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20.8.16

{Resenha} O livro de memórias



Título Original: The Memory Book
Autora: Lara Avery
Editora: Seguinte
Sinopse: Sammie sempre teve um plano: se formar no ensino médio como a melhor aluna da classe e sair da cidade pequena onde mora o mais rápido possível. E nada vai ficar em seu caminho — nem mesmo uma rara doença genética que aos poucos vai apagar sua memória e acabar com sua saúde física. Ela só precisa de um novo plano. É assim que Sammie começa a escrever o livro de memórias: anotações para ela mesma poder ler no futuro e jamais esquecer. Ali, a garota registra cada detalhe de seu primeiro encontro perfeito com Stuart, um jovem escritor por quem sempre foi apaixonada, e admite o quanto sente falta de Cooper, seu melhor amigo de infância de quem acabou se afastando. Porém, mesmo com esse registro diário, manter suas lembranças e conquistar seus sonhos pode ser mais difícil do que ela esperava.


“Era uma vez você com catorze anos, Sam do futuro. Você não era nada popular (continua sendo) e se sentia alienada, como se não houvesse lugar para você no colégio. Seus pais não te compravam roupas legais, você era a primeira a perder nos jogos de queimada, não sabia que era preciso se desculpar depois de arrotar e tinha se transformado em uma enciclopédia humana de criaturas míticas e veículos espaciais cientificamente impossíveis. Simplificando: você se importava mais com o destino da Terra Média do que com o da terra de verdade.”

Sammantha McCoy é uma jovem que está em seu último ano do ensino médio: extremamente inteligente, faz parte do clube de debates por ter uma memória incrível. E mais: ela adora argumentar. É a coisa mais emocionante que ela pode fazer, então se entrar numa discussão com ela, prepare-se para perder.
Por ser meio esnobe, não tem muitos amigos. Apenas Maddie, sua parceira no clube de debates, mas acha que não são muito boas amigas por terem se conhecido só recentemente e não terem realmente um relacionamento fora da escola. Mas Maddie é tão forte e inteligente quanto Sammie e as duas tornarem-se amigas é realmente inevitável. Uma depende para a outra para seus objetivos serem atingidos, ou seja: ganharem o concurso de debates no nível nacional.

“Tem uma parte de mim que quer ser extraordinária. Como se eu quisesse acreditar que, com empenho e boas ideias, cada um pudesse ser o que quisesse.”

Como na vida de todo jovem nesta época, Sammie também tem grandes planos para si mesma – e ela realmente planeja cada passo de sua vida. Será oradora dos formandos na graduação, já passou na Universidade de New York e tudo o que precisa é chegar ao fim do ensino médio.

Quase não tem tempo para mais nada, deixando muita coisa de sua vida em segundo plano: família, amigos, namorados, experiências de vida. Quando criança, era muito amiga de Cooper Lind, seu vizinho do outro lado da montanha. E tenho que dizer, o cara é uma figura! É o típico adolescente gostosão: tem meninas penduradas nos braços, corpo forte, esportista. E amigo. Só que Sammie não sabe mais disso, porque aconteceu com eles o que acontece com a maior parte dos amigos de infância: eles se afastaram e seus interesses em comum já não eram mais comuns.

A família de Sammie é... Completamente insana e deliciosa de se observar: seu pai é o cara que tenta ser durão, mas ama ficção científica e gostaria de ser guitarrista de uma banda punk! Sua mãe é uma mulher doce, trabalha como recepcionista no hospital universitário e responde a situações de estresse com algo parecido com meditação. É aquela mãe que você pode se abrir com seus assuntos juvenis e sabe que pode contar com ela para dobrar seu pai no que se refere a garotos. Há três irmãos: Harrison é o próximo em idade, viciado em jogos e meio distante. Bette é a menina que se considera um alien e foi “trazida do hospital”. E diz que consegue conversar com pássaros! E a filha mais nova é Davy, a bebê viciada em Disney.

Namorados... Ela nunca teve nenhum. Mas teve um crush de quatro anos, o aluno mais velho e escritor da escola, Stuart Shah. Um jovem indiano de família rica em cultura (e também em dinheiro) que representa tudo o que nossa protagonista deseja para si mesma: sucesso e talento.

Acompanhamos Sammie nos últimos dias do ensino médio antes de ir para a faculdade: as últimas provas – e as recentes artes da cola – a primeira festa, o debate, o consumo excessivo de leite com achocolatado... E pouco a pouco vamos a conhecendo e questionando algumas de suas atitudes, como todo bom espectador. Ela comete erros e acertos, típicos da sua idade... A achei uma personagem extremamente carismática e reflexo de jovens que são estimulados a sempre acreditarem que podem conquistar o mundo, e não do jeito que... Geralmente as garotas cheerleaders dos filmes fazem. Conquista mesmo com seu carisma e seu jeito esquisito, embora ainda tenha aquele “quê” de: sou uma menina feia e desengonçada, mas os caras me curtem.

