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19.11.16

{Filme} Doutor Estranho



Direção: Scott Derrickson
Elenco: Benedict Cumberbatch, Tilda Swinton, Chiwetel Ejiofor, Rachel McAdams, Mads Mikkelsen, Benedict Wong, Benjamin Bratt
Sinopse: Tudo corria bem na luxuosa vida do renomado neurocirurgião Stephen Strange, até que um acidente automobilístico afeta profundamente suas mãos, incapacitando-o para a prática da neurocirurgia. Agora, Strange terá de deixar de lado sua fortuna e sua arrogância para partir numa jornada em busca de uma cura mística no misterioso templo de Kamar-Taj, no Nepal. Porém, ele acaba descortinando um poder interior que ele não sabia possuir, tornando-se assim o poderoso mago conhecido como Doutor Estranho.

ATENÇÃO: Contém spoilers (revelações sobre o enredo) referentes ao filme em questão. Se você ainda não assistiu, prossiga por sua conta e risco.

Resenha

Oi gente! Já assistiram Doutor Estranho? Não? Pois se você é fã de filmes do gênero, não sabe o que está perdendo! Doutor Estranho foi pra mim (e pra maioria dos críticos) simplesmente o melhor filme da Marvel até o momento. Os motivos são os mais diversos...

Quem se acostumou com a pancadaria e a ação contínua dos filmes dos Vingadores (equipe a qual Doutor Estranho deve juntar-se futuramente) deve se surpreender com esse longa, que aborda um super herói com uma pegada mais mística. Nas palavras do personagem Mordo, enquanto os Vingadores defendem o planeta de ameaças físicas, nosso herói lutará em planos e dimensões astrais diferentes do nosso plano físico.


Seja pelo carisma do personagem, até então pouco conhecido pelo grande público, seja pela excelente atuação de Benedict Cumberbatch, Doutor Estranho impressionou e, conforme suas duas cenas pós-créditos, deve retornar em breve, em aparições nas próximas continuações dos Vingadores e em filmes solo. Há boatos inclusive de que este pode ser a primeira chance de um Oscar para a Marvel. Será?

Um pouco sobre o personagem

Pra quem não tem muita intimidade (ou mesmo pra quem nunca tinha ouvido falar) com do nosso herói, vamos a uma breve pincelada sobre suas origens, inimigos e poderes...

Conforme já falamos acima, Stephen Strange (Strange, em portugês, significa ‘estranho’) é um badalado neurocirurgião da cidade de Nova York. Arrogante e talentoso, Strange tem por hábito tripudiar sobre os colegas menos dotados do que ele, vangloriando-se de seu “ranking” de 100% de sucesso em suas operações.

Em certo momento, porém, Stephen sofre um acidente automobilístico que praticamente inutiliza suas mãos, condenando sua carreira como cirurgião.

Após gastar praticamente toda a sua fortuna na busca pela reparação de suas mãos, Strange acaba indo parar em Katmandu, no longínquo Nepal, onde foi iniciado nas artes místicas pelo mestre do Kamar-Taj, conhecido apenas como O Ancião. Com tempo e árduo treinamento, Doutor Strange torna-se um Mago Supremo, mestre das artes místicas do universo.


Seus principais inimigos no universo dos quadrinhos são o Barão Karl Mordo e seu mestre Dormamu, um ser que governa a dimensão das sombras e anseia dominar as demais dimensões.

Adaptação para o cinema

O Barão Mordo, no longa, é conhecido apenas como Mordo e é retratado como companheiro do Doutor Estranho desde sua chegada ao Kamar-Taj. Na versão original do personagem, o mesmo conhece os dons de Strange para a magia e o atormenta com demônios desde a infância.


Barão Mordo, no cinema e nas HQ's
Dessa forma, o papel de vilão secundário no filme ficou a cargo de Kaecilius (Mads Mikkelsen), um feiticeiro que se volta contra o Ancião com objetivo de destruir as portas que impedem a entrada de Dormamu no plano terrestre.

O Ancião

Nas estórias do Doutor Estranho, o Mestre Ancião, como seu próprio codinome sugere, é retratado como um homem longevo (aparentemente imortal), mas de grande vigor físico.

No filme, o diretor escalou a maravilhosa atriz Tilda Swinton para o papel, por seu aspecto andrógino e misterioso.


Tilda é uma velha conhecida na arte de interpretar papéis, digamos, assexuados. Podemos citar como referência os filmes Orlando – A Mulher Imortal, onde ela interpreta (tanto como homem quanto como mulher) as diversas encarnações de um espírito, e Constantine, onde Tilda encarna a figura do anjo Gabriel.

