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3.8.17

{Resenha} O Livro dos Espelhos

Autor: E. O. Chirovici
Editora: Record
Ano: 2017
Sinopse: Quando o agente literário Peter Katz recebe por e-mail um manuscrito parcial intitulado O Livro dos Espelhos, ele fica intrigado. O autor, Richard Flynn, descreve seus dias em Princeton e documenta sua relação com Joseph Wieder, um renomado psicólogo, pesquisador e professor, assassinado em casa, em 1987.
Convencido de que o manuscrito completo vai revelar quem matou Wieder – um crime noticiado em todos os jornais mas que jamais foi solucionado – Peter Katz vê aí sua chance de fechar um negócio de um milhão de dólares com uma grande editora. O único inconveniente: quando Peter vai atrás de Richard, ele o encontra à beira da morte num leito de hospital, inconsciente, e ninguém mais sabe onde está o restante do original.Determinado a ir até o fim neste projeto, Peter contrata um repórter investigativo para desenterrar o caso e reconstituir o crime. Mas o que ele desenterra é, na verdade, um jogo de espelhos, uma teia de verdades e mentiras e uma trama mais complexa e elaborada que a do primeiro lugar na lista de mais vendidos dos livros de ficção.

Resenha:

Nunca escondi que suspenses policiais são meus livros favoritos. Quando li essa sinopse, envolvendo psicologia, assassinato não resolvido, investigação e mistério, tinha certeza que iria adorar essa história. Como psicóloga com um grande interesse na área criminal, O Livro dos Espelhos se tornou um prato cheio para aguçar minha curiosidade e me prender do início ao fim.

Richard Flynn sonhava em ser escritor desde sua época de faculdade, porém acabou se rendendo à carreira em uma agência de publicidade e nunca conseguiu realizar seu sonho. Até que um dia ele fica sabendo de uma notícia que traz à tona lembranças de seu último ano em Princeton, 1987, que terminou com um crime não solucionado e que ele finalmente resolveu escrever a respeito. Ele enviou as primeiras páginas do manuscrito para Peter Katz, junto a uma carta de apresentação que o deixou bastante curioso.

“Mas, às vezes, o ódio e a dor podem ser combustíveis tão poderosos quanto o amor. O resultado dessa necessidade é o livro que acabei de escrever, após um esforço que me deixou física e mentalmente exaurido.”

O livro é dividido em três partes, cada uma contendo alguns capítulos na visão de determinados personagens que fazem parte da investigação. A primeira parte, narrada por Peter Katz, nos traz a apresentação de Richard Flynn e seu manuscrito, além da notícia de que ele havia falecido, pouco tempo depois de ter enviado sua obra à Katz.

Nessa primeira parte, encontra-se o real manuscrito, em que Flynn conta como era sua vida em Princeton, e nos apresenta aos personagens mais relevantes da trama: Joseph Wieder, Laura Baines e Derek Simmons.

Richard e Laura moravam juntos, como colegas de quarto, na época em que ele estudava Literatura Inglesa e ela Psicologia. Joseph Wieder era um renomado professor de Psicologia, que estava realizando pesquisas relacionadas à memória, contando com a ajuda de Laura, e, posteriormente, também de Richard.

“Ele era um dos professores mais importantes de Princeton na época. Era visto como uma espécie de Prometeu, que descera para a companhia dos reles mortais a fim de compartilhar com eles o fogo dos deuses.”

Segundo o manuscrito com as lembranças de Flynn, ele e Laura se envolveram romanticamente, e ela o apresentou a Joseph Wieder, que o levou para trabalhar organizando sua biblioteca particular. Na época, Wieder trabalhou como um tipo de perito, fazendo parte de uma equipe de especialistas que avaliavam acusados de crimes em relação à sua saúde mental. Caso ficasse comprovada alguma doença mental que o tornasse incapaz de compreender a natureza das acusações sofridas, o réu era enviado a um hospital psiquiátrico forense.

