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10.8.17

{Resenha} Em Águas Sombrias



Título Original: Into the water
Autora: Paula Hawkins
Editora: Record
Sinopse: Cuidado com superfícies muito calmas, nunca se sabe o que pode haver embaixo delas. Da mesma autora do best-seller internacional A garota no trem.
Nos dias que antecederam sua morte, Nel ligou para a irmã. Jules não atendeu o telefone e simplesmente ignorou seu apelo por ajuda. Agora Nel está morta. Dizem que ela se suicidou. E Jules foi obrigada a voltar ao único lugar do qual achou que havia escapado para sempre para cuidar da filha adolescente que a irmã deixou para trás. Mas Jules está com medo. Com um medo visceral. De seu passado há muito enterrado, da velha Casa do Moinho, de saber que Nel jamais teria se jogado para a morte. E, acima de tudo, ela está com medo do rio, e do trecho que todos chamam de Poço dos Afogamentos… Com a mesma escrita frenética e a mesma noção precisa dos instintos humanos que cativaram milhões de leitores ao redor do mundo em seu explosivo livro de estreia, A garota no trem, Paula Hawkins nos presenteia com uma leitura vigorosa e que supera quaisquer expectativas, partindo das histórias que contamos sobre nosso passado e do poder que elas têm de destruir a vida que levamos no presente.
“Para todas as encrenqueiras.”
Este é o primeiro livro da Paula Hawkins que li. Embora tenha seu outro livro bem famoso, Em Águas Profundas foi o que escolhi para ler primeiro e fiquei realmente surpresa com o que encontrei nas 362 páginas deste livro. Não esperava, não mesmo.

O livro é sobre mulheres. Várias mulheres. Conta uma história que pode acontecer ou aconteceu no passado com várias de nós. Eu fiquei chocada com a realidade que a autora trouxe nas estórias que ela contou... 


O livro começa com Jules, irmã mais nova de Nel. A irmã complexada que teve sua vida arruinada pela irmã, desde a infância. Jules era a irmã feia, gorda e desengonçada que sentia que só envergonhava Nel e era torturada pela mesma, como só as irmãs mais cruéis conseguem fazer. Nel, por sua vez, era a irmã linda e cobiçada por todos os rapazes e todas as meninas queriam ser suas amigas. Por isso, voltar para a velha Casa do Moinho, onde tantas histórias ficaram para trás, lhe era mais dolorido que a perda da irmã.

Ela partiu, deixando para trás uma filha adolescente: Lena. Uma adolescente que exala rebeldia e revolta pelos poros. Raiva, também. Todos dizem que sua mãe saltou para dentro das águas, uma vez que a mulher era fascinada por todas as mortes que aconteceram naquela curva do rio. Porém, ela não. Lena não acredita que sua mãe seria capaz de tal ato, não era nada dramática e odiava grandes atos desesperados. Mas agora ela está sozinha, sua tia Jules parece perdida em meio a tanta carga emocional e é uma completa estranha: alguém que ela acredita que sempre teve inveja da mãe e por isso não aceitava nenhum contato.

Veja só: a cidade tem um rio em seu coração. E tais águas já viram muitas mortes com o passar dos anos, desde a época da inquisição... Em sua maioria, mulheres. Mulheres que mexiam com as coisas erradas, estavam em locais errados, com as pessoas erradas. E sempre eram as culpadas. E Nel Abbot estava escrevendo uma história sobre essas mulheres, um livro. Acompanhamos algumas das histórias, inclusive das mulheres condenadas por atos de feitiçaria... E sabemos que atos eram esses, não é?

Nikkie, uma velha “louca” que fala com espíritos e é adivinha auxilia Nel em algumas de suas histórias e tenta, a seu modo, ajudar essa família que está aos poucos se afogando, buscando razões para a morte recém-acontecida.

Antes de Nel, a melhor amiga de Lena também havia se jogado para o fundo das águas sombrias. Desde então, a cidade meio que “perdeu o juízo” e outras mortes vem à tona.
“Há quem diga que essas mulheres deixaram algo de si na água, outros que a água retém parte do poder de cada uma, pois desde então tem atraído para suas margens as desventuradas, as desesperadas, as infelizes, as perdidas. Elas vêm aqui para nadar com suas irmãs.”
São muitas as mulheres que tem suas vidas contadas nessas poucas páginas: a mãe torturada pela perda recente da filha; a esposa fiel e correta que está decepcionada com o marido, a irmã que está perdida, a filha que já não tem uma mãe... São tantas as histórias, tão familiares que não é difícil você encontrar alguém em sua vida que é parecida com elas. Mulheres que vez ou outra deixam algum homem bravo por seus comportamentos e atitudes. Afinal, ainda vivemos em um mundo de homens e muitas de nós ainda fazem tudo por eles.

Os homens deste livro variam em seus comportamentos e seus papéis: o pai ex-policial bruto, o filho policial gentil e compreensivo, o abusador, o pai distante... Garanto também que não é difícil encontrar ao seu redor homens com as personalidades destes personagens. A facilidade em identificar pessoas comuns do cotidiano é o que torna esse livro mais assombroso. Saber que pode ser real para muitas e muitos de nós.

Ele trata de temas crus: estupros, abusos, violência doméstica, aliciamento de menor. E o pior, é que dificilmente você identifica nas primeiras páginas o que aconteceu por causa do que. Você apenas deduz, assim como seus causadores. Pouco a pouco, a história vai sendo costurada e a raiva vai invadindo suas veias. Porque tudo o que a autora conta, é a verdade na vida de muitas pessoas. De muitas mulheres e crianças. E as vítimas, no fim, quase sempre são as culpadas, não é?
“Por que a esposa sempre odeia a outra mulher? Porque não odeia o próprio marido? Foi ele quem a traiu, foi ele quem jurou amá-la e cuidar dela e não sei mais o que para sempre. Por que não é ele que é empurrado de cima da porra de um penhasco?”
Mulheres são ensinadas a se odiarem, desde pequenas. A sentirem ciúmes, a se vestirem para ficar mais bonita que a outra mulher. Acredito que se a união das mulheres fosse maior, menos crimes contra nós seriam cometidos. Estamos em busca disso, com certeza. Sei que em muito avançamos com a luta de todas as mulheres a seu modo, seja ela feminista ou não goste de rótulos. Esse livro para mim foi marcante de todas as formas possíveis, me levando a refletir sobre diversos assuntos da nossa sociedade atual.

A capa é muito bonita, um rio de águas claras e profundas e temos a sensação de que alguém está se afundando. As folhas são amareladas e a fonte é de bom tamanho para a leitura. Você lê rapidamente, de tanto suspense que a história te causa. Os capítulos se dividem em diversos personagens, narrados por elas em primeira pessoa, o que torna tudo mais instigante. Há também capítulos das mulheres do passado, que morreram ou se suicidaram no rio da cidade de Beckford.

Fiquei eufórica com o final, sem acreditar que aquilo era realmente a verdade, depois de ter sentido alívio em algumas páginas antes. Mas não dá... É impossível. É difícil aguentar o senso de justiça/injustiça que te assola... Especialmente se você for mulher.

~Recebido em parceria com o Grupo Editorial Record~

1 comentários:

  1. a trama tem muito suspense e vários temas fortes, gostaria de ver como a autora abordou todos eles
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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