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26.10.16

{Resenha} Olhos de Lobo


Autor: Rosana Rios
Editora: Farol Literário
Ano: 2016
Sinopse: Na cidade alemã de Kassel, em 1810, um modesto pesquisador do folclore imagina por que seu irmão e seu primo voltaram perturbados da visita a uma família amiga, quando a mãe de um dos presentes narrou a todos um estranho fato que lhe acontecera na juventude. Aquela deveria ser apenas uma narrativa folclórica, conhecida como Rotkäppchen. Mas Erich, o primo deles, não consegue esquecer os olhos brilhantes da mulher; ela jura ter sido a menina que, há muito tempo, ao sair para visitar a avó, encontrou uma fera na floresta... e sobreviveu.
No sul do Brasil, nos dias de hoje, uma série de crimes inexplicáveis levarão a agente especial Natália, da Polícia Federal, a uma investigação com fotografias macabras de pessoas em cemitérios e à caça de um assassino serial. Ela precisa de ajuda mas não consegue encontrar seu colega Hector, que partiu numa viagem misteriosa. E, conforme as fases da lua se sucedem, mais mortes acontecem, e a agente terá sua atenção levada a fatos ocorridos antes e depois da Segunda Guerra Mundial; a pesquisas incomuns sobre o sangue humano, feitas na Hungria; e a criaturas que apresentam um estranho brilho na íris, o que lhes dá uma aparência animal, lupina. OLHOS DE LOBO.

Resenha:

Rosana Rios retorna com alguns dos principais personagens de Sangue de Lobo para um novo mistério, dessa vez situado no Rio Grande do Sul, envolvendo uma série de assassinatos, nazismo, contos de fadas, e é claro, lobisomens!

Durante o processo de edição do livro, tivemos a honra de poder votar para escolher entre três capas. A vencedora é a que estampa nossa resenha, mas todas as três estavam lindas. Qual você escolheria?



Começamos Olhos de Lobo com a relação entre Hector e Ana Cristina. Eles se casaram e ela está esperando um bebê. Porém, o casamento não vai muito bem, visto que Hector era contra a ideia de Ana Cristina engravidar, temendo que um filho pudesse nascer com o Fator L, ou até mesmo suscetível à transformação em lobisomem, o que ele considerava uma maldição. Após o tratamento com o Dr. Lazlo Mólnar, Hector não mais se transforma, ou pelo menos até agora.


Já no início também conhecemos William, o culpado pela maldição que Hector sofre. O lobo que transformou sua mãe, Leonor Wolfstein, e que fez com que seu pai tivesse que matá-la quando ela atacou o próprio filho, passando então para ele o Fator L e a licantropia. Hector passou anos de sua vida caçando William, e apesar de vários confrontos ao redor do mundo, nunca o derrotou.

Mas quais motivos levaram William a atacar Leonor? Será que ele tinha a intenção de matá-la ou de transformá-la em uma criatura como ele? Quais as consequências desse confronto que acabou vitimando a mulher a quem William amava?

Natália, agora trabalhando na Polícia Federal, está noiva de Monteiro, que tornou-se delegado de Passa Quatro. Ela foi para Porto Alegre investigar os misteriosos assassinatos, ou melhor, execuções, que estavam alarmando a cidade.

Todas as vítimas haviam sido executadas por projéteis revestidos com uma fina camada de prata, e todas indicavam um corte, já cicatrizado, no lóbulo da orelha. Com essa informação, Natalia começa a imaginar se seria possível que todas as vítimas fossem lobisomens, mesmo acreditando ter deixado essas criaturas no passado, lá em Minas Gerais.

“Vítimas da licantropia portavam no sangue o Fator L, como ele chamava os corpúsculos presentes no plasma. Isso não apenas proporcionava a transformação lupina durante a lua cheia, mas ampliava a ação dos glóbulos brancos e das plaquetas, dando aos chamados lobisomens um poder de reconstituição de tecidos feridos e rápida cicatrização...”

O livro alterna seus capítulos entre tempo atual e a Alemanha nazista, os experimentos com os prisioneiros envolvendo o Fator L e uma possível vida eterna, e também contando a história dos famosos Irmãos Grimm e o processo de escrita de seus contos de fadas, além de nos apresentar uma versão meio macabra de um dos seus contos mais famosos, Chapeuzinho Vermelho.

