Menu

17.9.16

Uma Canção de Ninar - Sarah Dessen




Edição: 1
Editora: Seguinte
Autor: Sarah Dessen
Ano: 2016
Páginas: 320


Sinopse: Remy não acredita no amor. Sempre que um cara com quem está saindo se aproxima demais, ela se afasta, antes que fique sério ou ela se machuque. Tanta desilusão não é para menos: ela cresceu assistindo os fracassos dos relacionamentos de sua mãe, que já vai para o quinto casamento. Então como Dexter consegue fazer a garota quebrar esse padrão, se envolvendo pra valer? Ele é tudo que ela odeia: impulsivo, desajeitado e, o pior de tudo, membro de uma banda, como o pai de Remy — que abandonou a família antes do nascimento da filha, deixando para trás apenas uma música de sucesso sobre ela. Remy queria apenas viver um último namoro de verão antes de partir para a faculdade, mas parece estar começando a entender aquele sentimento irracional de que falam as canções de amor.

***

O coração de Remy nunca foi partido por conta do amor.
Remy mantém as pessoas longe o suficiente para não correr o risco de ficar arrasada quando o fim da relação chegar.

Remy Starr está prestes a entrar na Universidade de Stanford. O que a separa de lá são apenas os três meses de verão. O que poderia ter sido um calmo verão de despedida de sua antiga vida, torna-se algo muito maior quando sua mãe vai para seu quinto casamento e Remy tem que organizar tudo sozinha, novamente.


A mãe de Remy sempre foi sonhadora, vivendo em mundo em função do amor de seus novos companheiros e todos eles deram errado no final. Remy aprendeu que o amor é um sentimento que não vale a pena. Seu coração está bastante protegido desse sentimento. Em todos os seus relacionamentos, quando as coisas estavam no auge, Remy sempre tinha um discurso preparado para frear a relação.

“Eu já não tinha mais nenhum ilusão a respeito do amor. Ele vinha, ele ia, deixava vitimas ou não. As pessoas não eram feitas para ficar juntas para sempre, independente do que diziam as músicas.” Página 64

As coisas saem de seu esquema quando Dexter aparece em sua vida, ou melhor dizendo, quando ele se joga quase em cima dela, alegando que os dois são perfeitos juntos. Dexter é um rapaz totalmente fora dos padrões de Remy: magrelo, desengonçado, desleixado, extremamente otimista e músico.


Remy nunca namora músicos, isso lhe remete ao pai que nunca conheceu e que se separou de sua mãe antes dela nascer: mais um motivo para se afastar do amor. A única coisa que seu pai lhe deixou foi uma canção que virou o maior sucesso, “Canção de Ninar”.

De alguma maneira, Dexter rompe um pouco do bloqueio que Remy criou ao seu redor e os dois começam a namorar, mas ela sabe que ainda assim, esse namoro não vai durar, principalmente por ele ter prazo de validade até o fim do verão. No entanto, Dexter não é o tipo de rapaz que desiste facilmente de um desafio. Será que Remy vai conseguir seguir firme com sua resolução?

“– Me ama. – ele entoou, olhando para trás. – Você. Me. Ama.
Fiquei parada na entrada, antes dos degraus, sentindo, pela primeira vez em um longo tempo, que as coisas estavam completamente fora do controle.” Página 179

Narrado em primeira pessoa, temos acesso direto aos sentimentos de ceticismo de Remy. Em como ela se sentiu ao crescer sem ter uma infância de verdade, sempre estava cuidado da mãe, em uma inversão de papéis. Remy nos conta um pedaço de como levava a vida alguns meses antes de se dedicar aos estudos para poder ficar o mais longe possível da cidade. Conhecemos suas melhores amigas: Jess, Lissa e Chloe. Essas são as maiores questionadoras das mudanças que Remy vai sofrendo no decorrer da história.


Esse é o terceiro livro da Sarah Dessen que leio e suas histórias sempre trazem uma carga emocional familiar bastante palpável. Com esse livro, contudo, eu não pude sentir o mesmo que senti com Just Listen e Os Bons Segredos. Os sentimentos de Remy são extremamente fortes, mas eles não tiveram todo o aprofundamento que mereciam e algumas situações familiares foram mal trabalhadas. Uma revelação sobre Remy, que me chocou, não foi abordada. Foi apenas citada mais de uma vez no livro e logo esquecida. Não é o tipo de coisa que se deve deixar passar em branco. Além disso, algumas cenas eram sobre coisas bobas que não iam acrescentar de modo significativo à história e isso acabou tirando o foco do que realmente era importante.