Já passou aqui na nossa coluna também por sua belíssima atuação em Precisamos Falar Sobre o Kevin.

O Protagonista

Coube ao fabuloso Benedict Cumberbatch a interpretação do Doutor Estranho. Sua voz grave e aveludada, na minha opinião, imprimiu ao personagem o mistério que lhe faz jus.

Cumberbatch é figura já conhecida, tanto na TV, onde interpreta o detetive Sherlock Holmes na série Sherlock (atuação que lhe redeu um Emmy), quanto no cinema, tendo sido nominado ao Oscar de melhor ator pelo filme O Jogo da Imitação em 2015, e também pela sua interpretação do dragão Smaug na trilogia O Hobbit.


Coube a Benedict, também, a interpretação do vilão interdimensional Dormamu, no próprio filme Doutor Estranho. O personagem, produzido por computação gráfica, teve suas formas e sua voz baseadas no ator britânico.

Falhas

Consegui notar, como fã do personagem que sou, apenas duas falhas em Doutor Estranho.

Em primeiro lugar, o Stephen Strange do cinema pegou muitíssimo leve na arrogância, tendo em vista o seu equivalente nas HQ’s, ao menos antes de descobrir seus poderes, é um perfeito babaca.

Por fim, faltou em Doutor Estranho aquele momento decisivo, aquele apse, quando o herói que estava com tudo perdido vira o jogo e salva o dia. Não vi esse momento no filme.

Porém, nada que desabone o longa...

Pós-créditos

Doutor Estranho tem duas cenas pós-créditos. Numa delas, vê-se o mago conversando com ninguém menos que Thor (em clara referência ao próximo filme do herói, Ragnarok). E outra cena, Mordo, que havia abandonado a causa dos mestres do Kamar-Taj, reaparece como um possível vilão em uma continuação do filme.


Ademais, durante o filme, vemos referência ao Olho de Agamoto, que é nada menos que uma das Jóias do Infinito, gemas que aparecerão sendo usadas pelo vilão Thanos, no que virá a ser a continuação dos Vingadores (Guerras Infinitas). Mas isso é assunto pra outro post...

Conclusão

Conforme eu disse no começo, Doutor Estranho é nada menos que um dos melhores (senão o melhor) filme da Marvel até agora, sem exagerar na comicidade (que fica a cargo do Manto de Flutuação). Trata-se de uma peça chave para a finalização dessa fabulosa saga com a qual a Marvel vem nos brindando nos últimos anos (embora eu prefira a DC... LET THE TRETA BEGINS KKKK).

Até a próxima, gente!

18.11.16

{Dica de Leitura} Amor e Revolução


Sexta-feira é dia de Dica de Leitura!

A dica de hoje é o livro Amor e Revolução de Bárbara Vidal!
Ela publica seu livro através da Amazon Books, então confira abaixo mais informações sobre sua obra!
"Você acredita que o amor verdadeiro e puro, é capaz de sobreviver aos anos de distância e solidão? Jessie acreditou.
Uma menina delicada e inteligente criada pelo seu pai, seu único e grande amor. Porém, aquele mundo de contos de fada desaba sobre sua cabeça, diante dos rumores de guerra.
Uma guerra que mudaria o seu destino, uma guerra que além de tirar sua alegria lhe faria conhecer o amor entre um homem e uma mulher.
Em Amor e Revolução, você ri, chora, se emociona e torce muito para que o amor sobreviva ao tempo, a dor, e principalmente a guerra."

Gênero: Ficção Histórica/ Romance
Onde adquirir: Amazon Books

Sobre a Autora:

Bárbara Vidal, ou apenas Baby como é conhecida desde adolescente, é gaúcha e mãe de uma menina. É fotografa e universitária, escreve por amor desde seus treze anos tendo acumulado vários manuscritos nesse tempo.

Amor e revolução é sua primeira obra autopublicada.

Instagram: @babyvidal
Wattpad: @babyvidal




Se você deseja ter seu livro divulgado aqui pelo blog, entre em contato conosco através dos e-mail asmeninasqueleemlivros@gmail.com . É um trabalho de divulgação sem cobranças, pois gostamos de auxiliar os autores nacionais a apresentarem suas obras para o mundo!

17.11.16

{Lançamento} Novembro: Estação Brasil


O selo Estação Brasil da Editora Sextante acertou em cheio com o lançamento deste livro!