Foi a partir daí que Wieder começou seus estudos sobre a memória, envolvendo amnésia, lembranças reprimidas e sua reorganização, utilizando técnicas como a hipnose. Derek Simmons fazia parte dos objetos de estudo do professor, após ter sido preso sob a acusação de homicídio. Para Joseph Wieder, Simmons sofria de Transtorno Dissociativo, que envolve a ocorrência periódica de perda de consciência de si mesmo, a memória e o senso de identidade, motivo pelo qual Derek não se lembraria de ter cometido o crime. Após um tempo no hospital, Simmons foi atacado por outro paciente e perdeu toda sua memória antiga, sendo capaz apenas de armazenar as novas. Quando foi solto, passou a fazer pequenos trabalhos para o professor, que o ajudou desde sua saída do hospital.

O professor Wieder foi assassinado no final de 1987, e apesar de todos terem sido interrogados, a polícia nunca conseguiu encontrar o culpado por este crime. Após a morte de Richard, o manuscrito se perdeu, e Peter Katz começa uma investigação para descobrir como a história termina, tentando resolver o enigma da morte de Joseph Wieder. Para isso, conta com a ajuda do repórter John Keller, o narrador da segunda parte do livro, e Roy Freeman, policial aposentado que era responsável pelo caso e narra a terceira e última parte do livro.

Durante as investigações, John, Peter e Roy conversam com todos os envolvidos e antigos suspeitos do crime, e cada um conta sua versão dos acontecimentos daquele ano, tecendo realmente uma rede de espelhos, cada hora apontando para um suspeito, sem conseguirmos entender realmente quem diz a verdade e quem mente. Ou será que é apenas uma questão de como cada um se lembra dos fatos?

“A caminho do aeroporto, me lembrei do título do livro de Flynn e do labirinto de espelhos distorcidos que costumava encontrar nos parques de diversão quando eu era garoto – tudo o que você via quando entrava lá era verdadeiro e falso ao mesmo tempo.”

Em uma nota ao final do livro, o autor diz que seu livro não é um mistério policial em que o mais importante é descobrir quem cometeu o crime, mas sim os motivos para isso ter ocorrido. E é realmente o que podemos perceber como sua intenção. Chirovici criou uma trama tão emaranhada e ao mesmo tempo tão bem costurada, que ainda ao final do livro queremos ler o restante do manuscrito de Richard Flynn e saber quais as revelações ele traria em seu ponto de vista.


“Todos erraram e enxergaram apenas suas próprias obsessões pelas janelas através das quais tentaram ver, janelas essas que na verdade nada mais eram que espelhos.”
~Recebido em parceria com o Grupo Editorial Record~

5 comentários:

  1. apesar de não ler muitos livros de suspense de vez em quando é bom, eles sempre me dão um nó adorável na mente
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Oie!
    Eu ainda não li o livro, e acredito que vou gostar dessa narrativa.
    É a primeira resenha que leio do livro, e fiquei bem interessada nessa trama. Algo que me chamou a atenção.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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  3. Esse livro mal chegou em minhas mãos e já estou devorando ele! Tudo é tão bem escrito, criou-se um mundo tao impecavel para essa história que é impossível não gostar dela, de verdade. Para mim foi um dos melhores livros desse ano.

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  4. Olá, tudo bem?
    Eu ainda não li esse livro e não é sempre que me interesso por romances policiais. Achei a premissa desse muito interessante, mas vi resenhas muito negativas que me deixaram com um certo receio.
    Aliás, acho que a sua resenha é a primeira que eu vejo elogiando esse livro, o que acabou reacendendo minha curiosidade. Gosto muito de livros em que cada hora achamos que uma pessoa é o suspeito e não conseguimos diferenciar quem está mentindo e quem está dizendo a verdade. No entanto, essa nota do autor no final do livro me deixou com medo de que o final não seja conclusivo de quem é o assassino. Sou muito curiosa e não saberia lidar com isso kkkk.
    Adorei sua resenha e vou considerar a possibilidade de ler esse livro mais para frente, apesar de ainda estar com o pé atrás com ele rs.
    Beijos!

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  5. Oi Amanda,
    Estou com esse livro em casa para ler, mas não sei muito bem o que esperar. Tenho livro impressões bastante divergentes. Fiquei contente por ler suas impressões e por você ter nos presenteado com a nota que tem ao final do livro. Eu também acho que é mais importante saber a motivação do que o quem.
    Vou arriscar na leitura.
    Beijos,
    http://www.umoceanodehistorias.com/

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