Ainda assim a leitura é agradável e delicada. A amargura de Remy vai sofrendo uma transformação. A relação com a mãe vai sofrendo uma mudança significativa e mundo de Remy vai sendo testado e questionado. Remy terá que finalmente enfrentar o seu maior medo e quem sabe assim encontrar a verdadeira felicidade.

16.9.16

{Dica de Leitura} Guerra das Raças - A Caça aos Desertores




Autor: Daniel Jahchan
Editora: Talentos da Literatura Brasileira
Sinopse: Após um longo período de paz, a Ordem Igualitária das Raças foi destruída, passando a ser chamada apenas de "Velha Ordem". "Guerra das Raças - A Caça aos Desertores" retrata o período onde os então governantes, responsáveis pela queda da Velha Ordem, se dividem em dois lados, os angeli e os daemon. Essa divisão coloca orcs e anões do lado dos daemon, enquanto os elfos, e a maioria dos humanos, se aliam aos angeli. A guerra já dura seis séculos e cada vez mais o ódio entre raças diferentes vai se intensificando. 
O livro foca na história de um garoto de quatorze, Ikarus, que cresceu longe da guerra, mas que pode ser visto como grande esperança para acabar com ela. Isso pelo fato dele ser um híbrido. Filho de um daemon com uma angeli, Ikarus encontra um dos então "extintos" líderes da Ordem Igualitária das Raças e juntos convencem um grupo de anões, humanos e elfos a se unirem, trazendo de volta a esperança para um novo período de paz.


O Autor



Nascido em 1994, na capital paulista, a paixão do autor pela literatura nasceu quando tinha apenas oito anos. Aos onze começou a escrever fanfics de suas histórias favoritas e aí nasceu a paixão pela escrita. Depois das fanfics vieram contos, poemas e canções, até chegar aos livros. Guerra das Raças,
apesar de não ser a primeira obra que concluiu, foi a primeira que despertou seu desejo de publicação.
Quando não está pensando nas aventuras de Zia e Ikarus, o autor está no Instituto de Física da Universidade de São Paulo, onde estuda outra grande paixão desde 2013

Na Rede:

Facebook: www.facebook.com/autordanijahchan
Twitter: @danijahchan

Instagram: @danijahchan


15.9.16

{Resenha} Não Fale Com Estranhos




Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro
Ano: 2016
Sinopse: O estranho aparece do nada e, com poucas palavras, destrói o mundo de Adam Price. Sua identidade é desconhecida. Suas motivações são obscuras. Mas suas revelações são dolorosamente incontestáveis.

Adam levava uma “vida dos sonhos” ao lado da esposa, Corinne, e dos dois filhos. Quando o estranho o aborda para contar um segredo estarrecedor sobre sua esposa, ele percebe a fragilidade do sonho que construiu: teria sido tudo uma grande mentira?

Assombrado pela dúvida, Adam decide confrontar Corinne, e a imagem de perfeição que criou em torno dela começa a ruir. Ao investigar a história por conta própria, acaba se envolvendo num universo sombrio repleto de mentiras, chantagens e assassinatos.

Intrigante e perturbador, Não fale com estranhos é mais que um suspense de tirar o fôlego. É uma reflexão sobre o bem e o mal, o amor e o ódio, o certo e o errado, os segredos, as mentiras e suas consequências devastadoras.


Resenha:

Ahhh Arqueiro... Mostrando como se faz uma capa de livro completa do jeito que eu gosto... Hahahaha... Sinopse na contracapa, opiniões de jornais e apresentação do autor nas orelhas. Simples, porém, funcional! Ponto pra editora!!


Sempre ouvi falar super bem do Harlan Coben, mas nunca tinha tido a oportunidade de ler nenhum livro dele. E por que não começar pelo lançamento? Posso dizer que foi uma ótima experiência. Com capítulos bem curtinhos, alternando entre as histórias de cada personagem, Harlan Coben me ganhou na leitura leve e fluida, apesar do tema.

Todo mundo guarda algum segredo, certo? Mas e quando algumas pessoas resolvem se juntar para chantagear outras a revelar seus segredos, ou eles mesmos revelariam?

No caso de Adam Price, o estranho apareceu e lhe contou um segredo sobre Corinne, sua esposa. Algo difícil de acreditar a princípio, mas que se provou verdade com algumas pesquisas na internet. Corinne havia mentido para ele, há dois anos atrás, e quando confrontada, desapareceu deixando-lhe apenas uma mensagem de celular pedindo algum tempo e para cuidar dos filhos.

