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19.7.17

{Resenha} Por Trás do Véu de Ísis


Editora: Academia - Grupo Planeta de livros BrasilAutor: Marcel Souto MaiorSinopse: Em sessões públicas, diante de multidões atormentadas pela perda de entes queridos, o médium fecha os olhos e põe no papel mensagens dos mortos para suas famílias. Como explicar esse fenômeno? Este trabalho é um mergulho nesse universo marcado por dor, saudade, esperança e algum conforto. Conheça histórias de mães que perderam seus filhos e, a partir da psicografia mediúnica, foram capazes de tranquilizar sua alma, encontrar alguma razão para seguir vivendo e ainda ajudar outras pessoas que passam pelo mesmo tipo de tragédia. Por meio de uma análise profunda e anos de dedicação ao universo espiritual, o autor também procura explicar sobre vidas passadas e elucidar questionamentos como: o que diz a ciência sobre a psicografia? Como trabalham os médiuns? A vida após a morte pode ser vista e reconhecida por todos? Emocione-se e se surpreenda com o território onde vivos e mortos se encontram.

O espiritismo era um campo (quase que) totalmente desconhecido por mim. E foi, então, com o intuito de conhecer o desconhecido e quem sabe até desmistificar alguns preconceitos enraizados em mim, que comecei a ler Por Trás do Véu de Isis. Escrito por Marcel Souto Maior, o livro que inspirou o filme As Mães de Chico Xavier (que ainda não assisti, aliás) me trouxe mais dúvidas do que certezas – seria essa a intenção desde o início? 

O livro provém de uma intensa investigação – tanto teórica quanto de campo – realizada por Marcel Souto após um recado vindo do “outro lado” cobrando dele a continuação da divulgação sobre o espiritismo e suas obras. Movido pela curiosidade inata aos jornalistas e pelo senso de dever a ser cumprido, o autor segue numa trajetória em busca de provas: provas de que existe vida após a morte, provas de que psicografia não é uma fraude e de que a Ciência pode explicar tal fenômeno. 
"De carta em carta, uma rede de solidariedade se formava em todo o Brasil e uma multidão se aglomerava no centro de Chico para atenuar a dor e a saudade devastadoras causadas pela perda de filhos e outros entes queridos.
Mas nem todos saíam do centro convencidos ou consolados. Muitos desconfiavam do conteúdo e do estilo das mensagens - repetitivas demais - ou se revoltavam com o fato de não receberem notícias do além.
Chico repetia a frase de sempre - "O telefone só toca de lá para cá" - mas não adiantava.
Para muitas famílias, o silêncio dos mortos queridos era insuportável.
Por quê?
As respostas baseadas na doutrina de Allan Kardec ou nas informações dos "mentores espirituais" não aplacavam a indignação ou a revolta (...). Numa noite, em sessão pública, um espírita, amigo de Chico, duvidou da autenticidade de uma mensagem psicografada e cuspiu no rosto do médium.
Chico se enxugou com um lenço, desabafou e com os companheiros e, em casa, teve uma crise de choro. Emmanuel, o guia, apareceu para ele com mais uma ordem:
- Quando alguém cuspir no seu rosto, diga simplesmente que a chuva molhou sua face, se alguém pedir explicações, não reclame.
O clima nas sessões era de esperança, desespero e desconfiança permanentes. Esse era um fato. E Chico devia se acostumar com ele."
Para atingir seu objetivo, Marcel nos mostra investigações anteriores sobre a veracidade da mediunidade de Chico Xavier, entrevistas com ex-seguidores da doutrina espírita, cientistas, médiuns não tão famosos quanto o mito Xavier, conversas íntimas com famílias que afirmar ter sido contatadas por um parente já desencarnado. Marcel nos mostra as evidências que encontrou e, cabe a nós, leitores, interpretá-las, aceitá-las ou não. 
"Sua casa foi transformada em museu pelo filho adotivo Eurípedes Higino de Reis e está aberta à visitação. Na porta do seu quarto, está pendurado um bilhete escrito por Chico aos espíritos em 1996. Um pedido de desculpas por um transtorno imprevisível:
AVISO: Se algum amigo espiritual porventura estiver determinado a me proporcionar a alegria de uma visita, aviso que estarei nesta noite, somente hoje, no quarto à esquerda, onde estarei com a satisfação de receber. A mudança no meu dormitório foi necessária a fim de se promover consertos no sistema de água. Amanhã já voltarei ao meu próprio aposento. Jesus nos abençoe como sempre.Muito grato,Chico Xavier,Hoje, 22/10/96"
Acompanhando o autor e investigador nessa busca pela verdade, temos Dona Juraci, mãe de dois garotos – já desencarnados, cada um com sua tragédia -, que procura na psicografia uma prova de que seus filhos continuam vivos em outra dimensão. Juraci é apenas uma das inúmeras mães que contam, neste livro, as tristes histórias de como seus filhos partiram e como o espiritismo as ajuda a amenizar essa dor sem fim. 