Nada melhor do que trazer à luz aquilo que foi obscuro em nossa história como país!


O QUE É ISSO, COMPANHEIRO?
Fernando Gabeira



Lançamento: 10/11
Preço: R$ 34,90
Não ficção • 240 págs.

ISBN e EAN: 978-85-5608-017-2

14 x 21 cm • 6.000 exemplares

E-book:

Preço: R$ 21,00

eISBN: 978-85-5608-018-9

Publicado pela primeira vez em 1979, O que é isso, companheiro? conquistou um lugar de destaque na categoria dos livros que melhor retratam um dos períodos mais obscuros da história brasileira: a ditadura militar.Documento histórico – esta seria a melhor maneira de categorizar a narrativa que Fernando Gabeira empreende para nos contar, em primeira pessoa, como jovens guerrilheiros, em 1969, conseguiram realizar a mais espetacular proeza de um grupo de esquerda: o sequestro do embaixador americano. O então jornalista recém-saído do Jornal do Brasil e seus companheiros de organização “trocaram” avida do embaixador pela libertação de 15 presos políticos.Heróis? Vilões? Loucos? Inconsequentes?A vitalidade deste livro, sua permanência e sua importância residem no fato de que seu autor nunca esteve alheio às contradições de sua geração. Nas páginas deste contundente, emocionante e, por vezes, irônico relato, somos confrontados com nossos próprios fantasmas. Será que somos tão diferentes assim do que foi Fernando Gabeira?

{Resenha} Pecados No Inverno


Sinopse: Do quarteto de amigas, Evangeline Jenner é certamente a mais tímida. E se tornará a mais rica quando receber a herança de seu pai, acamado com tuberculose. Mas Evie não se importa com o dinheiro. Tudo o que deseja é estar ao lado do pai em seus últimos dias. Porém isso só será possível se ela puder escapar da casa dos tios que a criaram. E, para isso, sua única alternativa é casar-se – e rápido. Assim, ela foge no meio da noite para a casa do devasso lorde St. Vincent e lhe propõe casamento em troca de poder cuidar do pai. Para um aristocrata que precisa de dinheiro, essa é uma excelente proposta. Afinal, é difícil conquistar uma moça rica e solteira quando se tem a reputação de Sebastian – trinta segundos a sós com ele arruinariam o bom nome de qualquer donzela. Mas há uma condição na proposta de Evie: uma vez consumado o casamento, eles nunca mais dormirão juntos. Ela não será mais uma mulher descartada por ele com o coração partido. Se Sebastian realmente a deseja em sua cama, terá que se esforçar mais em sua sedução... ou entregar seu coração pela primeira vez na vida. Neste terceiro livro da série As Quatro Estações do Amor, Lisa Kleypas nos apresenta o relacionamento de duas pessoas muito diferentes, mas igualmente obstinadas. E dessa relação tão peculiar pode nascer um desejo impossível de conter e um sentimento forte demais para esconder. Quem disse que os cafajestes não podem amar?


Duas já casaram e agora faltam mais duas: a tímida Evie e a romântica Daisy. Em Pecados no Inverno temos a história de Evie. Vamos ver o que esse livro nos reserva!

Evangeline Jenner não é o que se espera de uma dama. Muito tímida, retraída e ainda por cima gaga, não tem homem que a queira como esposa. Tomar chá de cadeira virou um costume para ela, porém Evie não tem pretensão de um casamento que lhe traga amor. Tudo o que ela mais queria era se livrar dos familiares de sua mãe, os Maybricks. Criada por eles desde que a mãe morreu em seu parto, Evie sempre foi muito maltratada por ser filha de um homem que não pertencia à aristocracia. Seu pai Ivo Jenner, era ex-lutador e dono de um clube de jogos, sabia que criar uma criança em um clube não faria bem a ela e por isso a entregou aos parentes de sua esposa, mas isso acabou fazendo mais mal do que bem à pequena Evie.


Pronta para tomar medidas drásticas, Evie apenas quer qualquer arranjo que lhe dê o conforto de não ser maltratada e poder cuidar de seu pai doente até sua morte. E com esse pensamento, ela decide oferecer uma proposta nada convencional ao maior libertino de Londres, Sebastian St. Vicent. Em troca de se casar com ela para que se livre dos tios e possa cuidar do pai, Evie tornará Sebastian rico, já que seu pai fez fortuna com o clube de jogos.