E ela não liga muito para o que as pessoas dizem, o que as outras pessoas acreditam que ela fará ou não. Ela fará, e nada ficará em seu caminho.

Exceto a doença.

Eu não quis falar dela antes, simplesmente porque achei uma parte ao mesmo tempo tão insignificante quanto... Uma parte importante a ser levada em conta.
Como a sinopse nos diz, ela se descobre com uma doença degenerativa, que a fará se esquecer das coisas e destruir seu corpo.

Temos então a estória narrada pela própria Sammie, que decidiu escrever para a Sammie do futuro tudo tudo o que acontece desde o momento da descoberta da doença, em sua vida, para que ela não se esqueça de nada.

Os títulos geralmente são comentários da própria protagonista, que conta pequenos pedacinhos de seu dia-a-dia. Eu notei alguns erros de digitação desde o começo do livro, pensei ser por que a Seguinte nos mandou a cópia ainda não finalizada da obra... Mas eu pensei, depois de ter terminado a leitura, que até que combina pois sabemos que a doença é degenerativa e isso fica bem claro também no modo como ela escreve nesse Livro de Memórias.

“Muitas coisas não são prováveis. Tudo é possível.”

Eu chorei como uma criança no final, é extremamente emotivo como as relações dela vão ficando com todos ao seu redor e como ela lida com tudo o que acontece. A esperança é tocável em cada página, é incrível...

Estava lendo ao mesmo tempo uma outra obra cuja protagonista não tem nem a metade da força da Sammie e, sinceramente, as coisas da nossa mocinha aqui são muito mais... Sei lá, não diminuindo a dor e tal, mas... Acho que a Sammie tinha muito mais razões de desejar afundar-se do que esta outra personagem do outro livro.

Eu estava certa de querer ler esse livro... Ele é maravilhoso de muitas maneiras, um daqueles livros que mexe de verdade com você. Mexeu comigo, pelo menos. A força dessa jovem é intensa e me fez pensar muito...

“Lembro vagamente uma citação de um dos meus teóricos preferidos, Noam Chomsky – algo sobre otimismo como uma estratégia e não apenas um sentimento. Se você não acreditar que o futuro não vai ser melhor, então não vai agir para melhorá-lo."

Se você tiver a chance de lê-lo, por favor o faça... Vai rir muito com o Coop e com os irmãos da Sammie e da própria Sammie e vai se apaixonar pela família dela.

E, claro... o Francis é dos McCoy.





19.8.16

{Primeiras Impressões} Mundo Elemental




Autora: Débora Santana
Editora: Arwen
Sinopse: O que você faria se fosse parar em um mundo onde a magia e todos os seres e criaturas fantásticas que só conheciam pelos filmes e livros existem? E ainda por cima, uma profecia diz que você é o Escolhido e deve libertar os povos oprimidos e matar um poderoso feiticeiro que existe naquele mundo.
Peter, junto com seu primo Thomas, atravessou a barreira dos universos e agora precisa decidir entre voltar pra casa ou tentar cumprir o destino que todos dizem ser dele.
Lyla, uma garota aparentemente normal, descobre com a chegada do Escolhido que foi encontrada na vila ainda bebê e que precisará viajar junto de Peter e Thomas para desvendar seu passado e descobrir quem, ou o que, realmente é.
Junto de seus amigos, Peter descobrirá um mundo novo e verdades que seu próprio mundo desconhece. Terá que enfrentar situações perigosas, tomar decisões difíceis, e principalmente, aprender a acreditar em si mesmo


Primeiras Impressões: 

Alguns dias antes de ler os dois primeiros capítulos desse livro, assisti a um vídeo muito interessante sobre heróis, o qual colocarei  para vocês no fim do post.

Mas primeiro, vamos ao livro em questão. “Mundo Elemental” nos apresenta uma aventura/ fantasia na qual Peter e seu primo Thomas são colocados para salvar o universo paralelo de Mithwood das garras do poderoso feiticeiro Magnus, que os jogou em uma escuridão sem fim.

Os garotos encontram a misteriosa Terra enquanto faziam uma trilha nas florestas da Ilha de Hamilton, Austrália, onde passavam férias devido a morte repentina do avô de Peter. Melina, tia de ambos, os levou à essa ilha para que “esfriassem” a cabeça.