Desde o primeiro capítulo, não pude esconder minha inquietação. Quantos relatos! Quantas cartas! Quantos detalhes! Além das informações surpreendentes, temos (vários!) textos de n autores - incluindo o próprio Chico Xavier - que nos faz olhar de outra maneira para a Vida que nos foi dada. São inúmeras as passagens que prenderam minha atenção e me largaram absorta em meio a mil pensamentos; marquei vários trechos durante a leitura e ficou até difícil selecionar quais eu compartilharia aqui. 

Creio que o intuito do livro não é que, ao ler a última linha, o leitor saia convencido da existência da vida após a morte, da autenticidade da psicografia ou de qualquer coisa do tipo. Acho que o intuito é mostrar. Divulgar. Fazer conhecer. Acreditando ou não, todos nós precisamos admitir que, ao acalentar os corações que tanto precisam de apoio após a perda de um ente querido, mostrando que ajudar ao outro é a única maneira de se ajudar, o espiritismo faz um belo trabalho de solidariedade e caridade. 

Fiquei encantada com essa forma de ver o mundo, de ver a vida e de, principalmente, ver a morte (ou a libertação?); uma maneira singela de dizer que a morte não é um Adeus, e sim um Até breve. Após esse livro, fiquei ainda mais curiosa sobre o tema e tenho certeza de que esta foi a primeira de várias obras sobre o espiritismo que pretendo ler - a listinha já está feita, falta só colocar em prática.

15 comentários:

  1. a trama parece bem envolvente, gostaria de ler
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Ola
    Confesso que não leio muito desse gênero, mas gostei de poder conferir as suas impressões a respeito. Compreendi bem sobre seus comentários acerca da inquietação e acho que também iria me sentir de tal forma. Acredito também que o objetivo seja mostrar sobre os detalhes dessa temática, o que de fato é muito interessante e por isso eu gostaria de poder conferir também.
    Beijos, F

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  3. Oi. Acho bem interessante a temática. Não conhecia o livro, mas já ouvi falar sobre o filme. Li Violetas na Janela, um livro psicografado, que me deixou bem instigada. Assim como você falou, há detalhes demais, que nos fazem pensar e refletir sobre a vida é o que vem depois dela. Não sou espírita, mas gostaria de conhecer melhor. A dica é muito válida, e com certeza vou anotar. Beijo 😘

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  4. Definitivamente este livro não é pra mim. Não tenho religião e não acredito em coisas sobrenaturais como vida após a morte e coisas do tipo, então, não me interesso por estes assuntos. Mas a sua resenha me fez perceber que talvez este livro seja o presente perfeito para os amigos que gostam do assunto.
    Beijos

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  5. Olá Aryanna,
    Adoro livros do gênero, mas não me lembro de ter visto esse título ainda. Achei muito bacana toda a pesquisa que foi feita para escrevê-lo e fiquei muito contente por você ter gostado de conhecer esse novo lado de ver a vida e a morte.
    Acho que é uma obra que vai acrescentar muito e vou anotar a dica.
    Beijos

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    1. Oi, Bruna! Com certeza me acrescentou bastante; espero que aconteça o mesmo com você! Beijo!

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  6. Eu não conhecia esse titulo e esse gênero sempre me chamou a atenção, justamente por isso, essa riqueza de detalhes e relatos que nao tem a intenção de convencer quem lê e sim de mostrar essa realidade de quem faz parte do meio, sem contar que essa capa é maravilhosa!

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    1. Oi, Dayhara! Espero que tire um tempinho pra dar uma olhada no livro; independente de acreditarmos ou não, a mensagem que o livro nos passa é marcante.
      Abraço!

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  7. Oii, tudo bem?
    Até pouco tempo atrás eu não sabia nada sobre o espiritismo, mas ao ler um livro do gênero eu me interessei muito pelo assunto, e acredito que esse livro seria uma fantástica e muito instrutiva.

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  8. Olá!
    Eu gosto muito de acompanhar livros espíritas e ainda não conhecia esse, mas fiquei super curiosa por causa de todo esse trabalho de investigação por parte do autor. Eu acredito muito nessas coisas, então é uma obra que me chamou muito a atenção.
    Beijos.

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  9. Oi!
    Fico feliz que tenha gostado do livro, pois ele parece ser bastante interessante para quem gosta de temática com tantas cartas e tals.
    Mas infelizmente não leio nada do gênero, e vou deixar passar a dica

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  10. Nâo gosto muito dessa ideia de psicografia, não confio. Mesmo minha família sendo espírita e tudo o mais... É a mesma coisa dos livros espíritas... Posso escrever um livro e falar que foi feito pelo espírito do fulano, ora bolas!

    Evito um pouco ler coisas relacionadas a religião, é tudo meio polêmico pra mim, huahuaha!

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  11. Olá!
    Já li muitos livros espíritas, no geral trazem uma mensagem de esperança, amor e fraternidade. Assim como vc eu tenho mais dúvidas do que certezas, mas os ensinamentos fraternais do espiritismo são super válidos, eu adoro.
    Ainda não li esse livro, mas assisti ao filme e amei!
    Abs e parabéns pela resenha ^^

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    1. Exatamente, Francine! Independente de ser verdade ou não, a mensagem de apoio e fraternidade que eles passam é o que fica e o que importa!
      Fico contente de ver que você também absorveu isso
      Abraço e obrigada!

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