“– Entendi. Então podemos descrevê-la como uma vítima voluntária?
– Uma vitima ansiosa. – respondeu Evangeline sucintamente, parecendo querer partir rapidamente.
– Meu tipo favorito. – observou ele e fez uma mensura antes de sair a passos largos da biblioteca.” Página 14

Sebastian St. Vicent estando em uma situação financeira difícil. Ainda que, seu pai seja duque, esse foi um péssimo administrador e a fortuna da família foi esgotada. Desesperado, ele cometeu um ato nada bonito em Era Uma Vez no Outono (Resenha aqui). Momentos difíceis, atos desesperados. Porém sua solução para a pobreza agora aparece na forma da tímida Evie. Mesmo Sebastian sendo um libertino, em que até o ato de ser vista conversando com ele pode deixar a reputação de uma boa moça manchada, Evie acredita que ele é a melhor chance para se livrar de seus tios.


Evie e Sebastian são mais que só a aparência à primeira vista. Evie não é a dama submissa que os tios tanto maltratam, ela se mostra como uma força da natureza. Sebastian não é o libertino sem coração que tanto ele quer aparentar, esse mocinho tem um coração lindo. Extremamente cuidadoso com Evie, ele sempre tenta deixá-la confortável e fazer com que ela coma as refeições direito, por exemplo. Mas claro, que no meio desse cuidado ele solta alguns dos seus bordões libertinos para não perder o costume. A história de vida de Sebastian é bem triste e me deixou com vontade de dar colo a esse mocinho tão assanhado.

A edição está tão linda quanto os outros dois livros. Essa moça da capa é mesmo a cara de Evie. Sardenta, ruiva e tímida. Uma combinação que deixou o senhor St. Vicent maluco. Hahaha... A narrativa é em terceira pessoa com o foco em Evie e Sebastian, mas como todos os livros da Lisa, ela deixa alguns personagens secundários terem sua participação, o que muitas vezes deixa tudo mais divertido.


Um deles é o Cam Rohan. LINDO!!! Para quem não sabe, Cam é o mocinho do primeiro livro da série Os Hathaways, já lançado pela Editora Arqueiro. Aqui em Pecados no Inverno fiquei chocada com o assanhamento de Cam. Pode isso? Hahaha... Mesmo que nessa história ele ainda não tenha conhecido Amélia, sua parceira em Desejo À Meia-Noite, não consigo admitir Cam com outra.

Pecados no Inverno é um livro que pode ser lido em um dia. A leitura é tão leve e divertida que nem dá para sentir o tempo passar. Com muito amor e cuidado, Lisa Kleypas dá um show mais uma vez com sua escrita e história. Agora é aguardar Escândalos de Primavera com a romântica Daisy e pelo que li não vai ser fácil Daisy querer casar com o pretende que lhe arranjaram.


16.11.16

{Resenha} As Virgens Suicidas



Título Original: The Virgin Suicides
Autor: Jeffrey Eugenides

Editora: Companhia das Letras

Sinopse: Num típico subúrbio dos Estados Unidos nos anos 1970, cinco irmãs adolescentes se matam em sequência e sem motivo plausível. A tragédia, ocorrida no seio de uma família que, em oposição aos efeitos já perceptíveis da revolução sexual, vive sob severas restrições morais e religiosas, é narrada pela voz coletiva e fascinada de um grupo de garotos da vizinhança. O coro lírico que então se forma ajuda a dar um tom sui generis a esta fábula da inocência perdida.
Adaptado ao cinema por Sofia Coppola, publicado em 34 idiomas e agora em nova tradução, o livro de estreia de Jeffrey Eugenides logo se tornou um cult da literatura
norte-americana contemporânea. Não por acaso: essa obra de beleza estranha e arrebatadora, definida pela crítica Michiko Kakutani como “pequena e poderosa ópera no formato inesperado de romance”, revela-se ainda hoje em toda a sua atualidade.
Sempre ouvi falar deste livro (e do filme), então decidi matar a minha curiosidade e descobrir quem foram as virgens suicidas.

Pela sinopse, não seria um livro que eu escolheria. Impessoal, investigativo... Mas fiquei feliz em descobrir que meu “julgar pela capa” falhou: a história é simplesmente incrível.

