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11.9.17

{Resenha} Mistério em Chalk Hill


Título Original: Der Verbotene Fluss
Autora: Susanne Goga
Editora: Jangada
Sinopse: Em 1890, depois de um escândalo que afetou sua reputação, Charlotte Pauly deixa Berlim e vai lecionar para a pequena Emily, em Chalk Hill, uma mansão vitoriana nos arredores de Londres. Charlotte logo percebe uma estranha atmosfera na antiga casa. A menina de 8 anos é sempre atormentada por pesadelos e visões fantasmagóricas da mãe, que se afogou no rio da propriedade em circunstâncias misteriosas. Quando Charlotte tenta saber a respeito da morte de Lady Ellen, o pai de Emily, Sir Andrew, reage com hostilidade. Com tudo envolto em um grande mistério, somente com a ajuda de Tom Ashdown, um jornalista londrino designado para investigar o caso, é que Charlotte poderá verificar o que há por trás dos fenômenos sobrenaturais que assolam a mansão e descobrir uma trágica verdade escondida nas paredes de Chalk Hill...
“- Isso é muito bom, Miss Pauly, realmente muito bom. Uma mulher que diz o que pensa.
- Não deveriam todas agir dessa maneira?
- Hum, me parece que a maioria é educada justamente para não agir dessa maneira. (...)”
Charlote Pauly é uma preceptora alemã cuja vida foi abalada por um escândalo ao qual não conseguiu evitar ser afetada emocionalmente. Sabia que em Berlim não conseguiria um bom trabalho e nem paz para sua alma, então acabou por encontrar trabalho na Inglaterra. Nunca havia ido tão longe de sua família, que foi contra a sua decisão, mas não a impediram.

Escalada para trabalhar em Chalk Hill, uma belíssima casa em uma região ainda mais bela, deparou-se logo em sua chegada com desafios: os funcionários não lhe respeitavam como deveriam, afinal hierarquicamente a sua posição na casa era acima daquela a qual pertenciam. Não sei deixou abalar, obviamente. Charlotte sabe muito bem seu lugar na casa e se dispõe a provar isso para todos.

A menina a qual iria ensinar é Emily: uma criança descrita como frágil pelo pai, mas que não queria negar à ela a educação correta. A impressão que tive é que ele quase não queria que ela tivesse momentos para brincar, ocupando todo seu tempo com atividades educativas. Que bom que Fraülein Pauly entende de crianças melhor que ele né?

Mr. Andrew Clayworth perdeu a esposa recentemente. É um deputado londrino que passa pouco tempo com a filha, preferindo que a babá e a preceptora cuidem da menina. É frio e distante, esconde atrás de uma máscara de polidez porém, quando fala do que gosta, dá para ver um pouco da pessoa que ele poderia ter sido antes do desastre.

Como toda grande casa, há empregados que cuidam dela. A governanta é alguém que quase nunca
aparece, exceto para fazer resistência à presença da moça alemã. Nora é a babá de Emily e cuida dela como se a mesma fosse sua filha. Há vários outros... E todos eles parecem seguir algum código sobre não falar o que aconteceu naquela casa. Mesmo com as perguntas da protagonista, eles sempre a repelem e dizem que o senhorio não quer que o nome da falecida esposa surja dentro daquela casa.
E não é só em Chalk Hill... Até mesmo a cidade a qual ela é ligada, ninguém menciona o que aconteceu, é tabu. E o que acontece quando um acontecimento não é processado corretamente por uma pessoa?

Pois é. Charlotte se depara com uma Emily frágil e tomada por um pesar profundo, não elaborado... Não teve luto. Então coisas estranhas acontecem naquela casa e a criança é atormentada pelo espírito da mãe. A família vai em busca de ajuda em Londres e contrata os serviços de uma agência que estuda casos como o da menina e Tom Ashdown, um jornalista e resenhista é designado para investigar o caso.

Algo que achei muito interessante é Tom é resenhista! Ele assiste peças de teatro, lê livros e etc. e faz resenhas deles para o jornal. Até conseguimos identificar algumas obras que ele cita. É um homem que também já tem sua carga para carregar e o que encontra em Chalk Hill o deixa perplexo. Bem como a companhia de Miss Pauly, obviamente...

A escrita da autora é muito boa, de modo que, mesmo que o começo eu tenha demorado um pouco para engrenar, no final eu já estava devorando cada palavra. Acho que já estou acostumada com livros do estilo, pois só precisei de uma pista para descobrir o mistério!!! Embora, sinceramente, eu não esperava aquele final, a autora conseguiu me pegar direitinho! E também deixa, de fato, algo no ar, para o leitor acreditar ou não.

Tom é um bom personagem. Ele é sarcástico e bate de frente com outros personagens quando está certo. Ele e Charlotte trabalham muito bem juntos... Já que ela é privada de realizar muitas coisas por ser mulher, preceptora e funcionária da casa, ela conta com a ajuda dele para ir onde não pode e isso funciona muito bem.

Todos os personagens cumprem bem o seu papel, em especial nossa carismática protagonista. Vemos seu sofrimento e seu cuidado com Emily e o quanto ela luta para manter a criança feliz e segura. O final é de cortar o coração.

O foco não é de modo algum em romance, mas sim na trama que o livro propõe e gostei muito disso. Não perde a linha nenhuma vez e todos os nós são desatados, a autora não deixa nada para trás.
A capa é muito bonita, vemos Charlotte e a mansão cobra por uma névoa sombria, que é justamente o clima que a moça encontra por dentro daquelas janelas. A diagramação é simples e confortável, as letras possuem um espaçamento agradável aos olhos, disposta em páginas amareladas e boas de manusear.

Acredito que esse tenha sido um bom livro de mistério lido esse ano. Se gosta de suspense, fantasmas e protagonistas femininas fortes, Mistério em Chalk Hill é uma ótima pedida!

2 comentários:

  1. Oi Priscila, tudo bem? eu não leio muito livros do gênero, mas gostei da premissa é bom saber que a leitura engrena e que a autora ainda surpreende no final! Acho que vou curtir!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  2. o livro não tem muitos elementos que me agradam, mas a trama em si me deixou bem curiosa
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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