E se a Chapeuzinho fosse um lobisomem? E se ela tivesse um irmão gêmeo que também fosse um lobisomem? Quem realmente seria o famoso Lobo Mau? E se os Irmãos Grimm apenas tivessem decidido contar uma outra versão da história, diferente da que realmente aconteceu, para poupar as crianças de pesadelos piores ainda? Confesso que cada página sobre a história de Chapeuzinho me fez ficar de queixo caído e olhos arregalados, esperando decifrar como ela se encaixa no contexto gaúcho dos dias atuais. E quando finalmente tudo se revela, cheguei a sentir o coração saindo pela boca.

“Se como lobo não podia vencê-la, iria fazê-lo como homem.
Seria um caçador. Porém não caçaria animais nas florestas, muito menos pessoas. Caçaria os licantropos, os escravos da lua. Mataria sem culpa. E, como ela fizera havia tantas décadas, ao marcá-lo como o mais frágil do rebanho, ele agora a marcaria como alvo.
A loba.
A mulher.
A menina do capuz vermelho.”


Rosana Rios consegue prender nossa atenção do começo ao fim, quando ficamos tentando desvendar quem é mocinho e quem é vilão, e a troca desses papéis nos faz ter sérios problemas de confiança! A autora escreve de uma forma tão instigante, sua história é tão movimentada, que nos surpreendemos o tempo todo, até com as menores revelações.

Olhos de Lobo, assim como seu antecessor, Sangue de Lobo, é daqueles livros dos quais sempre nos lembraremos, e sempre esperaremos por mais uma continuação.


25.10.16

{Resenha} Essa luz tão brilhante - Será que a melhor coisa pode acontecer no pior momento?



Título Original: This Raging Light
Autora: Estelle Laure
Editora: Arqueiro
Ano: 2015/2016
Sinopse: O pai dela surtou e foi internado. A mãe disse que ia viajar por uns dias e nunca mais voltou. Wren, sua irmãzinha, parece bem, mas já está tendo problemas na escola. Lucille tem só 17 anos, e todos os problemas do mundo. Se não conseguir arrumar um emprego para pagar as contas e fingir para os vizinhos que está tudo em ordem, pode perder a guarda da irmã. Sorte a dela ter Eden, uma amiga tão incrível que se dispõe a matar aulas para ajudá-la. Azar o dela se apaixonar perdidamente justo agora, e justo por Digby, o irmão gêmeo de Eden, que é lindo, ruivo... mas comprometido.
Essa luz tão brilhante é a história de uma garota que descobre uma grande força dentro de si enquanto aprende que a vida e o amor podem ser imprevisíveis, assustadores e maravilhosos – tudo junto e misturado.



“A mamãe é que fazia todas essas coisas sem que ninguém se desse conta. Agora eu me dou conta. Reparo que ela não está. Reparo que ela não faz.”

Ausência.

É basicamente, para mim, o sentimento e palavra que resumem este livro.

Lucille Bennet é a irmã mais velha de 17 anos de Wrenny Bennet, sua irmã de 9 anos. E elas estão sozinhas em casa, uma casa que é o reflexo da família das duas meninas: uma casa sem reparos, uma casa solitária caindo aos pedaços, com ninguém se importando como ela está ou como se mantém em pé. Ela sabia que sua família não era comum, mas ainda era uma família.

Quando seu pai surtou e foi internado, ela estava presente. Acredito que foi naquele pequeno momento que Lucille descobriu sua verdadeira força, sua luz inesgotável. Apesar de ter 17 anos, carrega muitas reponsabilidades. Não é correto, é claro, uma vez que muita coisa fica a cargo dela como irmã mais velha. Mas sempre os pais acabam delegando muitas coisas ao irmão mais velho, sem se lembrar que ele ainda pode ser uma criança.

Acordar um dia e saber que seus pais foram embora e não saber se vão voltar, é traumático para qualquer criança. Vemos na casa Bennet que a solidão e o medo de ficar sozinha é muito grande... Mesmo que elas estejam juntas, Lucille sabe que não é a mãe, que não será o suficiente para Wrenny. A maneira como uma se agarra à outra para continuarem vivendo é linda e, ao mesmo tempo, de cortar o coração.

“Algumas coisas não podem ser desditas, desfeitas.”

A mãe, depois do surto de seu marido, resolve tirar férias de tudo – inclusive das filhas. Precisava espairecer e por isso abandonou Wren e Lucille por duas semanas. Ainda havia alguma comida... Mas as coisas não andam nada bem quando tudo o que ela tem são 100 doláres e nenhuma notícia da mulher. Então é isso. Uma mãe se cansa e resolve ir descansar longe de suas responsabilidade, sem nem pensar que as filhas também precisam espairecer depois de tudo o que andam passando.