Narrada por um dos vizinhos da família Lisbon, vemos tudo acontecer através de seus olhos e seus pensamentos, suas memórias de anos atrás, ainda sem saber a razão a qual levou as meninas ao suicídio, as cinco garotas mais fascinantes do bairro.
“’- O que você está fazendo aqui, meu bem? Você não tem nem idade para saber o quanto a vida pode se tornar ruim.’E foi então que Cecília forneceu oralmente aquilo que seria sua única forma de bilhete de suicídio, e ainda por cima um bilhete inútil, pois ela sobreviveria: ‘É óbvio, doutor,’ ela disse, ‘você nunca foi uma menina de treze anos.’”
As meninas Lisbon do filme
Cecília tinha 13 anos, Lux – 14, Bonnie 15, Mary 16 e Therese 17 e viveram em meados dos anos 70. Residiam com seus pais e frequentavam uma escola particular, a mesma na qual seu pai era professor de matemática. E todos os alunos, professores, vizinhos as observavam. Eram cercadas de uma “aura mística”, magnética que atraía os olhares de todos. Embora fossem cinco meninas diferentes, eram muitas vezes confundidas, misturadas umas às outras. Eram... Como borboletas de uma mesma espécie: diferentes... Mas iguais. Inalcançáveis. Efêmeras.

Ninguém se atrevia a falar com elas, a se aproximar, a tocá-las... Provavelmente pelo medo de que suas fantasias a respeito das garotas Lisbon se desfizessem.
“...Cecília havia vertido sangue na banheira porque era isso que faziam os antigos romanos quando a vida se tornava intolerável.”
A família era religiosa – provavelmente a mãe é que era a fervorosa – e extremamente conservadora, o que só servia para aguçar o imaginário daqueles que as observavam da janela de suas casas. A mãe, em especial, se mostrava extremamente protetora e rígida. Tais traços não correspondem a época em que viviam, em que o mundo começou a se abrir para uma nova era, a qual nem todos estavam prontos para aderir. Os pais parecem querer manter as filhas o mais longe possível do mundo... E acredito que aqui tenha sido o erro de tudo.

Adolescentes com o desejo de viver à flor da pele... E tiveram todos eles sufocados, presos em revistas e mantido atrás de suas janelas.

Os meninos tinham plena ciência da existência das meninas Lisbon e elas, deles. Foi incrível notar, no agrupamento de memórias que eles repartem, o quanto haviam se dedicado à elas. E, em análise posterior, o que havia dado errado. Ou não, pois no meio de tudo, há pesquisas de médicos dizendo que o que aconteceu não poderia ter sido diferente, dadas às circunstâncias.

O livro é um relato da vida de muitos adolescentes: a lente de encanto que possui por trás dos olhos, o desejo por mais do que se tem, a cegueira da projeção – projetar no outro o nosso desejo, que bloqueia a realidade daquela pessoa, o imediatismo, o mistério do sexo, a explosão de hormônios... O adoecimento psíquico e emocional que pode acontecer...

Este livro para mim foi uma viagem aos meus tempos de adolescente, de certo modo, pois retrata também a estranheza dos pais em relação aos filhos: estranhos com os quais você é obrigado a morar com. Acho que isso vale para ambas as pontas desta relação.
“(A velha louca que encontramos dia após dia no elevador se revela perfeitamente lúcida quando enfim conversamos com ela.)”
A vida, como mostrada através da história de Eugenides, é extremamente mutável. A mudança é uma realidade e nem todos sabem como lidar com ela ou como aguentá-la. Se não se conseguir isso, corre-se o risco sério de enlouquecer. Ou ser apenas uma foto: para sempre parada, eternizada num único momento, apenas observada. É difícil e sofrido... Mas às vezes a vida dá seus pulos para nos fazer acompanha-la... Pelo bem ou pelo mal.

A edição da Companhia das Letras atrai muito a atenção, com uma jovem de pés no ar, estirados. Temos duas impressões imediatas: uma jovem pulando... Ou uma jovem pendurada.


O filme é muito fiel ao livro. As obras da Sofia Coppola são sempre muito artísticas e de cores pastéis. Acredito que a escolha das atrizes e dos atores foi muito acertada, pois há grandes nomes ali. As meninas são: Therese (Leslie Hayman), Mary (A.J. Cook), Bonnie (Chelsea Swain), Lux (Kirsten Dunst) e Cecilia (Hanna Hall). O foco ficou mais em Lux e Cecília, mas isso não diminuiu o impacto do filme.





Gostei dele tanto quanto do livro!

15.11.16

{Lançamentos} Novembro: Companhia das Letras


A Companhia das Letras este mês nos surpreende com o lançamento de um livro que reúne as crônicas de Gregorio Duvivier, Caviar é uma ova!

Tem relançamento de A Montanha Mágica, do renomado autor Thomas Mann e também o lançamento de O Tribunal da Quinta-Feira, de  Michel Laub!