“Acho que a gente precisa dar um tempo. Cuide das crianças. Não tente entrar em contato comigo. Está tudo bem.
Só alguns dias, por favor.”

Desesperado, Adam começa a revirar a vida da esposa, não mais por desconfiança, mas apenas para trazê-la de volta. Porém a busca pode não ser tão simples assim...
Ao mesmo tempo, o estranho e sua turma continuam descobrindo segredos alheios para usar como chantagem com outras famílias.

“Chris usava a palavra “segredo” como uma espécie de termo curinga para todo tipo de coisa. Havia mentiras, havia trapaças, havia casos muito piores. Corinne Price mentira para o marido ao inventar uma gravidez. Kimberly Dann tinha mentido para os pais quanto à fonte de renda que lhe permitia pagar a universidade. Kenny Molino havia usado anabolizantes para trapacear. Marcus, o noivo de Michaela, fizera muito pior ao roubar a namorada do melhor amigo com uma suposta “vingança pornô” postada na internet.”

Corinne fazia parte do Conselho do time de lacrosse da escola dos filhos, e Adam é procurado pelos outros membros sobre um desfalque nas contas. Com o sumiço de Corinne, nada mais óbvio do que culpar a esposa, que Adam sempre considerou uma pessoa extremamente correta, que nunca faria algo do tipo. Mas e se ela tivesse sido chantageada e precisasse do dinheiro para encobrir seu segredo? E se o tempo que ela precisasse fosse para recuperar a quantia para repor os caixas do time?

Quando algumas das pessoas envolvidas começam a aparecer mortas, Adam se vê em uma corrida contra o tempo para tentar salvar a esposa do mesmo destino. Com um final inesperado, após tantas páginas de curiosidade, Harlan Coben me mostrou o porquê de seu sucesso. Um livro curto, bem escrito, fluido, daqueles que não queremos largar enquanto não vemos o fim. Diversão garantida!!



14.9.16

{Resenha} Tá todo mundo mal



Autora: Jout Jout
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Do alto de seus 25 anos, Julia Tolezano, mais conhecida como Jout Jout, já passou por todo tipo de crise. De achar que seus peitos eram pequenos demais a não saber que carreira seguir. Em Tá todo mundo mal, ela reuniu as suas “melhores” angústias em textos tão divertidos e inspirados quanto os vídeos de seu canal no YouTube, “Jout Jout, Prazer”. Família, aparência, inseguranças, relacionamentos amorosos, trabalho, onde morar e o que fazer com os sushis que sobraram no prato são algumas das questões que ela levanta. Além de nos identificarmos, Jout Jout sabe como nos fazer sentir melhor, pois nada como ouvir sobre crises alheias para aliviar as nossas próprias!


Resenha:

Crise sugere um momento conflituoso, um período difícil, tensão. Falar sobre os diversos tipos de crise é a proposta do livro Tá todo mundo mal (Companhia das Letras, 200 páginas), da Youtuber Julia Tolezano, criadora do canal Jout Jout Prazer. Desde as célebres mudanças na adolescência, a escolha da carreira, o início da vida adulta e até mesmo os probleminhas cotidianos, temos aqui um apanhado de situações que, pelas mãos de Jout Jout, vão soar hilárias.
“Nada mais reconfortante para quem está numa crise do que saber das crises dos outros e ficar medindo em silêncio sobre se a deles é pior ou mais branda que a nossa própria. Então aqui estou. Enumerando gentilmente meus piores momentos. Para você avaliar se os seus foram um pouquinho melhores e ter um sono mais tranquilo."
Para quem não a conhece ainda, o vídeo “Não tira o batom vermelho” estourou na internet, hoje com mais de 2 milhões de visualizações. Comece por ele, sem dúvida alguma o melhor. Depois dele, tudo que Jout publica é visto pela legião de fãs e os mais de 900 mil inscritos do canal. Daí a surgir a ideia do livro foi um passinho... que, é claro, deu origem a uma nova crise (sim, uma crise puxa outra):
"Durante um tempo, eu pensava que tudo que eu produzisse tinha que ganhar um prêmio. Fui descobrir mais tarde que esse pensamento não passa de mais uma forma de você não fazer as coisas, porque, segundo essa lógica, se eu fosse escrever um livro seria para ganhar um Jabuti, virar escritora-revelação, rainha das letras, ganhar cadeira de imortal, ser traduzida para duzentas línguas e ter gente tatuando minhas frases emblemáticas, claro. Que livro, eu te pergunto, suporta essa pressão? Que projeto qualquer da vida suporta essa pressão?"
Tem de tudo no livro, que o leitor devora rapidinho. A diagramação está linda, a capa emborrachada é um luxo. E o conteúdo, que eu presumia só diversão, não é que veio com algumas boas reflexões para a minha vida?
"Expectativa demais é um jeito bom de se alcançar a culpa. Porque você nunca vai conseguir ser tão maravilhosa quanto a expectativa sugere que você é, então sempre vai acabar em decepção, e a decepção, em culpa."
Para quem acompanha os vídeos de Julia ou já viu um ou outro, vai ser fácil começar a leitura e ouvir a voz dela penetrando em seus pensamentos, narrando o livro. Até suas pausas poderão ser percebidas nas entrelinhas do texto. A Jout Jout que conhecemos está inteirinha ali, nas melhores partes e nas mais sem graça também. (Sim, os mais críticos e os mais chatos concordarão). Em algumas passagens o leitor vai, fatalmente, se identificar, afinal, são vexames que passamos alguma vez na vida (ou muitas vezes, como no meu caso, haha) e que Jout Jout está ali para dizer que está tudo bem, você não está sozinho ou louco, acontece com ela, inclusive. Ela, descolada e famosa, autêntica e descabelada nos vídeos. Pois é. Vai ser um carinho na alma.
Os capítulos são curtos (dois de apenas uma única e decisiva frase), cada um com uma crise diferente – nova ou recidiva, quem poderá dizer? As terríveis angústias da adolescência desfilam fácil no corredor das primeiras memórias:
“Me faltava queixo e autoestima, mas eu fazia qualquer pessoa que colasse do meu lado morrer de rir. Era uma excelente ouvinte, as pessoas faziam fila para desabafar comigo, chorando nos meus ombros (geralmente meninos sofrendo por outras meninas), amiga melhor que eu não havia.”
E aqueles momentos difíceis, nas famosas e sofridas crises de amor, de solidão e de conflitos entre amigos, todo mundo tem uma boa pra contar:
"Mas e os namoradinhos? Eu precisava dos namoradinhos. Todos os filmes da Disney que eu havia assistido e rebobinado e visto de novo duzentas vezes me diziam que eu precisava de um namoradinho. Mas eles não estavam lá. Uma vez uma amiga querida inclusive falou que eu era a única menina da sala de quem ela não sentia ciúme, porque eu claramente não conseguiria pegar o namorado dela. De uma delicadeza sem igual."
Uma decisão importantíssima na vida, como a escolha da profissão, é motivo de crise, claro, para quase todo mundo. Levanta aí a mão quem nunca? Para Jout Jout não foi nada fácil (aliás, nossa PhD em turbulências foi ótima para sair de mais essa):
"Não tinha talentos. Não tinha nada que eu fizesse melhor que outras pessoas. Pelo menos nada que pudesse ser traduzido em emprego. Eu era uma boa amiga. Eu dava uns conselhos esquisitos que as pessoas adoravam. Eu fazia as pessoas ficarem felizinhas. Que profissão é possível com essas habilidades? Como colocar isso em um currículo? Onde encontrar uma empresa que esteja em busca de uma boa amiga?”
Se você que me lê é adolescente, creia, o que vem logo abaixo é normal. Se já é adulto, vai identificar alguém nessa fala (no meu caso, eu no espelho):
"A gente tem essa impressão às vezes de que tem uma hora que a gente vai crescer. Tipo um dia, com hora marcada na agenda. Sexta que vem eu cresço. Quando na verdade a gente já cresceu faz tempo, mas é tão insuportável crescer, que a gente fica jogando lá para a frente. Quando eu acabar a faculdade, quando eu acabar a minha pós, quando eu acabar o mestrado, e quando você vê, está com sessenta anos e nada de se sentir adulto. Você quer que sua vida comece logo, quando na verdade ela já começou há mais de vinte anos.”
Pausa aqui. Não está fácil digerir, Jout Jout.
 Estou em crise! Volte amanhã.
Para os indecisos, então, sabemos o quão é doloroso tomar uma atitude quando o nosso coraçãozinho fica dividido. É muita liberdade de escolha, isso complica!:
"Escolher esmalte, profissão, sabor de pizza, cadeira em cinemas vazios, lugar em um ônibus que tem duas pessoas — tudo isso é uma tortura tão insuportável que você fica presa num limbo da liberdade excessiva, com a sensação de que sua vida vai parar ali e que dali não tem como sair."
Até que o Caio chega na vida de Jout e, com aquela mãozinha parceira, ajuda a diluir uma crise que a acompanhava há quanto tempo mesmo, hein?:
"Eu comecei a rir dos meus dramas. Quando fui ver, estava apaixonada por essa versão de mim que ele fazia vir à tona. Me apaixonei por um sujeito que fez com que eu me apaixonasse por mim mesma. Profundo pra caralho."
(Caio é o namorado da Julia, conversa com ela durante as gravações, mas só há bem pouco tempo resolveu mostrar a carinha. Antes só tínhamos a voz dele). E como todo grande amor, com ele vem aquela ansiedade que os mais neuróticos conhecem bem:
"No minuto em que ele sai pela porta, meu coração dispara. Me arrependo. Começa um fluxo das piores sensações e uma lista imensa e muito detalhada de desastres que podem acontecer com ele, (...). E aí começa outra onda de pensamentos no momento em que reparo que ele está demorando demais. Eu sempre penso: quanto é demais? Depois de quanto tempo uma pessoa começa a ficar desesperada com a demora da outra?"
Julia vai discorrendo sobre tantas queixas, umas bem duras e outras superdimensionadas, e no meio delas tem também uma e outra que achei completamente descartável, como a “crise do pum”, nessa eu sofri terrivelmente de vergonha alheia. Pausa para uma (outra) crise minha.
Como crítica a respeito da proliferação de livros de youtubers, sabemos que são subprodutos dos canais que “deram certo”. O que me leva a questionar qual o propósito de um youtuber escrever um livro. Tem ele habilidade para a escrita, é uma vontade anterior ao canal ou mais uma maneira de divulgar ou faturar com a exposição? No caso da Julia é um pouco diferente, ela sempre gostou de escrever e fez faculdade de jornalismo. Mas até que ponto o livro traz algo novo para seus seguidores? Uma versão impressa do que a Jout Jout diz nos vídeos? Um nicho para seguidores-leitores? Os seguidores compraram os livros porque são leitores?  Não consegui responder e acato opiniões. Considerando que a grande maioria de consumidores de vídeos do YouTube é adolescente, é preciso que seja cuidadosa a publicação de uma ou outra informação que facilmente é assumida como verdade pelos que estão em formação...
Para o que se propõe, entretanto, acho que a leitura atingiu o seu objetivo. Não procurou respostas ou saídas para as crises, mas mostrou o quanto somos parecidos em circunstâncias difíceis, como podemos nos divertir depois ao pensar nelas e, principalmente, saber que todos passamos por isso. Atribui-se a Einstein a frase: Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Cabe redondinha para fechar o caminho que Julia acabou descobrindo com muitas crises, mas também com criatividade e coragem.
O fato é que ela se comunica bem. Não usa de nenhum artifício para aparecer no vídeo, não força a barra. Acorda e do jeito que está abre a boca para comentar algo, sugerir, protestar, divagar, refletir, tendo a voz do doce e paciente Caio pontuando ou instigando seu posicionamento. Infalível. Mais perto de você, impossível.
Nas divulgações do canal dela, há um slogan para fechar esta resenha: “Novos tempos. Novos ídolos.
Se você tiver interesse, veja o vídeo O Melhor Dicionário, super fofo e o que mais gosto ao lado do famoso Batom Vermelho. (Links no final da resenha).

Classificação: 4 estrelas.
Link do livro no Skoob:
Link do vídeo O melhor dicionário:
Link do vídeo Não tira o batom vermelho:



13.9.16

{Resenha}O Chamado de Cthulhu e Outros Contos







Autor: H. P. Lovecraft
Organização: Guilherme da Silva Braga
Editora: Hedra
Sinopse: O chamado de Cthulhu reúne desde as primeiras produções de Lovecraft, como Dagon até obras escritas logo antes de sua morte, como O assombro das trevas. Traz ainda o clássico O chamado de Cthulhu e A música de Erich Zann. O volume é um passeio pelo universo de um dos mestres do horror.







“Chtulhu fhtagn”

Sou apaixonada pelo horror e suspense. Vi muito de Stephen King, por exemplo. Li ainda mais. Poe, também. Tá, minha experiência resume-se mais a esses autores.
Este pequeno livro foi meu primeiro contato com Lovecraft assim, a fundo. Cheguei a começar a jogar um RPG narrado por um amigo baseado nos contos do autor, mas não completamos, foi aí que li um pouco mais sobre ele. E, quando a Hedra nos deus a oportunidade de ler os diversos contos publicados, eu fiquei muito contente e me esbaldei.

Aí... Bem, acho bom falar um pouco de Lovecraft, pois não são muitos que o conhecem ou a sua obra. E nisso o livro já começou acertando, pois Guilherme acerta uma bolona ao apresentar o autor ao leitor incauto. Ligue sua playlist mais sombria e venha adentrar neste universo conosco!



Howard Phillip Lovecraft nasceu na cidade de Providence, nos EUA em 1980. Quando o menino tinha 3 anos de idade, seu pai sofreu um colapso nervoso enquanto trabalhava em Chicago e foi levado para Butler Hospital, onde permaneceu por cinco anos até seu falecimento, ocorrido por provavelmente por ser portados d eum tipo de neurossífilis (quando a sífilis atinge o sistema nervoso central).

Sua criação ficou por conta de sua mãe, tias e avô (um industrialista da época). Criança precoce, já recitava poesia aos dois anos e aos três já lia. Entre os seis ou sete anos, já conseguia escrever. Após ler, aos cinco anos de idade, As mil e uma noites, ficou fascinado pelos assuntos árabes – foi com esse entusiasmo que, futuramente, ele criou “Necronomicon” (fãs do terror conhecem – A noite dos mortos vivos, alguém?!), sob o pseudônimo de Abdul Alhazred (eu achava que isso era verdade até descobrir que era só mais uma estória...). Porém, tudo isso foi eclipsado pela mitologia grega, nas leituras da Íliada e A Odisséia. Seu avô foi uma influência muito grande, pois o entretinha com com histórias improvisadas, góticas.

Cresceu um solitário, mas por razões de saúde – mental - em grande parte. Não frequentou a escola durante muito tempo, sendo ensinado em casa por seu avô. Teve interesse por ciências – química – e astronomia, chegando a publicar periodicamente artigos em revistas do ramo.

O falecimento do avô e a má administração dos bens familiares levou a família em sérias dificuldades financeiras e precisaram abandonar o lar vitoriano e ir para uma residência. Lovecraft ficou arrasado com ambas as perdas, talvez até pensado em suicídio; apoiou-se nos estudos para banir tais ideias. Mas em 1908 sofreu um colapso nervoso e não pode terminar a escola, pouco antes de se formar e, com isso, não pôde entrar na universidade. Apesar disso, foi um dos autodidatas mais formidáveis de seu tempo.

Mãe, Howard e Pai
Entre 1908 e 1913 viveu como um eremita, tendo um relacionamento de amor e ódio com sua mãe. Saiu de seu tempo recluso após ficar irritado com algumas estórias de amor publicadas em um magazine “pulp” de sua época. Escreveu uma carta em versos criticando o trabalho do autor e se meteu num debate acalorado na coluna de cartas da revista e foi notado pelo Presidente da Imprensa Amadora.

E foi assim que Lovecraft recomeçou a escrever ficção, numa rápida sucessão lançando vários contos (como The Beast In The Cave e Dagon, sendo que o segundo aparece no livro lançado pela Hedra).

Sua mãe faleceu em 1921, após uma cirurgia mal-sucedida no Buttler Hospital, onde estava internada desde 1919 após sofrer um colapso nervoso, deixando-o arrasado. Porém, recuperou-se em poucas semanas e foi numa convenção de jornalismo amador, onde conheceu Sonia Haft Green (uma judia russa sete anos mais velha que ele), aquela se tornaria sua esposa.

Casaram-se em 1924 e H. P. Lovecraft só avisou suas tias depois que o casamento ocorreu e por carta. As coisas no começo foram bem para o casal: Sonia tinha uma loja de chapéus bem sucedida na Quinta Avenida em NY e Lovecraft angariou para si a posição como escritor chefe na revista Weird Tales.

Como podemos ver, nada de bom durou muito para ele. Então não pode ser diferente... Seu casamento ruiu junto com a loja de Sonia e após ele negar um cargo de editor em uma revista vinculada à WT, porque teria que mudar-se para Chicago. A saúde de sua mulher também se esvaiu e ela foi internada durante um tempo num sanatório em New Jersey. As coisas foram ficando cada vez mais difíceis, pois ninguém queria empregar um “velho” de trinta e quatro anos e, em 1925, Sonia mudou-se para Cleveland e Howard, para um apartamento de solteiro num setor decadente do Brooklyn.

Apesar de ter amigos, estava cada vez mais depressivo por conta do isolamento em que colocou a si mesmo, escreveu contos que demostrou bem como estava seu ânimo durante esta fase de sua vida (The Shunned House ou The Horror in Red Hook). Em 1926 retornou para Providence sozinho, pois suas tias não admitiam que a esposa comerciante na casa e na vida do sobrinho. O divórcio veio em 1929.

Ao contrário de afundar-se em sua depressão como havia acontecido em todos os acontecimentos negros de sua vida, tornou esse tempo o mais produtivo de todos (seriam esses seus dez últimos anos de vida): escreveu sua melhor ficção: O Chamado de Cthulhu, em 1926, Nas Montanhas da Loucura, em 1931 e A Sombra dos Tempos, de 1934 a 1935, além de viajar para diversos lugares do mundo; estimulou jovens autores, voltou-se para questões políticas e econômicas e se tornou um socialista moderado.

Nos últimos três anos de sua vida, a coisa voltou a apertar: uma de suas tias morreram e precisou se mudar novamente, levando a outra consigo para um apartamento. Como seus contos foram ficando cada vez maiores, ficaram menos vendáveis e ele precisou ganhar seu sustento às custas de muita revisão ou como “ghost-writer” de histórias, poesias  eobras não ficcionais.

Em 15 de março de 1937 faleceu devido ao câncer no estômago, sendo sepultado no dia 18 no jazigo de sua família.

Enquanto era vivo, suas obras não viraram livros, se não contarmos os contos publicados junto às magazines e tal. Mas como trocou muitas cartas e fez amizades assim, dois amigos August Derleth e Donald Wandrei foram obstinados em amnter as obras de Lovecraft vivas e criaram o selo Arkham House.

Hoje suas obras são conhecidas mundialmente, assim como as cartas trocadas com seus correspondentes. Se você gosta do gênero suspense/thriller, vai gostar muito dele.

Mas, como eu disse, o livro lançado pela Hedra foi meu primeiro contato direto. Sempre gostei de Cthulhu e finalmente poder lê-lo no papel foi uma experiência maravilhosa.

Temos acesso à sete contos: uns me agradaram mais que outros, mas talvez seja por conta da escrita rebuscada, da excelente descrição... E em alguns ia muito para o lado científico (uma das paixões de Lovecraft) e aí eu me entediava um pouquinho...

O horror dele é aquele que... De certo modo, parece plausível. Deuses gigantes obscuros que estão só esperando algo importante acontecer para retornar. Vindos de mundos distantes... Ou demônios que vem de seus buracos. A insanidade humana quando se depara com aquilo que desconhece... A descrição das criaturas é perfeita para te dar pesadelos à noite, de tão precisa que são. Até seus cheiros você consegue imaginar...



O conto que mais gostei de fato foi o Chamado de Cthulhu e A música de Erich Zann (um horror fantasmagórico). Vou colocar alguns trechos de alguns contos que gostei, assim podem sentir mais a atmosfera criada pelo autor.

“É um erro achar que o horror está necessariamente associado à escuridão, ao silêncio, à solidão.” – Ar Frio

“Seria inútil tentar descrever o modo como Erich Zann tocou naquela noite pavorosa. Foi mais terrível do que qualquer coisa que eu jamais tivesse ouvido, porque dessa vez eu podia ver a expressão no rosto dele e ter certeza de que sua motivação era o medo em estado bruto.” – A música de Erich Zann


“A coisa mais misericordiosa do mundo é, segundo penso, a incapacidade da mente humana em correlacionar tudo o que sabe.” – O Chamado de Cthulhu

12.9.16

{Sorteio} A Garota do Calendário




De tão feliz que fiquei de ganhar meu kitzinho de A Garota do Calendário da Editora Verus, decidi sortear os dois primeiros meses - volumes - para os seguidores do blog!!!

Mas antes... Já conhecem a série da autora Audrey Carlan?




"Mia Saunders precisa de dinheiro. Ela tem um ano para pagar o agiota que está ameaçando a vida de seu pai por causa de uma dívida de jogo. Um milhão de dólares, para ser mais exato.
A missão de Mia é simples: trabalhar como acompanhante de luxo na empresa de sua tia e pagar mensalmente a dívida. Um mês em uma nova cidade com um homem rico, com quem ela não precisa transar, se não quiser? Dinheiro fácil.
Parte do plano é manter o seu coração selado e os olhos na recompensa. Ao menos era assim que deveria ser…"

A Garota do Calendário no Brasil é lançado pela Editora Verus e terá 12 volumes no total. É um fenomêno editoral nos Estados Unidoes e em diversos outro países, que lutam acirradamente pelos direitos de publicar a série em suas terrinhas.



Capas Brasileiras


A autora:

Audrey Carlan escreve histórias de amor criadas para proporcionar aos leitores uma experiência sexy e romântica. Além de A garota do calendário, ela é autora das séries Falling e Trinity. Seus livros já figuraram nas listas de mais vendidos de jornais como New York Times, Washington Street Journal e USA Today.

Audrey mora na Califórnia com o marido e dois filhos. Quando não está escrevendo, ela gosta de praticar ioga, tomar uma taça de vinho com as amigas e ler romances picantes. (via Editora Verus)


Sorteio


Para participar, basta seguir todos as regras!

- Seguir o Blog via GFC
- Seguir a página As meninas que leem livros;
- Seguir a página da Editora Verus;
- Marcar 2 amigos nos comentários do post da promoção no Facebook:
- Clicar em "Quero Participar" no link do sorteio

Você precisa ter endereço para o envio em território brasileiro;
O prazo de envio dos prêmios será de 45 dias após a divulgação do vencedor;
O resultado será divulgado no dia 03/10/2016;
O ganhador precisa entrar em contato conosco via e-mail (asmeninasqueleemlivros@gmail.com), contendo seu nome e endereço completo;
Não nos responsabilizamos por extravio dos correios e endereços incorretos;
Nós nos responsabilizaremos pelo envio dos livros ;)

Se querem começar logo a sua coleção desta estória HOT, entrem já!!!

Resultado: 




11.9.16

{Resenha} Deixe-me Entrar



Autora: Letícia Godoy
Editora: Arwen
Sinopse: Julianne Ipswich cresceu confinada no internato Le Rosey, afastada de sua família com o pretexto de receber uma educação de qualidade. Este fato sempre a incomodou e o maior desejo de Julianne era descobrir a verdade para que a família tenha a afastado, uma vez que não ficou convencida de que a preocupação com os seus estudos seria o único motivo.
Ao completar 15 anos, ela retorna para Stone Forest, a cidade de seus pais, e, aos poucos, acaba descobrindo mais do que gostaria de saber.
Cercada por muito mais perigos e desafios do que ela jamais pôde imaginar que surgiriam em sua vida, Julianne precisará desvendar os mistérios de seu passado e preparar-se para os desafios do futuro rapidamente se quiser sobreviver. As vozes se misturam, os olhos sedentos nunca param de espreitar e o perigo está onde ela menos imagina. Será que Julianne conseguirá enfrentar tudo isso?


Opinião: Quando li os primeiros capítulos para fazer as primeiras impressões, me impressionei com a narrativa e a história. No entanto, os capítulos à frente deixaram bastante a desejar.

A narrativa aborda a visão dos vários personagens envolvidos, e algumas dessas narrativas me agradaram mais do que a visão da própria personagem principal.

Julianne Ipswich foi criada em um internato por sete anos e subitamente levada de volta a sua casa com a família que outrora enviaram-na para longe.  Logo ao voltar para casa descobre que sua família na verdade é um clã de vampiros e ela a única humana. Sabendo da verdade que todos aos poucos foram transformando uns aos outros e tiraram-na de perto para salva-la, se sentiu horrorizada.

A personagem principal reclama todo o tempo que quer uma vida normal, quando o maior acontecimento em sua vida de 15 anos, foi ser repreendida por chegar tarde em casa após um encontro. Além de outras reclamações com os pais e a família que não tem culpa do destino que tiveram.

Julianne diz não querer ser uma menina mimada e egoísta, mas infelizmente prova o contrário, conforme passa os capítulos, demonstrando métodos desonestos para conseguir o que quer.

Mas os capítulos vão passando e revelam que sem esse seu jeito, coisas piores poderiam ter acontecido.

Após conhecer um misterioso vampiro, Lorde Chevalier, ao qual se sente atraída, sua vida passa a mudar pouco a pouco, para finalmente dar uma vida diferente de “garota normal”, porque antes, apesar de suas reclamações, sua vida era a de uma adolescente normal.

Outros personagens que compõe a narrativa são cativantes e adorados por mim em sua maioria.

Com grandes distinções entre clãs, facções e políticas, o “mundo das trevas” do livro se apresenta com explicações nítidas, seguindo uma base na qual se cria mundos e realidades diferentes e/ou misturadas à nossa.

E com um misto de “Crepúsculo”  e “Fallen”, a história se desenvolve. É o livro perfeito para quem adora romances de aventura e fantasia.