“- Eden, estou fazendo um jantar para minha família, o que é uma alegria para mim. – ela soltou um suspiro bem alto. – Eu não devia precisar explicar isso. E não é nenhum crime deixar os dois jogarem de vez em quando.
- Sim, mas quando é que a gente vai jogar, mãe? Esta é a minha pergunta.”

É claro que toda cidade sabe que o pai está internado... Mas não sabem que a mãe está desaparecida a mais tempo do que ela disse que ficaria longe. Então sua amiga Eden, a melhor bailarina da cidade e gêmea de outra mãe, resolve ajuda-la no que puder. E o mais interesse também de Eden é sua própria força. O que mais me deixou feliz com este livro é a força de todas as personagens, você consegue ver claramente o que os movimenta, o que os faz continuar vivos. Se Lucille é uma tigresa, Eden é uma leoa. E Wrenny é um unicórnio feliz.

“(...) fico pensando que, às vezes algo lento acontece rápido e você não consegue apreender bem o momento, independentemente de ter sido importante, de ter de fato acontecido ou de você ter inventado.(...)”

A jovem precisa trabalhar para manter a casa, então Eden se compromete a cuidar de Wren, mas quando as coisas apertam é Digby quem assume, o irmão gêmeo de Eden e amor platônico de Lu. Ele é um cara gentil, que gosta de socorrer as pessoas em perigo mas aparentemente só pensa em Lucille como uma amiga da irmã *risinhos abafados*

As demais personagens que vão surgindo na trama são incríveis também. As meninas que trabalham no Fredy’s e o próprio Fred... E o cara é o máximo! Tá que ele usa meninas de shortinhos em seu bar e tal... Mas ele é demais. É o nerd dos anos 70 que conseguiu algum sucesso e depende apenas de si mesmo, mas que tem o coração no lugar certo.

Os anjos das irmãs também são maravilhosos. Claro, aparecem pouco, mas o suficiente para nos conquistar e querermos saber cada vez mais sobre eles.
O pai é uma figura misteriosa, desapareceu depois de deixar a família e não queria que ninguém se aproximasse. Pelo que Eden diz, era um pai “cool”. Não um pai que se pudesse depender dele ou contar com ele.

“- Segredos não são nada bons. Acho que todo mundo tem um. Ou tem coisas que não quer revelar sobre si mesmo, por não estar pronto. Algumas coisas continuam especiais por mais tempo quando ficam guardadas com a gente, mas outras apodrecem quando a gente não pode falar. (...)“

A escrita de Laure é linda, fluida e te faz não querer parar. Suas personagens são apaixonantes e você quer chegar ao fim do livro para saber como as coisas ficam, mas não quer que o livro acabe. Espero sinceramente que haja uma continuação, porque as coisas não podem terminar com um piscar de olhos!!! É emocionante demais, especialmente por ser narrado em primeira pessoa e descobrir com Lucille cada pequeno novo movimento em sua vida. Alguns angustiantes, outros emocionantes.



Este é um livro com várias lições. Amo livros com personagens femininas fortes e marcantes!

E vocês?


“(...) Sou um monstro que solta fogo pelas ventas e não vou vacilar.(...)



24.10.16

{Lançamentos} Outubro - Companhia das Letras



Encerrando os lançamentos do Grupo Companhia das Letras com sucesso, temos o lançamento de um livro do Renato Russo (viva Legião Urbana!), The 42nd Street Band!

Tem também Enclausurado, que me agradou bastante! Tem uma pegada shakesperiana e, para acompanhar, uma nova tradução de Romeo e Julieta!





Renato Russo


Lançamento: 04/10

Entre os quinze e os dezesseis anos, enquanto convalescia de epifisiólise (rara doença óssea), Renato Russo — à época, ainda chamado Renato Manfredini Jr., em Brasília — criou a história de um grupo de rock formado em 1974, em Londres, a partir do encontro de ícones como Mick Taylor, dos Rolling Stones, e outros roqueiros imaginados pelo futuro líder da Legião Urbana. Da origem à separação da banda, passando por momentos de sucesso astronômico, Renato pensou em cada detalhe. A partir do personagem Eric Russell, figura central da 42nd St. Band, nasceria Renato Russo, um dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos, que tem, portanto, sua gênese revelada neste estrondoso romance inédito.