Confira abaixo as informações:

Gregorio Duvivier




Lançamento: 31/10
Caviar é uma ova reúne as melhores e mais interessantes crônicas publicadas por Gregorio Duvivier, um dos autores mais inventivos do Brasil na atualidade. Gregorio é ao mesmo tempo ator, roteirista, comediante, cronista e poeta, e este livro é uma versão impressa da multiplicidade única do autor. Transitando entre ficções, memórias de infância, artigos de opinião, militância política e exercícios de estilo, o conjunto final acaba marcado pela agudeza crítica. Em pouco tempo, Gregorio se transformou numa das vozes mais ativas da esquerda brasileira, tornando-se referência por conta de sua combatividade generosa, em que a inteligência é a principal arma.



A montanha mágica
Thomas Mann


Lançamento: 17/11
Ansiosamente aguardado pelos leitores brasileiros, volta às livrarias o célebre romance A montanha mágica, a grande obra-prima de Thomas Mann. A nova edição tem tradução de Herbert Caro e posfácio inédito de Paulo Astor Soethe, renomado especialista na obra do autor.
Neste clássico da literatura alemã, Mann renova a tradução do Bildungsroman – o romance de formação – a partir da trajetória do jovem engenheiro Hans Castorp. Durante uma inesperada estadia em um sanatório para tuberculosos, Hans relaciona-se com uma miríade de personagens enfermos que encarnam os conflitos espirituais e ideológicos que antecedem a Primeira Guerra Mundial. Um dos grandes testamentos literários do século XX e uma das obras inesgotáveis da ficção ocidental.

O tribunal da quinta-feira
Michel Laub


Lançamento: 11/11
Um publicitário faz confissões por e-mail ao melhor amigo. Os textos falam de sexo e amor, casamento e traição, usando termos e piadas ofensivas que contam a história de uma longa crise pessoal. Quando a ex-mulher do protagonista faz cópias das mensagens e as distribui, tem início o escândalo que é o centro deste romance explosivo. O fio condutor da história, que une o destino dos personagens diante de um tribunal inusitado, são os reflexos tardios e ainda hoje incômodos da epidemia da aids, e o que está em jogo são os limites do que entendemos por tolerância — mas para chegarmos a eles é preciso ir além do que seria uma literatura "correta" ao tratar de homofobia, assédio, violência, empatia, liberdade e solidariedade.





14.11.16

{Resenha} O Feiticeiro de Terramar




Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda.
Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários.
Publicado originalmente em 1968, O feiticeiro de Terramar se tornou um clássico da literatura de fantasia. Ged é um predecessor em magia e rebeldia de Harry Potter. E Ursula K. Le Guin é uma referência para escritores do gênero como Patrick Rothfuss, Joe Abercrombie e Neil Gaiman.

Nascido na pequena aldeia Dez Amieiros, Duny, como inicialmente era chamado, cresceu pastorando cabras como muitas pessoas de sua comunidade. Aos 7 anos de idade, ao repetir as frases ininteligíveis que havia ouvido sua tia falar, conheceu - sem saber - o mundo da magia. Sob tutela de sua tia, aprendia pequenos truques e feitiços simples, úteis para sua pacata vida na aldeia. Seguiu estudando palavras e feitiços com sua tutora até os 12 anos, quando uma invasão dos Kargs chegou a sua ilha e ameaçava a vida dos moradores da aldeia. Então, ainda com pouca idade e pouco conhecimento, Duny mostrou o grande poder que habitava nele e conseguiu expulsar os invasores ao adaptar alguns feitiços que sua tia havia ensinado.
  
Entretanto, ao fim da batalha contra os Kargs, Duny estava exausto, beirando à morte - sua própria tia, a única com conhecimento de magia, não podia salvá-lo; seu conhecimento não era suficiente, muito menos seu poder. Durante o tempo que passou deitado, cego e confuso, a história do rapaz que controlou um nevoeiro e espantou os guerreiros de Karg com um exército de sombras, espalhou-se de Norte a Sul. O feito chegou aos ouvidos de Ogion, o silencioso, um grande mago que estava disposto a ensinar ao menino como controlar seu poder e, obviamente, retorná-lo à sanidade. Duny, então, recebeu seu verdadeiro nome - Ged - e partiu na sua jornada de saber. 