Peter, reconhecido como o “escolhido” pelo povo da estranha terra, não tem escolha a não ser ficar e descobrir meios de ajudar, juntamente com seu primo Thomas e a bela Lyla, que descobriu um enorme segredo de sua mãe.

A narrativa lembra bastante Harry Potter e me fez pensar um pouco em “Viagem ao Centro da Terra”, enquanto lia as frases e imaginava as cenas do livro.

Para um amante de aventura, o livro é interessante e tem muito potencial. Acredito que quando o assunto é livros de aventura/ fantasia nacionais, há um certo preconceito se o livro será realmente bom. Mas existem ótimos livros desse gênero que encontrei por aqui, então é sempre bom dar uma chance.

“Mundo Elemental” é uma série iniciante que com certeza irá maravilhar todos os fãs do gênero em questão e aqueles que estão começando a adentrar nesse mundo.

Deixo então, aqui no fim, o vídeo que havia comentado.


Para já garantir o seu: Pré-venda (em agosto) 


18.8.16

{Resenha} Uma Canção Para a Libélula #1



Autor: Juliana Daglio
Edição:
Ano: 2016
Paginas: 180
ISBN: 978-85-68255-23-0
Gênero: Romance / Ficção
Sinopse: Era uma comum primavera numa fazenda qualquer, mas um encontro inusitado aconteceu: a Menina e a Libélula se viram pela primeira vez. Assombrada por um medo irracional da Morte, a Menina é marcada por esse encontro para o resto de sua vida. Compõe então uma canção em seu piano, homenageando a misteriosa libélula. Os anos se passaram, Vanessa vivia em Londres e tinha a vida cercada por seu iminente sucesso como pianista, porém, algo aconteceu, mudando seu destino: Uma doença, uma viagem e um reencontro. Vanessa precisará encarar fantasmas que sequer lembrava um dia terem assombrado sua vida, tendo de relembrar a morte do irmão e reviver seu conflito com a mãe. E mais importante e mortal, conhecer a grande antagonista de sua vida, a quem chama de Vilã Cinzenta. De Londres a São Paulo, dos Palcos aos Lagos. ?Uma canção para a Libélula? é a história de uma alma perdida e de sua busca por quebrar o casulo de sua existência, para só então compreender o sentido da própria vida. Este livro é um profundo mergulho em uma mente nebulosa, permeada por lagos obscuros e pela inusitada morte; não havendo sequer esperanças.



Primeiro livro da autora Juliana Daglio que leio (e também da Editora Arwen) e foi uma ótima escolha!

É claro que terminei de coração partido, não pude acreditar no final, mas o livro é incrivelmente bem escrito e tão preciso no que se trata de Depressão que acredito que todos que possuem um parente com esse transtorno deveriam ler para saber que não é só uma coisa da sua cabeça e que não passa tão fácil quanto as pessoas dizem.

“A mensagem que quis passar com minha história não é de morte, e sim de vida. Mas o que seria da vida se não fosse a morte? Como a valorizaríamos se soubéssemos que ela é infinita? E quando essa vida de torna um fardo? É preciso falar da morte para falar da vida, embora nenhum de nós possamos desvendar nenhuma delas.”

A tristeza parece estar presente em todos os cantos da estória. Não sei, parece que o livro todo é cercado por essa aura cinzenta que domina Vanessa Santos, a protagonista. Ela é uma jovem de 20 e poucos anos que foi morar em Londres após algo terrível acontecer em sua vida.

Mesmo quando damos um passeio em seu passado, no primeiro encontro com a amada Libélula, já notamos que a vida da jovem sempre foi cinza. Sem amor, nem carinho. Familiares ausentes, nunca souberam como amá-la e ela não soube como amá-los.

Porém, soube amar o mundo com sua música. Era uma criança prodígio no que diz respeito ao piano e usou a música para se expressar... Mas ninguém lhe ouvia de fato.

Foi viver com sua tia Lorena, tio Ted e a prima Becca e teve uma infância relativamente normal. Como uma pianista nata, em Londres ela pode se aperfeiçoar e se tornar profissional. Está em um ponto crucial de sua carreira, trabalha em uma orquestra e é um sucesso. Possui um empresário – Foster – e tudo o mais.

“Na verdade, eu odiava os olhares. Eles me sufocavam.”

Namora Jude, um jovem também promissor, que tem o desejo de casar-se com ela. Mas será que ela deseja se casar? É uma mudança muito grande para quem tem tanta coisa ainda por vir. E o pedido acaba desencadeando coisa demais de seu passado, que ela preferia manter enterrado lá.

Muitas coisas acontecem ao mesmo tempo em sua vida e ela não parece ter as ferramentas necessárias para lidar com isso. Descobre que não está pronta para lidar com o passado em uma viagem ao Brasil, onde precisa encarar seu maior demônio: Valéria, sua mãe.

“Eu estava carregada de culpa do meu passado, não sabia amar, nem era feliz. Senti uma miséria invadir meu peito e levei a mão à garganta.”

Uma vez em território brasileiro, ela se depara com todos aqueles sentimentos que guardou bem longe de sua consciência, memórias que haviam lhe mantido escondida atrás de um muro em preto e branco.

Mesmo conhecendo mais pessoas que se tornam talvez importantes, ela não consegue ver o que há além da névoa cinzenta que domina seu ânimo. E muitas delas apenas contribuem para seu estado emocional.

Parece que todo mundo entende mais de depressão do que a pessoa que a está vivendo. Tentam dar ordens para que possa sair desse estado, como se fosse fácil para uma pessoa que não consegue encontrar razões para continuar. E muitas vezes só pioram a situação para ela.

Acredito ser um livro para quem tem um bom emocional, pois mexe com você. Mesmo a autora dizendo que é um livro sobre a vida, para mim foi bem triste. Me senti... em crise existencial por alguns momentos.

Não quis falar muito sobre os acontecimentos do livro, senão estraga e vira um monte de spoiler. 

Se quer ler um livro cheio de sentimentos, esse é uma indicação. Você ficará atordoada [o] com a descrição emocional de Vanessa e a precisão da Depressão e a devastação que ela causa em uma pessoa e em sua família também.

Há uma parte II, em breve também irei resenhá-la. Só preciso me preparar emocionalmente para isso! <o>

— Talvez eu pareça muito ingênua, mas de qualquer forma digo uma coisa para a senhorita: passado é passado, e é lá que deve ficar.
— E quando a gente não esquece?
— Não é para esquecer, é para não deixar ele atrapalhar o hoje.



17.8.16

{Resenha} Maus



Autor: Art Spiegelman
Editora: Quadrinhos na CIA.
Sinopse: Maus ("rato", em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura.

A obra é um sucesso estrondoso de público e de crítica. Desde que foi lançada, tem sido objeto de estudos e análises de especialistas de diversas áreas - história, literatura, artes e psicologia. Em nova tradução, o livro é agora relançado com as duas partes reunidas num só volume.






Opinião: Um amigo ao qual eu tinha comentado que gostava de saber sobre histórias da Segunda Guerra me recomendou esse uns anos atrás, o elogiou enormemente, finalmente agora consegui lê-lo e entendo o motivo dos elogios.

“Maus” nos reconta a história em quadrinhos de um sobrevivente judeu, escrita e desenhada por seu filho, o autor do livro e nada melhor do que se sentir na pele dele para realmente entender o que foi o holocausto.

Os quadrinhos foram publicados em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura.
Representando Judeus como ratos, alemães como gatos, franceses como sapos, poloneses como porcos e americanos como cachorros, Art Spiegelman monta a incrível narrativa de sobrevivência de seus pais a guerra. Seu traço sombrio e tão humano, não realmente parece que são animais desenhados, quem lê consegue enxergar nitidamente humanos desenhados.

A história mistura duas realidades, a rotina do autor e a de seu pai Vladek. As várias visitas feitas ao seu pai para ouvir as histórias  são demonstradas, tudo o que aconteceu durante as narrativas, algo que muito me cativou.

Com toda a informação contida no livro pode-se perceber que o que vemos em filmes é muito pouco da verdadeira realidade de um campo de concentração, do medo constante, dor e sofrimento, um lugar onde só os mais sabidos conseguiriam se salvar.

No começo da guerra Vladek, Anja, sua esposa e seu primeiro filho Richeu, viviam ainda com conforto. Vladek foi a guerra na Suíça onde soldados dormiam em barracas no frio e sem comida. Por alguns anos viveu assim até voltar para sua casa. Então, a realidade piorava a ponto dos três precisarem viver com a família grande de Anja, doze pessoas em uma casa só. Conforme os anos avançavam novas ordens dos alemães surgiam. Os velhos deviam ser entregados. Móveis e pertences eram dados aos alemães, se alguém do mercado negro de comida fosse pego era enforcado na praça, seus corpos ficavam muitos dias expostos.

Muitos acontecimentos depois todos se viram obrigados a se separar. Em várias dessas partes, Vladek se mostra arrependido de muitas escolhas. Como a de não entregar seu filho aos cuidados de um colega que conhecia pessoas que protegiam crianças, pois sua mulher não concordava com a ideia.

“ Ilzeck e seu mulher não escaparam do guerra...mas o filho deles ficou vivo. O nosso não...e tivemos que dar Richeu para esconder um ano depois.” (Página 83)

A morte do filho chegou aos ouvidos deles muito depois. A escolha de saírem do abrigo que uma polonesa oferecia para eles, muito errada também. Vladek e sua mulher vivam na casa de uma polonesa para fugir da gestapo, em troca, Anja ensinava alemão para o filho da mulher.  Na época Vladek ouviu que a vida na Hungria era mais fácil e foi com alguns judeus conversar com as pessoas que arrumavam vistos. Combinaram que um iria e se fosse realmente bom, mandaria cartas. Ao conversar com a esposa recebeu respostas negativas, tanto da esposa quanto da polonesa que os abrigava. Mas a carta do homem chegou e foi positiva. Vladek deu o abrigo com a polonesa para um amigo e ele e Anja foram pegar o trem para a Hungria.

“ Então, eu vai ver Miloch na seu bunker lixeira e fala como ele ir pra Szopienice para se esconder...Sabe, Miloch, seu mulher e o filho, eles todos sobrevive guerra inteiro...lá...com Motonowa...Mas outro destino esperava Anja e eu...” (Página 156)

Era, claro, uma armadilha, os alemães invadiram o trem e foram então para os campos. Em Auschwitz foi separado da mulher. Anja foi para Birkenau, que era 3 km de distância de onde ele estava.

Em seus muitos anos de guerra, o sobrevivente Vladek fez diversos movimentos espertos para salvar sua vida e de sua mulher. Tentava amizade com os alemães, com os Kapo que “cuidavam” das cabanas dos judeus, economizava a pouca comida que recebia, tudo através de trocas e trabalho. Em várias conversas com o autor, seu pai reforçava que era bom saber de tudo.

Dentro dos campos trabalhou como funileiro, sapateiro, carregava pedras e outras coisas pesadas. De tempos em tempos ocorria uma “seleção”, onde os judeus ficavam nus de frente para um médico que os avaliava, os mais saudáveis sobreviviam, os outros não tinham muita sorte, Vladek conseguia muitas vezes fugir dessa inspeção, às vezes escondido no banheiro, às vezes em outros esconderijos.

Muitos soldados alemães tinham pena dos judeus. Um costumava conversar amigavelmente com eles, até que foi transferido para outro campo por alguns dias e, quando voltou, tinha medo de falar com eles e ser castigado. Outro deixou para Vladek consertar uma bota, Vladek que não era bom sapateiro encontrou alguém que podia consertar em troca de pão. Entregou para o soldado a bota como se ele mesmo a tivesse consertado. O soldado deixou a bota na mesa e saiu da sala, voltou um tempo depois com uma salsicha e a deu para Vladek agradecendo a ele.

A realidade dos campos era horrível.

“Felizes dos que morriam no câmara de gás antes de ir para as covas. Outros tinham que pular nos covas quando ainda estavam vivos...Prisioneiros que trabalhava lá jogava gasolina nos vivos e nos mortos. Pegavam gordura dos corpos que queimavam e jogavam de novo por cima para todo mundo queimar melhor.” ( Página 232)

“ A câmara de gás era subterrânea. Funileiros tinham que tirar canos e ventiladores. Prisioneiros especiais trabalhava ali. Um me mostrou como tudo funcionava.  O gás Zyklon B entrava pelos colunas ocas. Levava de três a trinta minutos...dependia da quantidade de gás...mas em pouco tempo ninguém estava vivo. A maior ilha de corpos ficava junto da porta...eles tentava sair. Aquele que trabalhou lá conta... A gente separava os corpos com ganchos. Pilhas grandes. Os mais fortes em cima e os velhos e os bebês por baixo, esmagados...crânios quebrados... os dedos quebravam ao tentar subir pelas paredes...e uns braços ficavam do comprimento do corpo, desencaixados das juntas.” ( Página 231)

“Maioria ser criança. Alguns só tinham dois ou três anos. Alguns deles ficava gritando muito e não paravam. Então as alemães pega eles pelas pernas e bate no parede...e eles não grita nunca mais. (Página 110)

“Tinha febre muito quente e não podia dormir. Tifo! Toda noite gente morria disso. De noite tinha que ir na banheiro embaixo. Estava sempre cheio, corredor inteiro com mortos empilhados lá. Não dava para passar...Você tinha que ir nos seus cabeças, e isso era terrível, porque era escorregadio, a pele, você achava que ia cair. E isso toda noite. (Página 255)

Após muito sofrimento e tentativas de assassinar quantos judeus podiam mais, os alemães finalmente fugiram, os que conseguiram sobreviver ficaram aos cuidados dos americanos até que conseguissem achar suas famílias. Vladek encontrou Anja, viveram por um tempo na Suécia e foram para  NY onde tiveram o autor, Art. Em determinado capítulo, o autor conta sobre a morte de sua mãe em quadrinhos ainda mais sombrios.

Art vivia com sua esposa Françoise, que se converteu Judia para que seu sogro a aceitasse.

Após a morte de Anja, Vladek se casou com outra sobrevivente judia, mas não se davam bem. Vladek negava qualquer dinheiro à mulher e reclamava dela o tempo inteiro.
Vladek se tornou uma pessoa difícil de lidar, Art não conseguia ficar com ele, e se mostrava arrependido dos quadrinhos e de não ter passado a guerra com sua família.

“Pais e avós de Anja, irmã mais velha Tosha, pequena Bibi e nosso Richeu...só o que sobra, só as fotos.” (Página 275)

Li esse livro de madrugada algumas vezes e devo dizer que me assustou mais do que qualquer livro de terror com fantasmas, demônios e assombrações. A história desse livro, os acontecimentos foram ocasionados por humanos e talvez seja essa assombração que devamos temer, nossa própria espécie.

Finalizo então com a primeira frase que apresenta o livro:

“Sem dúvida, os judeus são uma raça, mas não são humanos.” 
Adolf Hitler.


16.8.16

{Resenha} A Gruta das Orquídeas - Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho




Autor: Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, ditado pelo Espírito Antônio Carlos
Editora: Petit
Ano: 2007
Sinopse: Estranhas criaturas – em nome do mal – se reúnem na sombria Gruta das Orquídeas. Crimes inexplicáveis são cometidos: uma terrível ameaça ronda as crianças da pequena cidade do interior. Quem será a próxima vítima? Como evitar a morte de outro inocente?
No plano do invisível, Antônio Carlos, ao lado de Mary, um espírito socorrista, empenha-se em ajudar os encarnados a desvendar o sinistro mistério e devolver a paz aos corações aflitos. Mas ele pressente que forças malignas se juntam, com a pior das intenções, para reagir e afastá-los...




Resenha:

A Editora Petit é uma editora especializada em livros espíritas. Entre livros de contos, crescimento espiritual, estudo, meditações e preces, romances, a Editora já está no mercado há muitos anos realizando um trabalho incrível com a edição e a preocupação com a fidedignidade dos relatos sobre a doutrina espírita. A Gruta das Orquídeas é o primeiro livro resenhado dessa nossa parceria e também o primeiro do gênero que eu leio.

Pessoalmente, achei muito interessante a forma como ele é escrito. Romances espíritas caracterizam-se por serem psicografados, ou seja, ditados por um espírito a um médium, que apenas passa a história para o papel.

Intercalados à história de mistério, estão ensinamentos ligados à doutrina espírita, em uma linguagem simples, que permite a compreensão de todas as pessoas. Além disso, Antônio Carlos indica várias referências para quem deseja conhecer melhor esses ensinamentos, principalmente nas obras de Allan Kardec.

Mas vamos à história...

Em uma pequena cidade que o autor denomina Cidade Pitoresca, estão ocorrendo alguns crimes possivelmente ligados a um culto de magia negra (oi?) em que as vítimas são sempre meninos de 7 anos e que tenham 7 letras no nome. A partir daí surge uma preocupação do Senhor Nico, que tem um neto, Nicolas, de 7 anos.

O Senhor Nico é um fazendeiro muito rico e conta com a ajuda de seu sobrinho Fernando para a administração de suas terras. Ele era seu único herdeiro, até que Nicolas veio morar com ele, após a morte de seu pai e a doença terminal de sua mãe. O sonho do Senhor Nico era ensinar a Nicolas tudo sobre a fazenda, e torna-lo o maior herdeiro de seus bens.

Como a polícia não estava conseguindo chegar a lugar nenhum nas investigações sobre os assassinatos, o Senhor Nico contrata um detetive particular, Luck, que era casado com uma “paranormal”, Mara. Mara usava seu dom para ganhar dinheiro, porém foi muito útil nas investigações, visto que tinha um espírito que a acompanhava, chamado Gil.

A história é narrada por Antônio Carlos como se ele fosse um observador, mas também ele e sua companheira Mary tomam atitudes no plano espiritual para ajudar na solução do caso. Na verdade, Mary foi designada para essa tarefa, e pede ajuda de Antonio Carlos. E é muito interessante ver tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, imaginando como temos tantas pessoas que já se foram, mas que ainda se importam conosco e com nossas atitudes.

Os homens que participavam do tal culto, por exemplo, entraram nisso meio que por ingenuidade, normalmente devido a problemas financeiros ou amorosos, que pareceram se resolver após o “pacto”. Eram cinco homens, liderados por um sexto, que ninguém sabia quem era, mas que tinha uma voz “não-humana” e sempre aparecia e desaparecia da Gruta sem que ninguém o visse.

Dessa forma, ao mesmo tempo que acontece todo um mistério e uma investigação aqui, no nosso plano, também estão acontecendo muitas coisas no plano dos espíritos. Durante as reuniões do culto na Gruta, havia uma grande concentração de espíritos umbralinos, a maioria homicidas, pois tinham a aura escura. Segundo o espiritismo, para se livrar dessa marca, o espírito precisa se arrepender e trabalhar muito para fazer o bem (seja no plano físico ou espiritual).

Antonio Carlos e Mary ajudaram muitos espíritos “maus” a irem para postos de socorro, onde poderiam começar seu processo de cura e evolução. E também espíritos bons a adquirirem mais conhecimento e estudarem mais para poderem ajudar as pessoas e assim, também evoluírem.

“Logo após a morte do corpo físico, o julgamento sobre nós não é definitivo, porque continuamos a reencarnar e, nessas oportunidades, podemos reparar erros, nos educar, fazer o bem ou continuar imprudentemente cometendo atos indevidos. Vamos caminhando entre provas, expiações, acertos e erros. Normalmente, depois de cada desencarnação, somos nós mesmos que nos julgamos. Ou, então, por reconhecer que erramos, deixamos que os outros, semelhantes a nós, nos julguem. São julgamentos parciais. As escrituras na Bíblia, porém, afirmam que teremos o julgamento final.”

Com tanta ajuda, inclusive do espírito de sua esposa falecida, o Senhor Nico consegue desvendar todo o mistério das mortes dos meninos e também descobrir as identidades dos cinco homens que participavam do culto. O sexto, porém, não foi pego pela polícia. Mas logo o Senhor Nico descobriu da pior maneira possível quem ele era, e seu destino também não foi dos melhores...

Foi uma experiência realmente diferente e gratificante ler um livro espírita. Acredito que todas as religiões nos ensinam a ser pessoas melhores, e foi isso o que mais tirei desse livro. As lições e todo o aprendizado sobre o que acontece com nosso espírito quando somos pessoas boas e o que acontece quando praticamos ações ruins. Além de outros ensinamentos sobre a importância do perdão, da caridade e do bem que fazemos a nós mesmos quando fazemos o bem ao outro. Lindas lições em meio a uma história de crueldade e mistério. Adorei! =)



15.8.16

{Sorteio} Bienal do Livro de São Paulo 2016!



Quem é leitor sabe como é ir na Bienal: Cada curva um mundo novo para mergulhar, cada estande uma nova estrela que você quer levar para casa na sua mochila. 

Visitei a Bienal em 2014 com a minha irmã (A resenhista Nicoli Alexandre aqui \o) com a turma de escola dela - muito obrigada pessoal da escola que me pertmitiu ir!. A ansiedade em que estávamos era tão grande que fomos dormir às 2 horas para acordar as 4 horas da manhã, pois o ônibus sairia as 5 da escola. 

Lembro que, mesmo indo para a Bienal... Nós duas estávamos com livros para ler no caminho. Todos os alunos fazendo bagunça e aproveitando o momento e nós lendo felizes, aproveitando a nosso modo. 


Chegamos lá por volta das... 9 da manhã, eu acho (Nicoli que me corrija) e haviam tantas pessoas... Tantos jovens na fila esperando para ver seus autores preferidos (era o dia da autora dos Instrumentos Mortais) e era contagiante. Claro, ninguém gosta de ficar em filas (tava gigante para entrar!!!) mas uma vez lá dentro... UAU! Era muita coisa, muita coisa mesmo. Me senti numa cidade de doces, só que livros! Estandes de editoras grandes e famosas, estandes de editoras em plena ascenção, autores novos e antigos, todos ali também famintos pela presença de seus fãs. Uma diversidade enorme de pessoas, que se amontoavam nos cantos para sentar e ler seus livros recém-comprados, aproveitando cada minutinho da feira. 

Foi realmente uma experiência incrível que eu espero poder repetir em breve. Infelizmente não poderei visitar a Bienal este ano... Mas isso não quer dizer que o Blog não poderá levar uma pessoa para lá!

É isso mesmo!!!

Em parceria com a Editora Arwen, o blog As meninas que leem livros irá sortear um ingresso para entrar num dia do evento! E, enquanto estiver lá, dá uma passadinha no estande da Arwen para conhecer todos os livros da editora e se apaixonar, como eu me apaixonei por muitos deles!

Local do estande: N069 - link do mapa para vocês se acharem por lá.



Para participar do sorteio, basta seguir os seguintes passos:

* Curtir a página da Editora Arwen no Facebook;
* Curtir a página do blog As meninas que leem livros no Facebook:
* Curtir e compartilhar em modo público o post da promoção Editora Arwen e As meninas que leem livros te querem na Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2016 no Facebook;
*Clicar em "Quero Participar" no link da promoção: https://www.sorteiefb.com.br/tab/promocao/579694
*Residir em território nacional brasileiro;
* Ficar atento no dia 20/08 para ver se você ganhou, pois o ingresso será sorteado neste dia!



Não se esqueça de seguir todos os passos direitinho, que aí depois é só preparar sua lista de compras da Bienal!!!




14.8.16

Sangue de Guerreiro - Guerreiros da Irlanda 1 - Michelle Willingham




Sangue de Guerreiro - Guerreiros da Irlanda 1 - Michelle Willingham

Sinopse:

Um jogo mortal!
Devido às cicatrizes físicas e emocionais, lady Taryn acreditava que ninguém a tomaria como esposa. Ainda assim, está determinada a livrar sua família das garras de um lorde implacável. Para isso, pede ajuda ao poderoso guerreiro Killian MacDubh. Tendo nascido um bastardo, ele sempre sonhou em ficar frente a frente com o homem que o abandonara. Aceitar a missão era a oportunidade perfeita para confrontá-lo. Dona de uma rara beleza, Taryn logo vira uma inesperada distração para Killian. E quando traidores são revelados, o amor proibido que sente por ela se torna a única coisa pela qual ele pretende lutar.”

Resenha

“- Não sou bonita como você. Os homens não gostam da minha aparência.- Você está enganada. A coragem tem seu jeito de mostrar sua beleza.”

Taryn e Killian são pessoas marcadas pela adversidade.
A vida os feriu cada um, com uma dor diferente, mas nem por isso menos doída.
Taryn tem o corpo marcado, incluindo o rosto, e isso a torna uma pessoa inferior, demonizada.
Mas mesmo marcada quando seu pai é condenado à morte, ela sai do seu casulo e vai interceder por ele junto ao grande Rei.

Killian, guerreiro forte, destemido e um dos filhos bastardo do grande Rei, vive como escravo pela sua condição de filho ilegítimo.
Numa das reviravoltas do destino, os dois se encontram e se encantam, mas ambos se julgam inferiores e apenas se ajudam mutuamente.
Taryn precisa do guerreiro para libertar seu pai e Killian precisa conversar com seu pai o grande Rei, então ambos têm o mesmo lugar para onde ir.

“- O que você imagina que eu vejo? Killian se aproximou e colocou a mão nas costas dela.- Uma mulher amaldiçoada pelas cicatrizes dos demônios. Alguém que causa repulsa nos homens.- Feche os olhos – pediu ele, tocando-a na testa. Quando Taryn obedeceu, ele afastou a mão. – Você não sabe o que homens veem. – Com a ponta do dedo, ele traçou o nariz dela, depois os olhos. – Vejo uma boca bem desenhada que fala demais e lábios macios. – Em seguida, delineou a boca, fazendo-a suspirar. Quando ela abriu os olhos, foi repreendida: - Não olhe. – Killian continuou a delinear os traços do rosto dela, descendo pelo pescoço. – Sua pele parece seda e suas curvas provocam qualquer homem. E, mesmo assim você não tem noção do quanto é tentadora.”

Na viagem que dura dias, eles se descobrem e Killian não se horroriza com as cicatrizes do seu rosto, o que ela acha impossível, pois todos fogem dela, principalmente os homens.
Será que Killian vai mudar com seu carinho, a maneira que Taryn pensa de si?
Será que a vida vai dar uma chance a Killian de transformá-lo num príncipe?
Como reagirá o grande Rei quando ver a sua replica jovem em Killian?

Muitos acontecimentos, muitas batalhas, muitos momentos de perigo e o leitor consumirá este livreto para chegar ao seu final, o mais rápido que ele puder.
Bom enredo, gostoso de ler, realmente um bom livro.
Sou leiga pra falar sobre esse tipo de historia, pois sou muito fã dos livros da Harlequin. Ainda mais se são medievais, de época e que tenham bebês. São os meus 3 tipos preferidos. <3
Super recomendo!



Título: Sangue de Guerreiro - Guerreiros da Irlanda 1
Autor (a): Michelle Willingham
Editora: Harlequin
Número de Páginas: 288