Ian McEwan

Título Original: Nutshell
Lançamento: 22/09

O narrador deste livro é nada menos do que um feto. Enclausurado na barriga da mãe, ele escuta os planos da progenitora para, em conluio com seu amante - que é também tio do bebê -, assassinar o marido. 
Apesar do eco evidente nas tragédias de Shakespeare, este livro de McEwan é uma joia do humor e da narrativa fantástica. Em sua aparente simplicidade, Enclausurado é uma amostra sintética e divertida do impressionante domínio narrativo de McEwan, um dos maiores escritores da atualidade.





William Shakespeare

Título Original: Romeo and Juliet

Lançamento: 26/09

Há muito tempo duas famílias banham em sangue as ruas de Verona. Enquanto isso, na penumbra das madrugadas, ardem as brasas de um amor secreto. Romeu, filho dos Montéquio, e Julieta, herdeira dos Capuleto, desafiam a rixa familiar e sonham com um impossível futuro, longe da violência e da loucura.
Romeu e Julieta é a primeira das grandes tragédias de William Shakespeare, e esta nova tradução de José Francisco Botelho recria com maestria o ritmo ao mesmo tempo frenético e melancólico do texto shakespeariano. Contando também com um excelente ensaio introdutório do especialista Adrian Poole, esta edição traz nova vida a uma das mais emocionantes histórias de amor já contadas.




23.10.16

{Resenha} Uma Chance Para Recomeçar



Oi meu amores.
Vamos conferir mais uma resenha?
Confere aí!


Uma Chance Para Recomeçar - Diana Scarpine

Sinopse:

Carina é uma workaholic rica e bem-sucedida cuja vida se resume ao trabalho. Afogada em estresse, ela não se importa com a solidão que habita seu coração, pois o amor nunca foi uma das suas prioridades, até que algo inusitado acontece. Repentinamente, ela se vê privada do trabalho e deseja aplacar a solidão que a consome, principalmente quando conhece Aurélio, que a trata de uma forma diferente da qual ela está acostumada. Consumido pela tragédia que vitimou sua família e deixou-lhe sequelas físicas e emocionais, Aurélio não quer nada além de se afundar cada vez mais na dor e na culpa que sente. Suas certezas começam a ficar abaladas à medida que Carina se aproxima cada vez mais dele. Quantos obstáculos precisam ser vencidos para recomeçar? O amor é capaz de vencer as amarras do passado e o preconceito?”

Resenha

É uma ode aos excluídos, aos marcados pelo infortúnio.
Dou nota mil à autora, pelo tema abordado, pois não é fácil fazer um romance, humano, romântico com personagens tão desprovidos de beleza.
Ao ser humano de uma maneira geral, só importa a “carcaça”, enquanto o que “enche” a carcaça é o que é o fundamental.

Enquanto a maioria das histórias trazem sempre deuses gregos, musas e ninfas maravilhosas.
Aurélio (Leo) é cego, desfigurado, no entanto ele passa pra Carina uma emoção, uma sensação de paz quando fala, e quando lhe toca o rosto à paz se restaura em seu âmago.
Carina também não é aquela musa perfeita, (certinha só no caráter) esconde-se atrás de roupas largas, não é favorecida de muitos encantos, mas seu interior é abastecido só de qualidades.

É uma ótima história que vence preconceitos, traumas, desajuste familiar e sobretudo o amor é presente facilitando e cortando arestas.
É um livro diferente, com personagens diferentes, que tentam consertar o diferente.
São 425 páginas de emoção, de recomeço, perdão, amor... como diz no livro (pág 425) “porque não há tormenta capaz de ocultar o sol para sempre”.
Realmente difícil fazer uma resenha de um livro tão lindo e que deixa o leitor pensando o que e mais importante para se preocupar na vida.

Carina e Leo são duas pessoas sofridas, com cicatrizes na alma que só eles sabem o que tem que carregar.
Os dois tem medo de o outro descobrir que não são “perfeitos” em muitas coisas, mas o amor sempre tem o seu momento de reverter o que mais importa.
Realmente um livro maravilhoso que recomendo pra ontem pra cada leitor, que vai com toda certeza se emocionar e não vai esquecer tão cedo Carina e Leo.



A diagramação do livro é linda. História realmente tocante.


Título: Uma Chance Para Recomeçar
Autor (a): Diana Scarpine
Editora: Pardorga
Número de Páginas: 432