Ged era jovem, astuto e impaciente; estava ansioso para aprender todos os mistérios que aquele grande mago poderia lhe ensinar, imaginava os grandes feitos que garantiriam sua glória e sua riqueza no futuro - mas o mago Ogion não respondia à sua ansiedade. 
"À medida que eles davam a volta na montanha pelo oeste (...), ele se perguntou mais e mais qual seria a grandeza e a magia do grande mago Ogion. Pois quando chovia, seu mestre nem sequer dizia o feitiço que todo fazedor de chuva conhece, para afastar a tempestade. (...) Mas Ogion deixaca a chuva cair ali mesmo. Ele encontrava um abeto robusto e se deitava debaixo dele. Ged se agachava entre os galhos que pingavam, molhado e de mau humor, perguntando-se que vantagem havia em ter poder quando se era sábio demais para usá-lo, e desejava ter ido ser aprendiz do velho fazedor do chuva do vale, onde, pelo menos, ele teria dormido seco."
Então, sabendo que Ged não entendia o que Ogion queria ensinar-lhe, o grande mago resolveu enviá-lo a uma escola de magos em Roke, o grande centro de magia àquela época. Lá, maravilhado com a sabedoria de seus mestres, encantado pela riqueza e fartura que o esperavam mas, principalmente, consumido pelo ódio dos companheiros que duvidavam de seu poder descomunal, Ged age por impulso no intuito de mostrar-lhes sua superioridade e libera um grande mal. 
"- Você nasceu com um grande poder, mas o usou de maneira errada, para lançar um feitiço sobre o qual não tinha controle, sem saber como afetaria o equilíbrio de luz e trevas, vida e morte, bem e mal. E você foi movido a isso por vaidade e ódio. É de admirar que o resultado fosse a ruína?" 
Desde tal acontecimento, a vida de Ged não foi mais a mesma. Em Roke, protegido por camadas e camadas de magia, Ged estava seguro, mas não poderia permanecer ali para sempre. Ele mudou a sua alma e seu destino. Após formar-se na escola de magos de Roke e tornar-se um mago, seus dias resumiam-se a esconder-se, tentando fugir e defender-se da criatura sem nome que o perseguiria a qualquer lugar. Ged não sabia, entretanto, que outras ameaças, maiores e mais perigosas, também estavam à espreita.

O Feiticeiro de Terramar nos agarra por sua trama envolvente e cheia de mistérios, dando ao leitor o prazer de revelá-los pouco a pouco. Em um universo totalmente peculiar, Ursula Le Guin nos apresenta a magia de uma maneira diferente e cativante. É gratificante ver como Ged cresce ao longo da história e como cada acontecimento modifica sua forma de pensar e agir, deixando bem claro que nem na ficção as coisas são imutáveis e sempre podemos mudar - de preferência para melhor. 

O livro tem nas páginas iniciais um mapa de Terramar, deixando mais fácil entender as viagens descritas ao longo da leitura. Aliás, descrições aqui nós temos de sobra... chega a ser maçante o quanto a autora descreve o clima, as paisagens, as vestimentas... dá sono só de lembrar! Não vou mentir dizendo que li tudo porque pulei bastante coisa, viu? Por favor, não me julguem. Além do mapa já contido no livro, a editora enviou um pôster/mapa e um botton; obrigada pelo mimo, Arqueiro!

Apesar das descrições enfadonhas o livro é fenomenal! Envolvente é a palavra que o melhor define; é impossível começar a lê-lo e não ter vontade de terminá-lo de uma vez por todas - afinal, a mesma impaciência de Ged habita, pelo menos um pouco, em nós. Vez ou outra, imersa em meus afazeres do dia-a-dia, eu me pegava pensando "eu preciso terminar de resolver isso logo pra terminar meu livro..." e é assim que eu sei que um livro me pegou de jeito. Espero que O Feiticeiro de Terramar faça o mesmo com vocês; aliás, não tenho dúvidas: ele o fará.

Edição: 1
Autora: Ursula K. Le Guin
Editora: Arqueiro
ISBN: 978-85-8041-521-6
Ano: 2016
Páginas: 286

13.11.16

{Resenha+Sorteio} Última Vez


Autora: N. F. Alexandre
Editora: Desfecho Romances – Multifoco
Sinopse: Rodo mais algumas vezes a loja, até que encontro escondido um pequeno girassol, está murchando, não sei quanto tempo ainda dura, mas quero levá-lo comigo, quero colocá-lo na biblioteca. Ela tinha essas manias, dizia estar “salvando” as coisas, se achava flores abandonadas nas ruas, pegava-as, mesmo quando estavam praticamente mortas. E sempre conseguia recuperá-las, pois depois de alguns dias as flores estavam lindas e revigoradas, era um dom.
Após perder quem mais amava, Anna tem que aprender a seguir em frente. Entre discussões e lembranças dolorosas, cuidar de seu filho sozinha não será fácil.





