para os games) e Junkie XL, cheia de acordes de guitarra distorcida e tudo que os “supers” têm direito.

Apesar de não ser lá um grande admirador do Kryptoniano da tanga vermelha, tenho que admitir: A caracterização dele ficou excelente. Primeiro porque Henry Cavill, na minha opinião, tem o Physique Du Role, quero dizer, seu tipo físico, aparência e até mesmo sua atuação mediana (só minha opinião, gente! Não briguem comigo, ok?) o deixam bem próximo do que seria o homem de aço na realidade.  Retratado já como o protetor da terra e não mais como o rapaz do Kansas, Kal-El aparece como uma espécie de “deus” todo poderoso, mas ameaçador em igual medida.


Batman, em compensação, é meu herói preferido. Mas o Ben Afleck no papel me fez sentir saudade do Christian Bale. Apesar de ser um super ator e ter interpretado muito bem o papel de Bruce Wayne, quando vestiu o traje do morcego não me convenceu. Por que? Pelo exato motivo que eu citei com relação ao Henry Cavill. Em outras palavras, o que o Henry tem de Superman (tipo físico, fisionomia e etc) o Ben NÃO tem de Batman! Tudo bem, ele estava super musculoso e tal, mas achei ele meio bochechudo com a máscara... E por falar nisso, gente, o que era aquele traje do Batman? Parecia um pijama! Alguém se convenceu que aquilo ali pode ser à prova de balas?  Eu mesmo tenho uma fantasia do Batman mais legal e mais convincente que aquela roupinha! Mas eu acho que a intenção era deixar o uniforme parecido com o do Batman do Frank Miller (a armadura utilizada pra lutar com o Superman ficou idêntica!), e acho que foi o melhor que conseguiram fazer. E outra: Christian Bale recusou o papel. E ainda que não recusasse, embora estejamos falando do mesmo personagem, o Batman de Christopher Nolan e o de Zack Snyder pertencem a universos totalmente diferentes. Entre Ben Aflleck e um desconhecido qualquer, acho que a escolha da produção seria óbvia. Afinal, não dá pra correr o risco de perder público por causa da escalação do elenco.


Uma coisa que ficou faltando foi AQUELE momento, sabem? Aquele que você vai lembrar pra comentar com os amigos depois? Tipo quando o Hulk pegou Loki pelos pés e o bateu no chão de um lado por outro? Sabem esse momento? Então, Batman VS Super não tem. Talvez pela responsabilidade que o longa carrega de:

a)      Criar um motivo para a aproximação dos heróis e a criação da Liga;
b)      criar um bom motivo para colocar os heróis um contra o outro;
c)       introduzir DO NADA um terceiro herói, no caso, a Mulher Maravilha;
d)   introduzir dois super vilões, no caso, Lex Luthor (onde, na minha opinião, falharam terrivelmente) e Doomsday (onde falharam menos, mas falharam também);
e)      por último, mas não menos importante, trespassar o filme com vários easter eggs, cameos e referências sobre o passado, presente e futuro dos heróis (assunto pra outro post, mas adianto que exageraram na dose, na minha opinião).

Explicando o tópico “d”, não entendi o Lex Luthor. Quero dizer, nada contra o Jesse Eisenberg, mas aquele personagem que deram pra ele é qualquer coisa, menos Lex Luthor E não estou falando do fato dele ser cabeludo, mas sim porque ficou caricato demais, afetado demais, engraçadinho demais. Deu saudade do Kevin Spacey – que foi a única coisa que salvou daquele famigerado O Retorno do Superman, de Brian Synger, 2006 – e até do Gene Hackman, o Lex dos filmes antigos do Super.


 A introdução do Doomsday (por aqui o monstrão é conhecido pelo nome de Apocalipse, mas não quero fazer confusão com o próximo filme dos XMen, por isso estou usando o nome original) só não foi um fiasco total porque ele é, sim, criado à partir de DNA Kryptoniano (não necessariamente do General Zod, mas ok). Só que sua criação data dos primórdios do planeta Krypton! Portanto NINGUÉM – além da inteligência superior que o criou – estava presente quando da sua criação, MUITO MENOS LEX LUTHOR, MINHA GENTE! Tá, o Lex criou sim uma outra coisa no universo das HQ’s, algo muitíssimo parecido com o Superman, mas isso também é assunto pra outro post.

O mesmo pode-se dizer de Alfred Pennyworth, mordomo e amigo de Bruce Wayne. Ok, Jeremy Irons é um ator de primeira grandeza, sem dúvidas! Mas não sei... Apesar do fato dele também ser britânico, por alguma razão perdeu um pouco do charme que seu antecessor mais recente, Sir Michael Caine, imprimiu ao personagem. Por aparentar ser mais novo, talvez? De qualquer forma, ponto pra Christopher Nolan!



Louis Lane (Amy Adams) e Martha Kent (Diane Lane) agregam valor à narrativa. Afinal de contas, estamos falando  dos grandes amores de Clark Kent em sua vida terrena (sua esposa e sua mãe), o que propicia o gancho emocional do personagem. Mas a mulher que quebrou tudo e roubou a cena foi sem dúvida Gal Gadot, interpretando de maneira espetacular a Mulher Maravilha... O QUE FOI AQUILO? Pra começo de conversa, a princesa amazona que já tinha aparecido durante o filme fazendo aquele tipo mulher misteriosa, escapando da conversa mole do Bruce Wayne (cheguei a gelar quando Bruce a segurou pelo braço!), entra em cena já salvando o traseiro do Batman de um ataque mortal do Doomsday, (a besta kryptoniana criada por Lex Luthor a partir de seu próprio e do DNA do General Zod, conforme já comentei acima). Daí pra frente gente, só deu ela! Sentou a porrada sem dó no monstrão e, quando levava um contrataque, dava uma risadinha e voltava pro combate! Coisa de louco a moça! Conseguiu incorporar toda a beleza, sensualidade e selvageria da guerreira! Só achei que foi um desperdício que ela só tenha entrado em ação lá pelos 45 do segundo tempo... Não importa: A aparição da Mulher Maravilha a fez merecer seu filme solo, com lançamento previsto para o ano que vem (e mal posso esperar).



Bom, faltou falar do tão aguardado combate entre Batman e Superman. Por que os dois brigaram, afinal? Tenho lido algumas críticas por aí que acham que a motivação criada para ambos ficou fraca, forçada. Eis o que EU acho. Vamos à duas premissas e eu deixo pra vocês julgarem quem tem ou não bons motivos pra começar uma briga:

- EU sou um vigilante mascarado, um tanto quanto sociopata, dispondo de milhões em dinheiro, tecnologia e, claro, um instinto de vingança que eu trago desde criança. Eu sou o Batman.
- VOCÊ é um alien bonitão, resolvendo SUAS tretas com SEUS “conterrâneos”, vindo brigar no MEU planeta, destruindo MEU prédio e matando pessoas que EU amo, e ainda se achando no direito de se incomodar com umas bordoadas a mais que eu dou nos vagabundos da MINHA cidade. Você é o Superman.

Olhando dessa forma, Batman tem motivos pra, no mínimo, tirar uma satisfação. Já a motivação do Superman ficou meio vazia, não ficou?


Mas, ao contrário das expectativas dos haters e chatolinos de plantão que ficaram dizendo “ainnnn o Batman não tem chance! Ele é só um homem, o Superman é que é o fodão! Esse filme vai ser uma porcaria e blablabla...”, acreditem: a briga foi boa. E digo mais: totalmente convincente. Claro, o Batman precisou dar uma apelada pra Kryptonita pra equilibrar as coisas (alguém achou mesmo que ele não fosse fazer isso?). E outra, Superman, apesar de toda a sua força bruta e poderes maravilhosos, nunca foi conhecido por ser muito esperto (alguns de seus inimigos mais notórios dão a ele muito trabalho justamente por serem super inteligentes). E esperteza, raciocínio lógico e inteligência o Batman tem de sobra. Na saga de Frank Miller, inclusive, já quase no fim da luta, Batman tira uma onda dizendo “Foi preciso muito tempo e dinheiro pra converter a Kryptonita para a forma gasosa. Pro seu azar, eu tinha ambos.” Então se ainda tem alguém reclamando sobre quem é melhor, quem é o poderosão e coisas do tipo, um dos objetivos do filme foi agradar a ambos os “teams” (pena a Mulher Maravilha não ter o dela rsrsrs), uma vez que tanto um quanto o outro quase vai pra terra dos pés juntos durante a briga. Só achei meio forçado a briga terminar por causa do nome da mamãe dos heróis ser o mesmo. Achei que ficou tipo *Ownt* demais... Sério isso? Você passa um tempão querendo matar o alienígena que explodiu sua torre bem debaixo do seu nariz matando uma porção de gente com quem você se importava... Gasta uma grana de proporções nababescas pra construir um traje e processar Kryptonita... Daí você descobre que a mamãe dele tem o mesmo nome da sua mamãe e nem 5 minutos depois vocês já viram BFF? Tamo junto? Sei lá, não gostei... E eu nunca soube que o nome da mãe do Bruce também era Martha, alguém sabia?
No mais, teve uma aparição relâmpago do flash (trocadilho besta). Eu meio que sabia de antemão que ele apareceria, bem como do contexto da aparição, mas fiquei com a impressão de que quem foi pego de surpresa boiou mais que o Aquaman. Ah, e o Aquaman também aparece rapidamente na pele de Jason Momoa (o Khal Drogo, de Game Of Thrones), assim como o Cyborg, dando uma deixa de quem estará presente (ou não) no longa da Liga da Justiça.


Bom, pra finalizar, queria dizer que, apesar de alguns furos no enredo e de umas varadas n’água aqui e ali, Batman VS Superman: A Origem da Justiça merece ser sim assistido. Na minha opinião, foi um excelente pontapé inicial da DC e do diretor Zack Snyder, que deixaram claro que não estão de brincadeira. E chegaram pra ficar. Que venham os próximos!



1.4.16

Sangue de Lobo - Rosana Rios e Helena Gomes



Autoras: Rosana Rios e Helena Gomes
Editora: Farol Literário
Ano: 2014
Sinopse: Um antigo original de um livro, contando uma história de mistério e morte, jaz esquecido num pequeno museu no interior de Minas Gerais. Duas jovens, Ana e Cris, em viagem com a família de Ana, encontram-no e leem a história, assombradas: o enredo do livro reflete um jogo de RPG de que elas participaram em São Paulo e transcorre exatamente na cidade onde vão passar as férias!
Lá ocorreram crimes em série, no início do século XX. E no mesmo local, cem anos depois, volta a acontecer uma sequência sinistra de mortes – envolvidas a intrigas, crueldade e oito macabras bonecas de porcelana, que parecem corresponder às vítimas de um insano assassino serial.
Será um lobisomem o culpado? Ou não?
Como contos da mitologia, em que seres humanos se transformam em animais e devem passar por duras provas para reencontrar sua parcela de humanidade, nesta história a busca interior de cada personagem os levará a enfrentar a maldade e a loucura, à procura de respostas – sobre os crimes e sobre si mesmos.
Sangue de Lobo fala de homens e de lobos e das surpresas que a vida nos prega, quando descobrimos que a pior fera, afinal, pode não ser aquela que a Lua Cheia transformou em lobisomem.

Resenha:

Sabe quando você termina um livro e passa um tempo olhando para o teto pensando: O que foi isso? Aquela sensação de respirar fundo após passar muito tempo prendendo a respiração? Foi assim que me senti ao terminar Sangue de Lobo. Eu, que emendo um livro no outro, precisei de um tempo para digerir toda a história e começar a escrever a resenha, pois em pouco mais de 400 páginas, as autoras conseguiram criar um enredo que nos prende do começo ao fim de uma forma incrível.




“A luz amarelada da lamparina projetou a sombra dele nas paredes de pedra: aos poucos a silhueta aumentou, seus braços e pernas pareceram engrossar e suas unhas cresceram feito garras, enquanto as orelhas cresciam e o rosto se afilava, perdendo o aspecto humano e adquirindo um semblante animal.
Havia pelos... pelos brotando por toda parte de seu corpo! Um focinho a farejou, dois olhos de fera faiscaram, dentes brancos se projetaram – e a garota andou de costas, aterrorizada, até bater na parede oposta.

Diante dela, preso na jaula de barras prateadas, havia um imenso lobo.”

Confesso que tive muita dificuldade em escrever essa resenha, pois são tantos acontecimentos no livro, com tantos personagens, em épocas diferentes, e estou com medo de dar muitos spoilers, mas vamos lá. (rsrs)

Ana é uma adolescente mimada de família rica que tem tudo o que quer. Cris é a filha da governanta da família e melhor amiga de Ana desde que se conhecem por gente. Jogadoras de RPG e acostumadas com histórias de fantasia, as duas assistem ao enredo de um de seus jogos e também de um livro que encontraram por acaso, se tornar real na pacata cidade de Passa Quatro, interior de Minas Gerais.

A história que Ana e Cris leram no livro que encontraram se passa no início do século XX e relata uma série de assassinatos macabros em que eram arrancados os cabelos das vítimas e das bonecas de porcelana de Cordélia, uma garota que havia morrido devido a uma doença que a deixou careca. Além disso, era colocado um véu em cima do rosto da vítima e de sua respectiva boneca. Uma das vítimas havia sido Beatrice, grande amor da vida de Hector, que se aproxima da família de Cordélia para tentar descobrir o responsável pelos assassinatos, que todos acreditavam ser o fantasma de Cordélia (mas em uma história de lobisomem, nunca seria possível que um fantasma saísse matando gente por aí, certo?).


“- O senhor precisa entender... Cordélia não aceita ter morrido daquele jeito tão humilhante, sem nenhum cabelo. E as bonecas riam dela, sabe. Lá na prateleira, com seus belos cachos de tons variados...”.

Hector acaba indo passar uns tempos com a família de Cordélia, que tinha um pai controlador, uma mãe meio pirada e uma irmã completamente submissa aos dois. Lá ele conhece a pequena Merência, filha de uma empregada da fazenda, com quem ele cria um grande vínculo. Merência, com 103 anos na época atual, é residente de Passa Quatro e participa dos dois momentos da história.


Voltando aos dias de hoje, os assassinatos passam a acontecer durante as férias da família de Ana na cidadezinha. Daniel Lucas, escritor e herdeiro de Hector, tenta investigar o caso à sua maneira, além de acabar sendo considerado suspeito pelas autoridades. Ele e Ana se sentem atraídos um pelo outro desde o primeiro encontro e passam o livro todo se descobrindo, conhecendo os segredos um do outro, aprendendo a confiar e a proteger o outro.

Cris também conheceu alguém especial, porém devido a uma brincadeirinha sugerida por Ana de trocarem suas identidades ao conhecer os novos amigos de Passa Quatro, Paulo se decepcionou com a mentira e teve dificuldades em perdoá-la.

“Ela olhou para o rapaz de esguelha, desejando que ele a tratasse como antes, quando imaginava estar lidando com a paparicada Ana Cristina. Mas a realidade era muito diferente para a filha pobre da governanta, a borralheira que jamais poderia ser vista como uma princesa.
Amarga, Cristiana concentrou-se na estrada de lama à sua frente. Contos de fada não aconteciam de verdade.”




Entre assassinatos, romances e um lobisomem procurando por uma cura para suas transformações, as autoras conseguiram de forma brilhante prender a atenção do leitor com uma narrativa de tirar o fôlego, com ação do começo ao fim!

Rosana Rios e Helena Gomes me surpreenderam com esse livro cativante, o qual comecei a ler sem ter criado nenhum tipo de expectativa e hoje a ansiedade me domina na espera pela continuação, que logo logo tá chegando por aí... Aguardem!! 











30.3.16

A Resistência



Autor: Julián Fuks
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2015
Sinopse: Meu irmão é adotado, mas não posso e não quero dizer que meu irmão é adotado”, anuncia, logo no início, o narrador deste romance. O leitor se descobre de partida imerso numa memória pessoal que se revela também social e política. Do drama de um país, a Argentina a partir do golpe de 1976, desenvolve-se a história de uma família, num retrato denso e emocionante. Adotado por um casal de intelectuais que logo iriam buscar o exílio no Brasil, o menino cresce, ganha irmãos, e as relações familiares se tornam complexas. Cabe então ao irmão mais novo o exame desse passado e, mais importante, a reescritura do próprio enredo familiar.
Um livro em que emoção e inteligência andam de mãos dadas, tocando o coração e a cabeça dos leitores.


"É preciso aprender a resistir, mas resistir nunca será se entregar a uma sorte já lançada, nunca será se curvar a um futuro inevitável. Quanto do aprender a resistir não será aprender a perguntar-se?"


A Resistência, de Julián Fuks (Companhia das Letras, 144 páginas), escritor brasileiro da nova geração, promete, nas primeiras linhas, falar sobre adoção: “Meu irmão é adotado, mas não posso e não quero dizer que meu irmão é adotado”. Mas a história toma rumos que fogem ao alcance do autor, ampliando o conceito de resistência. E o deleite do leitor está assegurado, porque o livro é curto, mas de poesia, intensidade e reflexão profundas.


"Talvez o desejo de ter um filho fosse naquele instante o que lhe restava de vida, fosse outra forma de luta, de recusa à aniquilação proposta pelo regime. Ter um filho há de ser, sempre, um ato de resistência."

O narrador é Sebastián, que tenta compreender a história de sua família a partir da adoção do irmão mais velho, pouco antes dos pais buscarem exílio no Brasil. Em São Paulo tiveram ainda um casal de filhos e nunca esconderam a adoção, mas as circunstâncias em que esta se deu não estão claras.


"Não posso fazer desse menino, do menino e do homem que ele é hoje, um personagem frágil. Não posso lhe atribuir uma dor qualquer, insensata, que o reduza a uma sensibilidade excessiva passível de piedade, que o submeta à comoção fácil."

Fuks passeia entre o pertencimento (a uma família, ao país de origem, ao país que acolhe) e a resistência, que aqui se revela tanto na persistência da luta como no embaraço da relutância, na dificuldade em lidar com o outro (e em mostrar-se). Na segunda metade do livro, o autor parece chegar à conclusão que está escrevendo para juntar os pedacinhos fraturados que existem em toda relação familiar. 


"A tempo meu pai me interrompe: Você acha que só seu irmão é diferente de nós, imprevisível, instável? Acha que algum filho se deixa moldar? Todo filho excede o que se concebe como filho. Nenhum de vocês jamais foi o que imaginávamos, nenhum cumpriu o que dele se esperava, e nisso sempre se escondeu a graça."


Enquanto puxa o fio da memória, percorre caminhos que os pais trilharam desde a ditadura argentina do final dos anos 70. O capítulo sobre as Avós da Praça de Maio é profundamente tocante, levantando mais uma suspeita sobre a origem de Emi, o irmão. Enquanto coloca sob exame minucioso o estranhamento que o irmão sempre pareceu sentir no ambiente familiar, projeta para longe de si uma inadequação que é sua, uma dor que necessita ser investigada, daí - também - o livro. 


"O que se ganha com uma descrição tão minuciosa de velhas cicatrizes, o que se ganha com esse escrutínio público dos nossos conflitos? (...) Entendo (...) que o livro é outra forma de terapia (...)."


E a resistência do título? Compreendemos então, ao mesmo tempo que o narrador, que a resistência está na recusa em deixar debaixo do tapete todas as dores que vivemos, familiares, sociais, políticas e emocionais. Está na militância política – e aqui veio a calhar a reflexão, pelo momento que o Brasil atravessa. Contar esta história íntima e a história do seu país é também resistir ao embotamento que o tempo pode trazer, não permitir a alienação de quem não viveu ‘na carne’ as dores da opressão e da falta de liberdade. E principalmente, resistir ao esquecimento e ao afastamento afetivo, estes cicatrizes profundas e irreversíveis. 


"Às vezes, no espaço de uma dor cabe apenas o silêncio. Não um silêncio feito da ausência das palavras: um silêncio que é a própria ausência."


Ficcional, mas com elementos autobiográficos, o livro encanta pela escrita poética, pelo contexto histórico que enseja lições, mas, especialmente, pela reflexão sobre as coisas não ditas, na urgência em que se podem manifestar.

Link do livro no Skoob: https://www.skoob.com.br/a-resistencia-527078ed535056.html
Classificação: 5 estrelas.

Booktrailer: 


28.3.16

Doce Perdão - Lori Nelson Spielman









Título: Doce Perdão
Autor: Lori Nelson Spielman
Editora: Verus
Ano: 2015 / Páginas: 322

Sinopse: Hannah Farr é uma personalidade de New Orleans. Apresentadora de TV, seu programa diário é adorado por milhares de fãs, e há dois anos ela namora o prefeito da cidade, Michael Payne. Mas sua vida, que parece tão certa, está prestes a ser abalada por duas pequenas pedras... As Pedras do Perdão viraram mania no país inteiro. O conceito é simples: envie duas pedras para alguém que você ofendeu ou maltratou. Se a pessoa lhe devolver uma delas, significa que você foi perdoado. Inofensivas no início, as Pedras do Perdão vão forçar Hannah a mergulhar de volta ao passado - o mesmo que ela cuidadosamente enterrou -, e todas as certezas de sua vida virão abaixo. Agora ela vai precisar ser forte para consertar os erros que cometeu, ou arriscar perder qualquer vislumbre de uma vida autêntica para sempre. Após o sucesso mundial de A lista de Brett, Lori Nelson Spielman retorna com este romance terno e esperto sobre nossas fraquezas tão humanas e a coragem necessária para perdoá-las - assim como para pedir perdão.

***

Antes da resenha, vale lembrar que Lori é autora de A Lista de Brett. Muita gente fala muito bem sobre ele. Não o li ainda e estou muito curiosa!!!



Quando seu coração está quebrado, o que você faz? Quando pessoas próximas te ferem e magoam, o que você faria?

Hannah Farr tem uma vida perfeita. Tem seu próprio programa de televisão em New Orleans, onde é apresentadora, tem muitos fãs que a adoram e namora o prefeito da cidade, Michael Payne, há dois anos. Toda essa perfeição está em risco quando duas pequenas pedras entram em sua vida.
Hannah está com o coração cheio de mágoa e rancor, mas para seguir em frente ela deve enfrentar o passado de uma vez por todas. A chance aparece quando as Pedras do Perdão são enviadas para ela por Fiona Knowles, uma colega de escola que a maltratou na adolescência.

“Está enfiada lá no fundo, no mesmo lugar onde a escondi dois anos atrás. Uma carta de desculpas de Fiona Knowles. E um saquinho de veludo contendo um par de Pedras do Perdão.” Página 18

O objetivo é passar duas pedras para alguém que você magoou como um pedido de perdão. Se uma das pedras voltar é porque a pessoa foi perdoada. E assim o ciclo se forma. Parece um pouco sem nexo? Até que sim, mas as pedras são apenas o símbolo de sentimentos negativos, elas servem ao propósito de liberar tudo que está magoando alguém. Adorei o conceito que a autora criou aqui!

Depois de receber as pedras, velhos sentimentos ressurgem como uma avalanche. O livro está recheado de lembranças de Hannah desde o momento em que a mãe decidiu separar-se do pai há 21 anos. A última vez que Hannah e a mãe se viram foi em sua formatura há 16 anos. Hannah, agora com 34 anos, guarda um forte ressentimento por ela ter abandonado a família para ficar com Bob. Por não ter ficado do seu lado em um momento difícil. Mas será mesmo que foi isso que aconteceu?


A cada momento vivido por Hannah, as lembranças vão sendo mostradas e dando uma nova perspectiva sobre suas atitudes e conceitos sobre tudo. Será que ela não acabou fazendo coisas que só a afastaram da mãe e não o contrário? Algumas lembranças foram de alguma maneira distorcida por conta de seu ressentimento? Agora Hannah vai ter que enfrentar seu passado para poder finalmente encontrar seu futuro.

“Porque agora começo a questionar todas as crenças que mantive com tanta firmeza nestes últimos vinte e um anos. E a própria missão deste dia, oferecer perdão para a minha mãe, de repente parece toda errada.” Página 111

Uma personagem me chamou atenção desde o primeiro momento que apareceu: Dorothy. Uma senhora de idade muito fofa e sábia. A cada página virada, eu ficava esperando ela aparecer e poder ver seus conselhos. Não tinha como não se apaixonar por ela. E também sofrer junto com ela em um momento de revelação, me doeu muito o coração.

“Eu sempre imaginei a vida como um quarto escuro cheio de velas. Quando nascemos, metade delas está acesa. A cada boa ação que fazemos, mais uma se acende, criando um pouco mais de luz. Mas, ao longo do caminho, algumas chamas são extintas por egoísmo e crueldade. Então, veja bem, nós acendemos algumas velas e apagamos outras. No fim, só podemos desejar ter criado mais luz que escuridão neste mundo.” Página 46 e 47

“Não é a mentira. Nunca é a mentira. É encobrir que nos arruína.” Página 149

Vamos a um ponto que deve ter deixado um tanto indignado alguns leitores: a reviravolta do segredo. O modo como a autora decidiu finalizar isso deixa dúvidas ou até certezas em aberto. Mas entendo a perspectiva da autora de deixar isso em aberto, por que é real. Não são todas as pessoas que decidem enfrentar esse tipo de problema. Hannah já tinha conseguido sua paz interior e reviver tudo outra vez não faria mais diferença.

Encerro Doce Perdão com um questionamento para os leitores: será mesmo que alguns segredos devem ser enterrados?