" É estranho como as coisas mudam do nada, um lugar que você costumava frequentar desaparece de uma hora para outra, uma casa que estava ali já não está mais, um terreno, uma árvore, tudo está em constante mudança, mas ainda nos dói um pouco ao perceber isso, tudo que podemos fazer é aceitar o fato e conviver com ele, seguir seu fluxo."

Conhecemos a história de Anna e Natalie a partir de seu fim. Fim porque não vivemos seu dia a dia como casal, mas como meras lembranças de Anna, uma arquiteta com dificuldades em se socializar com as pessoas do mundo; inclusive com seu próprio filho, Enzo.

Alguns meses após perder a esposa, Natalie, Anna ainda a vê ao seu lado, ouve seus conselhos e tem sonhos vívidos com a companheira. Ao acordar, toda a tristeza e depressão retorna pois é como perdê-la novamente a cada despertar.

Seus dias tornam-se rotina: acordar, comer, trabalhar, dormir. Até que Enzo decide quebrar isso, retomando o amor de sua mamãe: a culinária. Após tomar posse dos cadernos de receita de Natalie, ele toma posse da cozinha e Anna tem seu primeiro processo de mudança, causado pelo filho que já não aguenta mais a tristeza da mãe.

Após esse pequeno passo, Anna começa a interagir mais com o mundo ao seu redor: encontros com clientes que lhe encorajam a encontrar uma evolução, a rebeldia recém-aflorada de Enzo, que é um adolescente de 17 anos e acaba de encontrar a primeira garota que faz seu coração se acelerar.

O livro é sobre o dia-a-dia desta família que está começando a seguir em frente, apesar da perda daquela que parecia ser o coração daquele lar: a pequena peça que unia o centro do cabeça a todas as suas extremidades.

"Uma delas foi a de um cara que não me lembro do nome que disse que tudo que existe, humanos, animais, árvores, enfim, o planeta todo, faz tudo parte do sonho de uma única pessoa aleatória que não conhecemos, somos somente o sonho dela, uma esquizofrenia dela. Não gosto de pensar assim, odeio sentir que não existo. . Mas é engraçado, somos basicamente algo preso em uma gaiola que chamamos de corpo. Vivemos nossas vidas com nossos olhos e pensamentos, estamos sempre curiosos  na vida dos outros. Isso me assusta, se a teoria for correta, tenho medo de ser a pessoa que está sonhando, medo de ficar sozinha depois."

Anna é do tipo mais distante, que não se envolve muito nas relações que lhe cercam. Isso parece mudar com o namoro, o casamento e, posteriormente, o filho. Mas suas habilidades sociais ainda não são das melhores. Ela luta para conseguir lidar com os problemas que surgem em seu dia-a-dia, como voltar a cuidar da casa e cuidar de Enzo.

Enquanto faz a faxina, depara-se com memórias de seu relacionamento e conta histórias sobre. Só assim conhecemos um pouco sobre como as duas eram juntas. No decorrer da história, vemos também situações de preconceito e como isso se reflete na relação familiar e também pessoalmente a Anna, posteriormente.

É narrado pela protagonista, numa história bem escrita e apresenta alguns temas atuais, narrativa simples e ritmada, calma. Não é um livro para se ler com pressa, é um livro... De travessia. Sobre fechamentos em nossas vidas e seguir em frente.


"Queria te dizer que a vida é feita de últimas vezes.(...)"

Há receitas culinárias boas espalhadas por todo o livro, já experimentei todas (minha favorita é de Nhocão <3) então para além de ler o livro, você pode experimentas da história!

Recomendadíssimo e, se quiser adquirir o seu, clica aqui!


Terá um evento de lançamento no dia 26 de novembro, no Café Concerto (local bacanudo) aqui em Poços de Caldas, estão todos convidados para prestigiar a autora e conversar! Para saber mais sobre o acontecimento, clique aqui.

Maaas, se você mora muito longe e quer ter um destes para chamar de seu, iremos sortear uma cópia! Yaaay!


Para participar, basta:

Curtir a página do livro Última Vez;
Curtir a página do blog As meninas que leem livros;
Visitar a página do evento: Lançamento do livro "Última Vez";
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O ganhador terá três dias para entrar em contato conosco através do email asmeninasqueleemlivros@gmail.com nos informando o endereço para o qual devemos enviar o livro!


Sorteio Encerrado!

Ganhadora: